domingo, 25 de abril de 2010

"Em terra de cegos..."


Meu colega de profissão, professor Evertom (ou Tom, como prefere ser chamado pelos colegas), indicou-me para leitura o conto “Em Terra de Cegos…” , de H. G. Wells. O conto descreve "A Terra dos Cegos: um vale remoto e quase inacessível em que todas as pessoas são cegas há 14 gerações. Não sabem o que é ver e por isso não têm consciência de que lhes falta uma capacidade que outras pessoas possuem; ou seja: não reconhecem ter um problema".

São cegas mas não sabem que são cegas. Estão também convencidas que o seu pequeno vale é todo o mundo existente. Quando são visitados por algum forasteiro, que lhes fala do mundo exterior e lhes tenta explicar o que é a visão, ficam desconfiados e não recebem bem suas informações.


Quem já leu Platão e sua "Alegoria da Caverna" perceberá muitas semelhanças, mas não pare de ler antes do final achando que tudo é semelhanças. Há algumas diferenças, e uma delas é o amor – não à verdade mas sim o amor a uma linda mulher. Há algumas semelhanças também com o romance de Saramago, "Ensaio Sobre a Cegueira" onde uma mulher finge ser cega para não ser escravizada pelo povo cego, que não sabia da verdade.


O conto pode ser interpretado de várias maneiras. Interpretações metafísicas e epistemológicas podem ser feitas, embora Wells não encaminhe o leitor especificamente para esta exegese. Tudo dependerá do repertório cultural e da experiência de vida de cada leitor.


Após a leitura do conto, uma conclusão se tornará unânime, contrariando o adágio popular: numa terra onde todos são/estão cegos, é muito perigoso apresentar-se como alguém que enxerga, mesmo que com um só olho. Quem enxerga precisa fingir-se cego, como a mulher do médico em "Ensaio Sobre a Cegueira", ou precisa fazer-se cego de vez, para juntar-se à maioria que o cerca, como faz Nunez em "Em Terra de Cegos..."


Enfim, trata-se de uma bela metáfora da conformidade com o grupo. Numa sociedade em que todos compartilham da mesma visão, aquele que enxerga de forma diferente é considerado um sonhador, um visionário, um louco ou mesmo um rebelde, um insubmisso. Por isso essa sociedade toma para si o direito de corrigir o indivíduo, impondo-lhe sua "verdade" como absoluta. Por isso, se temos os dotes de uma visão além do comum, precisamos aprender a fechar os olhos. Se ouvimos ou temos informações que são um tanto quanto perigosas, precisamos aprender a nos calar. A dissimulação é necessária quando a sinceridade é um perigo.


O professor Tom e o grupo de teatro Gruta, de Curitiba, estão preparando uma adaptação do conto de Wells para o teatro. Aguardem.


Ita est!

Prof. Zanon


sábado, 24 de abril de 2010

Uma típica família italiana!

O nono foi hospitalizado e os filhos, netos e bisnetos vieram de todos os cantos do país.

Os médicos deixaram que os parentes levassem-no para casa, para cumprir seu último desejo: o de morrer em casa, ao lado de seus entes queridos.

Acomodaram-no no quarto e as visitas foram se revezando para tentar consolar e dar conforto ao nono em seu derradeiro momento.
De repente o nono sentiu um aroma maravilhoso que vinha da cozinha. Era a nona tirando do forno uma fornada de cuca.

Os olhos do nono brilharam e ele se reanimou. Então, o nono pediu ao bisneto que estava ao lado da sua cama: "Piccolo mio, vai na cojina e pede um pedaxo de cuca pra nona". O guri foi e voltou muito rápido.

"E a cuca?" - perguntou o nono.

"A nona disse que no!"

"Ma per que no, porca miséria, ma que vecchia desgraciata! Que qüesta desgraciata falô?"

"A nona disse...que as cuca ....é pro velório!!!"

sábado, 17 de abril de 2010

O que faz bem pra minha saúde!

Acho a maior graça. Tomate previne isso, cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas não exagere...

Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.

Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.

Prazer faz muito bem.
Dormir me deixa 0 km.
Ler um bom livro faz-me sentir novo em folha.
Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois rejuvenesço uns cinco anos.
Viagens aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheio de ideias.
Brigar me provoca arritmia cardíaca.
Ver pessoas tendo acessos de estupidez me
embrulha o estômago.
Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano.
E telejornais... os médicos deveriam proibir - como doem!
Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo, faz muito bem! Você exercita o auto controle e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.
Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde!
E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda!
Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou mussarela que previna.
Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau!
Cinema é melhor pra saúde do que pipoca!
Conversa é melhor do que piada.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.
Amigos são melhores do que gente influente.
Economia é melhor do que dívida.
Pergunta é melhor do que dúvida.
Sonhar é melhor do que nada!

Luiz Fernando Veríssimo

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Quando agimos contra a nossa consciência

"Quando se atua contra a consciência, ataca-se a parte mais íntima e delicada do homem: esse delicado sistema que nos torna livres.

Fica um rastro de mal-estar, a que chamamos “remorso”.

Se nos acostumamos a agir contra a consciência, esta deteriora-se: perdemos a luz que nos permite ser livres, ficando à mercê das forças irracionais dos instintos ou da pressão exterior.


(Juan Luis Lorda)

Lavando as mãos

"Às vezes, lavando as mãos sujamos a consciência".


(Autor desconhecido)

Aceitemos as consequências de nossas escolhas

Aceitarmos as consequências das nossas escolhas, carregarmos o peso delas, honrarmos a nossa palavra..., isto se chama responsabilidade.

E só a responsabilidade confere realidade à liberdade.

Só o homem responsável é autenticamente livre.

O outro… joga; é ainda criança, imaturo, pouco homem.

(Paulo Geraldo)

A Liberdade Interior


"No homem há uma liberdade que se vê (fazer o que se quer, ir de um lado para o outro etc.),

e uma liberdade que não se vê, a liberdade interior, que deriva do fato de não se ter impedimentos interiores para exercitar a nossa consciência e de atuar de acordo com ela.

Os obstáculos interiores são a ignorância e a fraqueza. A pessoa que não sabe o que tem de fazer só tem liberdade para errar, mas não para acertar.

E aquele que é fraco, deixa que a desordem dos seus sentimentos ou a coação externa lhe arrebatem a liberdade interior".

(Juan Luis Lorda)

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Sou um professor apaixonado pela educação, pela literatura, pela língua portuguesa e pela arte de escrever. Como tantos educadores, um idealista. Fascina-me a incomensurável capacidade de transformação do ser humano. Por que me ufano da minha profissão? Porque sei que quando leciono, não estou apenas passando conteúdos, mas também destruindo mitos, dogmas e raciocínios falaciosos que cerceiam a liberdade humana.