domingo, 4 de dezembro de 2011

O que é fluxo de consciência?

Em 1922, o irlandês James Joyce (1882-1941) publica Ulisses, romance que se tornou um marco na literatura moderna.


Joyce usou mais de 800 páginas para descrever apenas um dia na vida da personagem, um homem comum que realiza nesse único dia a saga do herói grego Ulisses. A técnica para representar a subjetividade forjada por Joyce foi batizada de fluxo de consciência e passou a ser amplamente utilizada na literatura. Essa técnica utiliza basicamente os monólogos interiores, fluxos de palavras que procuram imitar a lógica do pensamento em sua liberdade, fragmentação e autonomia em relação ao tempo externo.

Com o uso dessa técnica, podemos captar o ponto de vista de um personagem através do exame profundo de seus processos mentais, com lampejos do consciente e do inconsciente, da realidade e do desejo, as lembranças da personagem e a situação presentemente narrada etc.

Como o pensamento e a consciência não é ordenada, o texto com fluxo de consciência também não o é. Presente e passado, realidade e desejos, anseios e reminiscências, falas e ações se misturam na narrativa num jorro desarticulado, descontínuo, numa sintaxe caótica, apresentando as reações íntimas da personagem fluindo diretamente da consciência, livres e espontâneas.
Uma escritora que usou e abusou dessa técnica foi Virginia Woolf.



Abaixo um trecho de
Mrs. Dalloway, um dos meus livros preferidos:

"Como a humanidade é louca, pensou ela ao atravessar Victoria Street. Porque só Deus sabe porque amamos tanto isto, o concebemos assim , elevando‑o, construindo‑o à nossa volta, derrubando‑o, criando‑o novamente a cada instante, mas até as próprias megeras, as mendigas mais repelentes sentadas às portas (a beberem a sua ruína) fazem o mesmo; não se podia resolver o seu caso, ela tinha a certeza, com leis parlamentares por esta simples razão: porque amam a vida. Nos olhos das pessoas, no movimento, no bulício e nos passos arrastados; no burburinho e na vozearia; os carros, os automóveis, os ónibus, os camiões, homens‑sanduíches aos encontrões, bamboleantes; bandas de música; realejos, no estrondo e no tinido e na estranha melodia de algum aeroplano por cima das nossas cabeças, era o que ela amava, a vida, Londres; este momento de Junho. Porque era em meados de Junho." (Mrs. Dalloway, pp.5-6)



Entre os autores brasileiros cito
Clarice Lispector como a especialista em fluxo de consciência. Leia o excerto de Perto do Coração Selvagem:


[...] Assim, um cão latindo, recortado contra o céu. [...] Uma porta aberta a balançar para lá, para cá, rangendo no silêncio de uma tarde [...] Também um mastro sem bandeira, ereto e mudo, fincado num dia de verão [...] (Perto do coração selvagem, 1980)



Ita est!

Prof. Zanon

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Novos talentos brilhando no Lala



Viajar no tempo e usar a imaginação para preencher as lacunas da história... esse é o convite que a peça In Shakespeare's Company nos faz.

Escrita e dirigida por Andressa Medeiros, a peça propõe aos espectadores uma criativa e bem humorada possibilidade: William Shakespeare e Francis Bacon encontram-se em um café do século XXI. Ao observarem outros frequentadores do café, atores de teatro, discutindo seus desencontros e infortúnios, Shakespeare enche-se de inspiração e Bacon serve-lhe de escriba. E assim vai surgindo textos deliciosos e personagens célebres: Rei Lear e suas filhas, Othelo e Desdêmona (e o diabólico Iago), Romeu e Julieta etc.

Os atores, todos jovens estudantes do curso de teatro Lala Schneider, não desapontaram. Pelo contrário, todos demonstraram que sabiam o que queriam quando escolheram o teatro. São promessas de uma boa safra de atores para o futuro próximo.



Elenco: Lucas Adamo, Taciane Franqui, Nathália Stella, Amanda Gnoinski, Lívia Marangoni, Mavi Trainotti*, Isabella Chapieski, Jéssica Granato, Joyce Reis, Sarah Ramos, Pedro Lopes, Isabella Lorrainy, Nicole Nader, Pedro Escorsin, Fernanda da Cunha, Ana Vitória Gaede e Amanda Markowicz.
Texto e direção: Andressa Medeiros; Sonoplastia: Jader Alves; Iluminação: Renato Jachinoski; Figurino: O grupo.

*Devo mencionar com orgulho minha pupila da escola Atuação, Mavi Trainotti.


A peça será apresentada apenas mais uma vez em 3 de dezembro, às 18h30. Maiores informações no site do teatro: http://www.teatrolala.com.br/ ou pelos telefones 41 3232-4499 | 41 3232-8108.

Eu recomendo.

Ita est!
Prof. Zanon

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Acento grave (crase) com possessivos

É sabido que a crase ocorre quando há uso simultâneo da preposição a com o artigo a; ou seja, é preciso que a palavra anterior [um verbo ou um nome] exija a preposição a e o substantivo posterior – que será obrigatoriamente feminino, explícito ou não – admita a presença do artigo definido.

Observe a frase: Disse a minha mãe que sairia com alguns amigos.

Como está, não ocorre crase. Porém, alguns falantes poderiam estruturar mentalmente a frase de outro modo. Por exemplo, em vez de "a minha mãe" pensariam em "para a minha mãe", o que pressupõe a coexistência da preposição com o artigo definido.

Neste caso: Disse à minha mãe que sairia com alguns amigos.

Conclusão: o uso do acento grave indicativo de crase antes do pronome possessivo é facultativo. Pode-se usá-lo ou omiti-lo. Em algumas frases é recomendável usá-lo para se evitar ambiguidades, sobretudo depois de verbos. Observe:


- Favor anexar a sua certidão de nascimento a sua ficha de inscrição.

Anexar o que a quê? Para evitar essa ambiguidade, o uso do acento grave é recomendado:

- Favor anexar a sua certidão de nascimento à sua ficha de inscrição.

Um dos objetivos do acento grave indicador de crase é a clareza. Também fica melhor:

- Dobre à sua direita.

