segunda-feira, 29 de março de 2010

Cansei, mas alcancei. O importante é alcançar.

CANSAR e ALCANÇAR são duas palavras de famílias diferentes. Embora haja muita analogia de pronúncia, o sentido de uma nada tem a ver com o sentido da outra.

Cansar é "provocar perda de forças em ou sentir esgotamento (físico ou mental); fatigar(-se)";

Alcançar é "chegar junto ou ao lado de (alguém ou algo à frente)".

Por isso não podemos fazer analogia gráfica: cansar, cansado, cansável são com "s"; mas alcançar, alcançado e alcançável são com "ç".

E atenção: o pretérito perfeito do indicativo do verbo alcançar é alcancei, com "c" (sem cedilha).

Ita est!
Prof. Zanon

domingo, 28 de março de 2010

A língua do "P"

Pedro Paulo Pereira Pinto, pequeno pintor português, pintava portas, paredes, portais. Porém, pediu para parar porque preferiu pintar panfletos. Partindo para Piracicaba, pintou prateleiras para poder progredir.

Posteriormente, partiu para Pirapora. Pernoitando, prosseguiu para Paranavaí, pois pretendia praticar pinturas para pessoas pobres. Porém, pouco praticou, porque Padre Paulo pediu para pintar panelas, porém, posteriormente pintou pratos para poder pagar promessas. Pálido, porém personalizado, preferiu partir para Portugal para pedir permissão para papai para permanecer praticando pinturas, preferindo, portanto, Paris.

Partindo para Paris, passou pelos Pirineus, pois pretendia pintá-los. Pareciam plácidos, porém, pesaroso, percebeu penhascos pedregosos, preferindo pintá-los parcialmente, pois perigosas pedras pareciam precipitar-se principalmente pelo Pico, porque pastores passavam pelas picadas para pedirem pousada, provocando provavelmente pequenas perfurações, pois, pelo passo percorriam, permanentemente, possantes potrancas. Pisando Paris, pediu permissão para pintar palácios pomposos, procurando pontos pitorescos, pois, para pintar pobreza, precisaria percorrer pontos perigosos, pestilentos, perniciosos, preferindo Pedro Paulo precaver-se. Profundas privações passou Pedro Paulo. Pensava poder prosseguir pintando, porém, pretas previsões passavam pelo pensamento, provocando profundos pesares, principalmente por pretender partir prontamente para Portugal. Povo previdente! Pensava Pedro Paulo... Preciso partir para Portugal porque pedem para prestigiar patrícios, pintando principais portos portugueses.

Paris!Paris! Proferiu Pedro Paulo. Parto, porém penso pintá-la permanentemente, pois pretendo progredir. Pisando Portugal, Pedro Paulo procurou pelos pais, porém, Papai Procópio partira para Província. Pedindo provisões, partiu prontamente, pois precisava pedir permissão para Papai Procópio para prosseguir praticando pinturas. Profundamente pálido, perfez percurso percorrido pelo pai. Pedindo perfeita permissão, penetrou pelo portão principal. Porém, Papai Procópio puxando-o pelo pescoço proferiu: Pediste permissão para praticar pintura, porém, praticando, pintas pior. Primo Pinduca pintou perfeitamente prima Petúnia. Porque pintas porcarias?

Papai, proferiu Pedro Paulo, pinto porque permitiste, porém, preferindo, poderei procurar profissão própria para poder provar perseverança, pois pretendo permanecer por Portugal.

Pegando Pedro Paulo pelo pulso, penetrou pelo patamar, procurando pelos pertences. Partiu prontamente, pois pretendia pôr Pedro Paulo para praticar profissão perfeita: pedreiro! Passando pela ponte precisaram pescar para poderem prosseguir peregrinando. Primeiro, pegaram peixes pequenos, porém, passando pouco prazo, pegaram pacus, piaparas, pirarucus.

Partindo pela picada próxima, pois pretendiam pernoitar pertinho, para procurar primo Péricles primeiro. Pisando por pedras pontudas, Papai Procópio procurou Péricles, primo próximo, pedreiro profissional perfeito. Poucas palavras proferiram, porém prometeu pagar pequena parcela para Péricles profissionalizar Pedro Paulo.


Primeiramente Pedro Paulo pegava pedras, porém, Péricles pediu-lhe para pintar
prédios, pois precisava pagar pintores práticos. Particularmente Pedro Paulo preferia pintar prédios. Pobre Pedro Paulo, pereceu pintando...

