sábado, 26 de dezembro de 2009

A língua portuguesa é machista?

Na língua portuguesa, o adjetivo pode ir para o masculino plural, o que se constitui numa demonstração do prestígio do masculino na nossa gramática.

Mesmo que existam na frase mil substantivos enfileirados dos quais novecentos e noventa e nove são femininos, e apenas um é masculino, o adjetivo irá para o masculino.

Veja alguns exemplos:

- Comprou canetas, borrachas, réguas e lápis novos.
- A moça usava chapéu, blusa, saia e sandálias modernos.
- Tivemos um dia e uma noite agitados.

Significa isso que nossa língua é inflexivelmente machista? Não é bem assim. Existe a famosa lei da atração também na gramática. É gramaticalmente admissível que o adjetivo, por atração, venha a concordar com o substantivo mais próximo, ou seja, com o último substantivo da sequência.

Exemplos:

- Tivemos um dia e uma noite agitada.
- Ela usava sandália e chapéu moderno.
- Comprou um carro e duas casas novas.

Ita est!
Prof. Zanon

"Nós vamos se encontrar no cinema"

Essa frase é muito comum nas bocas dos adolescentes de todas as classes. Há algum problema (gramatical) com ela? Vejamos.

"Nós" é pronome da primeira pessoa. "Se" também é pronome, mas da terceira pessoa. O pronome reto "nós" exige o oblíquo "nos".

Sendo assim, diga "nós vamos nos encontrar no cinema".

Ita est!
Prof. Zanon

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

"por causa que", "por causa de que" ...

Com certeza você já ouviu alguma frase parecida com esta:

Ficou contente “por causa que” ninguém se feriu.

Embora popular, essa locução deve ser evitada.

Troque pelo "porque":

Ficou contente porque ninguém se feriu.

Ita est!
Prof. Zanon

terça-feira, 24 de novembro de 2009

"Eu irei consigo!"

Quantas vezes já ouvimos alguém dizer: "Eu irei consigo”.

O pronome pessoal "consigo" é reflexivo, mas é comum seu uso em conversação, sobretudo em Portugal, sem significação reflexa, representando a pessoa com quem se fala e a quem tratamos por você, o senhor, a senhora etc. (não vou mais jantar consigo = com o Sr. ou com a Sra. ou com vocês etc.)

O pronome "consigo" tem os seguintes sentidos:

1) na companhia física daquele de quem se fala, ou daquele a quem se fala, se o tratamos por você, o senhor, a senhora, Vossa Senhoria etc. Exs.: "os visitantes trouxeram consigo seus filhos"; "da próxima vez, traga sua mulher consigo".

2) em seu poder. Exs.: "não tinha qualquer arma consigo"; "você tem consigo algum documento?"

3) no espírito, na alma ou na mente daquele sobre quem se fala ou daquele a quem se fala, quando o tratamento é você etc.; dentro de si. Exs.: "levou consigo boa impressão do nosso trabalho"; "guardem consigo boas lembranças".

4) de si para si; com os seus botões. Exs.: "tudo isso pensava lá ele consigo"; "reflita consigo sobre isto".

5) em seu proveito, em seu benefício, ou em seu prejuízo. Exs.: "ele nada gasta consigo"; "não seja injusto consigo".

6) sob sua responsabilidade ou incumbência. Ex.: "tinha consigo a direção dos negócios da família".

Portanto, prefira o uso do pronome "consigo" de modo reflexivo. Diga: "Eu irei com você", "irei com o senhor" etc.

Também não diga "pensou consigo mesmo", pois "consigo mesmo" é redundância. Diga simplesmente: "pensou consigo".

Ita est!
Prof. Zanon

O livro "onde" ele defende essa ideia?

Observe esta frase:

"O livro onde ele defende essa ideia é o mesmo que estudaremos amanhã".

Vamos lá.

"Onde" é um advérbio, e significa "em que lugar, em qual lugar (indagando ou especializando)
Exemplos: "Onde vives?"; "Perguntava-se onde iria hospedá-los"; "o lugar onde está a casa é lindo!"

Portanto, o "onde" só pode ser usado para lugar. Nos demais casos, podemos usar "em que": "O livro em que ele defende essa ideia..."; "A tese em que…"; "A faixa em que ele canta…"; "Na entrevista em que…" etc.

Ita est!
Prof. Zanon

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A modelo "pousou" ou "posou"?

POSAR: ficar imóvel numa determinada posição, para que lhe retratem. Exs.: "estão posando para a foto de formatura"; "posar é muito cansativo".

POUSAR: interromper o voo e descer (na terra ou em outro planeta); aterrissar, aterrar, alunar, alunissar. Exs.: "a nave pousou na Lua"; "o avião acaba de pousar".

Houaiss

Portanto, "a modelo posou o dia todo". Modelo posa (de pose). Quem pousa é ave, avião, balão, nave etc.

Aproveitando o ensejo: Não confunda também iminente (prestes a acontecer) com eminente (ilustre). Nem tráfico (contrabando) com tráfego (trânsito).

Ita est!
Prof. Zanon

sábado, 14 de novembro de 2009

"Éramos seis" ou "éramos em seis"?

"Éramos seis" ou "éramos em seis"?

Este é um erro muito comum: Estávamos em quatro à mesa. Éramos em seis. Ficamos em cinco na sala.

O "em" não cabe nessas construções. Por que não? Porque os verbos estar/ser/ficar usados nessas orações são verbos de ligação. A função dos verbos de ligação é apenas ligar o sujeito a um predicativo. Esses verbos não pedem preposição.
Na fala é muito comum ouvirmos frases como as acima. Mas, como essas preposições não são regidas pelos verbos que as antecedem (pois são verbos de ligação), devem ser 
banidas nessas construções.

Portanto, prefira as formas: Estávamos quatro à mesa. Éramos seis. Ficamos quatro na sala.


Em tempo: Éramos seis é o título de um famoso romance de Maria José Dupré. 



Muitos não se lembram do livro, mas provavelmente se lembram da novela do SBT que fez um sucesso razoável com Irene Ravache e Othon Bastos como protagonistas.




Ita est!

Prof. Zanon

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

"Esperavam-o" ou "esperavam-no"?

"O doutor estava atrasado, mas os pacientes esperavam-o pacientemente". :-(

Legal essa frase, não é? E muito improvável também, pois geralmente os pacientes são muito impacientes.

Mas temos uma derrapada gramatical aí. Percebeu?

Quando o verbo termina em m, ão ou õe, os pronomes o, a, os e as tomam a forma no, na, nos e nas: As pessoas esperavam-no. / Dão-nos, convidam-na, põe-nos, impõem-nos.