-
À SUA ESCOLHA [título de reportagem sobre imóveis à venda]

- O Natal bate
à sua porta [propaganda na TV, mas sem o acento!].


Ita est!

Prof. Zanon


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Dever de casa - 6ª série

Atenção alunos da 6ªA (Unidade Boqueirão) e 6ªB (Unidade Santa Quitéria)

Copiar os exercícios para o caderno (não imprimir) e resolvê-los. A correção será em sala na próxima aula.

1) Escrever cinco palavras paroxítonas que levam acento e cinco que não levam.

2) Escrever cinco frases com interjeições que sugiram alegria, medo, susto, chamamento e nojo.

3) Escrever três frases com apostos.

4) Escrever três frases com vocativo.

5) Transforme as comparações em metáforas e as metáforas em comparações.

a) A casa era um refúgio.
b) Minhas palavras são pássaros em liberdade.
c) O livro era como um velho pergaminho.
d) Era teimoso como uma mula.
e) Suas palavras são como estocadas de uma espada.

Bom feriado a todos e um abraço do professor Sandro! Até quarta-feira.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Regência Verbal - Exercícios

1) Substitua o verbo em destaque pelo indicado entre parênteses e faça as adaptações necessárias para adequar a regência verbal ao padrão culto da língua portuguesa.

a) Depois de vários dias de viagem, a caravana
parou num oásis. (chegar)

b) Os sócios não
aceitarão o novo regulamento do clube. (obedecer)

c) Ele
abandonou os amigos que tanto o ajudaram. (esquecer)

d) Ele
abandonou os amigos que tanto o ajudaram. (esquecer-se)

e) Atualmente é decepcionante
ver um jogo de nosso time. (assistir)

f) Marina
gosta mais dos livros que dos brinquedos. (preferir)

g) Alguns participantes da reunião
apoiaram a proposta. (simpatizar)

h) O viajante
recompensou o garoto com algumas moedas. (pagar)

i) Esta campanha
objetiva o fim do desperdício de água. (visar)



GABARITO

a) Depois de vários dias de viagem, a caravana chegou a um oásis.

b) Os sócios não obedecerão a
o novo regulamento do clube.

c) Ele esqueceu 
os amigos que tanto o ajudaram.

d) Ele
 se esqueceu (ou esqueceu-se) dos amigos que tanto o ajudaram.

e) Atualmente é decepcionante
 assistir a um jogo de nosso time.

f) Marina
 prefere os livros aos brinquedos.

g) Alguns participantes da reunião simpatizaram com 
a proposta.

h) O viajante pagou ao 
garoto com algumas moedas.

i) Esta campanha visa ao 
fim do desperdício de água.



Ita est!
Prof. Zanon


domingo, 6 de novembro de 2011

Crase antes de horas


Na maioria das vezes, é necessário usarmos o acento grave indicador de crase no "a" que precede horas:

As lojas abrem às 7h.
O jogo será à 1h da madrugada.
À 0h do dia 1.º de janeiro, começará a queima de fogos.

Há, porém, algumas excessões. Em pelo menos cinco casos não há crase nesse "a" que acompanha horas: quando antes dele há as preposições "até", "após", "desde", "entre" e "para". Veja:

Os ingressos serão vendidos até as 18h.
Os portões fecharão após as 7h30.
A lei entrou em vigor desde a 0h de segunda-feira.
Há uma lei que proíbe animais na praia entre as 8h e as 16h.
A reunião estava marcada para as 20h.

A dica é a seguinte – Substitua a hora por "meio-dia": se der "ao meio-dia", há crase; se não der, esqueça a crase.

Observe: A novela começa às 8h30, com crase, porque A novela começa ao meio-dia.

Mas: O enterro aconteceu após as 19h de ontem, sem crase, porque O enterro aconteceu após o meio-dia de ontem.


Ita est!
Prof. Zanon

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

E a morte perderá o seu domínio...

E a morte perderá o seu domínio.
Nus, os homens mortos irão confundir-se
com o homem no vento e na lua do poente;
quando, descarnados e limpos, desaparecerem os ossos
hão-de nos seus braços e pés brilhar as estrelas.
Mesmo que se tornem loucos permanecerá o espírito lúcido;
mesmo que sejam submersos pelo mar, eles hão-de ressurgir;
mesmo que os amantes se percam, continuará o amor;
e a morte perderá o seu domínio.


E a morte perderá o seu domínio.
Aqueles que há muito repousam sobre as ondas do mar
não morrerão com a chegada do vento;
ainda que, na roda da tortura, comecem
os tendões a ceder, jamais se partirão;
entre as suas mãos será destruída a fé
e, como unicórnios, virá atravessá-los o sofrimento;
embora sejam divididos eles manterão a sua unidade;
e a morte perderá o seu domínio.

E a morte perderá o seu domínio.
Não hão-de gritar mais as gaivotas aos seus ouvidos
nem as vagas romper tumultuosamente nas praias;
onde se abriu uma flor não poderá nenhuma flor
erguer a sua corda em direcção à força das chuvas;
ainda que estejam mortas e loucas, hão-de descer
como pregos as suas cabeças pelas margaridas;
é no sol que irrompem até que o sol se extinga,
e a morte perderá o seu domínio.

Dylan Thomas

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Concordância Nominal - Exercícios para 8ª série

Atenção 8ªA Santa Quitéria:
Copie o enunciado e os exercícios no caderno e resolva-os. Correção em sala na próxima aula.




1) Observe a alteração que se faz na frase inicial e escreva-a, completando a lacuna com a palavra em destaque, adequadamente flexionada.


a) Os candidatos estavam revoltados mesmo e decidiram, eles mesmos, boicotar o concurso.
- As candidatas estavam revoltadas _____ e decidiram, elas _____, boicotar o concurso.

b) O velhinho sorriu e disse: Muito obrigado a todos.
- A velhinha sorriu e disse: Muito _____ a todos.

c) O documento não veio anexo à correspondência.
- As cópias não vieram _____ à correspondência.

d) Segue, em anexo, o relatório que nos foi solicitado.
- Seguem, _____, as planilhas que nos foram solicitadas.

e) Neste local, não é permitida a presença de fumantes.
- Neste local, não é _____ presença de fumantes.

f) Para realizar grandes sonhos, é necessário entusiasmo.
- Para realizar grandes sonhos, é _____ persistência.
- Para realizar grandes sonhos, é _____ muita persistência.