“Permita-me, pois, pedir perdão pela paciência, pois pretendo parar para pensar... Para parar preciso pensar. Pensei. Portanto, pronto, pararei.”


sábado, 27 de março de 2010

Aforismos em Grande Sertão: Veredas

Em Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa faz uma recriação da linguagem, recondicionando-a inventivamente, saindo do lugar-comum a fim de dar maior grandeza ao discurso. O falar mineiro associado a arcaísmos, brasileirismos e neologismos ultrapassa os limites geográficos de Minas Gerais e ganha uma dimensão poético-filosófica universal, especialmente através dos muitos aforismos criados por Rosa.

O que são aforismos?

São máximas ou sentenças que, em poucas palavras, explicitam regras ou princípios de alcance moral. Os aforismos que Rosa criou para
Grande Sertão: Veredas são curtos e sucintos, fundamentos de um estilo fragmentário e assistemático na escrita filosófica, geralmente relacionados a uma reflexão de natureza prática ou moral.

Eis alguns exemplos retirados de
Grande Sertão:Veredas:

- Viver é muito perigoso.

- Deus é paciência.

- Sertão. O senhor sabe: sertão é onde manda quem é forte, com as astúcias.

- [...] toda saudade é uma espécie de velhice.

- Jagunço não se escabreia com perda nem derrota - quase tudo para ele é o igual.

- Viver é um descuido prosseguido.

- Sertão é do tamanho do mundo.

- Vingar é lamber frio o que o outro cozinhou quente demais.

- Quem desconfia, fica sábio.

- Sertão é o sozinho.

- Sertão: é dentro da gente.

- Sertão é sem lugar.

- Para as coisas que há de pior, a gente não alcança fechar as portas.

- Vivendo se aprende; mas o que se aprende, mais, é só a fazer outras maiores perguntas.

- [...] amor só mente para dizer maior verdade.

- Paciência de velho tem muito valor.

- Sossego traz desejos.

- [...] quem ama é sempre muito escravo, mas não obedece nunca de verdade.

Ita est!
Prof. Zanon

sexta-feira, 26 de março de 2010

"Quem quer que dirija um argumento apelando para a autoridade, não está usando a inteligência, está utilizando apenas a memória."

Leonardo da Vinci
“A RELIGIÃO É LAÇO E EXTORSÃO, SIRVA A DEUS E A CRISTO, O REI”

J. F. Rutherford

domingo, 21 de março de 2010

As Três Peneiras de Sócrates

Um homem foi ao encontro de Sócrates levando ao filósofo uma informação que julgava de seu interesse:
- Quero contar-te uma coisa a respeito de um amigo teu!
- Espera um momento – disse Sócrates – Antes de contar-me, quero saber se fizeste passar essa informação pelas três peneiras.
- Três peneiras? Que queres dizer?
- Vamos peneirar aquilo que quer me dizer. Devemos sempre usar as três peneiras. Se não as conheces, presta bem atenção. A primeira é a peneira da VERDADE. Tens certeza de que isso que queres dizer-me é verdade?
- Bem, foi o que ouvi outros contarem. Não sei exatamente se é verdade.
- A segunda peneira é a da BONDADE. Com certeza, deves ter passado a informação pela peneira da bondade. Ou não?
Envergonhado, o homem respondeu:
- Devo confessar que não.
- A terceira peneira é a da UTILIDADE. Pensaste bem se é útil o que vieste falar a respeito do meu amigo?
- Útil? Na verdade, não.
- Então, disse-lhe o sábio, se o que queres contar-me não é verdadeiro, nem bom, nem útil, então é melhor que o guardes apenas para ti.

A lição da borboleta



Um dia, uma pequena abertura apareceu em um casulo, um homem sentou e observou a borboleta por várias horas conforme ela se esforçava para fazer com que seu corpo passasse através daquele pequeno buraco. Então pareceu que ela parou de fazer qualquer progresso.

Parecia que ela tinha ido o mais longe que podia, e não conseguia ir mais longe. Então o homem decidiu ajudar a borboleta, ele pegou uma tesoura e cortou o restante do casulo. A borboleta então saiu facilmente. Mas seu corpo estava murcho e era pequeno e tinha as asas amassadas. O homem continuou a observar a borboleta porque ele esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e esticassem para serem capazes de suportar o corpo, que iria se afirmar a tempo.

Nada aconteceu. Na verdade, a borboleta passou o resto da sua vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas. Ela nunca foi capaz de voar. O que o homem, em sua gentileza e vontade de ajudar, não compreendia era que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena abertura era o modo com que Deus fazia com que o fluido do corpo da borboleta fosse para as suas asas de modo que
ela estaria pronta para voar uma vez que estivesse livre do casulo.

