sábado, 25 de dezembro de 2010

Fatos curiosos sobre alguns autores que marcaram o rumo da Literatura

Goethe

O escritor da obra-prima Fausto, Wolfgang von Goethe, tinha uma mania um tanto estranha. Para as ideias fluírem com mais facilidade, o escritor tinha o estranho hábito de redigir suas criações em pé. Até mesmo a escrivaninha da casa do autor era mais alta do que a maioria dos modelos tradicionais da época.


Euclides da Cunha
A falta de talento de Euclides da Cunha como engenheiro o estimulou a avançar em seu sonho de tornar-se escritor. Ex-superintendente de obras públicas de São Paulo, ele coordenou toda a construção de uma ponte localizada na cidade paulista de São José do Rio Pardo. Depois de três anos, a ponte finalmente foi finalizada, mas nem teve tempo para entrar para a história. Em pouco tempo, a ponte caiu. Pelo jeito, Euclides não tinha muita habilidade com os cálculos. Em compensação, com as letras...

Machado de Assis

Mesmo acometido de uma terrível crise intestinal, Machado de Assis produziu uma de suas maiores contribuições literárias: Memórias Póstumas de Brás Cubas. Deitado na cama, o escritor teve de ditar grande parte da obra para a sua esposa, Carolina, para ter o seu sonho realizado. Tanta devoção da mulher marcou em definitivo a vida do escritor. Quando sua companheira faleceu, Machado guardou os tapetes em que ela havia pisado pela última vez para que ninguém pisasse neles, além dos fios de cabelo que ficaram na escova e o sabonete que ela usou em seu último banho.


Lima Barreto

Triste fim foi o de Lima Barreto, grande autor do cenário brasileiro, criador do personagem Policarpo Quaresma e uma infeliz vítima do vício do álcool. De origem humilde e mulato, o escritor sofreu por toda a vida com o preconceito social, o que o incentivou ainda mais a desafogar as mágoas na bebida. Encontrado diversas vezes bêbado e na sarjeta, foi internado no hospício duas vezes consecutivas. Seu talento foi reconhecido apenas depois de sua morte.


Álvares de Azevedo

Há quem diga que Álvares de Azevedo já nasceu com um pé na Literatura. Segundo a versão de alguns historiadores, Azevedo veio ao mundo dentro de uma sala da biblioteca da Faculdade de Direito de São Paulo. Outros já dizem que o autor romancista nasceu na casa de seu avô materno. De qualquer forma, sua morte foi ainda mais impressionante – vítima de uma tuberculose seguida por uma queda de cavalo, o escritor resistiu durante 46 dias na cama, vindo a falecer em um domingo de Páscoa, com apenas 21 anos.


Mário de Andrade

Mário de Andrade era um profundo admirador da arte de escrever – cartas. Cerca de 1.100 pessoas chegaram a trocar cartas com o escritor, e entre os seus amigos de correspondência famosos, destacam-se Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Cecília Meirelles, Oswald de Andrade, Villa Lobos, Lasar Segall e Anita Malfatti. Ao todo, Mário conseguiu ajuntar sete mil cartas, cuidadosamente guardadas em pastas, que deveriam ser abertas apenas no cinquentenário de sua morte.

Ita est!
Prof. Zanon

Dicas para se aprender um novo idioma

Algumas dicas que podem ajudá-lo a aprender um segundo idioma:

1. Mantenha uma atitude positiva. Lembre-se de que assim como você aprendeu seu primeiro idioma, poderá aprender uma segunda língua.

2. Seja realista. Aprender um novo idioma leva tempo e requer esforço.

3. Aprenda a viver com a incerteza. Como um aprendiz, você não entende tudo o que as pessoas a sua volta estão dizendo e você tem que, frequentemente, imaginar o significado de algumas coisas. Se você aceitar isso como parte do processo de aprendizagem, você aprenderá mais rápido e melhor.

4. Responsabilize-se pelo seu aprendizado. Um professor, livro ou curso, podem ajudá-lo a aprender, mas você será quem fará tudo isso funcionar. O seu aprendizado depende, antes de qualquer coisa, de seu esforço.

5. Use o dicionário. Use dois dicionários, um bilíngue outro todo somente no idioma que está estudando. Lembre-se de que cada idioma tem suas particularidades, portanto, não espere encontrar uma palavra em outros idiomas que signifiquem exatamente a mesma coisa em seu idioma nativo . Um dicionário no idioma escolhido (sem tradução) lhe dará uma ideia melhor de como uma palavra ou expressão é realmente usada.

6. Mantenha o ritmo da conversa. Caso você não entenda o que alguém está dizendo, não se desespere. Tente entender o contexto e continue conversando. Se você estiver realmente confuso, peça que a pessoa repita o que disse. Continuando a conversa você poderá entender o contexto após alguns minutos, tendo maior possibilidade de comunicação e ter uma evolução mais significativa no aprendizado.

7. Tire vantagem de seus erros. Não se preocupe com erros – todos os cometem (até mesmo em seu idioma nativo). Você pode aprender muito com seus erros. Quando não tiver certeza, pergunte se o que você disse está correto ou se existe uma maneira melhor de expressar sua ideia.