FERREIRA, Mauro. Aprender e praticar gramática. Edição renovada. São Paulo: FTD, 2007.

domingo, 9 de outubro de 2011

O Homem Lúcido

Steven Paul Jobs
1955 - 2011

O homem lúcido sabe que a vida é uma carga tamanha de acontecimentos e emoções que nunca se entusiasma com ela, assim como não teme a morte. O homem lúcido sabe que viver e morrer são o mesmo em matéria de valor, posto que a Vida contém tantos sofrimentos que a sua cessação não pode ser considerada um mal.

O homem lúcido sabe que é o equilibrista na corda bamba da existência. Sabe que, por opção ou acidente, é possível cair no abismo, a qualquer momento, interrompendo a sessão do circo. Pode também o homem lúcido optar pela Vida. Aí então, ele esgotará todas as suas possibilidades. Passeará por seu campo aberto e por suas vielas floridas. Saberá ver a beleza em tudo. Terá amantes, amigos, ideais. Urdirá planos e os realizará. Resistirá aos infortúnios e até às doenças. E, se atingido por algum desses emissários, saberá suportá-los com coragem e mansidão.

Morrerá o homem lúcido de causas naturais e em idade avançada, cercado por filhos e netos que seguirão sua magnífica aventura. Pairará então, sobre sua memória uma aura de bondade. Dir-se-á: aquele amou muito e fez bem às pessoas.

A justa lei máxima da natureza obriga que a quantidade de acontecimentos maus na vida de um homem iguale-se sempre à quantidade de acontecimentos favoráveis. O homem lúcido que optou pela Vida, com o consentimento dos Deuses, tem o poder magno de alterar esta lei. Na sua vida, os acontecimentos favoráveis estarão sempre em maioria.

Esta é uma cortesia que a Natureza faz com os homens lúcidos.

texto Caldaico do VI século a.C.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Os Miseráveis

Os alunos da 7ª série A da unidade Boqueirão da Escola Atuação receberam o livro "Os Miseráveis", do autor francês Victor Hugo, como livro paradidático do terceiro bimestre. O livro é muito rico. Pode-se extrair muitas lições da obra. Escolhemos um dos trechos do livro mais profundos em ensinamentos de amor ao próximo, perdão e confiança nos nossos semelhantes.

Resumindo: após cumprir 19 anos de prisão com trabalhos forçados por ter roubado comida, Jean Valjean é acolhido por um gentil bispo, que lhe dá comida e abrigo. Mas havia tanto rancor na sua alma que no meio da noite ele rouba a prataria e agride seu benfeitor.

Mas quando Valjean é preso pela polícia com toda aquela prata ele é levado até o bispo, que confirma a história de lhe ter dado a prataria e ainda pergunta por qual motivo ele esqueceu os castiçais, que devem valer pelo menos dois mil francos. Este gesto extremamente nobre do religioso devolve a fé que aquele homem amargurado tinha perdido.

A proposta de trabalho era que os alunos refletissem na atitude do bispo e escrevessem um texto dissertativo com suas conclusões. Os trabalhos resultantes foram excelentes. Abaixo estão alguns excertos desses trabalhos, com as conclusões dos alunos.

"Essa segunda chance que o bispo concedeu ao Jean fez com que ele mudasse. Eu apoio o que ele fez, pois todos precisam ter uma segunda chance. Não devemos julgar os outros apenas por suas atitudes ruins.” (Bruno Prestes)


Se fosse nos dias atuais, pouquíssimas pessoas ajudariam Jean Valjean, pois são poucos os que se recusam a julgar os outros pelos atos passados. Felizmente nem todos são assim, existem pessoas que estão dispostas a ajudar, pessoas que têm amor ao próximo.” (Victória Yokoda)


A ação do bispo foi mais que perfeita, pois ele não perdeu nem a confiança nem a bondade para com Valjean. Esse gesto do bispo fez com que Valjean recuperasse a confiança dos outros e voltou a ser um homem bom.” (Matheus Novak)


Jean Valjean aprendeu que algumas pessoas têm coração e se juntou ao padre em praticar boas ações.” (Thiago Gorski)

Eu acho que o bispo deu uma grande chance ao Jean. Eu, por exemplo, não teria feito isso.” (Leonardo Rosner)


As ações sempre falam mais alto do que as palavras. A ação do padre fez um ladrão mudar seu jeito de pensar, pondo um fim na criminalidade dele, e o Jean aprendeu uma grande lição.” (Renan)


Nesse romance pudemos refletir que muitas pessoas que aparecem em nossas vidas querem nos ajudar.” (Ana Beatriz)


Apesar de arriscada, a atitude do padre foi admirável a ponto de servir de exemplo para todos os que leem esse livro maravilhoso. Hoje em dia vemos algumas histórias parecidas com essa: muitas pessoas dão uma segunda chance para ex-prisioneiros trabalharem em seus estabelecimentos.” (Ana Carolina)


Um gesto simples de bondade pode mudar uma vida. Essa é a lição do livro “Os Miseráveis”.” (Débora Ertel)


Mesmo Jean Valjean não merecendo, o bispo, com sua bondade imensa mudou drasticamente a sua vida.” (Lúcia Setim)


Na minha opinião todas as pessoas que fizeram alguma coisa errada merecem uma segunda chance, não importa a gravidade do erro. Afinal, todos nós cometemos erros. Errar é humano.” (Kauane Souza)


A reação do padre foi muito boa para fazer Jean […] se tornar um bom homem. […] A lição de vida é muito grande e consideravelmente importante.” (Murillo)


Hoje vivemos em um mundo de pessoas que não têm “olhos no coração”, pessoas extremamente superficiais para qualquer coisa. As pessoas formam automaticamente um pré conceito de alguém que eles não sabem de onde veio, ou pelo que ela passou, simplesmente julgam alguém que elas nem conhecem.” (Tainá Souza)


Hoje em dia é extremamente difícil alguém ter uma atitude semelhante à do bispo. Porém, é muito fácil as pessoas terem atitudes semelhantes às de Valjean.” (Giuliana Petri)


As pessoas de hoje não são tão honestas e bondosas com antes. Muitos preferem continuar com os mesmos erros, apesar da bondade recebida.” (Larissa Koppe)


A lição do romance pode ser aplicada aos dias atuais. Às vezes somos ajudados por pessoas que acreditam que podemos fazer a diferença.” (Camila)


Esses comentários evidenciam uma percepção sagaz dos nossos jovens. Eles conseguiram extrair gemas cintilantes de uma obra da literatura clássica. Este é um dos objetivos da literatura: fazer-nos refletir e com o sumo dessas reflexões moldar nosso caráter.


