quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Locuções

Vamos relembrar:

Locuções são conjuntos de palavras que possuem valor e função determinados.

Assim, locuções substantivas funcionam como substantivos. Exemplos: fim de semana, cão de guarda, sala de jantar etc.

Locuções adjetivas funcionam como adjetivos. Exemplos: café com leite, cor de vinho, cor de café etc.

Locuções pronominais funcionam como pronomes. Exemplos: nós mesmos, cada um, ele próprio etc.

Locuções adverbiais fazem papel de advérbios. Exemplos: à vontade, de mais, depois de amanhã etc.

Locuções prepositivas têm função de preposição. Exemplos: a fim de, enquanto a, quanto a etc.

Locuções conjuncionais fazem papel de conjunção. Exemplos: logo que, ao passo que, visto que etc.

E lembre-se que o Acordo Ortográfico determinou que não se emprega hífen nas locuções, com exceção de casos já consagrados pelo uso, como: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa e mais-que-perfeito.

Ita est!
Prof. Zanon

Prefixos e sufixos

Vamos relembrar:

Prefixos são os elementos que na formação das apalavras vêm antes dos radicais (radical é a parte principal, a raiz da palavra), como "in" em "invisível" e "re" em "reescrever".

Sufixos são colocados depois dos radicais, como "mente" em "calmamente" e "ia" em "advocacia".

Ita est!
Prof. Zanon

Falsos prefixos

Falsos prefixos são os radicais de origem grega ou latina que assumem o sentido global de uma palavra da qual antes era um elemento componente. Um exemplo é "auto", que, em grego, significa "por si mesmo", "próprio", mas na língua moderna assumiu o sentido de "automóvel", palavra que antes compunha. E com esse novo sentido ele funciona como falso prefixo na formação de outras palavras, como autoestrada e autoescola.

Ita est!
Prof. Zanon

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Texto dissertativo

Dissertar consiste em argumentar em torno de uma ideia, baseando-se em um ponto de vista para fazer defesas ou acusações. Um texto dissertativo é construído através de fundamentação. Nesse tipo de texto você estará expondo suas ideias sobre um determinado tema. Antes de começar a escrever, é preciso ter em mente qual é o seu principal objetivo e o que você quer provar àquele que está lendo.

Redação dissertativa é a mais cobrada em vestibulares, concursos e também no ENEM. Trazem uma orientação e a partir dela você cria seu texto. Não fuja do tema proposto e organize seu texto em um rascunho. Fique sempre atento ao que está escrevendo! Coloque-se sempre no lugar do leitor e nunca deixe ideias vagas em seu texto.


Ita est!

Prof. Zanon


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O que se espera de uma boa redação no ENEM?

O ENEM espera de seus candidatos basicamente o mesmo que outros exames e concursos esperam de alguém que escreve um texto dissertativo. A temática é sempre atual, abordando assuntos que tenham sido focos da mídia recentemente, e espera-se que o aluno faça uma proposta de intervenção para melhoria ou solução do problema apresentado.

Para aprimorar a escrita do texto argumentativo, leia regularmente editoriais e artigos de opinião de jornais e revistas, pois são bons exemplos de discursos persuasivos.

Sempre recomendo aos meus alunos criarem o hábito de escrever regularmente textos de opinião. Assistiu um filme, uma peça de teatro, leu um livro ou um artigo, viu algo interessante (ou polêmico) nos noticiários? Escreva um pequeno texto com seu ponto de vista sobre o assunto, argumentando com um interlocutor imaginário. Pense em como poderia convencer alguém que a sua maneira de encarar o assunto é a melhor.

Cuidado com os problemas mais frequentes: concordâncias verbal e nominal erradas, oscilação de emprego de pronomes de primeira e terceira pessoas, falhas no emprego dos pronomes oblíquos e principalmente oralidade na exposição. É sempre bom revisar essas regras em uma boa gramática antes de partir para uma proposta de redação, até que se tenha domínio delas.

Cuidado com o modo de construir cada período; elabore o texto de forma progressiva, argumentando de modo crescente até culminar na conclusão.