O correto então seria:
"O doutor estava atrasado, mas os pacientes esperavam-no pacientemente". :-)

Ita est!
Prof. Zanon

sábado, 7 de novembro de 2009

Sabe ou não sabe?

Olha a manchete de um jornal local:

Cerca de 187 pessoas saudaram o presidente da companhia.

"Cerca de" indica arredondamento e não pode aparecer com números exatos. Quando sabemos o número exato, devemos indicá-lo diretamente:

187 pessoas saudaram o presidente da companhia.

Mas quando não sabemos o número exato, mas aproximado, então sim podemos escrever:

Cerca de 200 pessoas saudaram o presidente da companhia.

Simples assim!

Ita est!
Prof. Zanon

"Nada haver"?

A questão não tem nada “haver” com você. :-(

A questão, na verdade, não tem nada a ver ou nada que ver. :-)

Igualmente: Tem tudo a ver com você.

Ita est!
Prof. Zanon

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Três dicas valiosas!

1-) Nunca “lhe” vi.

"Lhe" substitui a ele, a eles, a você e a vocês e por isso não pode ser usado com objeto direto:

Nunca o vi. / Não o convidei. / A mulher o deixou. / Ela o ama.


2-) “Aluga-se” casas.

O verbo concorda com o sujeito:

Alugam-se casas. / Fazem-se consertos. / É assim que se evitam acidentes. / Compram-se terrenos. / Procuram-se empregados.


3-) “Tratam-se” de.

O verbo seguido de preposição não varia nesses casos:

Trata-se dos melhores profissionais. / Precisa-se de empregados. / Apela-se para todos.

Ita est!
Prof. Zanon

Comprei "ele" para você

Comprei “ele” para você. Quem nunca disse uma frase dessa maneira?!

Mas para falar bonito mesmo, vamos relembrar a regra:

Eu, tu, ele, nós, vós e eles não podem ser objeto direto.

Portanto, devemos dizer: Comprei-o para você.

Também: Deixe-os sair, mandou-nos entrar, viu-a, mandou-me.

Ita est!
Prof. Zanon

Preferia ir "do que" ficar.

Prefere-se sempre uma coisa a outra:

Preferia ir a ficar.

É preferível segue a mesma norma:

É preferível lutar a morrer sem glória.

Ita est!
Prof. Zanon

Venda a prazo: com ou sem crase?

Talvez você já tenha visto alguma placa com os dizeres:

“Venda à prazo”

E aí surgiu a dúvida: com ou sem crase?

Esta é fácil de memorizar:

Não existe crase antes de palavra masculina, a menos que esteja subentendida a palavra moda: Salto à (moda de) Luís XV.

Nos demais casos: A salvo, a bordo, a pé, a esmo, a cavalo, a caráter... sempre sem crase.

Ita est!
Prof. Zanon

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Locuções

Vamos relembrar:

Locuções são conjuntos de palavras que possuem valor e função determinados.

Assim, locuções substantivas funcionam como substantivos. Exemplos: fim de semana, cão de guarda, sala de jantar etc.

Locuções adjetivas funcionam como adjetivos. Exemplos: café com leite, cor de vinho, cor de café etc.

Locuções pronominais funcionam como pronomes. Exemplos: nós mesmos, cada um, ele próprio etc.

Locuções adverbiais fazem papel de advérbios. Exemplos: à vontade, de mais, depois de amanhã etc.

Locuções prepositivas têm função de preposição. Exemplos: a fim de, enquanto a, quanto a etc.

Locuções conjuncionais fazem papel de conjunção. Exemplos: logo que, ao passo que, visto que etc.

E lembre-se que o Acordo Ortográfico determinou que não se emprega hífen nas locuções, com exceção de casos já consagrados pelo uso, como: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa e mais-que-perfeito.

Ita est!
Prof. Zanon

Prefixos e sufixos

Vamos relembrar:

Prefixos são os elementos que na formação das apalavras vêm antes dos radicais (radical é a parte principal, a raiz da palavra), como "in" em "invisível" e "re" em "reescrever".

Sufixos são colocados depois dos radicais, como "mente" em "calmamente" e "ia" em "advocacia".

Ita est!
Prof. Zanon

Falsos prefixos

Falsos prefixos são os radicais de origem grega ou latina que assumem o sentido global de uma palavra da qual antes era um elemento componente. Um exemplo é "auto", que, em grego, significa "por si mesmo", "próprio", mas na língua moderna assumiu o sentido de "automóvel", palavra que antes compunha. E com esse novo sentido ele funciona como falso prefixo na formação de outras palavras, como autoestrada e autoescola.

Ita est!
Prof. Zanon

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Texto dissertativo

Dissertar consiste em argumentar em torno de uma ideia, baseando-se em um ponto de vista para fazer defesas ou acusações. Um texto dissertativo é construído através de fundamentação. Nesse tipo de texto você estará expondo suas ideias sobre um determinado tema. Antes de começar a escrever, é preciso ter em mente qual é o seu principal objetivo e o que você quer provar àquele que está lendo.

Redação dissertativa é a mais cobrada em vestibulares, concursos e também no ENEM. Trazem uma orientação e a partir dela você cria seu texto. Não fuja do tema proposto e organize seu texto em um rascunho. Fique sempre atento ao que está escrevendo! Coloque-se sempre no lugar do leitor e nunca deixe ideias vagas em seu texto.


Ita est!

Prof. Zanon


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O que se espera de uma boa redação no ENEM?

O ENEM espera de seus candidatos basicamente o mesmo que outros exames e concursos esperam de alguém que escreve um texto dissertativo. A temática é sempre atual, abordando assuntos que tenham sido focos da mídia recentemente, e espera-se que o aluno faça uma proposta de intervenção para melhoria ou solução do problema apresentado.

Para aprimorar a escrita do texto argumentativo, leia regularmente editoriais e artigos de opinião de jornais e revistas, pois são bons exemplos de discursos persuasivos.

Sempre recomendo aos meus alunos criarem o hábito de escrever regularmente textos de opinião. Assistiu um filme, uma peça de teatro, leu um livro ou um artigo, viu algo interessante (ou polêmico) nos noticiários? Escreva um pequeno texto com seu ponto de vista sobre o assunto, argumentando com um interlocutor imaginário. Pense em como poderia convencer alguém que a sua maneira de encarar o assunto é a melhor.

Cuidado com os problemas mais frequentes: concordâncias verbal e nominal erradas, oscilação de emprego de pronomes de primeira e terceira pessoas, falhas no emprego dos pronomes oblíquos e principalmente oralidade na exposição. É sempre bom revisar essas regras em uma boa gramática antes de partir para uma proposta de redação, até que se tenha domínio delas.