8. Peça para ser corrigido. As pessoas, por medo de ofendê-lo ou por entender o que você diz não corrigem seus erros. Peça para ser corrigido, e enfatize isso sempre e diga que é muito importante para o seu aprendizado. Assim as pessoas não ficarão constrangidas em corrigi-lo e você aprenderá muito mais rápido.

9. Ouça tudo. Ouça fitas ou CDs. Assista a programas de TV, a filmes sem legenda, enfim, tudo que você puder ouvir no idioma que quiser aprender é bem vindo. Aprendemos muito quando ouvimos, sem mesmo percebermos. É como se estivéssemos ouvindo exemplos o tempo todo. Temos a tendência a repetir frases e expressões que ouvimos. Como as crianças aprendem a falar?

10. Acesse a Internet. Se você tiver um computador conectado à Internet, tire proveito disso. Explore o máximo que puder. Hoje temos acesso a mídias do mundo todo, jornais, revistas, rádios etc. Temos fácil acesso a informação de outros países, de forma atualizada. Além de estarmos aprendendo um outro idioma, ainda estamos nos informando sobre assuntos diversos.

Ita est!
Prof. Zanon

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Dicas par escrever uma boa redação


Algumas dicas para você escrever um bom texto:

1) Não escreva frases tão longas. Você pode correr o risco de se perder entre as próprias palavras, fugindo da afirmação, da informação ou da opinião. As frases muito curtas também não são aconselháveis pois faltará argumentos convincentes. Procure um intermediário entre elas.

2) Passe certeza para o leitor. Evite os verbos "achar" e "pensar" ou qualquer outra expressão que transmita insegurança. Sua opinião deve ser firme.

3) Não fuja do tema, isso o faz perder muitos pontos.

4) Use sempre a primeira pessoa do plural, chamado de plural de modéstia. Nunca escreva em primeira pessoa, a menos que isso seja especificamente solicitado no enunciado.

5) Diferencie bem a sua letra maiúscula da minúscula. É aconselhável que não misture no mesmo texto letra cursiva com letra forma.

6) Dependendo da redação, não se esqueça de colocar um título. Título é diferente de tema. Título é você quem escolhe e o tema é o assunto proposto no enunciado.

7) Escreva primeiramente em um rascunho que você possa modificar e rabiscar, depois passe a limpo. Mas leia atentamente o seu texto antes de passar a limpo. Veja se tudo está de acordo.

8) Você é o maior avaliador de seu texto. Pergunte a si mesmo se todas as dicas foram consideradas, se não falta nada ou se tem algo errado.

9) Preste atenção nas palavras e nas pontuações. Veja se as frases ou argumentos não estão confusos e se a sua opinião prevaleceu com firmeza.

10) Não se esqueça que quem irá corrigir a sua redação terá muitas outras, assim se o seu texto estiver cansativo, irá te prejudicar pois o leitor não terá paciência para ficar lendo várias vezes somente para entender a sua maneira de escrita.


Ita est!

Prof. Zanon


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O cabo é dos nossos!


Um conto do professor Sandro Zanon

A notícia explodiu como uma granada, repentina e devastadora. Nenhuma árvore da floresta esperava por ela.

Embora seja bastante comum árvores serem derrubadas todos os dias por motivos diversos e para os mais variados fins, há algum tempo reinava uma calmaria na floresta EIGHT OAK. As temidas motoserras não apareciam em EIGHT OAK há pelo menos uns sete anos.

As árvores já não lembravam mais de seus barulhos ensurdecedores, de suas lâminas implacáveis e do forte odor de óleo que anunciavam sua presença de longe.

Não havia diálogo entre as motoserras e as árvores, pois as motoserras não falam a língua das árvores. Quando elas chegavam, as árvores se submetiam quietamente ao inevitável. Eram derrubadas sem dó nem piedade. As motoserras não sentiam remorso também. Faziam o serviço rapidamente e iam embora. Não se importavam se ao derrubar um carvalho centenário causassem efeitos colaterais à floresta, o que geralmente acontecia na maioria dos casos, pois o velho carvalho levava para o chão, junto consigo, inúmeros cipós, trepadeiras, musgos, árvores menores e frágeis; sem falar nos pássaros e outros animaizinhos que ele sustentava em seus fortes galhos.

Depois que as motoserras faziam o seu trabalho, passavam-se décadas até que a floresta voltasse ao seu normal, e no lugar dos grandes carvalhos, arvorezinhas mirradas e sem viço tentavam brotar, mas por mais que se empenhassem, não alcançavam a majestade das que foram derrubadas.

Logo após o impacto da notícia surgiu um lampejo de esperança. No lugar das motoserras, um machado iria entrar em EIGHT OAK para fazer o serviço. Quando o machado entrou na floresta, as árvores se consolaram mutuamente dizendo: "O cabo é dos nossos! Não é possível que se esqueça de onde veio e do que é feito!"