Depois de rascunhar o texto, faça uma boa revisão, atentando para ortografia, coerência e coesão. Um padrão de excelência só se consegue depois de ler, reler e reescrever, melhorando o texto a cada passada de olhos.

A proposta de redação do ENEM geralmente fornece textos de apoio. Muitos alunos copiam os fragmentos ou tentam fazer uma explicação deles na redação. Evite esse erro. Os textos de apoio devem ser usados somente como subsídio. Espera-se que os candidatos apropriem-se do material de apoio, dando sentido a ele dentro da redação.

São condições de nulidade de redação no ENEM e em qualquer vestibular: ser ilegível, fugir totalmente ao tema proposto, não obedecer aos tipos de composição propostos (narração- dissertação-descrição), apresentar 20 ou mais erros de ortografia, 20 ou mais erros de pontuação, e estar escrita a lápis.

Nunca use em seu texto frases que estavam prontas na orientação apresentada. Isso pode ser considerado plágio e sua redação corre o risco de ser anulada.

Gírias ou ditados populares não devem aparecer em sua dissertação (é um caso de plágio também). Caso queira usar, por exemplo: Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura; que é um ditado, construa assim: “Como diz o ditado popular: água mole em pedra dura…”

Procure não utilizar a primeira pessoa em sua redação, principalmente quando for determinado texto objetivo. A primeira pessoa dá um caráter muito subjetivo ao seu texto, o que de certa forma prejudica sua argumentação.

Como o ENEM foi adiado para dezembro de 2009, há tempo suficiente para aprimorar sua habilidade de redigir textos argumentativos. Então mãos à obra!

Ita est!
Prof. Zanon

História ou Estória?

Antigamente, havia uma distinção entre "história" (com h) e "estória" (com e). "Estória" era entendido como "um conto popular tradicional, uma narrativa de ficção", e era uma palavra proposta por estudiosos do folclore com o intuito de diferenciar história (folclore) de história (ciência).

Mas a ideia não pegou. Por isso os dicionários registram "estória" como palavra em desuso, e sugerem a forma tradicional. Por exemplo, sob o verbete "estória" o iDicionário Aulete registra:


(es.tó.ri:a) sf. 1. Bras. Ver história (3) [A palavra foi proposta para designar narrativa de ficção, mas a forma preferencial é história.] [F.: Do ing. story.]

Cegalla também não recomenda o uso de "estória". "Não nos parece necessário o neologismo. Por isso, recomendamos que, em qualquer acepção se use apenas "história": História do Brasil, histórias da carochinha, a história do Chapeuzinho Vermelho, a história do Santo Graal etc." - CEGALLA, 1996, p. 120

Então está combinado! Esqueça esta história de escrever história de ficção com "e". Escreva qualquer tipo de história com "h" e seja feliz.

Ita est!
Prof. Zanon

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Candidatos ao ENEM - Dicas de como escrever um bom texto

-Deve-se evit. ao máx. a utiliz. de abrev., etc.

-É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita demasiadamente rebuscado. Tal prática advém de esmero excessivo que raia o exibicionismo narcisístico.

-Anule aliterações altamente abusivas.

-não esqueça as maiúsculas no início das frases.

-O uso de parêntesis (mesmo quando for relevante) é desnecessário.

-Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.

-Evite o emprego de gíria, mesmo que pareça nice, sacou??… então valeu!

-Nunca generalize: generalizar é um erro em todas as situações.

-Evite repetir a mesma palavra pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.

-Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: “Quem cita os outros não tem ideias próprias”.

-Frases incompletas podem cansar

-Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, não repita a mesma ideia várias vezes.

-Seja mais ou menos específico.

-Frases com apenas uma palavra? Jamais!

-A voz passiva deve ser evitada.

-Utilize a pontuação corretamente o ponto e a vírgula pois a frase poderá ficar sem sentido especialmente será que ninguém mais sabe utilizar o ponto de interrogação ?

-Quem precisa de perguntas retóricas?

-Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.

-Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.

-Evite mesóclises. Repita comigo: “mesóclises: evitá-las-ei! ”

-Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.

-Não abuse das exclamações! Nunca!!! O seu texto fica horrível!!!!!