Cuidado com o modo de construir cada período; elabore o texto de forma progressiva, argumentando de modo crescente até culminar na conclusão.

Depois de rascunhar o texto, faça uma boa revisão, atentando para ortografia, coerência e coesão. Um padrão de excelência só se consegue depois de ler, reler e reescrever, melhorando o texto a cada passada de olhos.

A proposta de redação do ENEM geralmente fornece textos de apoio. Muitos alunos copiam os fragmentos ou tentam fazer uma explicação deles na redação. Evite esse erro. Os textos de apoio devem ser usados somente como subsídio. Espera-se que os candidatos apropriem-se do material de apoio, dando sentido a ele dentro da redação.

São condições de nulidade de redação no ENEM e em qualquer vestibular: ser ilegível, fugir totalmente ao tema proposto, não obedecer aos tipos de composição propostos (narração- dissertação-descrição), apresentar 20 ou mais erros de ortografia, 20 ou mais erros de pontuação, e estar escrita a lápis.

Nunca use em seu texto frases que estavam prontas na orientação apresentada. Isso pode ser considerado plágio e sua redação corre o risco de ser anulada.

Gírias ou ditados populares não devem aparecer em sua dissertação (é um caso de plágio também). Caso queira usar, por exemplo: Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura; que é um ditado, construa assim: “Como diz o ditado popular: água mole em pedra dura…”

Procure não utilizar a primeira pessoa em sua redação, principalmente quando for determinado texto objetivo. A primeira pessoa dá um caráter muito subjetivo ao seu texto, o que de certa forma prejudica sua argumentação.

Como o ENEM foi adiado para dezembro de 2009, há tempo suficiente para aprimorar sua habilidade de redigir textos argumentativos. Então mãos à obra!

Ita est!
Prof. Zanon

História ou Estória?

Antigamente, havia uma distinção entre "história" (com h) e "estória" (com e). "Estória" era entendido como "um conto popular tradicional, uma narrativa de ficção", e era uma palavra proposta por estudiosos do folclore com o intuito de diferenciar história (folclore) de história (ciência).

Mas a ideia não pegou. Por isso os dicionários registram "estória" como palavra em desuso, e sugerem a forma tradicional. Por exemplo, sob o verbete "estória" o iDicionário Aulete registra:


(es.tó.ri:a) sf. 1. Bras. Ver história (3) [A palavra foi proposta para designar narrativa de ficção, mas a forma preferencial é história.] [F.: Do ing. story.]

Cegalla também não recomenda o uso de "estória". "Não nos parece necessário o neologismo. Por isso, recomendamos que, em qualquer acepção se use apenas "história": História do Brasil, histórias da carochinha, a história do Chapeuzinho Vermelho, a história do Santo Graal etc." - CEGALLA, 1996, p. 120

Então está combinado! Esqueça esta história de escrever história de ficção com "e". Escreva qualquer tipo de história com "h" e seja feliz.

Ita est!
Prof. Zanon

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Candidatos ao ENEM - Dicas de como escrever um bom texto

-Deve-se evit. ao máx. a utiliz. de abrev., etc.

-É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita demasiadamente rebuscado. Tal prática advém de esmero excessivo que raia o exibicionismo narcisístico.

-Anule aliterações altamente abusivas.

-não esqueça as maiúsculas no início das frases.

-O uso de parêntesis (mesmo quando for relevante) é desnecessário.

-Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.

-Evite o emprego de gíria, mesmo que pareça nice, sacou??… então valeu!

-Nunca generalize: generalizar é um erro em todas as situações.

-Evite repetir a mesma palavra pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.

-Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: “Quem cita os outros não tem ideias próprias”.

-Frases incompletas podem cansar

-Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, não repita a mesma ideia várias vezes.

-Seja mais ou menos específico.

-Frases com apenas uma palavra? Jamais!

-A voz passiva deve ser evitada.

-Utilize a pontuação corretamente o ponto e a vírgula pois a frase poderá ficar sem sentido especialmente será que ninguém mais sabe utilizar o ponto de interrogação ?

-Quem precisa de perguntas retóricas?

-Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.

-Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.

-Evite mesóclises. Repita comigo: “mesóclises: evitá-las-ei! ”

-Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.

-Não abuse das exclamações! Nunca!!! O seu texto fica horrível!!!!!

-Evite frases exageradamente longas pois estas dificultam a compreensão da ideia nelas contida e, por conterem mais que uma ideia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçam, desta forma, o pobre leitor a separá-la nos seus diversos componentes de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.

-Cuidadu com a hortografia, para não estrupar a língúa portuguêza.

-Seja incisivo e coerente, ou não.

-Não fique escrevendo (nem falando) no gerúndio. Você vai estar deixando seu texto pobre e estar causando ambiguidade, com certeza você vai estar deixando o conteúdo esquisito, vai estar ficando com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo. E como você vai estar lendo este texto, tenho certeza que você vai estar prestando atenção e vai estar repassando aos seus amigos, que vão estar entendendo e vão estar pensando em não estar falando desta maneira irritante.

-Outra barbaridade que tu deves evitar tchê, é usar muitas expressões uai, que acabem por denunciar a região onde tu moras!… nada de mandar esse trem… vixi… entendeu bichinho?

-Não permita que seu texto acabe por rimar, porque senão ninguém irá aguentar já que é insuportável o mesmo final escutar, o tempo todo sem parar.

Ita est!
Prof. Zanon

Deduções perigosas

Deduzir o significado de uma palavra pode ser perigoso. É bom sempre consultar o dicionário. Eis a prova:


Pressupor – Colocar preço em alguma coisa.
Padrão – Padre muito alto.
Estouro – Boi que sofreu operação de mudança de sexo.
Democracia – Sistema de governo do inferno.
Barracão – Proíbe a entrada de caninos.
Ministério – Aparelho de som de dimensões muito reduzidas.
Detergente – Ato de prender seres humanos.
Conversão – Papo prolongado.
Barganhar – Receber um botequim de herança.
Unção – Erro de concordância verbal.O certo seria “um é”.
Expedidor – Mendigo que mudou de classe social.
Luz solar – Sapato que emite luz por baixo.
Cleptomaníaco – Mania por Eric Clapton.
Contribuir – Ir para algum lugar com vários índios.
Cerveja – O sonho de toda revista.
Regime Militar – Rotina de dieta e exercícios feitos pelo exército.
Caçador – Indivíduo que procura sentir dor.
Volátil – Avisar ao tio que você vai lá.
Assaltante – Um “A” que salta.
Determine – Prender a namorada de Mickey Mouse.
Pornográfico – O mesmo que colocar no desenho.
Coordenada – Que não tem cor.
Presidiário – Aquele que é preso diariamente.
Ratificar – Tornar-se um rato.
Violentamente – Viu com lentidão.
Diabetes – As dançarinas do diabo.