Ledo engano! O pequeno machado, investido de uma força que até então não possuia, deixou-se manejar ferozmente. Orgulhosamente sentia-se como o MJOLNIR nas mãos do Deus do Trovão. O alvo de sua lâmina afiada era um carvalho considerado ainda jovem, com apenas catorze anos de vida, mas com a altura e a circunferência dos majestosos carvalhos americanos. O pequeno machado investiu furiosamente uma, duas, três, dez e muitas vezes dez, mas o jovem carvalho resistiu.

Todos os pássaros que se sentiam seguros em seus galhos voaram de lá, todos os animaizinhos que buscavam proteção nele desapareceram. Até as formigas que sugavam sua seiva e os carunchos que se escondiam em suas cascas grossas foram embora.

Diante da resignação do jovem carvalho as forças que impulsionavam o pequeno machado desistiram, e ele, como não tinha autonomia, afastou-se de sua gênese.

O jovem carvalho ficou terrivelmente mutilado, mas permaneceu de pé. A seiva escorria abundantemente de seu tronco machucado. As outras árvores ficaram inconformadas pela traição do cabo do machado. Como ele pode deixar-se manipular assim, e ser levado a cometer tamanha traição?

Mas o jovem carvalho, depois que suas feridas cicatrizaram, perdoou o pequeno machado. Ele entendeu a sua heteronomia e aprendeu a lição: "Timeo hominem unius libri".

Felix qui potuit rerum cognocere causas!

"Read God’s Word the Holy Bible Daily"*


Mais de 50 traduções em vários idiomas (on line):

http://www.bibliaonline.com.br/

Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas:

http://www.watchtower.org/t/biblia/index.htm

Áudio da Bíblia Sagrada (Versão Almeida Revista e Atualizada) com efeitos especiais e vozes alternadas (escolha em "Categorias" o link "A fé vem pelo ouvir" e depois escolha o livro bíblico e o capítulo que deseja ouvir):

http://www.sbb.org.br/audios/default.asp

“Se eu a coloco debaixo de todos os livros, ela é a que mantém todos eles; se eu a coloco no meio dos outros livros, ela é o coração deles, e se eu a coloco em cima dos outros livros, ela é a cabeça e autoridade de todos os livros em minha biblioteca”; disse Rui Barbosa sobre a Bíblia Sagrada.


O que outras pessoas famosas já disseram sobre a Bíblia Sagrada:


Isaac Newton (Físico e Matemático)


“Considero as escrituras Sagradas a filosofia mais sublime. ”

“Todas as descobertas humanas parecem ter sido feitas, com o único propósito de confirmar cada vez mais fortemente as verdades contidas nas Sagradas Escrituras.”

D. Pedro II (Imperador Brasileiro)

“Eu amo a Bíblia. Eu a leio todos os dias, e quanto mais a leio mais a amo. Há alguns que não gostam da Bíblia. Eu não os entendo, não compreendo tais pessoas; mas eu a amo; amo a sua simplicidade, e amo as suas repetições e reiterações da verdade. Como disse: eu leio-a cotidianamente e gosto dela cada vez mais.”

George Washington (Presidente dos Estados Unidos)

“É impossível governar bem o mundo sem Deus e sem a Bíblia.”

Abraham Lincoln (Presidente dos Estados Unidos)

“Creio que a Bíblia é o melhor presente que Deus já deu ao homem. Todo o bem da parte do Salvador do mundo nos é transmitido mediante este livro.”

Napoleão Bonaparte (General Francês)

”O evangelho não é simplesmente um livro, mas uma força viva, um livro que sobrepuja a todos os outros. A alma jamais pode vaguear sem rumo se toma este livro por seu guia.”

Goethe (Escritor e poeta alemão)

“Se estivesse a ser posto em prisão e pudesse levar um livro, somente escolheria a Bíblia.”

Immanuel Kant (Filósofo alemão)

“A existência da Bíblia, como livro para o povo, é o maior benefício que a raça humana já experimentou. Todo o esforço para depreciá-la é um crime contra a humanidade.”

W. H. Seward (Governador de Nova York)

“Toda esperança do progresso humano depende da influência sempre crescente da Bíblia.”

John Q. Adams (Diplomata americano)

“Há muitos anos que adoto o costume de ler a Bíblia toda, uma vez por ano.”

Robert Lee (General americano)

“Em todas as minhas angústias e perplexidades a Bíblia nunca deixou de me fornecer luz e vigor.”

Lord Tennyson (Poeta inglês)

“A leitura da Bíblia já de si é uma educação.”

Sônia M. Coelho (uma leitora da Bíblia)

“Quem já concluiu a leitura da Bíblia, passou pela mais esplêndida universidade e conheceu o mais capacitado professor: Deus.”

Ita est!
Prof. Zanon
* "Leia Diariamente a Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada". Esta frase tem destaque em forma de um visível letreiro num dos prédios da gráfica da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) em Brooklyn, Nova York, desde os anos 50.

Tecendo a história

Professor Sandro Zanon

Quando li o primeiro verso do poema "Tecendo a Manhã", de João Cabral, meu estro foi imediatamente acionado para escrever uma analogia com as grandes mudanças históricas, as transformações que sacodem as sociedades e alteram o rumo da humanidade, acrescentando novos parágrafos aos anais.