Algumas vezes, o esforço é justamente o que precisamos em nossa vida. Se Deus nos permitisse passar através de nossas vidas sem quaisquer obstáculos, ele nos deixaria aleijados. Nós não iríamos ser tão fortes como poderíamos ter sido. Nós nunca poderíamos voar.

Eu pedi Força... e Deus me deu Dificuldades para me fazer forte.
Eu pedi Sabedoria... e Deus me deu Problemas para resolver.
Eu pedi Prosperidade... e Deus me deu Cérebro e Músculos para trabalhar.

Eu pedi Coragem... e Deus me deu Perigo para superar.
Eu pedi Amor... e Deus me deu pessoas com Problemas para ajudar.
Eu pedi Favores... e Deus me deu Oportunidades.
Eu não recebi nada do que pedi... Mas eu recebi tudo de que precisava."


Autor Desconhecido

Más companhias...

Eu já escrevi, num post anterior, qual a raiz etimológica da palavra companhia, que reforçou como é importante associar-nos às pessoas certas.

Agora vou postar alguns provérbios que mostram como as más companhias podem nos prejudicar:

“QUEM ANDA COM OS SÁBIOS SERÁ SÁBIO.’’ - Bíblia Sagrada, Provérbios 13,20

“SE VOCÊ ANDA FREQUENTEMENTE COM PESSOAS MANCAS, COMEÇARÁ A MANCAR TAMBÉM.” - Provérbio Latino

“QUANDO UMA POMBA COMEÇA A VOAR COM OS CORVOS, SUAS PENAS PERMANECEM BRANCAS, MAS SEU CORAÇÃO SE TORNA NEGRO.” - Provérbio Alemão

“DIGA-ME COM QUEM ANDAS E EU TE DIREI QUEM ÉS.’’ - Miguel Cervantes

“O ACASO NOS TROUXE NOSSOS PAIS, MAS A ESCOLHA NOS TRAZ OS AMIGOS.’’ - Delille

Então, tenha certeza de escolher os amigos certos. Nossa tendência é a de nos comportarmos da mesma maneira que as pessoas com as quais nos associamos.

Ita est!
Prof. Zano

terça-feira, 16 de março de 2010


"O começo da sabedoria é encontrado na dúvida. Duvidando começamos a questionar, e procurando podemos achar a verdade."

Pierre Abelard

Reflexões machadianas

Machado de Assis era um grande observador das sensações humanas, e em todos os seus trabalhos há uma visão muito profunda do comportamento do ser humano, especialmente do nosso comportamento em sociedade.

Há uma ideia tão cara ao Machado observador, que ele a repete duas vezes em capítulos seguidos de seu romance Helena. No capítulo XX ele escreve:

"[...] a suspeita é a tênia do espírito; não perece enquanto lhe resta a cabeça";

e novamente, no capítulo XXI:

"[...] Quando a suspeita germina na alma, o menor incidente assume um aspecto decisivo".

O que ele quer dizer com essas palavras?

O dicionário Houaiss define suspeita como "conjetura, convicção ou opinião, fundamentada em indícios, mas não provada, a respeito de algo ou de alguém; desconfiança, suposição, suspeição, ideia imprecisa; pressentimento."

A suspeita é deformadora da realidade, porque faz com que se analisem os fatos não como são, mas como se apresentam aos olhos de quem duvida. E assim como a tênia (um parasita dos intestinos) só morre quando lhe extirpam a cabeça, também a suspeita só desaparece quando cessam as causas que a suscitaram.


Outra reflexão que é recorrente nas obras machadianas é esta:

"Os espíritos, disse ele, nascem condores ou andorinhas, ou ainda outras espécies intermediárias. A uns é necessário o horizonte vasto, a elevada montanha, de cujo cimo batem as asas e sobem a encarar o sol; outros contentam-se com algumas longas braças de espaço e um telhado em que vão esconder o ninho." (Capítulo VII, Helena).

Essa bela imagem ilustrativa, que o narrador nos transmite por meio da personagem Estácio, no romance Helena, aparece novamente em Memórias Póstumas de Brás Cubas, no capítulo LXX:

"O mundo era estreito para Alexandre; um desvão de telhado é o infinito para as andorinhas".

O que Machado quer dizer com essas comparações?

O próprio Estácio, personagem do romance Helena, numa de suas falas nos esclarece:

"[...] há os que nasceram para brilhar e outros, para serem obscuros; àqueles, nada parece contentar; estes, querem apenas a realização de pequenas ambições e de alguns sonhos."