SOBRE A VÍRGULA


Vírgula pode ser uma pausa... ou não.

Não, espere.

Não espere.


Ela pode sumir com seu dinheiro.

23,4.

2,34.


Pode ser autoritária.

Aceito, obrigado.

Aceito obrigado..


Pode criar heróis.

Isso só, ele resolve..

Isso só ele resolve.


E vilões.

Esse, juiz, é corrupto.

Esse juiz é corrupto.


Ela pode ser a solução.

Vamos perder, nada foi resolvido.

Vamos perder nada, foi resolvido.


A vírgula muda uma opinião.

Não queremos saber.

Não, queremos saber.


"SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA".


Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER.

Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM.


É, uma vírgula muda tudo!


Ita est!

Prof. Zanon


terça-feira, 6 de outubro de 2009

O Novo Acordo Ortográfico simplificou a regra para as locuções "dia a dia" e "à toa".

O Novo Acordo Ortográfico simplificou algumas coisas para nós, falantes e escreventes da Língua Portuguesa. Tomemos como exemplo a expressão "DIA A DIA".

Antes do Acordo, a gramática normativa especificava:

Dia-a-dia, com hífen, quando usado como substantivo composto para designar "o viver cotidiano", "a atividade ou a rotina diária":

- Aposentado, o seu dia-a-dia era agora monótono.
- É tão atarefado o dia-a-dia das mães!

E dia a dia, sem hífen, quando for expressão adverbial, equivalente a "dia após dia", "diariamente", "com o correr dos dias":

- Dia a dia o pássaro foi construindo o seu ninho.
- Dia a dia se fortaleceu o seu prestígio.

Mas agora o Novo Acordo decretou:

Serão usadas sem hífen locuções como: [...] dia a dia (substantivo e advérbio). Ou seja, nunca mais separe "dia a dia" com hífen. Memorize. Será sempre assim, "dia a dia", separadinho, sem hífen, não importa se é substantivo ou advérbio.


Vamos a mais um exemplo: Lembra-se daquela expressão "Á-TOA"? Antes do Acordo havia duas regras ortográficas:

Á toa (sem hífen), quando desempenhava o papel de locução adverbial de modo (significando "sem rumo certo", "sem fazer nada", "inutilmente"). Exemplos:

- Andar à toa pela rua.
- Passar o dia à toa.
- Reclamar à toa.

E à-toa (com hífen), quando desempenhava o papel de uma locução adjetiva (equivalente a "sem valor", "desprezível", "insignificante", "sem moral"). Exemplos:

- Mulher à-toa.
- Ferimento à-toa.
- Quantia à-toa.

Agora, o Novo Acordo decretou: "À toa" será SEM HÍFEN SEMPRE, em qualquer situação, desempenhando qualquer papel.

Pois é, o Novo Acordo trouxe muitas facilidades também.

Ita est!
Prof. Zanon

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

"Se nos abstermos..." ou "se nos abstivermos..."

"Abster" deriva-se de "ter".

Assim como não dizemos "se termos..." e, sim, "se tivermos..."; devemos dizer "se nos abstivermos...".

O mesmo vale para estas construções:

"Se nos mantermos calmos, será melhor". :-(
"Se nos mantivermos calmos, será melhor". :-)

"Se nos determos um pouco, acharemos a resposta". :-(
"Se nos detivermos um pouco, acharemos a resposta". :-)

"Se ela não se conter, poderá arrepender-se". :-(
"Se ela não se contiver, poderá arrepender-se". :-)

Ita est!
Prof. Zanon

"Duas metades iguais". AAAAAARRRRRHHHHH!!!

Quando usamos a palavra "metade", não há necessidade alguma de dizermos "duas" (porque "metades" sempre são duas), nem "iguais" (porque, sendo "metades", são necessariamente iguais).

Diga simplesmente: "Dividiram o terreno em metades". Não gostou dessa construção, então diga: "Dividiram o terreno em duas partes iguais".

Ita est!
Prof. Zanon

"Entre eu e tu", ou "entre mim e ti"?

"Entre", é uma preposição, e antes dos pronomes "eu" e "tu" não se usa preposição.

Então o certo é "entre mim e ti".

Assim como não se diz "ela pensou em eu e tu", mas sim, "ela pensou em mim e ti", também não se deve dizer "ele estava entre eu e tu" e, sim, "ele estava entre mim e ti".

Ita est!
Prof. Zanon

"com nós"?

Não condene prontamente os falantes que usam a expressão "com nós". Ela é apropriada em alguns casos. Por exemplo, quando, depois dela, vierem as palavras "próprios", "todos", "outros" e "mesmos".
Diante dessas quatro palavras, não é aconselhável, do ponto de vista da gramática normativa, usar a expressão "conosco", porque, se a usarmos, causaremos um cacófato (som feio, desagradável, obsceno, impróprio ou com sentido equívoco, produzido pela união dos sons de duas ou mais palavras vizinhas):

CONOSCOpróprios
CONOSCOtodos
CONOSCOoutros
CONOSCOmesmos

O mesmo vale para a expressão "convosco".

Ita est!
Prof. Zanon

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Papai Natal?

Nossa língua é mesmo muito curiosa. Veja a mistura que fizemos para chegar ao vocábulo "Papai Noel".

Os franceses chamam a figura lendária do Natal de Père Noël, que, literalmente, significa "Papai Natal". Ao misturar o português com o francês ficamos com o "papai" em português, mas trocamos o "natal" pela versão francesa Noël (sem o trema). Foi uma tradução parcial, que resultou numa palavra híbrida. O resultado, híbrido, é "Papai Noel", cujo plural é "Papais Noéis".

Em tempo: É bom não confundir "Papai Noel" (com iniciais maiúsculas), personagem lendária, provavelmente inspirado em São Nicolau, na figura de um velho gordinho, de barbas brancas e roupas vermelhas que, montado num trenó puxado por renas voadoras distribui presentes na noite de Natal; com "papai-noel" (com minúsculas e hífen), que significa simplesmente "presenta de natal".

Ita est!
Prof. Zanon

Bem-vindo ao blog do professor Zanon (ou seria melhor escrever "Benvindo"?)

Numa placa exposta na beira da rodovia, quase chegando em Joinville-SC, lemos esta frase: "Seja benvindo à cidade de Joinville" [sic].