-Evite frases exageradamente longas pois estas dificultam a compreensão da ideia nelas contida e, por conterem mais que uma ideia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçam, desta forma, o pobre leitor a separá-la nos seus diversos componentes de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.

-Cuidadu com a hortografia, para não estrupar a língúa portuguêza.

-Seja incisivo e coerente, ou não.

-Não fique escrevendo (nem falando) no gerúndio. Você vai estar deixando seu texto pobre e estar causando ambiguidade, com certeza você vai estar deixando o conteúdo esquisito, vai estar ficando com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo. E como você vai estar lendo este texto, tenho certeza que você vai estar prestando atenção e vai estar repassando aos seus amigos, que vão estar entendendo e vão estar pensando em não estar falando desta maneira irritante.

-Outra barbaridade que tu deves evitar tchê, é usar muitas expressões uai, que acabem por denunciar a região onde tu moras!… nada de mandar esse trem… vixi… entendeu bichinho?

-Não permita que seu texto acabe por rimar, porque senão ninguém irá aguentar já que é insuportável o mesmo final escutar, o tempo todo sem parar.

Ita est!
Prof. Zanon

Deduções perigosas

Deduzir o significado de uma palavra pode ser perigoso. É bom sempre consultar o dicionário. Eis a prova:


Pressupor – Colocar preço em alguma coisa.
Padrão – Padre muito alto.
Estouro – Boi que sofreu operação de mudança de sexo.
Democracia – Sistema de governo do inferno.
Barracão – Proíbe a entrada de caninos.
Ministério – Aparelho de som de dimensões muito reduzidas.
Detergente – Ato de prender seres humanos.
Conversão – Papo prolongado.
Barganhar – Receber um botequim de herança.
Unção – Erro de concordância verbal.O certo seria “um é”.
Expedidor – Mendigo que mudou de classe social.
Luz solar – Sapato que emite luz por baixo.
Cleptomaníaco – Mania por Eric Clapton.
Contribuir – Ir para algum lugar com vários índios.
Cerveja – O sonho de toda revista.
Regime Militar – Rotina de dieta e exercícios feitos pelo exército.
Caçador – Indivíduo que procura sentir dor.
Volátil – Avisar ao tio que você vai lá.
Assaltante – Um “A” que salta.
Determine – Prender a namorada de Mickey Mouse.
Pornográfico – O mesmo que colocar no desenho.
Coordenada – Que não tem cor.
Presidiário – Aquele que é preso diariamente.
Ratificar – Tornar-se um rato.
Violentamente – Viu com lentidão.
Diabetes – As dançarinas do diabo.

SOBRE A VÍRGULA


Vírgula pode ser uma pausa... ou não.

Não, espere.

Não espere.


Ela pode sumir com seu dinheiro.

23,4.

2,34.


Pode ser autoritária.

Aceito, obrigado.

Aceito obrigado..


Pode criar heróis.

Isso só, ele resolve..

Isso só ele resolve.


E vilões.

Esse, juiz, é corrupto.

Esse juiz é corrupto.


Ela pode ser a solução.

Vamos perder, nada foi resolvido.

Vamos perder nada, foi resolvido.


A vírgula muda uma opinião.

Não queremos saber.

Não, queremos saber.


"SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA".


Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER.

Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM.


É, uma vírgula muda tudo!


Ita est!

Prof. Zanon


terça-feira, 6 de outubro de 2009

O Novo Acordo Ortográfico simplificou a regra para as locuções "dia a dia" e "à toa".

O Novo Acordo Ortográfico simplificou algumas coisas para nós, falantes e escreventes da Língua Portuguesa. Tomemos como exemplo a expressão "DIA A DIA".

Antes do Acordo, a gramática normativa especificava:

Dia-a-dia, com hífen, quando usado como substantivo composto para designar "o viver cotidiano", "a atividade ou a rotina diária":

- Aposentado, o seu dia-a-dia era agora monótono.
- É tão atarefado o dia-a-dia das mães!

