sábado, 28 de março de 2009

Etimologia - Estudo da origem e formação das palavras


A palavra etimologia, conforme o dicionário Aurélio, refere-se ao "estudo das palavras, de sua história, e das possíveis mudanças de seu significado". Estudar a história de uma palavra, como se formou, de onde surgiu é um dos estudos linguísticos mais interessantes.

Tomemos como exemplo as palavras "ilha" e "península".

Que diferença há entre "ilha" e "península"? Em termos de conceito, a diferença é simples: uma ilha é uma porção de terra (não muito extensa, senão todos os continentes seriam ilhas) cercada de água por todos os lados. Uma península, por outro lado, é uma p
orção de terra cercada de água por todos os lados, menos um, pelo qual se liga a outra terra.

A península, portanto, é quase uma ilha. É aí que entra a etimologia da palavra e nos revela um detalhe interessante.

A palavra "ilha" vem do latim (insula). Em português, por sinal, existe a palavra variante "ínsula". Quem habita uma ilha pode ser chamado de "insular", "insulano" ou "ilhéu". Em "península" temos o elemento latino " paene ou pene" (que significa quase) acrescentado ao elemento latino "insula" ("ilha", como já vimos).

Portanto, "pene" + "insula" = "península" ou "quase uma ilha".

Esse elemento de composição (pene) é o mesmo que se encontra em "penúltimo" (quase último) ou "penumbra" (quase sombra). Não é cativante essa tal etimologia?

Ita est!

Prof. Zanon

CIPRO NETO, Pasquale. Nossa língua curiosa. São Paulo: Publifolha, 2003

sexta-feira, 27 de março de 2009

"Viagem" ou "viajem"? Com "g" ou com "j"?

"Viagem", com "g", é o substantivo: "boa viagem", "viagem interessante", "uma viagem inesquecível", "fazer uma viagem".

"Viajem", com "j", é forma do verbo "viajar". Como o verbo "viajar" se escreve com "j" (se fosse com "g" seria "viagar"), todas as suas formas serão grafadas com "j":

Presente do Indicativo
eu viajo
tu viajas
ele viaja
nós viajamos
vós viajais
eles viajam

Portanto, não há problema algum com a frase: "Quero que viajem agora. Façam boa viagem."

Ita est!

Prof. Zanon

Referências:
CIPRO NETO, Pasquale. Nossa língua curiosa. São Paulo: Publifolha, 2003
Novo dicionário Aurélio da língua portuguesa. 3ª. edição, 1ª. impressão da Editora Positivo, revista e atualizada do Aurélio Século XXI. Curitiba: Positivo, 2004.

domingo, 22 de março de 2009

"Dicas e Treinamento" está à sua disposição.

Ser vítima de violência não é nada agradável. É por isso que todos nós temos um forte desejo de segurança. Não é de admirar que cidadãos preocupados com a situação exijam mais policiais nas ruas e sentenças de prisão mais rigorosas ou até a pena de morte!

Mas apesar do perigo real, temos que manter uma atitude positiva. É claro que ninguém gosta de viver sempre com medo. O medo e o estresse excessivos fazem mal à saúde emocional e física, abalando os nervos e levando pessoas equilibradas a agir irracionalmente.

Manter uma atitude positiva é possível quando nos preparamos mentalmente para viver em lugares perigosos, conhecendo algumas noções básicas de segurança pessoal.

O site "Dicas e Treinamento" fornece orientações práticas de como desenvolver uma atitude mental positiva quanto à violência urbana e como evitar colocar-se em situações de risco desnecessariamente. Vale a pena visitá-lo regularmente e tomar conhecimento dessas dicas. O endereço é: http://www.dicasetreinamento.com/index.html

Leiam também o artigo "Como argumentar em situações difíceis", escrito pelo professor Sandro Zanon especialmente para o site "Dicas e Treinamento", no endereço:

http://www.dicasetreinamento.com/entrevistas.html


sábado, 21 de março de 2009

Para um ex-amigo

Mal me fizestes, sim, mas bem, ao mesmo passo,
Pois que, sentindo fundo o agror da vossa ofensa,
Pude, porque não sou nem de bronze nem de aço,
Ver quanto vos magoara a minha ação infensa.
Se o meu crime vos doeu, tal como a mim o vosso,
Curtistes, com certeza, infernal sofrimento.
E eu não tive de paz, no tirano alvoroço,
Para pesar tal dor, nem sequer um momento.
Só essa dor atroz podia, ah! dar-me o senso
De quanto vos magoei, dessa aflição tamanha.
Mas um ao outro, agora, enfim, do mal imenso,
No peito malferido acalmamos a sanha.
E já que uma tortura à outra se pode opor,
A vós redime a vossa, e a mim, a minha dor.

