domingo, 16 de julho de 2017

Diabete ou Diabetes?



Quantas dúvidas sobre uma só palavra: A diabete? As diabetes? O diabete? Os diabetes? O diabetes?

Uma rápida consulta ao competentíssimo Dicionário Houaiss esclarece tudo.

n substantivo de dois gêneros e dois números
Rubrica: endocrinologia.
1 cada um dos distúrbios caracterizados basicamente por excreção excessiva de urina (poliúria) e sede intensa (polidipsia)
1.1 Derivação: frequentemente.
m.q. diabetes melito

Notou? Substantivo de dois gêneros e dois números. Ou seja, as duas formas estão corretas.

- Eu sofro de diabetes.
- Eu sofro de diabete.

- A diabetes é uma doença muito comum.
- O diabetes é uma doença muito comum.

Mas cuidado: Não se pode usar o artigo no plural. 

Os diabetes é (são) uma doença muito comum.

O dicionário Houaiss sugere que se evite a forma no singular (diabete).

n substantivo de dois gêneros
Rubrica: endocrinologia.

f. não pref. de diabetes  


Portanto, as duas formas estão corretas; mas prefira a forma pluralizada diabetes, em quaisquer dos dois gêneros (O diabetes ou A diabetes) deixando sempre o artigo no singular.



Ita est!
Prof. Zanon  

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Os Dois Horizontes


Dois horizontes fecham nossa vida:

Um horizonte, — a saudade
Do que não há de voltar;
Outro horizonte, — a esperança
Dos tempos que hão de chegar;
No presente, — sempre escuro,—
Vive a alma ambiciosa
Na ilusão voluptuosa
Do passado e do futuro.

Os doces brincos da infância
Sob as asas maternais,
O vôo das andorinhas,
A onda viva e os rosais;
O gozo do amor, sonhado
Num olhar profundo e ardente,
Tal é na hora presente
O horizonte do passado.

Ou ambição de grandeza
Que no espírito calou,
Desejo de amor sincero
Que o coração não gozou;
Ou um viver calmo e puro
À alma convalescente,
Tal é na hora presente
O horizonte do futuro.

No breve correr dos dias
Sob o azul do céu, — tais são
Limites no mar da vida:
Saudade ou aspiração;
Ao nosso espírito ardente,
Na avidez do bem sonhado,
Nunca o presente é passado,
Nunca o futuro é presente.

Que cismas, homem? – Perdido
No mar das recordações,
Escuto um eco sentido
Das passadas ilusões.
Que buscas, homem? – Procuro,
Através da imensidade,
Ler a doce realidade
Das ilusões do futuro.


Dois horizontes fecham nossa vida.

Machado de Assis

sexta-feira, 10 de março de 2017

Sobre "discurso direto" e "discurso indireto"

No "discurso direto" usamos:

* Verbo no presente do indicativo:
- Não bebo desta água - afirmou o menino.

* Verbo no pretérito perfeito:
- Perdi meu livro - disse ele.

* Verbo no futuro do indicativo:
Ele afirmou: - Irei à igreja.

* Verbo no imperativo:
- Aplaudam! - ordenou o mestre de cerimônias.


No "discurso indireto" usamos:

* Verbo no pretérito imperfeito do indicativo:
O menino afirmou que não bebia daquela água.

* Verbo no pretérito mais-que-perfeito:
Ele disse que perdera seu livro.

* Verbo no futuro do pretérito:
Ele confessou que iria ao jogo.

* Verbo no pretérito imperfeito do subjuntivo:
O mestre de cerimônias ordenou que aplaudíssemos.



Ita est!
Prof. Zanon

Gravura. Coletada em: https://descomplica.com.br/blog/portugues/ambiguidade-polissemia-tipos-de-discurso-e-intertextualidade/. Acessado em 10.03.2017 às 11h14.





sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Travessia

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas …
Que já têm a forma do nosso corpo …
E esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos
mesmos lugares …

É o tempo da travessia …
E se não ousarmos fazê-la …
Teremos ficado … para sempre …
À margem de nós mesmos…


Fernando Pessoa



sábado, 21 de janeiro de 2017

Tem ou têm?

A regra é: TEM é o singular; TÊM é o plural.

Um aluno tem interesse. (Um aluno = Ele (singular))
Dois alunos têm interesses. (Dois alunos = Eles (plural))

A mesma regra vale para a dupla VEM e VÊM:

O professor vem sempre aqui, mas os alunos só vêm aos sábados.

Ita est!
Prof. Zanon

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Sou um professor apaixonado pela educação, pela literatura, pela língua portuguesa e pela arte de escrever. Como tantos educadores, um idealista. Fascina-me a incomensurável capacidade de transformação do ser humano. Por que me ufano da minha profissão? Porque sei que quando leciono, não estou apenas passando conteúdos, mas também destruindo mitos, dogmas e raciocínios falaciosos que cerceiam a liberdade humana.