Disse João Cabral:

"Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro;
de um outro galo que apanhe um grito que um galo antes
e o lance a outro;
e de outros galos que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
Para que a manhã, desde uma teia tênue;
Se vá tecendo, entre todos os galos".

À guisa de exemplo, tomemos a trajetória da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB).
Em fevereiro de 1987, a comunidade educacional organizada mobilizou-se ("deu o primeiro grito"). Em maio de 1987, o professor Dermeval Saviani apanhou esse grito e o lançou a outro "galo" (deputado Octávio Elísio), que o lançou a outro em maio de 1989 (deputado Ubiratan Aguiar).

"E de outros galos..." (deputado Jorge Hage, senadores Darcy Ribeiro, Marco Maciel e Maurício Correa), "que com muitos outros galos se cruzem..." (senadores Cid Sabóia de Carvalho, Beni Veras ...).

"Para que a manhã, desde uma teia tênue..." (Carta de Goiânia, com propostas dos educadores para o capítulo da Constituição referente à educação, em 1986); "se vá tecendo entre todos os galos..." (deputados, senadores, partidos políticos, entidades ligadas à educação etc).

"E se encorpando em tela, entre todos
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã), que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que tecido, se eleva por si: luz balão".

"... luz balão" (lei n.º 9.394 de 23.12.96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional).

Muitas vezes o "galo" que lança o primeiro grito não se apercebe do processo que está desencadeando, e nem do quanto ainda demorará para seu objetivo ser alcançado, mas mesmo assim, ele lança o grito.

Não encontramos nos anais os nomes dos "galos" que não gritaram, e também não estão lá as "manhãs" que poderiam estar, se muitos outros "galos" tivessem emitido seus "gritos de galo". As margens plácidas do riacho do Ipiranga não teriam sido agitadas há 187 anos se D. Pedro I não tivesse bradado ali. A igreja Católica Romana continuaria com o monopólio da fé cristã se Martinho Lutero não tivesse pregado suas 95 teses na porta da igreja de Todos os Santos, em Wittemberg, há 492 anos. E se Emile Davison não tivesse emitido seu grito gestual suicida em 4 de junho de 1913, quem sabe por quanto tempo ainda as mulheres inglesas ficariam absorvidas em questões triviais e caseiras enquanto seus maridos iam às urnas depositar seus sufrágios de direito.

Sim, o registro histórico é formado por brados corajosos, por derrotas terríveis e vitórias maravilhosas, mas nunca por passividade covarde.

Por isso, nunca deixe de ecoar o seu "grito de galo", pois, quem é que sabe se você não estará tecendo uma história!

Ita est!
Prof. Zanon

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Estou com a razão (ou não)...

Há uns três anos envolvi-me em uma controvérsia, com gente mais teimosa do que eu, e apesar de algumas tentativas, não conseguimos chegar a um acordo. Não cedo, pois acredito que estou com a razão, e eles não voltam atrás pelo mesmo motivo, estão convencidos que a razão está do lado deles.

Providencialmente (ou não), esta semana chegou até mim três citações sobre o "insistir na razão" e suas consequências. São elas:

"Feliz o que não insiste em ter razão, pois ninguém a tem ou todos a têm." (Fragmentos de um evangelho apócrifo, Jorge Luis Borges)

"A razão é cavalo do diabo, só para quando chega ao inferno." (Antonio Almeida Filho)

"Nunca direi que vocês têm razão de me acusar; enquanto viver, insistirei na minha inocência.
Fico firme e não desisto de dizer que estou certo, pois a minha consciência nunca me acusou." (Bíblia Sagrada, Livro de Jó, 27, 5-6, Tradução BLH)

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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Deus lhe abençoe, ... Deus o abençoe?

Abençoar é verbo transitivo direto, ou seja, exige regência direta, sem preposição.

- O papa abençoou os peregrinos.
- Deus o abençoe. (e não "Deus lhe abençoe.")

Constrói-se com "lhe" só quando esse pronome equivale a "seu" ou "dele":

- Deus lhe abençoe a família. (O mesmo que "Deus abençoe a família dele.")
- Que se casem, tenham numerosos filhos, e Jeová lhes abençoe a prole. (O mesmo que "[...] e Jeová abençoe a prole deles.")

É comum encontrarmos alguma confusão quanto ao uso gramaticalmente correto do verbo abençoar em jornais e revistas. Há algum tempo, um jornalista carioca, falando sobre a posse do então prefeito do Rio, Luís Paulo Conde, noticiou: "Conde ouviu o padre lhe abençoar durante três minutos."

O uso do pronome "lhe", nesse caso, não foi apropriado. Ele poderia ter escrito assim:

- Conde ouviu o padre o abençoar [...]; ou
- Conde ouviu o padre abençoá-lo [...]

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A baixo, abaixo, abaixo assinados e abaixo-assinado.

"A BAIXO"

Escreve-se a baixo (locução adverbial), em oposição a de cima, em frases como:

- A cortina rasgou-se de cima a baixo.

- O patrão me observou de alto a baixo.

"ABAIXO"

Abaixo é antônimo de acima. Veja os exemplos:

- O plano foi por água abaixo.

- A correnteza levou a canoa rio abaixo.

- O muro veio abaixo.