As formas "benvindo" e "bem-vindo" são comuns em placas e cartazes.

Mas os dicionários são unânimes: grafam "bem-vindo" com hífen.

Essa confusão tem dois motivos. Primeiro: a forma "Benvindo" (ou "Benvinda") existe: é nome próprio muito comum no Nordeste do país. Segundo: o "Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa" registra as duas formas, "bem-vindo" e "benvindo".

O "Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa" tem valor oficial. Os dicionários tem autoridade.

Se alegarem que você escreveu "benvindo" de modo errado em algum concurso ou vestibular, recorra da decisão e prove que você se baseou nessa ou naquela autoridade.

Ita est!
Prof. Zanon

"Livrai-nos do mal"

Quem não conhece a frase "livrai-nos do mal", que surge quase no fim da oração do "Padre-Nosso" ou "Pai-Nosso"? Pois bem, talvez já tenha se perguntado o que significa esta forma verbal, "livrai-nos".
"Livrai" é da segunda pessoa do plural do imperativo afirmativo.

-x-
LIVRA TU
LIVRE ELE
LIVREMOS NÓS
LIVRAI VÓS
LIVREM ELES

E de onde vêm essas formas verbais? Para formá-las, basta pegar a segunda pessoa do plural do presente do indicativo, sem o "s" final.

Com o verbo livrar, por exemplo, após conjugá-lo no presente do indicativo (eu livro, tu livras, ele livra, nós livramos, vós livrais, eles livram), selecionamos a segunda pessoa do plural (vós livrais) e retiramos o "s" = livrai.

"Livrai-nos do mal", portanto, é uma frase imperativa. Quem a profere dá ao seu interlocutor (no caso da "oração do Pai-Nosso" o interlocutor é o nosso Pai celestial) o tratamento de segunda pessoa do plural ("vós"). O Criador, por ser elevado, absoluto, recebe dos seus servos o tratamento de segunda pessoa do plural, também chamado nesse caso de "plural majestático".

Quando dizemos "livrai-nos do mal", estamos rogando a Deus que nos livre do mal.

Ita est!
Prof. Zanon

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Mexerico (com "x")

Mexerico é a ação ou resultado de mexericar, de falar da vida alheia; algo que todos gostam de fazer, exceto eu e você, é claro! Alguns mexeriqueiros ficam em dúvida na hora de escrever mexerico: "x" ou "ch"?

Após a sílaba inicial "ME", a regra exige que se use "x" e não "ch".

Exemplos: "mexilhão, mexido, mexer, mexerico, mexicano, mexe-mexe etc."

"Professor, mas eu já vi a palavra mecha escrita com "ch"?"

É verdade. "Mecha" (substantivo), "mechar" (verbo) e "mechoação" (uma espécie de planta purgativa) constituem exceções à regra anterior.

Na dúvida, troque a palavra "mexerico" por um de seus sinônimos: babado, besouragem, bisbilhotice, boato, coscuvilhice, detração, difamação, disse me disse (sem hífen), enredo, falatório, fofoca, futrica, fuxico, indiscrição, intriga, maledicência, mexericada, tecedura, trica etc.

Ita est!
Prof. Zanon

"O musse de chocolate" ou "A musse de chocolate?"


Musse é uma iguaria de consistência leve e cremosa. Pode ser doce ou salgada, preparada com gelatina ou clara de ovos e um ingrediente básico que lhe dá o sabor (musse de chocolate, musse de camarão etc).

Sendo assim, tão delicada, só poderia ser feminina. Portanto, diga "a musse de chocolate" sem medo de errar!


Ita est!

Prof. Zanon

"Quero comer um omelete", ou, "quero comer uma omelete?"


Omelete é uma fritada de ovos bem batidos, a que se podem agregar temperos (salsa, cebola etc.) e outros ingredientes (eu sugiro presunto e queijo), geralmente dobrada ao meio ou em forma de envelope. 

Omelete é substantivo feminino, tanto que os dicionários respeitados incluem a variação "omeleta". 

Para memorizar: Omelete é uma "fritada de ovos". Assim como dizemos "a fritada de ovos" (feminino) também diremos "a omelete" ou "uma omelete" (também feminino).


Ita est!

Prof. Zanon

Misto (com "s") ou Mixto (com "x")


"Misto" é com "s" sempre. 

Para memorizar, associe com "mistura", palavra da mesma família de "misto".

E memorize também MISTO-QUENTE (sanduíche feito de duas fatias de pão de forma com recheio de queijo e presunto e aquecido na chapa) com hífen. O plural é "mistos-quentes".


Ita est!

Prof. Zanon

"[...] a menos que eu to diga."


"E acrescentou: “Estipula-me teu salário e eu to darei.”" - Gênesis 30,28 (pronome "te" + "o")


"De modo que selou a jumenta e disse ao seu ajudante: “Guia e vai na frente. Não te detenhas, por minha causa, de seguir cavalgando, a menos que eu to diga.”" - 2 Reis 4,24 (pronome "te" + "o")


"Se eu tivesse fome, não to diria; pois a mim me pertencem o solo produtivo e a sua plenitude." - Salmo 50,12 (pronome "te" + "o")


"Sim, jurou-lhe: “O que for que me pedires, até a metade do meu reino, eu to darei." - Marcos 6,23 (pronome "te" + "o")


"De fato, tampouco Herodes, pois no-lo enviou de volta; e, eis que ele não cometeu nada que mereça a morte" - Lucas 23,15 (pronome "nos" + "o")


"Disseram-lhe: “Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes.” Ele disse: Trazei-mos aqui.”" - Mateus 14, 17-18 (pronome "me" + "os")

Quem faz uso da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas já se deparou inúmeras vezes com as expressões "no-lo, to, mos etc."

Encontramos essas combinações de pronomes também em poesias. O poeta maranhense Gonçalves Dias escreveu estes versos:

"Não te esqueci, eu to juro:

Sacrifiquei meu futuro,

Vida e glória por te amar!."

Esse "to" é a combinação de dois pronomes ("te" + "o"). No poema, o pronome "te" representa o interlocutor, a mulher a quem o poeta dirige a mensagem e que recebe o tratamento em segunda pessoa no singular (tu). O pronome "o" representa a oração "Não te esqueci". "Não te esqueci, eu to juro" equivale a "Não te esqueci, eu te juro isso".

Podemos combinar também o pronome "me" com "o" ou "a". O resultado é "mo" e "ma" respectivamente. E o pronome "nos" com "o" ou "a" resulta em "no-lo" e "no-la".