Parabéns, 7ªA! Excelente trabalho!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Classificação das Orações Coordenadas

Revisão de conteúdo para a 7ª série:

As orações coordenadas assindéticas não recebem nenhuma outra classificação. As coordenadas sindéticas, que são introduzidas pelas conjunções coordenativas, subdividem-se em cinco tipos, dependendo da relação de sentido que estabelecem no período.

1) Classifique os períodos (simples ou composto), as orações (coordenadas sindéticas ou assindéticas), as orações sindéticas (aditiva, adversativa, alternativa, conclusiva e explicativa).

a) O deputado denunciou o fato e o assunto virou uma polêmica sem fim.

b) As ofensas foram humilhantes; ela, no entanto, manteve-se calma.

c) Ou você resolve o problema sozinho, ou pede ajuda a seus amigos.

d) Ele está muito confuso; precisa, pois, de apoio e compreensão.

e) Letícia deve estar doente, porque faltou às aulas hoje.




* Correção em sala.


Ita est!
Prof. Zanon

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Senão, se não

Yanka, aluna da 7ª série perguntou-me: Professor, qual a diferença do senão (junto) e do se não (separado)?

Assim, de supetão, não soube precisar uma resposta. Mas agora, depois de consultar uma boa gramática, lá vai.

1) Escreve-se senão quando significa:

a) a não ser, exceto, mais do que. Exemplos:

- Não faz outra coisa senão estudar.
- Não volta para casa senão para dormir.
- Não lhe restava outra alternativa senão renunciar.
- Dos críticos não recebeu senão elogios.

b) mas, mas sim, mas também. Exemplos:

- Tornou-se conhecido não só em sua terra, senão também em todo o país.
- Resolver tal problema não compete ao estado, senão ao governo federal.
- São homens não apenas inteligentes, senão também honestos.

c) caso contrário, do contrário. Exemplos:

- Leve agasalhos, senão sentirá frio.
- Criança pequena deve ser vigiada, senão se machuca.

d) de repente, subitamente. Exemplos:

- Eis senão quando irrompe no meio da multidão uma mulher em prantos. (Uso arcaico, muito raro atualmente)

e) defeito, erro. Exemplos:

- Não havia um senão no texto.
- Ele nota os senões alheios e não enxerga os seus.


2) Escreve-se se não, em duas palavras, quando o se é:

a) Conjunção condicional (se não = caso não). Exemplos:

- O hospital poderá fechar, se não consertarem os equipamentos.
- Se não perdoardes, não sereis perdoados.

b) conjunção condicional (se não = quando não). Exemplos:

- Conciliar tantos interesses conflitantes parecia tarefa difícil, se não impossível.
- A grande maioria, se não a totalidade dos acidentes de trabalho, ocorre com operários sem equipamentos de proteção.

c) conjunção integrante (inicia oração objetiva direta). Exemplo:

- Perguntei-lhe se não voltava mais.
- Queríamos saber se não havia perigo.



Ita est!
Prof. Zanon

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Este, Esse, Deste, Desse...

Há muita confusão no uso do ESTE, ESSE, DESTE, DESSE.

ESSE ou ESTE são pronomes demonstrativos que têm formas variáveis de acordo com o número ou gênero. A definição de pronomes demonstrativos demonstra muito bem a função desses: são empregados para indicar a posição dos seres no tempo e espaço em relação às pessoas do discurso: quem fala (1ª pessoa) e com quem se fala (2ª pessoa), ou ainda de quem se fala (3ª pessoa). Neste último caso, o pronome é aquele (aquela, aquilo).

Algumas dicas práticas:

ESSE --) Deve ser usado, na fala, quando se refere a algo que a pessoa está vendo um pouquinho longe de si mesma.

Por exemplo:

Há um grupo de pessoas ao redor de uma mesa grande. Ao lado de uma delas está um prato com salada. Aquela que está em frente não consegue pegar o prato, então pede: "Fulana, me alcança esse prato aí?".

ESTE --) Na fala, se refere a algo que está bem pertinho, praticamente nas mãos de quem fala.

Exemplo:

Naquele almoço ali de cima, a Fulana, que está ao lado do prato de salada que foi pedido, responde: "Este prato?". Ela usou a palavra ESTE porque está bem pertinho do prato.

Um outro modo de deixar claro é imaginar assim: ESTE é o que está comigo. ESSE é o que está contigo! Se está com outra pessoa, então é AQUELE.


Na escrita é diferente. Na escrita se usa desta forma:

ESSE é algo que já se conhece, do que já foi falado.

Por exemplo:

"A Feira do Saber acontecerá na sexta-feira. ESSE evento é muito importante para os alunos."

"A leitura é muito importante. ESSE assunto é discutido há décadas."


ESTE em um texto, se refere a algo de que ainda não se falou, que está sendo antecipado.

Por exemplo:

"O problema que me preocupa é este: quem cuidará das crianças abandonadas?"

"Este assunto precisa ser discutido: a questão da leitura na sala de aula".


DESSE e DESTE seguem as mesmíssimas lógicas de ESSE e ESTE:

Exemplos na fala:

A moça veste um vestido verde e a amiga dela está segurando um vestido amarelo. A moça pergunta para a amiga:

"Você gosta DESTE vestido (o verde, que ela está usando) ou gosta mais DESSE aí? (o amarelo, que a amiga está segurando)".