- Os abaixo assinados requerem a revogação da lei.


"ABAIXO-ASSINADO" e "ABAIXO ASSINADOS"

Quando referir-se ao documento assinado por várias pessoas para solicitar alguma coisa, reivindicar direitos etc., devemos grafar abaixo-assinado (com hífen) e o plural abaixo-assinados. Mas quando a expressão designa os signatários do documento, aí é sem hífen. Veja os exemplos:

- O abaixo-assinado foi entregue ao presidente.

- Os abaixo assinados vêm respeitosamente solicitar a Vossa Excelência que...

E por falar em abaixo-assinado, há um movimento coletando assinaturas para um abaixo-assinado contra o voto obrigatório. Se lhe interessa, o site é https://votoobrigatorionao.com.br/index.php?gclid=CJHM6dqJ6qUCFUpJ2godyT5lXg


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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Verbo INFORMAR

Observe a frase abaixo:

"Todos lhe informaram de que seria reprovado."

Ela está incorreta quanto à regência, pois o verbo informar está apresentando dois objetos indiretos: "lhe" e "de que seria reprovado."

O verbo informar é transitivo direto e indireto, comumente chamado de bitransitivo.

Em seu emprego é importante lembrar que, quando a pessoa é objeto direto, a coisa deverá ser objeto indireto e vice-versa, ou seja, informar alguém de alguma coisa ou informar a alguém alguma coisa.

Além disso, quando empregamos a coisa como objeto indireto, podemos usar também a preposição sobre.

- Informei-o do acontecido.

- Informei-o sobre o acontecido.

- Informei-lhe o acontecido.

No uso do verbo informar os erros mais comuns são repetir o mesmo objeto. Veja:


- Informamos a V. S.ª de que o pedido foi encaminhado...(errado: 2 objetos indiretos )


- Informamos V. S.ª que o pedido foi encaminhado... (errado: 2 objetos diretos)

- Informamos V. Sª a decisão do Conselho... (errado: 2 objetos diretos)

- Informamos a V. S.ª da decisão do Conselho... (errado: 2 objetos indiretos )


A frase do exemplo poderia ser reescrita corretamente de duas maneiras:

- Todos lhe informaram que seria reprovado.
- Todos o informaram de que seria reprovado.

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domingo, 14 de novembro de 2010

"Namorar" e "Pisar" - Qual a regência correta?

Namorar é sempre transitivo direto, ou seja, o verbo transita até seu complemento sem preposição. Portanto, quem namora, namora alguém; e não "com alguém". Exemplos:

- Você namora alguém?
- Eu namoro Elisabete.
- Eu estou namorando Pedro há dois meses.


Pisar também é um verbo transitivo direto, por isso não devemos colocar preposição entre o verbo e seus complementos. É incorreto dizer-mos: "não pise na grama". Devemos dizer: "não pise a grama". A letra "a" nesse caso é um artigo.

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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Estamos de volta!

Prezados leitores,
Estive ausente por algum tempo. Problemas com a internet. Mas agora voltamos com força total. Aguarde novas postagens nos próximos dias. Um abraço do professor Zanon.

domingo, 29 de agosto de 2010

Metáfora e Comparação.

A metáfora e a comparação são duas figuras de linguagem das mais conhecidas.

A metáfora é o emprego de palavras fora do seu sentido normal, tomando-se por base a analogia.

Exemplos:

- Esse homem é uma fera!

- Todos os tiranos têm coração de pedra.

- João é um touro!

- Minha filha é um anjo!



A comparação é o confronto de ideias por meio de conectivos.

Exemplos:

- Esse homem é bravo como uma fera!

- Todos os tiranos têm coração duro como pedra!

- João é igual um touro!

- Minha filha é como um anjo!

Metáforas e comparações são muito parecidas. A diferença é que a comparação usa o conectivo para estabelecer a analogia e a metáfora não. Alguns estudiosos da língua usam a expressão comparação implícita para os casos de metáfora e comparação explícita para os casos de comparação.

Ita est!
Prof. Zanon

A expressão HAJA VISTA.

A expressão HAJA VISTA, sinônima de veja, é invariável no português contemporâneo:

- Haja vista os erros cometidos pelo prefeito.
- Haja vista as grandes conquistas brasileiras no futebol.

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Prof. Zanon

domingo, 22 de agosto de 2010

CONTEM ou CONTÉM ou CONTÊM ou CONTÊEM?

CONTEM = do verbo CONTAR: “É preciso que vocês contem tudo.”

CONTÉM = 3ª p. singular do verbo CONTER: “A garrafa contém água.”

CONTÊM = 3ª p. plural do verbo CONTER: “As garrafas contêm água.”

“CONTÊEM” não existe.

OBSERVAÇÃO:
Todos os verbos derivados de TER ( = deter, reter, manter, obter…) terminam em “ÉM” na 3ª pessoa do singular e em “ÊM” na 3ª pessoa do plural do presente do indicativo:

ele detém – eles detêm; ele mantém – eles mantêm; ele contém – eles contêm.

Ita est!
Prof. Zanon

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Transitividade verbal: objeto direto e indireto.