Essas combinações de pronomes são comuns até hoje em Portugal, tanto na escrita como na fala. Mas no Brasil, aparecem somente em textos literários escritos até as quatro ou cinco primeiras décadas do século passado. A Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas foi publicada pela primeira vez em português em 1967, e o uso que fazia (e ainda faz) dessas combinações de pronomes indica o objetivo de alcançar os leitores lusitanos, além dos brasileiros.


Ita est!

Prof. Zanon   




domingo, 6 de setembro de 2009

Frases profundas

"Se no futuro for possível viajar ao passado, por que os turistas do futuro não estão nos visitando?"

Stephen Hawking



"Onde não se pode criticar, todos os elogios são suspeitos".

Ayaan Hirsi Ali


"Os fracos matam o corpo dos seus inimigos, os fortes matam o significado dele dentro de si".

Augusto Cury




"Eu gosto de seu Cristo... mas não de seus cristãos.
Seus cristãos são tão diferentes de seu Cristo".

Mahatma Gandhi



"A primeira vítima da guerra é a verdade".

Hiram Johnson



"Plante seu jardim e decore sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores".

Wiliam Shakespeare


"Argumentar com uma pessoa que renunciou à lógica é como dar remédio a um homem morto".

Thomas Paine


"Se dois homens vêm andando por uma estrada, cada um carregando um pão, e, ao se encontrarem, eles trocam os pães, cada homem vai embora com um.

Porém, se dois homens vêm andando por uma estrada cada um carregando uma ideia, e, ao se encontrarem, eles trocam as ideias, cada homem vai embora com duas".


E agora a minha favorita:

"Quanto menos você sabe, mais você acredita".

Ita est!

Prof. Zanon

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O "x" de inexorável

"Ainda não aprendi
a lecionar para esse coração,
o esquecimento,
do sorriso que invadiu minha alma,
na tarde quente de outro Março;" [...]


Assim começa o poema "Inexorável Coração", de Claraflor de Maio.

"Inexorável" é uma palavra forte!

Como você a lê? "Inecsorável?! Nada disso!

Esse "x" lê-se como o de "exemplo", "exame", "exato", "exercício", "exorcismo" etc.

É verdade, ele tem som de \z\. Portanto, lê-se "inezorável". Vou provar-lhe com a autoridade do velho HOUAISS:

"inexorável \z\ adjetivo de dois gêneros
1 que não cede ou se abala diante de súplicas e rogos; inflexível, implacável
2 cujo rigor, severidade, não pode ser amenizado
Ex.: leis, regras i.
3 a que não se pode subtrair; fatal, inelutável
Exs.: destino i.
lógica i."


Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa

Eu não disse?

Já que eu provei com o Houaiss qual é a pronúncia correta, não seja uma pessoa inexorável e mude a sua prolação.

Ita est!
Prof. Zanon

Cuidado com a pontuação

Os sinais de pontuação podem alterar completamente o sentido de uma frase se forem mal utilizados. Um clássico exemplo é a passagem bíblica de Lucas 23,43 onde encontramos as palavras do senhor Jesus ao malfeitor que estava ao seu lado:

“E ele lhe disse: "Deveras, eu te digo hoje: Estarás comigo no Paraíso.”" (Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas. Tatuí-SP: Torre de Vigia, 1986)

"Jesus respondeu-lhe: Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso." (Versão Católica. Disponível em: http://www.bibliaonline.com.br/vc/lc/23)

A primeira tradução colocou os dois pontos logo após a palavra "hoje", e a segunda logo após a palavra "digo". Resultado: de acordo com a primeira tradução, Jesus disse ao malfeitor naquele dia que futuramente eles estariam juntos no Paraíso (sem especificar em qual data futura); já a segunda tradução passa-nos a ideia de que Jesus disse ao malfeitor que naquele mesmo dia eles iriam para o Paraíso.

Duas informações diametralmente opostas, e tudo por causa do deslocamento dos dois pontos!


Outra passagem bíblica que pode ter o sentido completamente alterado com a pontuação errada é Mateus 28,6. Quando algumas mulheres encontraram o túmulo do senhor Jesus vazio, um anjo lhes teria dito:

"Ressuscitou; não está aqui!"

Essa frase transmite a ideia correta da passagem. Mas veja o que acontece quando pontuamos de outro modo:

"Ressuscitou não; está aqui!

ou ainda:

"Ressuscitou? Não, está aqui!

Concluímos então que a pontuação e os sinais diacríticos são elementos importantes da linguagem escrita, e, se mal posicionados, podem dizer algo completamente contrário do que pretendíamos.


Vamos ao último exemplo. A historinha abaixo é muito usada pelos professores para ilustrar a importância da pontuação.


"Um homem rico estava muito mal, agonizando. Pediu papel e caneta. Escreveu assim: "Deixo meus bens a minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do padeiro nada dou aos pobres". Morreu antes de fazer a pontuação. A quem deixava a fortuna? Eram quatro concorrentes.


  1. O sobrinho fez a seguinte pontuação:

  2. Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. Jamais será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.


  3. A irmã chegou em seguida. Pontuou assim o escrito:

  4. Deixo meus bens à minha irmã. Não a meu sobrinho. Jamais será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.


  5. O padeiro pediu cópia do original. Puxou a brasa pra sardinha dele:

  6. Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.


  7. Aí, chegaram os descamisados da cidade.. Um deles, sabido, fez esta interpretação:


Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do padeiro? Nada! Dou aos pobres".

Ita est!

Prof. Zanon

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Limpado, limpo

Emprega-se "limpado" com os verbos "ter" e "haver":

A faxineira tinha (ou havia) limpado a casa. :-)

Com os verbos "ser" e "estar" usa-se limpo:

O tapete foi limpo com o aspirador. :-)
As ruas estavam limpas. :-)

Ita est!
Prof. Zanon

É "fruta-cor" ou "furta-cor"?

A cor do manto com que o senhor Jesus Cristo foi vestido no dia da sua execução tem induzido alguns a argumentar que existe uma discrepância no registro bíblico com referência a essa veste.

O apóstolo Mateus disse que os soldados “o cobriram com uma capa de escarlate” (Mateus 27,28), ao passo que o discípulo Marcos e o apóstolo João disseram que era púrpura. (Marcos 15,17; João 19,2)

Essa variação na descrição da cor da veste se explica com uma palavrinha composta que geralmente engana muita gente: FURTA-COR

Minha avó diz "fruta-cor"! Minhas tias também! Mas eu perguntei ao senhor Houaiss e ele me disse o seguinte:

"FURTA-COR sm. cor cambiante, de tonalidade alterada conforme a luz que se projeta sobre ela; (pl.) furta-cores". (HOUAISS)

Esse "furta" é de "furtar" mesmo. Conforme se muda a posição, "furta-se" a cor. Isso ocorre com alguns objetos e principalmente com roupas.