[sic]

Não te doa jamais pensar em falha tua.
Na rosa espinhos há, turva-se a fonte clara;
Vela a nuvem e o eclipse a luz do Sol, da Lua,
E o ascoso pulgão vive até na flor mais rara.
Todo homem erra sempre e eu mesmo erro aqui nisto
De apadrinhar assim, com símiles, tua ofensa;
De corromper-me tanto a ponto de o malvisto
Vir assim a encarar com tolerância imensa.
Tua falta material gravou-se-me no peito
- O teu próprio adversário é o teu próprio advogado -
E, contrário a mim mesmo, em mim se trava um pleito
Tanto a ira e o amor aí se batem lado a lado,
Que preciso ser, sim, eu mesmo, assistente
Do suave ladrão que anda a roubar-me cruelmente.

[sic]

Ai! não o negarei: tenho sido inconstante,
Versicolor, ao olhar de todos os meus juízes,
Traindo o meu sentir, vulgando meu semblante,
Tisnando o velho amor com amor de outros matizes.
Mais verdade é que tenho encarado a verdade
Com estranheza e desdém, mas - pelos céus o juro -
Disso me resultou profunda realidade:
A certeza de que és meu amor o mais puro.
Depois de tudo, volto a ti e teu, somente,
Para sempre hei de ser. Jamais terei a idéia
De pôr de novo à prova o mais velho e excelente
Amigo - deus de amor que me a alma senhoreia,
Boas-vindas, então, e celestial abrigo
Dá-me em teu peito puro e agora mais amigo.

[sic]

William Shakespeare, Soneto CXX

SHAKESPEARE, William. Sonetos. São Paulo: Martin Claret, 2006

segunda-feira, 16 de março de 2009

Mais uma do sábio Machado de Assis

"Para as rosas, escreveu alguém, o jardineiro é eterno."

Machado de Assis

Os versos que te dou


OS VERSOS QUE TE DOU


Ouve estes versos que te dou, eu
os fiz hoje que sinto o coração contente
enquanto teu amor for meu somente,
eu farei versos...e serei feliz...

E hei de fazê-los pela vida afora,
versos de sonho e de amor, e hei depois
relembrar o passado de nós dois...
esse passado que começa agora...

Estes versos repletos de ternura são
versos meus, mas que são teus, também...
Sozinha, hás de escuta-los sem ninguém que
possa perturbar vossa ventura...

Quando o tempo branquear os teus cabelos
hás de um dia mais tarde, revive-los nas
lembranças que a vida não desfez...

E ao lê-los...com saudade em tua dor...
hás de rever, chorando, o nosso amor,
hás de lembrar, também, de quem os fez...

Se nesse tempo eu já tiver partido e
outros versos quiseres, teu pedido deixa
ao lado da cruz para onde eu vou...

Quando lá novamente, então tu fores,
pode colher do chão todas as flores, pois
são os versos de amor que ainda te dou.

(J. G. de Araújo Jorge)

sexta-feira, 13 de março de 2009

Prosódia - Você está falando certo?

A língua culta determina a posição correta da sílaba tônica de uma palavra. É muito comum a divergência entre a pronúncia praticada no dia-a-dia e a recomendada pelos dicionários e gramáticas. Quase ninguém pronuncia "dúplex" (paroxítona), como recomendam os dicionários. O que se ouve mesmo é "duplex" (oxítona). Outro exemplo é a palavra "gratuito", que é paroxítona, ou seja, sua sílaba mais forte é a segunda, e, portanto, a pronúncia correta é com o som de "úi". Mas quantas vezes você já não ouviu alguém falar "gratuíto", com ênfase no "i"?
A parte da fonologia que estuda e fixa a posição da sílaba tônica é a prosódia. Quando ocorre um erro de prosódia, ou seja, a troca da posição da sílaba tônica, verifica-se o que se chama de silabada. Por mais que possa soar estranho, a pronúncia culta sempre prevalece nesses casos, determinando como se pronuncia corretamente.
Na dúvida é sempre bom consultar um dicionário confiável. O Aurélio, por exemplo, sempre informa qual é a sílaba tônica das palavras duvidosas, determinando assim sua pronúncia correta.
Procurando nele a palavra "condor", por exemplo, encontramos a seguinte definição:

"condor (dôr) [Do esp. cóndor <>kúntur.]
Substantivo masculino.

1.
Zool. Ave falconiforme, catartídea (Vultur gryphus), de porte avantajado, coloração preta com colar branco no pescoço, asas com manchas brancas, cabeça, nuca e pescoço nus. Os jovens são pardos. Alimenta-se de carne em putrefação. Ocorre nos Andes. [Sin.: abutre-do-novo-mundo.]
2.
Antiga unidade monetária, e moeda, do Chile."

Dicionário eletrônico Aurélio

Observe que entre os parêntesis está determinado que devemos pronunciá-la como oxítona, sendo a última sílaba (con-dor) a mais forte.


Confira a seguir a relação das palavras em que são mais comuns os erros de prosódia.

ALGOZ - A palavra, que é sinônimo de carrasco, deve ser pronunciada com o "o" fechado, como em "arroz".

CATETER - Palavra oxítona, ou seja, a sílaba tônica é a última ("ter"), não a segunda ("te").

EDITO - Sinônimo de lei, a sílaba tônica desta palavra está no "di". Já "édito" (com acento agudo no "e") que significa "ordem judicial", é proparoxítona e, portanto, deve ter ênfase no "é".