Grande Machado de Assis!

Ita est!
Prof. Zanon

sexta-feira, 12 de março de 2010

Julio Cortázar

Julio Cortázar é um dos autores mais inovadores e originais de seu tempo, mestre do conto curto e da prosa poética. Seus trabalhos já foram muitas vezes comparados aos de Borges e Poe. Seus escritos romperam os moldes clássicos com narrações que fogem da linearidade temporal e onde as personagens adquirem autonomia e profundidade psicológica inéditas.

Abaixo, um dos contos curtos de Cortázar que eu mais gosto.


Continuidade dos Bosques

C
omeçara a ler o romance alguns dias antes. Abandonou-o por negócios urgentes, voltou a abri-lo quando regressava de trem à fazenda. Deixava-se envolver lentamente pela trama, pelo desenho das personagens. Nessa tarde, depois de escrever uma carta a seu procurador e discutir com o administrador uma questão de arrendamentos, voltou ao livro na tranquilidade do estúdio que dava para o bosque dos carvalhos.

Acomodado em sua poltrona favorita, de costas para a porta que o teria importunado como uma irritante possibilidade de intromissões, deixou que sua mão esquerda acariciasse vez e outra o veludo verde e começou a ler os últimos capítulos. Sua memória retinha sem esforços os nomes e as imagens dos protagonistas, a ilusão novelesca invadiu-o quase em seguida. Gozava do prazer quase perverso de desprender-se linha a linha do que o rodeava e sentir ao mesmo tempo que sua cabeça descansava comodamente no veludo do encosto alto, que os cigarros seguiam ao alcance da mão, que mais além dos janelões dançava o ar do entardecer sob os carvalhos.

Palavra a palavra, absorvido pelo sórdido dilema dos heróis, deixando-se ir até as imagens que se ordenavam e adquiriam cor e movimento, foi testemunha do último encontro na cabana da montanha. Primeiro entrava a mulher, temerosa; agora chegava o amante, com o rosto machucado pela chicotada de uma rama. Admiravelmente ela estancava o sangue com seus beijos, mas ele rechaçava as carícias, não havia vindo para repetir as cerimônias de uma paixão secreta, protegida por um mundo de folhas secas e caminhos furtivos. O punhal amornava-se contra seu peito e, por baixo, pulsava a liberdade escondida. Um diálogo ofegante corria pelas páginas como um arroio de serpentes, e sentia que tudo estava decidido desde sempre. Até essas carícias que enredavam o corpo do amante como querendo retê-lo e dissuadi-lo, desenhavam abominavelmente a figura de outro corpo que era necessário destruir. Nada havia sido esquecido: álibis, acasos, possíveis erros. A partir dessa hora, cada instante tinha seu emprego minuciosamente atribuído. O reexame sem piedade interrompia-se apenas para que uma mão acariciasse uma face.

Começava a anoitecer. Já sem se olhar, atados rigidamente à tarefa que lhes esperava, separaram-se na porta da cabana. Ela devia seguir pela trilha que ia para o norte. Da trilha oposta, ele voltou-se um instante para vê-la correr com o cabelo solto. Correu também, esquivando-se de árvores e de cercas até distinguir na bruma malva do crepúsculo a alameda que levava à casa. Os cães não deviam latir, e não latiram. O administrador não estaria àquela hora, e não estava. Subiu os três degraus do alpendre e entrou. Do sangue galopando em seus ouvidos chegavam as palavras da mulher: primeiro uma sala azul, depois um corredor, uma escadaria atapetada. No alto, duas portas. Ninguém no primeiro quarto, ninguém no segundo. A porta da sala e, então, o punhal na mão, a luz dos janelões, o alto encosto de uma poltrona de veludo verde, a cabeça do homem na poltrona lendo um romance.

Julio Cortázar
Tradução de Marlova Aseff

terça-feira, 9 de março de 2010

Frase do mês


"O tempo não cura nada, mas tira o incurável do foco central."

Herbert Marcuse, filósofo alemão (1898-1979)


sábado, 6 de março de 2010

O MONGE MORDIDO


Um monge viajava por uma estrada com seus discípulos e, quando passavam por uma ponte, viram um escorpião sendo arrastado pelas águas do rio.

O monge correu até a margem do rio e estendeu a mão para que o bichinho se agarrasse a ela. Quando o trazia para fora da água o escorpião o picou.