De modo que o fundo ambiental e o reflexo da luz podem ter dado ao manto do Senhor matizes diferentes. Mateus descreveu o manto assim como lhe parecia, isto é, segundo a sua avaliação da cor, e ele enfatizou a tonalidade vermelha da veste. João e Marcos amenizaram a tonalidade vermelha, chamando-a de púrpura. “Púrpura”, segundo Houaiss, é uma "cor vibrante vermelho-escura, tendente para o roxo"; e o termo pode ser aplicado a qualquer cor de componentes tanto azul como vermelho.

Portanto, vê-se que os escritores dos Evangelhos não estavam em conflito ao descrever a cor do manto com que os soldados romanos vestiram o senhor Jesus, no último dia da sua vida humana. Mas minha avó e minhas tias estão em conflito com o senhor Houaiss quanto ao nome certo da expressão "furta-cor". Com todo o respeito, elas estão equivocadas.

Em tempo: a palavra "furta-cor" escreve-se com hífen, mesmo depois do Acordo Ortográfico. É só memorizá-la assim que não tem erro.

Ita est!
Prof. Zanon

Ninguém pode estragar o seu dia, a menos que você o permita

O colunista Sydney Harris acompanhava um amigo à banca de jornal. O amigo cumprimentou o jornaleiro amavelmente, mas, como retorno, recebeu um tratamento rude e grosseiro. Pegando o jornal que foi atirado em sua direção, o amigo de Sydney sorriu atenciosamente e desejou ao jornaleiro um bom final de semana.

Quando os dois amigos desciam pela rua, o colunista perguntou:

- Ele sempre lhe trata com tanta grosseria?

- Sim, infelizmente é sempre assim.

- E você é sempre tão atencioso e amável com ele?

- Sim, sou.

- Por que você é tão educado, já que ele é tão rude com você?

- Porque não quero que ele decida como eu devo agir”.


Prof. Zanon

Cerveja é bom ou cerveja é boa?

As expressões "ser bom" ou "ser ótimo" são invariáveis, quando tomadas de modo absoluto, isto é, quando não estão acompanhadas pelos artigos "o", "a" e seus plurais.

Exemplos:
Cerveja é bom no verão.
Sulfa é ótimo para o teu caso.
Frutas é bom para a saúde.

Se, porém, o sujeito estiver determinado, isto é, acompanhado de artigo (ou de pronome adjetivo), tais expressões serão variáveis.

Exemplos:
A cerveja é boa no verão.
A sulfa é ótima para o teu caso.
Estas frutas são boas para a saúde.

Ita est!
Prof. Zanon

Extraído de:
OLIVEIRA, Édison de. Português: Todo o mundo tem dúvida, inclusive você. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 5º edição, 1998.

Aonde, donde, onde?

Erro muito comum confundir o uso dessas expressões. Vamos às dicas:

Quando se trata do verbo "ir" e de seus sinônimos (encaminhar-se, dirigir-se etc.) é aconselhável, gramaticalmente, usarmos "aonde".

Exemplos:
Aonde vamos?
Aonde você vai?

Quando se trata do verbo "vir" e seus sinônimos (provir, originar-se etc.) devemos empregar "donde".

Exemplos:
Donde veio isso?
Donde vens?

E quando se trata de qualquer outro verbo (que não seja "ir", "vir" ou sinônimos), devemos empregar "onde".

Exemplos:
Onde estamos?
Onde você deixou os livros?

Ita est!
Prof. Zanon

Mais dúvidas sobre o uso da crase.

Surgiram mais dúvidas em sala de aula sobre o uso da crase. Uma aluna perguntou: "Professor, na frase "ele voltou a casa" devemos usar a crase?

Uma pergunta oportuna!

Só se indica crase antes da palavra "casa" quando essa está determinada, isto é, seguida de um termo ou expressão que a especifique: casa de Roberto, casa de Alaíde, casa de campo, casa de praia etc.

Exemplos:

Ele voltou a casa.
Ele foi à casa de campo.
Ela voltou à casa dos pais.

Ita est!
Prof. Zanon

À procura...

Nas expressões "ir à procura", "sair à procura", "andar à procura" etc. sempre devemos fazer uso da crase.

Um dos meus alunos levantou a seguinte questão: "Mas professor, o senhor enfatizou várias vezes que nunca devemos usar crase antes de verbo!"

É verdade. Não usamos crase antes de verbo. Mas a palavra "procura", nesses casos, não desempenha a função de verbo! Nesses contextos ela se torna um substantivo feminino. E como podemos ter certeza disso?

É simples! Se mudarmos a palavra "procura" por um sinônimo masculino, notamos que o artigo também muda para o masculino.

Exemplo: em vez de dizermos "saiu à procura de..." podemos dizer "saiu ao encalço de...".

Ita est!
Prof. Zanon

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Piadas Inglês-Português

Two attorneys in a diner
Two attorneys went into a diner and ordered two drinks. Then they produced sandwiches from their briefcases and started to eat. The owner became quite concerned and marched over and told them, "You can't eat your own sandwiches in here!" The attorneys looked at each other, shrugged their shoulders and then exchanged sandwiches

Dois advogados em um restaurante
Dois advogados entraram em um restaurante e pediram duas bebidas. Então, retiraram sanduiches de suas pastas e começaram a comê-los. O proprietário ficou completamente irritado e foi até eles, “vocês não podem comer seus próprios sanduíches aqui dentro!” Os advogados se olharam, deram de ombros e trocaram entre si os sanduíches.



Combing
Eleven tons of human hair was stolen from a wig factory in West Fliptown this morning.
Police are combing the area.

Pente-fino
Onze toneladas de cabelo humano foram roubadas de uma fábrica de perucas em Fliptown Oeste esta manhã.
Os polícias estão fazendo uma operação pente-fino na região.

"A flôr de zíaco do Amazonas"


Essa placa há tempos circula na internet, de site em site, de blog em blog, causando risos e caçoadas. Mas o que poderia explicar o raciocínio linguístico subjacente que levou o letrista a transformar o vocábulo "afrodisíaco" na expressão "a flôr de zíaco"? O professor Sírio Possenti discorreu sobre isso em:

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1575149-EI8425,00.html

Vale a pena conferir!

Tristeza de escrever

Cada palavra é uma borboleta morta espetada na página:
Por isso a palavra escrita é sempre triste...

Mário Quintana


Incenso fosse música

isso de querer ser
exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além



Paulo Leminski


Por que o sufixo "feira" nos dias da semana?