FILANTROPO - Outro caso de palavra paroxítona. Como tanto, a sílaba forte é o "tro", não o "lan".

FLUIDO - Deve ser pronunciado como "cuido" e "gratuito", com a sílaba forte no "u". Já o particípio do verbo fluir, "fluído", registra um hiato e tem a sílaba forte no "i".

IBERO - Palavra paroxítona. A tonicidade está na penúltima sílaba, "be".

NOBEL - A ênfase deve estar no "bel" e não no "no" e a palavra tampouco deve ser acentuada.

RECORDE - É paroxítona e, por isso, "cor" é a sílaba mais forte.

RUBRICA - Como toda paroxítona, a ênfase deve estar na penúltima sílaba, "bri".

RUIM - A ênfase aqui deve estar na última sílaba, "im".

URETER - Palavra oxítona e, como tal, a sílaba tônica é a última, "ter".

OBSOLETO - Palavra paraxítona com som aberto na penúltima sílaba, "lé".

AVARO - Paroxítona com tonicidade na penúltima sílaba, "va".

Muito cuidado para não sair por aí zombando de quem pronuncia algumas palavras de modo diferente do seu, pois algumas palavras admitem dupla pronúncia. Exemplos:

ACRÓBATA ou ACROBATA
HIEGLIFO ou HIEROGLIFO
PROTIL ou PROJETIL
ROX ou XEROX
TRANSÍSTOR ou TRANSISTOR
RÉPTIL ou REPTIL
OCEÂNIA ou OCEANIA

O melhor mesmo é não "chutar". Dúvidas quanto à prosódia devem ser resolvidas por meio de consulta a um bom dicionário.

Ita est!
Prof. Zanon

Referências:
Reforma ortográfica da língua portuguesa. São Paulo: Editora Escala, 2009.
CIPRO NETO, Pasquale; INFANTE, Ulisses. Gramática da língua portuguesa. São Paulo: Scipione, 2003.
Novo dicionário Aurélio da língua portuguesa. 3ª. edição, 1ª. impressão da Editora Positivo, revista e atualizada do Aurélio Século XXI. Curitiba: Positivo, 2004.

domingo, 8 de março de 2009

Cuidado com o GERUNDISMO

O gerundismo (uso indiscriminado do gerúndio) é algo exclusivo do Brasil. Os portugueses na maioria das vezes preferem o uso do infinitivo ao gerúndio e, por essa razão, não estão arriscados a ouvir "vou estar fazendo" no meio de uma conversa.
Para não cair nas armadilhas do gerundismo, é bom ter em mente quando é indicado o uso desse tempo verbal.

O gerúndio deve ser usado para expressar uma ação em curso ("Estou dirigindo a caminho do trabalho") ou uma ação simultânea a outra ("A menina ouvia sorrindo as histórias do avô").

Também serve para indicar uma ação realizada imediatamente antes da outra ("Batendo a porta, ele saiu") ou para exprimir a noção de progressão indefinida ("Caminhando contra o vento, sem lenço sem documento", como diz a música "Alegria, Alegria", de Caetano Veloso).

O problema do gerundismo é que ele emprega o gerúndio em construções em que o tempo verbal não é apropriado. O correto é quase sempre o futuro do presente ou o infinitivo. Assim, não diga: "vou estar fazendo", "vou estar enviando" ou "você pode estar participando", mas, sim "farei", "enviarei" e "você pode participar".

Ita est!

Prof. Zanon

Reforma ortográfica da língua portuguesa. São Paulo: Editora Escala, 2008

Se eu a vir ou se eu a ver?

O verbo "ver", nas frases em que vem introduzido pelos vocábulos "se" ou "quando", assume as formas VIR, VIRES, VIR, VIRMOS, VIRDES, VIREM.

Exemplos:

Se eu a ver, faremos as pazes. (errado)
Se eu a vir, faremos as pazes. (certo)

Se veres o Carlos, avisa-o. (errado)
Se vires o Carlos, avisa-o. (certo)

Quando ele ver a Maria, dará o recado. (errado)
Quando ele vir a Maria, dará o recado. (certo)

Quando nos vermos, trataremos do assunto. (errado)
Quando nos virmos, trataremos do assunto. (certo)

Se verdes que a tese está errada, acusai. (errado)
Se virdes que a tese está errada, acusai. (certo)

Quando eles me verem aqui, ficarão surpresos. (errado)
Quando eles me virem aqui, ficarão surpresos. (certo)

Ita est!

Prof. Zanon

OLIVEIRA, Edson de. Todo mundo tem dúvida, inclusive você. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 5ª edição, 1998.

Matérias mais antigas:

Minha foto
Sou um professor apaixonado pela educação, pela literatura, pela língua portuguesa e pela arte de escrever. Como tantos educadores, um idealista. Fascina-me a incomensurável capacidade de transformação do ser humano. Por que me ufano da minha profissão? Porque sei que quando leciono, não estou apenas passando conteúdos, mas também destruindo mitos, dogmas e raciocínios falaciosos que cerceiam a liberdade humana.