Quando a ação do verbo precisa de um complemento, um objeto, para ser totalmente compreendida, dizemos que esse verbo é transitivo. O verbo cuja ação não necessita de complemento é chamado de intransitivo. Quando estudamos essa necessidade que um verbo tem ou não de complemento, chamamos a isso de transitividade verbal.


VERBO -----) Transitivo ou intransitivo

Observação: O prefixo TRANS, de algumas palavras da língua portuguesa, deriva da preposição latina trans que quer dizer "para além de". Assim, verbo transitivo é aquele cujo sentido vai além dele.

Os verbos transitivos que se ligam ao objeto sem preposição obrigatória chamam-se transitivos diretos. Os que se ligam ao objeto por meio de uma preposição obrigatória são chamados transitivos indiretos.

O complemento do verbo que se liga diretamente a ele, sem preposição, chama-se objeto direto. Aquele que se liga ao complemento por meio de uma preposição chama-se objeto indireto.

Alguns verbos podem aceitar complementos com preposição e sem preposição dependendo do significado do verbo no contexto. Esses verbos são chamados transitivo direto e indireto.

A transitividade é determinada pelo contexto.
Observe as orações:

- Ele sonhou um sonho lindo. (Verbo transitivo direto. Objeto direto: um sonho lindo)

- Ele sonhou durante toda a noite. (Verbo intransitivo)


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domingo, 15 de agosto de 2010

Componentes básicos da argumentação

A retórica é definida como a arte de persuadir ou convencer por meio da palavra. Vamos conhecer um pouco de sua história através deste extrato de ABREU, Antônio Suárez. A arte de argumentar: gerenciando razão e emoção. 8 ed. São Paulo: Ateliê Editorial, 2005.

Um Pouco de História

A retórica, ou arte de convencer e persuadir, surgiu em Atenas, na Grécia antiga, por volta de 427 a.C, quando os atenienses, tendo consolidado na prática os princípios do legislador Sólon, estavam vivendo a primeira experiência de democracia de que se tem notícia na História. Ora, dentro desse novo estado de coisas, sem a presença de autoritarismo de qualquer espécie, era muito importante que os cidadãos conseguissem dominar a arte de bem falar e de argumentar com as pessoas, nas assembléias populares e nos tribunais.

Para satisfazer essa necessidade, afluíram a Atenas, vindo sobretudo das colônias gregas da época, mestres itinerantes que tinham competência para ensinar essa arte. Eles se autodenominavam sofistas, sábios, aqueles que professam a sabedoria. Os mais importantes foram Protágoras e Górgias.

Como mestres itinerantes, os sofistas faziam muitas viagens e, por esse motivo, conheciam diversos usos e costumes. Isso lhes dava uma visão de mundo muito mais abrangente do que tinham os atenienses da época e lhes permitia mostrar a seus alunos que uma questão podia admitir diferentes pontos de vista. Um dos princípios propostos por eles era o de que muitos dos comportamentos humanos não eram naturais, mas criados pela sociedade. Como exemplo, citavam o ”sentimento do pudor”. Contradizendo os atenienses, que acreditavam que fosse algo natural, os professores de retórica afirmavam, por experiência própria, que, em muitos lugares por que tinham passado, a exposição de certas partes do corpo e certos hábitos tidos lá como normais, se vistos em Atenas, causariam perplexidade e constrangimento.

Foi esse tipo de pensamento que deve ter provocado a célebre afirmação de Protágoras: O homem é a medida de todas as coisas, que o levou, inclusive, a afirmar que o verdadeiro sábio é aquele capaz de julgar as coisas segundo as circunstâncias em que elas se inserem e não aquele que pretende expressar verdades absolutas.

A retórica, ao contrário da filosofia da época, professada principalmente por Sócrates e Platão, trabalhava, pois, com a teoria dos pontos de vista ou paradigmas, aplicados sobre os objetos de seu estudo. Por esse motivo, foi inevitável o conflito entre retóricos ou sofistas, de um lado; e os filósofos, de outro, que trabalhavam apenas com dicotomias como verdadeiro/falso, bom/mau etc.


Tarefas da Retórica Clássica


A primeira tarefa da retórica clássica tinha natureza heurística. Tratava-se de descobrir temas conceituais para discussão. Um dos temas mais célebres, escolhido por Górgias, foi ”o direito que a paixão tem de se impor sobre a razão”. Para defender essa tese, Górgias escreveu um discurso intitulado Elogio a Helena, em 414 a.C. A história de Helena de Tróia é uma das mais conhecidas da mitologia grega.

Helena, esposa de Menelau, rei da cidade de Esparta, foi raptada por Paris, príncipe troiano, que a ganhara como prêmio da deusa Vênus. Esse rapto deu origem à guerra de Tróia, que os gregos promoveram para resgatar Helena. A questão colocada por Górgias era que Helena, apesar de casada com Menelau e, do ponto de vista moral ligada a ele, tinha também o direito de apaixonar-se por Paris, dando vazão aos seus sentimentos. Na verdade, Vênus prometera a Paris não apenas Helena, mas o amor de Helena. [...]