Na escrita:

"Drogas... não faço parte desse time!"

"A natureza tem muitos mistérios. Desse assunto tratou um famoso biólogo que..."

"Deste assunto precisamos tratar: as diferenças entre..."


Então não esqueça:

1ª pessoa: este, esta, isto;
2ª pessoa: esse, essa, isso;
3ª pessoa: aquele, aquela, aquilo.


Ita est!
Prof. Zanon

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Poema O Corvo - Tradução didática feita por Cláudio Weber Abramo

THE RAVEN

(Tradução de Cláudio Weber Abramo)

Certa vez, numa desolação de meia-noite, enquanto ponderava, fraco e exausto, ante muitos volumes bizarros e curiosos de saberes esquecidos, já cabeceava, quase adormecido, quando, de repente, um som, como se alguém batesse, batesse delicado à porta de meu gabinete. “É algum visitante”, murmurei, “que bate à porta de meu gabinete. Só isso e nada mais.”

Ah, bem me lembro, foi no glacial dezembro. E cada brasa que morria isolada forjava seu fantasma sobre o chão. Desejara ansioso o amanhecer; em vão, tentara obter de meus livros resgate para a tristeza – a tristeza pela Lenore perdida, pela jovem rara e radiante que os anjos chamam Lenore – nome que aqui não se ouvirá mais.

E o rumor sedoso, triste e incerto de cada cortina roxa me arrepiava, me enchia de terrores fantásticos, que ninguém nunca antes sentira; de sorte que, para acalmar a batida de meu coração, fiquei a repetir: “É algum visitante, algum visitante tardio, que, aflito, pede entrada à minha porta. É isso e nada mais.”

Nesse ponto, minha alma se fortaleceu; não mais hesitando, disse: “Senhor, ou Senhora, imploro sincero o vosso perdão. Mas o fato é que cochilava, e tão delicadamente viestes bater, e tão indistintamente viestes bater à porta de meus aposentos, que mal tive certeza de ter-vos ouvido” – e, então, escancarei a porta; lá fora escuridão e nada mais.

Perscrutando a fundo o negrume, por longo tempo fiquei ali a cismar, a temer, a duvidar, a sonhar sonhos que nenhum mortal antes se atrevera a sonhar. Mas o silêncio não foi quebrado, e da quietude não veio qualquer sinal, e a única palavra ali falada foi o sussurro da palavra “Lenore!”. Sussurrei, e um eco murmurou de volta a palavra “Lenore!”. Isso, apenas, e nada mais.

De volta para dentro, toda a minha alma a arder, logo ouvi outra batida, pouco mais alta do que antes. “Decerto”, disse eu, “é algo na persiana de minha janela: deixa-me ver, então, de que se trata, e explorar esse mistério; deixa meu coração se aquietar por um momento e esse mistério explorar; é o vento e nada mais.”

A essa altura abri a janela, ao que, cheio de meneios, por ali esvoaçou um majestoso Corvo dos santos dias de outrora; não me deu qualquer satisfação; não parou nem se imobilizou por um minuto sequer; mas, com ares de lord ou de lady, empoleirou-se acima de minha porta, sobre um busto de Palas logo acima da porta de meu gabinete. Empoleirou-se, e sentou-se, e nada mais.

Então, pelo grave e solene decoro da expressão que envergava, aquela ave de ébano fez com que meu triste devaneio se tornasse sorriso. “Embora vossa crista seja raspada e rasa, decerto não vindes fugido”, disse, “Corvo horrível, sinistro e decrépito que vagueia das plagas Noturnas. Dizei-me qual é vosso senhorial nome nas plagas plutônicas da Noite!”. Disse o Corvo, “Nunca mais”.

Muito me admirei de ouvir fala tão nítida daquela ave desajeitada, embora sua resposta tivesse pouco sentido, pouca relevância. Pois não podemos deixar de admitir que nenhum ser humano vivo tivera o privilégio de ver uma ave sobre a porta de seu gabinete, ave ou besta, sobre o busto escultural acima da porta de seu gabinete; e com um tal nome, “Nunca mais”.

Mas o Corvo, sentado só no busto plácido, disse apenas aquela única palavra, como se nela vertesse a alma. Nada mais pronunciou – nenhuma pena moveu - , até que eu pouco mais que murmurasse, “Outros amigos antes bateram asas; na manhã ele me deixará, como minhas esperanças antes se foram.” Então a ave disse, “Nunca mais”.

Sobressaltado ante a quietude quebrada por resposta tão bem expressa, pensei comigo, “Sem dúvida o que diz é toda sua bagagem, todo seu repertório, emprestado de algum dono infeliz a quem o Desastre impiedoso perseguiu tão duro, tão persistente, que suas canções passaram a limitar-se a um único refrão, até que os cantos fúnebres de sua Esperança passaram a resumir-se àquele melancólico refrão, de ‘nunca – nunca mais’”.

Mas o Corvo ainda fazia com que todo meu devaneio se tornasse sorriso. Empurrei uma poltrona para diante da ave, e do busto, e da porta; afundando então no veludo, passei a encadear devaneio com devaneio, refletindo sobre o que aquela agourenta ave de outrora, o que aquela horrível, canhestra, sinistra, esquelética e agourenta ave de outrora pretendia ao grasnar “Nunca mais”.

Sentado, isso fiquei a cismar, mas sem dirigir qualquer sílaba à ave cujos olhos flamejantes agora me queimavam até o âmago; isso, e mais, imaginava, com a cabeça recostada no forro de veludo que a luz da lamparina engolfava, forro de veludo violeta que ela não pressionará, ah, não, nunca mais!

Então, pareceu-me, o ar ficou mais denso, perfumado por um turíbulo invisível, balançado por Serafins cujos passos retiniam no tapete. “Desgraçado”, bradei, “vosso Deus vos emprestou, e por esses anjos vos enviou, alívio e nepentes para as vossas memórias de Lenore! Sorvei, sorvei sôfrego o bom nepentes e esquecei a perdida Lenore!” Disse o Corvo, “Nunca mais”.

