sábado, 26 de dezembro de 2009

A língua portuguesa é machista?

Na língua portuguesa, o adjetivo pode ir para o masculino plural, o que se constitui numa demonstração do prestígio do masculino na nossa gramática.

Mesmo que existam na frase mil substantivos enfileirados dos quais novecentos e noventa e nove são femininos, e apenas um é masculino, o adjetivo irá para o masculino.

Veja alguns exemplos:

- Comprou canetas, borrachas, réguas e lápis novos.
- A moça usava chapéu, blusa, saia e sandálias modernos.
- Tivemos um dia e uma noite agitados.

Significa isso que nossa língua é inflexivelmente machista? Não é bem assim. Existe a famosa lei da atração também na gramática. É gramaticalmente admissível que o adjetivo, por atração, venha a concordar com o substantivo mais próximo, ou seja, com o último substantivo da sequência.

Exemplos:

- Tivemos um dia e uma noite agitada.
- Ela usava sandália e chapéu moderno.
- Comprou um carro e duas casas novas.

Ita est!
Prof. Zanon

"Nós vamos se encontrar no cinema"

Essa frase é muito comum nas bocas dos adolescentes de todas as classes. Há algum problema (gramatical) com ela? Vejamos.

"Nós" é pronome da primeira pessoa. "Se" também é pronome, mas da terceira pessoa. O pronome reto "nós" exige o oblíquo "nos".

Sendo assim, diga "nós vamos nos encontrar no cinema".

Ita est!
Prof. Zanon

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

"por causa que", "por causa de que" ...

Com certeza você já ouviu alguma frase parecida com esta:

Ficou contente “por causa que” ninguém se feriu.

Embora popular, essa locução deve ser evitada.

Troque pelo "porque":

Ficou contente porque ninguém se feriu.

Ita est!
Prof. Zanon

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Sou um professor apaixonado pela educação, pela literatura, pela língua portuguesa e pela arte de escrever. Como tantos educadores, um idealista. Fascina-me a incomensurável capacidade de transformação do ser humano. Por que me ufano da minha profissão? Porque sei que quando leciono, não estou apenas passando conteúdos, mas também destruindo mitos, dogmas e raciocínios falaciosos que cerceiam a liberdade humana.