Senso Comum, Paradoxo e Maravilhamento

Tudo aquilo que pensamos e fazemos é fruto dos discursos que nos constróem, enquanto seres psicossociais. Na sociedade em que vivemos, somos moldados por uma infinidade de discursos: discurso científico, discurso jurídico, discurso político, discurso religioso, discurso do senso comum etc. Paramos o automóvel diante de um sinal vermelho, porque essa atitude foi estabelecida pelo discurso jurídico das leis de trânsito. Votamos em tal candidato de tal partido, porque esse tipo de voto foi conquistado pelo discurso político desse candidato.

Entre todos os discursos que nos governam, o mais significativo deles é o discurso do senso comum. Trata-se de um discurso que permeia todas as classes sociais, formando a chamada opinião pública. Tanto uma pessoa humilde e iletrada quanto um executivo de alto nível, com curso universitário completo, costumam dizer que os políticos são, em geral, corruptos ou que o brasileiro é relaxado e preguiçoso. Na verdade, o discurso do senso comum não é um discurso articulado; é formado por fragmentos de discursos articulados. Uma fonte desse discurso são osditos populares, como Devagar se vai ao longe, Água mole em pedra dura tanto bate até que fura etc. Esse discurso tem um poder enorme de dar sentido à vida cotidiana e manter o status quo vigente, mas tende a ser, ao mesmo tempo, retrógrado e maniqueísta. Podemos até mesmo dizer que os momentos das grandes descobertas, das grandes invenções, foram também momentos em que as pessoas foram capazes de opor-se ao discurso do senso comum. Geralmente, essas pessoas, em um primeiro instante, se tornam alvo da incompreensão da massa que defende o senso comum.

Foi o que aconteceu com a chamada Revolta da Vacina, uma rebelião popular ocorrida no Rio de Janeiro, de 12 a 15 de novembro de 1904, quando Oswaldo Cruz, diretor-geral da Saúde Pública do governo Rodrigues Alves, quis vacinar a população da cidade contra a febre amarela. A opinião geral era de que se tratava de inocular a doença nas pessoas. Dizem que até mesmo Rui Barbosa posicionou-se contra a medida, alegando o constrangimento das senhoras em expor o braço nu para tomar a vacina. Os cariocas, inflamados, levantaram barricadas, quebraram lampiões de iluminação pública e incendiaram alguns bondes da cidade.

Voltando a Atenas e aos professores de retórica, uma das técnicas mais utilizadas por eles, para arejar a cabeça dos atenienses contra o discurso do senso comum, era a de criar paradoxos - opiniões contrárias ao senso comum - levando, dessa maneira, seus ouvintes ou leitores a experimentarem aquilo que chamavam maravilhamento, capacidade de voltar a se surpreender com aquilo que o hábito vai tornando comum. Essa palavra foi substituída no expressionismo alemão, no surrealismo francês e, sobretudo no formalismo russo, pela palavra estranhamento, definida como a capacidade de tornar novo aquilo que já se tornou habitual em nossas vidas. Nesse sentido, o Elogio a Helena de Górgias foi paradoxal, pois contrariava o senso comum da época. [...]

A retórica clássica se baseava, portanto, na diversidade de pontos de vista, no verossímil, e não em verdades absolutas. Isso fez com que a dialética e a filosofia da época se aliassem contra ela. Platão, por exemplo, em sua obra chamada Górgias, procura mostrar que a retórica visava apenas aos resultados, enquanto que a filosofia visava sempre ao verdadeiro. Isso fez com que a retórica decaísse perante a opinião pública (discurso do senso comum) durante séculos. A própria palavra sofista passou a designar pessoa de má-fé que procura enganar, utilizando argumentos falsos. O interessante é que o próprio Platão, na sua República, utiliza amplamente os recursos retóricos que ele próprio condenava. Nietzsche comentou, ao seu estilo, que o primeiro motivo que levou Platão a atacar Górgias foi que Górgias, além de seu sucesso político, era rico e amado pelos atenienses. Dizem, também, que um dos motivos do declínio da retórica foi que a experiência democrática dos gregos foi muito curta. Acabou em404 a.C., quando Atenas foi subjugada por Esparta, ficando assim eliminado o espaço para a livre crítica de idéias e o debate de opiniões.

Nos dias de hoje, a partir dos estudos da Nova Retórica e do chamado Grupo u, de Liège, na Bélgica, a retórica foi amplamente reabilitada, tendo sido, sobretudo a partir da segunda metade do século XX, beneficiada pelos estudos de outras ciências que se configuraram nesse século, como a Lingüística, a Semiótica, a Pragmática e a Análise do Discurso.

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Locução verbal

Locução verbal é a combinação de um verbo auxiliar com o infinitivo, particípio ou gerúndio de outro verbo, chamado principal:

- Vou estudar (auxiliar ir + principal no infinitivo)
- Sou amado (auxiliar ser + principal no particípio)
- Estou estudando (auxiliar estar + principal no gerúndio)

As locuções verbais mais usadas na língua portuguesa são formadas das seguintes maneiras:

a) pelos verbos ter e haver unidos a um infinitivo por meio da preposição de:

- Tenho de trabalhar para educar meus filhos. (indica obrigação)
- Hei de vencer essa disputa. (indica desejo, intenção)

b) pelos verbos estar, andar, ir e vir seguidos de um gerúndio, exprimindo ação contínua:

- Estou trabalhando arduamente.
- Ando procurando emprego.
- O público ia saindo lentamente.
- Vem surgindo imponente o sol.

c) pelo verbo ir seguido de um infinitivo, indicando a intenção de realizar ações num futuro próximo:

- Vou exigir meus direitos amanhã mesmo.
- Vamos viajar no próximo final de semana.

