terça-feira, 24 de novembro de 2009

"Eu irei consigo!"

Quantas vezes já ouvimos alguém dizer: "Eu irei consigo”.

O pronome pessoal "consigo" é reflexivo, mas é comum seu uso em conversação, sobretudo em Portugal, sem significação reflexa, representando a pessoa com quem se fala e a quem tratamos por você, o senhor, a senhora etc. (não vou mais jantar consigo = com o Sr. ou com a Sra. ou com vocês etc.)

O pronome "consigo" tem os seguintes sentidos:

1) na companhia física daquele de quem se fala, ou daquele a quem se fala, se o tratamos por você, o senhor, a senhora, Vossa Senhoria etc. Exs.: "os visitantes trouxeram consigo seus filhos"; "da próxima vez, traga sua mulher consigo".

2) em seu poder. Exs.: "não tinha qualquer arma consigo"; "você tem consigo algum documento?"

3) no espírito, na alma ou na mente daquele sobre quem se fala ou daquele a quem se fala, quando o tratamento é você etc.; dentro de si. Exs.: "levou consigo boa impressão do nosso trabalho"; "guardem consigo boas lembranças".

4) de si para si; com os seus botões. Exs.: "tudo isso pensava lá ele consigo"; "reflita consigo sobre isto".

5) em seu proveito, em seu benefício, ou em seu prejuízo. Exs.: "ele nada gasta consigo"; "não seja injusto consigo".

6) sob sua responsabilidade ou incumbência. Ex.: "tinha consigo a direção dos negócios da família".

Portanto, prefira o uso do pronome "consigo" de modo reflexivo. Diga: "Eu irei com você", "irei com o senhor" etc.

Também não diga "pensou consigo mesmo", pois "consigo mesmo" é redundância. Diga simplesmente: "pensou consigo".

Ita est!
Prof. Zanon

O livro "onde" ele defende essa ideia?

Observe esta frase:

"O livro onde ele defende essa ideia é o mesmo que estudaremos amanhã".

Vamos lá.

"Onde" é um advérbio, e significa "em que lugar, em qual lugar (indagando ou especializando)
Exemplos: "Onde vives?"; "Perguntava-se onde iria hospedá-los"; "o lugar onde está a casa é lindo!"

Portanto, o "onde" só pode ser usado para lugar. Nos demais casos, podemos usar "em que": "O livro em que ele defende essa ideia..."; "A tese em que…"; "A faixa em que ele canta…"; "Na entrevista em que…" etc.

Ita est!
Prof. Zanon

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A modelo "pousou" ou "posou"?

POSAR: ficar imóvel numa determinada posição, para que lhe retratem. Exs.: "estão posando para a foto de formatura"; "posar é muito cansativo".

POUSAR: interromper o voo e descer (na terra ou em outro planeta); aterrissar, aterrar, alunar, alunissar. Exs.: "a nave pousou na Lua"; "o avião acaba de pousar".

Houaiss

Portanto, "a modelo posou o dia todo". Modelo posa (de pose). Quem pousa é ave, avião, balão, nave etc.

Aproveitando o ensejo: Não confunda também iminente (prestes a acontecer) com eminente (ilustre). Nem tráfico (contrabando) com tráfego (trânsito).

Ita est!
Prof. Zanon

sábado, 14 de novembro de 2009

"Éramos seis" ou "éramos em seis"?

"Éramos seis" ou "éramos em seis"?

Este é um erro muito comum: Estávamos em quatro à mesa. Éramos em seis. Ficamos em cinco na sala.

O "em" não cabe nessas construções. Por que não? Porque os verbos estar/ser/ficar usados nessas orações são verbos de ligação. A função dos verbos de ligação é apenas ligar o sujeito a um predicativo. Esses verbos não pedem preposição.
Na fala é muito comum ouvirmos frases como as acima. Mas, como essas preposições não são regidas pelos verbos que as antecedem (pois são verbos de ligação), devem ser 
banidas nessas construções.

Portanto, prefira as formas: Estávamos quatro à mesa. Éramos seis. Ficamos quatro na sala.