“Profeta!”, disse, “coisa do mal! – profeta sim, seja ave ou demônio! -, quer enviado pelo Tentador, quer lançado pela tormenta a estas paragens, desolado mas resoluto, atirado a esta terra deserta e encantada, a esta casa assombrada pelo horror, dizei-me, imploro, dizei-me a verdade. Existe bálsamo em Galaad? Dizei-me – dizei-me imploro!” Disse o Corvo, “Nunca mais”.

“Profeta!”, disse, “coisa do mal!” profeta sim, seja ave ou demônio! -, por esse Céu que se estende sobre nós, por esse Deus que ambos adoramos, dizei a esta alma pesada de tristeza se, no Éden distante, poderá estreitar uma jovem santificada, uma jovem rara e radiante, a quem os anjos chamam Lenore.” Disse o Corvo, Nunca mais”.

“Que tais palavras marquem nossa despedida, ave ou vilão”, uivei, levantando-me. “Voltai para a tempestade e para as plagas plutônicas da Noite!” Não deixeis pluma negra como memória da mentira que vossa alma proferiu! Largai intacta minha solidão! Deixai o busto por sobre a minha porta! Tirai vosso bico de meu coração e arrancai vossa forma de minha porta! Disse o Corvo, “Nunca mais”.

E o Corvo, sem mover-se, ainda pousa, ainda pousa sobre o pálido busto de Palas, bem acima da porta de meu gabinete; e seus olhos são como os de um demônio que sonha, e a luz da lamparina que sobre ele se derrama lança sua sombra ao chão; e dessa sombra que flutua sobre o chão minha alma não se erguerá – nunca mais!


ABRAMO, Cláudio W. A espada no livro. [1997], p. 59-63

domingo, 4 de setembro de 2011

Classificação das Orações Coordenadas - Exercício para 7ª série

1) Reúna cada par de orações em um único período, usando uma conjunção coordenativa que explicite a relação de sentido entre elas. A seguir, indique se essa relação é de adição, oposição, alternância, conclusão ou explicação.

a) Nós, humanos, sabemos muita coisa sobre o universo. Às vezes, não sabemos o nome de nosso vizinho.

b) Conversei com eles ontem à tarde. Mostrei-lhes as vantagens de nossa proposta.

c) Com a falta de chuva, a vegetação rasteira secou. O perigo de incêncio era constante.

d) O trânsito deve estar congestionado na rodovia. Eles não chegaram até agora.

e) Lute com toda disposição do mundo. Desista de seus maiores sonhos.

f) Lute com toda disposição do mundo. A realização de seus sonhos depende só de você.


2) Considere este período composto:

O lugar é muito bonito, por isso poucas pessoas o visitam.

a) Explique por que a conjunção por isso não está estabelecendo uma relação lógica adequada entre as duas orações.
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________

b) Escreva o período inicial, mantendo nele a conjunção por isso e fazendo as alterações necessárias, de modo a dar-lhe sentido lógico.
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________

c) Escreva o período inicial, trocando a conjunção por outra que dê sentido lógico à frase.
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________



Fonte: FERREIRA, Mauro. Aprender e praticar gramática. Ed. renovada. São Paulo: FTD, 2007. p. 466


Atenção 7ªA Santa Quitéria: Copiar os exercícios acima no caderno e trazê-los resolvidos para a aula do dia 12.09.11 (segunda-feira).

Atenção 7ªA Boqueirão: Copiar os exercícios acima no caderno e trazê-los resolvidos para a aula do dia 20.09.11 (terça-feira).


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Concordância Verbal - Exercícios para 8ª série

1) Considerando que o termo em destaque é o sujeito, escreva as frases, completando as lacunas com a forma verbal que torna correta a condordância.

a) A decisão dos diretores da empresa surpreendeu/surpreenderam os funcionários.

b) Nos últimos dias surgiu/surgiram na imprensa boatos de aumento na taxa de juros.

c) O velho relógio da igreja batia/batiam dez horas.

d) No velho relógio da igreja batia/batiam dez horas.

e) A confusão começou quando deu/deram duas horas e os portões do estádio foram abertos.



2) Faça como no exercício anterior.

a) Um sentimento angustiante , repleto de contradições e dúvidas, tirava/tiravam -lhe a vontade de continuar o trabalho.

b) Depois da inundação, não restaram/restou na avenida nem vestígios de seu belo canteiro central.

c) A planície infindável, recoberta por geleiras e recortada por abismos traiçoeiros, não amedrontava/amedrontavam os exploradores.

d) Não fazia/faziam parte do plano da expedição as terríveis dificuldades enfrentadas logo no início da longa viagem.

e) A obra está quase pronta; ficarão/ficará faltando apenas a conclusão dos serviços de ajardinamento das laterais das pistas.

f) A análise dos resultados finais das últimas eleições municipais revela/revelam um maior apoio dos eleitores aos partidos de oposição.



Fonte: FERREIRA, Mauro. Aprender e praticar gramática. Ed. renovada. São Paulo: FTD, 2007. p. 519-520.



Atenção 8ªA Santa Quitéria:

Copiar no caderno os exercícios e trazê-los resolvidos no dia 12.09.11 (segunda-feira).

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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Concordância Verbal - Parte I


Concordância verbal é a combinação de número (singular ou plural) e de pessoa (primeira, segunda, terceira) que existe entre um verbo e o seu sujeito.

O verbo sempre concorda com o sujeito, mesmo que este venha deslocado. Assim:

Faltaram naquele dia cinco pessoas.
Chegaram as férias.
Agora existem mais facilidades para a importação no Brasil.
Sempre surgem novas marcas de produtos.

Regras de concordância verbal

Vejamos algumas regras para efetuar a concordância verbal.

Regra geral: o verbo concorda com o sujeito em número e pessoa.

Exemplos:

Eu falo. Tu falas. Maria fala. Elas falam.

Sujeito composto antes do verbo: o verbo vai para o plural.

O boi e a vaca mugem.

Sujeito composto depois do verbo: o verbo vai para o plural...

Cantam a moça e o pássaro.
Cantam as moças e o pássaro.

... ou concorda com o mais próximo.

Canta a moça e o pássaro.
Cantam as moças e o pássaro.

Sujeito composto de palavras sinônimas: verbo no singular ou no plural.