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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O conhecimento que traz tristeza

A Melancolia, de Albrecht Dürer

"Uma mulher está sentada. O olhar mergulhado numa distância vazia, o rosto obscuro, o queixo apoiado num punho cerrado. No seu cinto estão dependuradas chaves, símbolos de poder, e uma bolsa, símbolo de riqueza: dois títulos de vaidade, em suma.

A melancolia é para sempre essa figura inclinada, pensativa!

Cansaço? Pesar? Tristeza? Meditação? A pergunta volta: postura declinante da doença ou do gênio que reflete?

A resposta não deve ser buscada apenas na figura humana. O cenário também é tacitamente eloquente: instrumentos sem emprego, uma figura geométrica de três dimensões que representa a geometria, a quinta das "artes liberais", jazem dispersos na cena imóvel.

A vaidade do saber é assim incorporada à figura desocupada. Essa fusão entre a geometria que se entrega à melancolia e a melancolia perdida numa geometria sonhadora dá a Melancholia se poder enigmático: a própria verdade seria triste, conforme afirma o Eclesiastes?" -
RICOEUR, Paul. A memória, a história, o esquecimento. Trad. Alain François (et al.). Campinas: SP: Editora da Unicamp, 2007, página 89.


"Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor". - Bíblia Sagrada, Eclesiastes 1,18


A melancolia nos traz à mente a ideia de tristeza. Mas a melancolia também tem seu lado positivo. Há um texto grego antigo atribuído a Aristóteles que diz:

"Por que razão os homens mais eminentes em filosofia, em política, em poesia ou nas artes são manifestamente melancólicos?"

Assim, a melancolia estaria intimamente relacionada à reflexão, à sensibilidade e ao conhecimento. Tanto que, durante o Renascimento, o melancólico será associado ao gênio. Melancolia e genialidade...


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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Colocação pronominal

A correta colocação dos pronomes oblíquos átonos associados a verbos tira o sono de muita gente, principalmente dos vestibulandos e concursandos. Os nomes técnicos que identificam sua posição – próclise, mesóclise e ênclise – parecem mais com o grego do que com o português (e de fato são etimologicamente gregos).

A razão de tanta dificuldade em apreender esses conteúdos gramaticais é a dicotomia coloquial x adloquial.

Existe grande divergência entre a linguagem coloquial, informal, pessoal, e a linguagem adloquial, formal, impessoal, própria da escrita. Num almoço em família soaria mal alguém dizer: “Passe-me o arroz”. Pareceria estranho. Nesse momento, o mais apropriado é dizer: “Me passe o arroz”, embora tal uso vá de encontro ao ditame da gramática normativa: não se inicia período com pronome oblíquo átono!

Antigamente a regra era clara: “Se não houver elemento de atração, é ênclise e ponto final!” Mas hoje a regra não é tão clara, é preferível afinar o bom senso. Com a prática constante da leitura e da escrita, essas regras são internalizadas e passam a funcionar automaticamente.

É importante memorizar o seguinte:

1º) Usamos a ênclise (verbo + pronome), se não houver um elemento de atração antes do verbo.

Exemplo: Papai deu-me várias razões para que eu não saísse de casa.

2º)
Usamos a próclise (pronome + verbo), quando há um elemento de atração, que pode ser uma palavra ou expressão negativa, um advérbio não isolados por vírgula, um pronome relativo, entre outros).

Exemplo: Jamais nos encontrarão neste fim de mundo. O advérbio de negação – jamais – obriga o uso da próclise; ele atrai o pronome.

3º)Usamos a mesóclise (radical + pronome + desinência) mais raramente, mas ela ainda existe.

Exemplo:
Perdê-la-ia, mesmo que mudasse radicalmente minhas atitudes.



Evite os erros mais banais:

a) Me dirigi ao guarda para pedir informações. O certo é: Dirigi-me ao guarda...; (Regra: não se inicia oração ou período com pronome oblíquo átono.);

b) Haviam liberado-me do exame. O certo é: Haviam-me liberado... (Regra: não se emprega ênclise com locução verbal de Particípio.);

c) Dariam-nos a vida, se pudessem... O certo é: dar-nos-iam a vida, se pudessem... (Mesóclise é obrigatória com as formas do futuro, se não houver elemento de atração antes do verbo).

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Sou um professor apaixonado pela educação, pela literatura, pela língua portuguesa e pela arte de escrever. Como tantos educadores, um idealista. Fascina-me a incomensurável capacidade de transformação do ser humano. Por que me ufano da minha profissão? Porque sei que quando leciono, não estou apenas passando conteúdos, mas também destruindo mitos, dogmas e raciocínios falaciosos que cerceiam a liberdade humana.