Em tempo: Éramos seis é o título de um famoso romance de Maria José Dupré. 



Muitos não se lembram do livro, mas provavelmente se lembram da novela do SBT que fez um sucesso razoável com Irene Ravache e Othon Bastos como protagonistas.




Ita est!

Prof. Zanon

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

"Esperavam-o" ou "esperavam-no"?

"O doutor estava atrasado, mas os pacientes esperavam-o pacientemente". :-(

Legal essa frase, não é? E muito improvável também, pois geralmente os pacientes são muito impacientes.

Mas temos uma derrapada gramatical aí. Percebeu?

Quando o verbo termina em m, ão ou õe, os pronomes o, a, os e as tomam a forma no, na, nos e nas: As pessoas esperavam-no. / Dão-nos, convidam-na, põe-nos, impõem-nos.

O correto então seria:
"O doutor estava atrasado, mas os pacientes esperavam-no pacientemente". :-)

Ita est!
Prof. Zanon

sábado, 7 de novembro de 2009

Sabe ou não sabe?

Olha a manchete de um jornal local:

Cerca de 187 pessoas saudaram o presidente da companhia.

"Cerca de" indica arredondamento e não pode aparecer com números exatos. Quando sabemos o número exato, devemos indicá-lo diretamente:

187 pessoas saudaram o presidente da companhia.

Mas quando não sabemos o número exato, mas aproximado, então sim podemos escrever:

Cerca de 200 pessoas saudaram o presidente da companhia.

Simples assim!

Ita est!
Prof. Zanon

"Nada haver"?

A questão não tem nada “haver” com você. :-(

A questão, na verdade, não tem nada a ver ou nada que ver. :-)

Igualmente: Tem tudo a ver com você.

Ita est!
Prof. Zanon

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Três dicas valiosas!

1-) Nunca “lhe” vi.

"Lhe" substitui a ele, a eles, a você e a vocês e por isso não pode ser usado com objeto direto:

Nunca o vi. / Não o convidei. / A mulher o deixou. / Ela o ama.


2-) “Aluga-se” casas.

O verbo concorda com o sujeito:

Alugam-se casas. / Fazem-se consertos. / É assim que se evitam acidentes. / Compram-se terrenos. / Procuram-se empregados.


3-) “Tratam-se” de.

O verbo seguido de preposição não varia nesses casos:

Trata-se dos melhores profissionais. / Precisa-se de empregados. / Apela-se para todos.

Ita est!
Prof. Zanon

Comprei "ele" para você

Comprei “ele” para você. Quem nunca disse uma frase dessa maneira?!

Mas para falar bonito mesmo, vamos relembrar a regra:

Eu, tu, ele, nós, vós e eles não podem ser objeto direto.

Portanto, devemos dizer: Comprei-o para você.

Também: Deixe-os sair, mandou-nos entrar, viu-a, mandou-me.

Ita est!
Prof. Zanon

Preferia ir "do que" ficar.

Prefere-se sempre uma coisa a outra:

Preferia ir a ficar.

É preferível segue a mesma norma:

É preferível lutar a morrer sem glória.

Ita est!
Prof. Zanon

Venda a prazo: com ou sem crase?

Talvez você já tenha visto alguma placa com os dizeres:

“Venda à prazo”

E aí surgiu a dúvida: com ou sem crase?

Esta é fácil de memorizar:

Não existe crase antes de palavra masculina, a menos que esteja subentendida a palavra moda: Salto à (moda de) Luís XV.

Nos demais casos: A salvo, a bordo, a pé, a esmo, a cavalo, a caráter... sempre sem crase.

Ita est!
Prof. Zanon

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Sou um professor apaixonado pela educação, pela literatura, pela língua portuguesa e pela arte de escrever. Como tantos educadores, um idealista. Fascina-me a incomensurável capacidade de transformação do ser humano. Por que me ufano da minha profissão? Porque sei que quando leciono, não estou apenas passando conteúdos, mas também destruindo mitos, dogmas e raciocínios falaciosos que cerceiam a liberdade humana.