E dia a dia, sem hífen, quando for expressão adverbial, equivalente a "dia após dia", "diariamente", "com o correr dos dias":

- Dia a dia o pássaro foi construindo o seu ninho.
- Dia a dia se fortaleceu o seu prestígio.

Mas agora o Novo Acordo decretou:

Serão usadas sem hífen locuções como: [...] dia a dia (substantivo e advérbio). Ou seja, nunca mais separe "dia a dia" com hífen. Memorize. Será sempre assim, "dia a dia", separadinho, sem hífen, não importa se é substantivo ou advérbio.


Vamos a mais um exemplo: Lembra-se daquela expressão "Á-TOA"? Antes do Acordo havia duas regras ortográficas:

Á toa (sem hífen), quando desempenhava o papel de locução adverbial de modo (significando "sem rumo certo", "sem fazer nada", "inutilmente"). Exemplos:

- Andar à toa pela rua.
- Passar o dia à toa.
- Reclamar à toa.

E à-toa (com hífen), quando desempenhava o papel de uma locução adjetiva (equivalente a "sem valor", "desprezível", "insignificante", "sem moral"). Exemplos:

- Mulher à-toa.
- Ferimento à-toa.
- Quantia à-toa.

Agora, o Novo Acordo decretou: "À toa" será SEM HÍFEN SEMPRE, em qualquer situação, desempenhando qualquer papel.

Pois é, o Novo Acordo trouxe muitas facilidades também.

Ita est!
Prof. Zanon

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

"Se nos abstermos..." ou "se nos abstivermos..."

"Abster" deriva-se de "ter".

Assim como não dizemos "se termos..." e, sim, "se tivermos..."; devemos dizer "se nos abstivermos...".

O mesmo vale para estas construções:

"Se nos mantermos calmos, será melhor". :-(
"Se nos mantivermos calmos, será melhor". :-)

"Se nos determos um pouco, acharemos a resposta". :-(
"Se nos detivermos um pouco, acharemos a resposta". :-)

"Se ela não se conter, poderá arrepender-se". :-(
"Se ela não se contiver, poderá arrepender-se". :-)

Ita est!
Prof. Zanon

"Duas metades iguais". AAAAAARRRRRHHHHH!!!

Quando usamos a palavra "metade", não há necessidade alguma de dizermos "duas" (porque "metades" sempre são duas), nem "iguais" (porque, sendo "metades", são necessariamente iguais).

Diga simplesmente: "Dividiram o terreno em metades". Não gostou dessa construção, então diga: "Dividiram o terreno em duas partes iguais".

Ita est!
Prof. Zanon

"Entre eu e tu", ou "entre mim e ti"?

"Entre", é uma preposição, e antes dos pronomes "eu" e "tu" não se usa preposição.

Então o certo é "entre mim e ti".

Assim como não se diz "ela pensou em eu e tu", mas sim, "ela pensou em mim e ti", também não se deve dizer "ele estava entre eu e tu" e, sim, "ele estava entre mim e ti".

Ita est!
Prof. Zanon

"com nós"?

Não condene prontamente os falantes que usam a expressão "com nós". Ela é apropriada em alguns casos. Por exemplo, quando, depois dela, vierem as palavras "próprios", "todos", "outros" e "mesmos".
Diante dessas quatro palavras, não é aconselhável, do ponto de vista da gramática normativa, usar a expressão "conosco", porque, se a usarmos, causaremos um cacófato (som feio, desagradável, obsceno, impróprio ou com sentido equívoco, produzido pela união dos sons de duas ou mais palavras vizinhas):

CONOSCOpróprios
CONOSCOtodos
CONOSCOoutros
CONOSCOmesmos

O mesmo vale para a expressão "convosco".

Ita est!
Prof. Zanon

Matérias mais antigas:

Minha foto
Sou um professor apaixonado pela educação, pela literatura, pela língua portuguesa e pela arte de escrever. Como tantos educadores, um idealista. Fascina-me a incomensurável capacidade de transformação do ser humano. Por que me ufano da minha profissão? Porque sei que quando leciono, não estou apenas passando conteúdos, mas também destruindo mitos, dogmas e raciocínios falaciosos que cerceiam a liberdade humana.