O amor e a paixão eleva/elevam o homem.

Sujeito composto de palavras de indicam gradação:
verbo no singular ou no plural.

Um sorriso, um gesto, um olhar mostrava/mostravam o amor.

Sujeito composto resumido por tudo, nada, alguém, ninguém, isto....: o verbo fica no singular.

Chefes, políticos, técnicos, ninguém se entende.

Sujeito composto com núcleos ligados por ou (com ideia de exclusão): verbo no singular.

Ou José ou Pedro será vencedor.

Sujeito composto com núcleos ligados por ou (sem ideia de exclusão): verbo no plural.

Maçã ou figo me agradam.

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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O Homem e a Galinha


Era uma vez um homem que tinha uma galinha. Era uma galinha como as outras.Um dia a galinha botou um ovo de ouro. O homem ficou contente. Chamou a mulher:
- Olha o ovo que a galinha botou.
A mulher ficou contente:
- Vamos ficar ricos!
E a mulher começou a tratar bem da galinha. Todos os dias a mulher dava mingau para a galinha. Dava pão-de-ló, dava até sorvete. E todos os dias a galinha botava um ovo de ouro. Vai que o marido disse:
- Pra que esse luxo com a galinha? Nunca vi galinha comer pão-de-ló... Muito menos tomar sorvete!
- É, mas esta é diferente! Ela bota ovos de ouro!
O marido não quis conversa:
- Acaba com isso mulher. Galinha come é farelo.
Aí a mulher disse:
- E se ela não botar mais ovos de ouro?
- Bota sim - o marido respondeu.
A mulher todos os dias dava farelo à galinha. E a galinha botava um ovo de ouro. Vai que o marido disse:
- Farelo está muito caro, mulher, um dinheirão! A galinha pode muito bem comer milho.
- E se ela não botar mais ovos de ouro?
- Bota sim - o marido respondeu.
Aí a mulher começou a dar milho pra galinha. E todos os dias a galinha botava um ovo de ouro.
Vai que o marido disse:
- Pra que esse luxo de dar milho pra galinha? Ela que procure o de-comer no quintal!
- E se ela não botar mais ovos de ouro? - a mulher perguntou.
- Bota sim - o marido falou.
E a mulher soltou a galinha no quintal. Ela catava sozinha a comida dela. Todos os dias a galinha botava um ovo de ouro. Uma dia a galinha encontrou o portão aberto. Foi embora e não voltou mais.
Dizem, eu não sei, que ela agora está numa boa casa onde tratam dela a pão-de-ló.


Ruth Rocha


Questões para nortear a interpretação do texto:

1) O texto recebe o título de O homem e a galinha. Por que a história recebe esse título?

a) Porque eles são os personagens principais da história narrada.
b) Porque eles representam, respectivamente, o bem e o mal na história.
c) Porque são os narradores da história.
d) Porque ambos são personagens famosos de outras histórias.
e) Porque representam a oposição homem-animal.

2) Qual das afirmativas a seguir não é correta em relação ao homem da fábula?

a) É um personagem preocupado com o corte de gastos.
b) Mostra ingratidão em relação à galinha.
c) Demonstra não ouvir as opiniões dos outros.
d) Identifica-se como autoritário em relação à mulher
e) Revela sua maldade nos maus-tratos em relação à galinha.

3) Qual das características a seguir pode ser atribuída à galinha?

a) avareza
b) conformismo
c) ingratidão
d) revolta
e) hipocrisia

4) Era uma vez um homem que tinha uma galinha. De que outro modo poderia ser dita a frase destacada?

a) Era uma vez uma galinha, que vivia com um homem.
b) Era uma vez um homem criador de galinhas.
c) Era uma vez um proprietário de uma galinha.
d) Era uma vez uma galinha que tinha uma propriedade.
e) Certa vez um homem criava uma galinha.

5) Era uma vez é uma expressão que indica tempo:

a) bem localizado
b) determinado
c) preciso
d) indefinido
e) bem antigo

6) A segunda frase do texto diz ao leitor que a galinha era uma galinha como as outras. Qual o significado dessa frase?

a) A frase tenta enganar o leitor, dizendo algo que não é verdadeiro.
b) A frase mostra que era normal que as galinhas botassem ovos de ouro.
c) A frase indica que ela ainda não havia colocado ovos de ouro.
d) A frase mostra que essa história é de conteúdo fantástico.
e) A frase demonstra que o narrador nada conhecia de galinha.

7) O que faz a galinha ser diferente das demais?

a) Botar ovos todos os dias independente do que comia.
b) Oferecer diariamente ovos a seu patrão avarento.
c) Pôr ovos de ouro antes da época própria.
d) Botar ovos de ouro a partir de um dia determinado.
e) Ser bondosa, apesar de sofrer injustiças.

8) O homem ficou contente. O conteúdo dessa frase indica um (a):

a) causa
b) modo
c) explicação
d) consequência
e) comparação

9) A presença de travessões no texto indica:

a) a admiração da mulher
b) a surpresa do homem
c) a fala dos personagens
d) a autoridade do homem
e) a fala do narrador da história

10) Que elementos demonstram que a galinha passou a receber um bom tratamento, após botar o primeiro ovo de ouro?

a) pão-de-ló / mingau / sorvete
b) milho / farelo / sorvete
c) mingau / sorvete / milho
d) sorvete / farelo / pão-de-ló
e) farelo / mingau / sorvete

11) Dizem, eu não sei... Quem é o responsável por essas palavras?

a) o homem
b) a galinha
c) o narrador
d) a mulher
e) o ovo


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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Figuras de Linguagem