Segunda-feira, terça-feira, quarta-feira etc.

De onde surgiu o sufixo "feira" que usamos nos dias da semana? E o que ele significa?

Ele surgiu a partir de uma ordem do imperador romano Constantino (280-337 d.C.). Naquela época, a Páscoa durava uma semana, e todos os dias dela eram chamados feriae (feriados). Havia a "feriae prima" (primeiro feriado), a "feriae secunda" (segundo feriado), a "feriae tertia" (terceiro feriado) e sucessivamente.

Quando Constantino se converteu ao cristianismo, mudou o nome do primeiro dia para Dominica (dia do Senhor), de onde veio "domingo". E, para o sétimo dia, reintroduziu o "sábado" em respeito ao antigo testamento que chamava o sétimo dia de sha·váth, que significa cessar, desistir, repousar... ou seja, um dia para o descanso de empenhos seculares. Além disso, Constantino exigiu que esses nomes fossem usados não apenas na semana da Páscoa, mas para todos os dias do ano.

Os romanos davam aos dias da semana os nomes dos deuses ligados aos astros. A semana romana começava com o Solis dies (dia do Sol) e seguia com Lunae dies (dia da Lua), Martis dies (dia de Marte), Mercurii dies (dia de Mercúrio), Jovis dies (dia de Júpiter), Veneris dies (dia de Vênus) e Saturni dies (dia de Saturno).

Apesar da ordem do imperador, a nova nomenclatura permaneceu apenas na região que seria futuramente Portugal. A maior parte dos povos voltou a adotar os nomes tradicionais, mudando as palavras em cada região. Por exemplo, na região da Saxônia os dias da semana continuaram homenageando os deuses pagãos com os nomes: Sun's day, Moon's day, Tiw's day, Wodens's day, Thor's day, Friga's day e Saterne's day (em inglês, os nomes equivalentes permanecem até hoje como Sunday, Monday, Tuesday, Wednesday, Thursday, Friday e Saturday).

Até mesmo os antepassados dos espanhóis (vizinhos dos antepassados dos portugueses) abandonaram a ordem do imperador e perpetuaram a forma que homenageia os deuses pagãos: Domingo, Lunes, Martes, Miércoles, Jueves, Viernes e Sábado.

Somente na língua portuguesa permaneceu a forma decretada pelo imperador Constantino, devidamente aportuguesada:

No latim litúrgico era assim: Dies Dominica, Feria Secunda, Feria Tertia, Feria Quarta, Feria Quinta, Feria Sexta e Sabbatum. No português ficou como conhecemos: domingo, segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira e sábado.

Lembrando que em português os dias da semana sempre são escritos com letras minúsculas e em inglês sempre com maiúsculas.

Ita est!
Prof. Zanon



Português

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Tarzã, Tarzam ou Tarzan?

Tarzan é um personagem de ficção criado pelo escritor estadunidense Edgar Rice Burroughs no romance Tarzan of the Apes, de 1912.


Capa da edição de 1914 de Tarzan of the Apes

Outros escritores também escreveram obras com o herói: Barton Werper, Fritz Leiber, Philip José Farmer etc.

Tarzan é filho de ingleses, porém foi criado por macacos "mangani" na África, depois da morte de seus pais. Seu verdadeiro nome é John Clayton III, Lorde Greystoke. Tarzan é o nome dado a ele pelos macacos e significa "Pele Branca".

Mas qual é o modo correto de escrever o nome do "rei dos macacos"? Tarzã, Tarzam ou Tarzan? Xiiiiiiii!

Se for para escrever de acordo com as normas ortográficas da Língua Portuguesa, a palavra "tarzã" deveria ser com til.

Por quê?

Porque é norma, em português, que o som final "ã" não seja representado por "an" ou "am". O certo seria "ã", como nos exemplos abaixo:

manhã, ímã, irmã, órfã, tarzã, satã etc.

Mas, tanto nas revistas em quadrinhos quanto no cinema popularizou-se a forma TARZAN, com "n" no final.

Tarzan em desenho da Disney


Johnny Weissmuller, Maureen O'Sullivan e Johnny Sheffield em Tarzan Finds a Son! (1939)

A personagem é uma adaptação moderna da tradição mitológico-literária de heróis criados por animais. Uma destas histórias é a de Rômulo e Remo, que foram criados por lobos e posteriormente fundaram Roma.

Curiosidades cinematográficas:

O primeiro Tarzan do cinema sonoro foi também o mais famoso: o nadador estadunidense Johnny Weissmuller, que encarnou o herói em doze fitas. O refinado lorde dos livros foi transformado por Weissmuller em um selvagem que conseguia apenas grunhir e emitir frases monossilábicas, do tipo "me Tarzan, you Jane" (que ele, a bem da verdade, nunca disse. O que ele disse no filme Tarzan, The Ape Man foi, simplesmente "Tarzan... Jane", apontando para si mesmo e depois para Jane Porter).

Weissmuller é responsável por emitir, pela primeira vez, o famoso grito de vitória de Tarzan. Esse grito, que seria reproduzido por todos os Tarzans subsequentes, não passava de uma hábil mixagem dos sons de um barítono, uma soprano e de cães treinados.

Devido à censura da época, os trajes de Weissmuller e, principalmente, de O'Sullivan foram aumentando de tamanho de filme para filme; a censura também é responsável pela ausência de filhos da dupla, que não era legalmente casada: Boy (vivido por Johnny Sheffield), introduzido em Tarzan Finds a Son! (1939), não era filho do casal e, sim, adotado, conforme mostra o título original. Nos livros, no entanto, Tarzan e Jane são pais do menino Korak, que chega à idade adulta nos romances finais.

Ita est!
Prof. Zanon

De "sopetão" ou de "supetão"?

Se procurar "sopetão" no dicionário vai perder seu tempo. Nenhum dicionário registra essa forma.
Mas "supetão" está lá.

SUPETÃO: s. m. movimento rápido e inesperado; impulso, repente, súbito. (HOUAISS)

Portanto, o certo é "de supetão" (com "u"). Pegou-me de supetão.

"Supetão" é da mesma família de "súbito" (com "u").

Ita est!
Prof. Zanon

Matérias mais antigas:

Minha foto
Sou um professor apaixonado pela educação, pela literatura, pela língua portuguesa e pela arte de escrever. Como tantos educadores, um idealista. Fascina-me a incomensurável capacidade de transformação do ser humano. Por que me ufano da minha profissão? Porque sei que quando leciono, não estou apenas passando conteúdos, mas também destruindo mitos, dogmas e raciocínios falaciosos que cerceiam a liberdade humana.