Mesmo sentindo muita dor, o monge não desistiu de salvar o escorpião. Pegou um galho seco e estendeu até o escorpião e conseguiu salvá-lo das águas.

Satisfeito, juntou-se novamente aos seus discípulos na estrada, que haviam assistido à cena perplexos e o receberam penalizados.

Mestre, por que foi salvar esse bicho ruim e venenoso? Que se afogasse! Seria um a menos! Veja como ele respondeu à sua ajuda: picou a mão que o salvava! Não merecia sua compaixão!

O monge ouviu tranquilamente os comentários e respondeu: Ele agiu conforme sua natureza e eu de acordo com a minha.



A VERDADE E A PARÁBOLA


(Conto judaico)

Um dia, a Verdade decidiu visitar os homens, sem roupas e sem adornos, tão nua como seu próprio nome.

E todos que a viam lhe viravam as costas de vergonha ou de medo, e ninguém lhe dava as boas-vindas.

Assim, a Verdade percorria os confins da Terra, criticada, rejeitada e desprezada.

Uma tarde, muito desconsolada e triste, encontrou a Parábola, que passeava alegremente, trajando um belo vestido e muito elegante.

— Verdade, por que você está tão abatida? — perguntou a Parábola.

— Porque devo ser muito feia e antipática, já que os homens me evitam tanto! — respondeu a amargurada Parábola.

— Que disparate! — Sorriu a Parábola. — Não é por isso que os homens evitam você. Tome. Vista algumas das minhas roupas e veja o que acontece.

Então, a Verdade pôs algumas das lindas vestes da Parábola, e, de repente, por toda parte onde passava era bem-vinda e festejada.

Moral da estória: os seres humanos não gostam de encarar a Verdade sem adornos. Eles preferem-na disfarçada.

Ita est!
Prof. Zanon

quinta-feira, 4 de março de 2010

O importante é vender!

Um gerente de vendas recebeu o seguinte fax de um dos seus novos vendedores:


''SEO GOMIS, O CRIENTE DE BELZONTE PIDIU MAIS CUATRUCENTA PESSA. FAZ FAVOR TOMÁ AS PROVIDENSSA. ABRASSO, NIRSO.''


Aproximadamente uma hora depois, recebeu outro...


"SEO GOMIS, OS RELATÓRIO DI VENDA VAI XEGA ATRAZADO PROQUE TÔ FEXANDO UMAS VENDA. TEMO QUE MANDA TREIS MIL PESSA. AMANHÃ TO XEGANDO. ABRASSO, NIRSO.''


No dia seguinte...


''SEO GOMIS, NUM XEGUEI PUCAUSA DE QUE VENDI MAIS DEIS MIL EM BERABA. TÔ INDO PRA BRAZILHA. ABRASSO, NIRSO.''


No outro...


''SEO GOMIS, BRAZILHA FEXO 20 MIL. VO PRA FROLINOPOLIS E DE LÁ PRA SUM PAULO NO VINHÃO DAS CETE HORA. ABRASSO, NIRSO.''


E assim foi o mês inteiro. O gerente, muito preocupado com a imagem da empresa, levou ao presidente as mensagens que recebeu do vendedor alegando que o Nilson estava extrapolando a língua mãe e assassinando toda uma cultura, além de dar um mau exemplo. O presidente escutou atentamente o gerente e disse: “Deixa comigo, que eu tomarei as providências necessárias.” E tomou. Redigiu de próprio punho um aviso e o afixou no mural da empresa, juntamente com as mensagens de fax do vendedor:


"OS PHD DO ÇETOR DE MARQUETINGUE DA IMPREZA KI NUM MOSTRA CIRVIÇU TÃO DIMITIDO ÇUMÁRIAMENTI, INCRUSIVI O GOMIS. MOTIVU: DIPROMA DIMAIS, CUMPETENÇA DIMENUS! A PARTI DI OJE NOIS TUDO VAMU FAZÊ FEITO O NIRSO. SI PRIOCUPÁ MENOS EM ISCREVÊ SERTO, MOD VENDE MAIZ.'' ACINADO, O REMITTANCES

Ita est!
Prof. Zanon


Matérias mais antigas:

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Sou um professor apaixonado pela educação, pela literatura, pela língua portuguesa e pela arte de escrever. Como tantos educadores, um idealista. Fascina-me a incomensurável capacidade de transformação do ser humano. Por que me ufano da minha profissão? Porque sei que quando leciono, não estou apenas passando conteúdos, mas também destruindo mitos, dogmas e raciocínios falaciosos que cerceiam a liberdade humana.