Revisão para 8ª série
Conteúdo: Figuras de linguagem

1) Identifique as figuras de linguagem nas frases abaixo:

a) Ouviram do Ipiranga as margens plácidas... Hipérbato


b) A vida é um palco iluminado. Metáfora

c) "Onde queres prazer sou o que dói (...) E onde queres tortura, mansidão (...) E onde queres bandido sou herói." (Caetano Veloso) Antítese

d) "Ele vivia de caridade pública." (Machado de Assis) Eufemismo


e) "De sua formosura,deixai-me que diga:é tão belo como um sim, numa sala negativa." (João Cabral de Melo Neto) Comparação

f ) "O primeiro milhão possuído excita, acirra, assanha a gula do milionário." (Olavo Bilac) Gradação


g) "Assim esperamos - disse a plateia, já agora morrendo de rir." (Caetano Veloso) Hipérbole

h) “As palavras não nascem amarradas, elas saltam, se beijam, se dissolvem…” (Drummond) Prosopopeia


i) “Uma moça nossa vizinha dedilhava admiravelmente mal ao piano." Ironia

j) Joãozinho adora Danoninho. Metonímia


k) "O cadáver de um defunto morto que já faleceu." (Roberto Gómez Bolaños) Pleonasmo

l) Raquel tem um olhar frio, desesperador. Sinestesia


2) Indique se nas frases abaixo a linguagem usada é DENOTATIVA ou CONOTATIVA.


a) Quem está na chuva é para se molhar. Conotação

b) Tempo instável com pancadas de chuva no decorrer do dia. Denotação

Ita est!
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domingo, 21 de agosto de 2011

Sejamos razoáveis e equilibrados

Ninguém é uma ilha. Somos gregários. Vivemos em sociedades. E para que nossa convivência seja a mais tranquila possível, precisamos desenvolver a razoabilidade e a disposição de ceder em alguns momentos.

Ser razoável significa "ser moderado, não excessivo, módico." A palavra grega
e·pi·ei·kés, traduzida “razoabilidade”, tem sido definida como significando "indulgente, não insistindo na letra da lei." A pessoa razoável encara ‘humana e razoavelmente os fatos dum caso’”. (Dicionário Expositivo de Palavras do Velho e do Novo Testamento, de Vine), 1981, Vol. 2, pp. 144, 145.

Quando encaramos humana e razoavelmente os fatos de um caso, levamos em conta que, por sermos humanos imperfeitos, cometemos erros, muitas vezes involuntários, e por isso não levamos a situação a extremos, insistindo na letra da lei, ou seja, exigindo nossos direitos até o último centavo. A pessoa razoável leva em conta fatores atenuantes e por isso é moderada em suas palavras, atitudes e ações.

Há benefícios quando estamos dispostos a ceder ou cooperar com outros de modo equilibrado. Para ilustrar: quando dirigimos um carro numa via preferencial e percebemos que outro veículo, por algum motivo que desconhecemos, irá atravessar a nossa frente, teremos duas opções (logicamente se tivermos tempo para isso):

1) Não aliviar o pé do acelerador, pensando: "eu tenho a preferência, ele é que tem que parar."

2) Pisar no freio e evitar uma possível colisão, afinal, o outro motorista pode estar distraído, não ter visto a placa de preferencial, pode não ter placa de preferencial ali etc.

Em situações como essas, temos que nos perguntar: quero ser feliz ou ter razão?

No detran, todos os dias, há uma fila enorme de pessoas que se envolveram em acidentes banais
de trânsito, e que estavam no seu direito, estavam com a razão. Mas se tivessem cedido seu direito ao outro condutor, se tivessem sido razoáveis, não precisariam estar ali.

Para muitos de nós, não é fácil ser razoável. É uma qualidade a ser desenvolvida. Especialmente os mais jovens acham difícil demonstrá-la. Mas com empenho consciente nesse sentido poderemos nos tornar mais razoáveis. Lembre-se do trigo. Quando é que os cachinhos de trigo se curvam, nos campos? Quando estão maduros! Razoabilidade é sinal de madureza emocional e força moral.



Ita est!
Professor Sandro Zanon



Ambiguidade

Quando uma frase abre a possibilidade de interpretação dupla, ocorre a ambiguidade.

Exemplo: "Destaquei depressa a folha da revista que me interessava."

Não há como saber o que interessava ao autor dessa frase; se apenas uma folha da revista ou a revista toda.

Para evitar a ambiguidade devemos reestruturar a frase. Se só uma folha da revista interessava ao autor, poderia estruturar o período deste modo:

"Destaquei depressa da revista a folha que me interessava."

Veja outros exemplos:

"Dona Maria foi falar com comadre Júlia para queixar-se de sua vizinha." (A vizinha de quem? De dona Maria ou de comadre Júlia?)

"Pedro disse a Romualdo que desconfiava de seu sócio." (O sócio de qual dos dois?)

A ambiguidade é um erro matreiro, que pode pegar até escritores habilidosos. Vez por outra aparece até em jornais de grande circulação, nos quais trabalham redatores e revisores com larga experiência profissional. Veja este que apareceu no jornal O Globo:

"Losada disse para Bush dar em Lula um grande abraço e lhe chamar de companheiro quando ele for visitá-lo no dia 10." (Anselmo Góis, jornal O Globo, 21.11.2002)

Quem vai visitar? A frase é ambígua.

Ita est!
Prof. Zanon

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

MUDANÇAS


A mudança é inevitável!
Não são boas nem más, as mudanças, não obrigatoriamente,
Mas são obrigatórias, isso sim.

O Mundo muda, é assim que ele funciona.
A mudança é o que gera o tempo, pois este se limita a uma definição.
A mudança é o que gera a nossa vida e esta gira em torno da mudança.

Porque é então tão difícil aceitar a mudança?
A vida continua, mas eu não o quero e já lá vai o tempo em que o quis.
Porque quis então a mudança e já não a quero?
Porque o passado já foi feliz e disfarçava-se de perfeito;
Os tempos correm e levam a vida consigo, como uma folha leve, num rio sinuoso.
As casas mudam, os gostos mudam, os pensamentos mudam;
Os lugares mudam, as outras pessoas mudam e nós, nós, inevitavelmente, mudamos.

O que foi feliz é triste;
O que foi um amigo é apenas um conhecido;
O que foi lar é apenas lugar;
O que foi amor é apenas saudade;
O que fomos, já era;
O que certo foi, indefinido é.
O que foi, não o será!



Pedro Sattler

Disponível em: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=18105

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Comparações geram descontentamento!


"Um vinhateiro saiu de manhã cedo para contratar trabalhadores para a sua vinha.

Ele combinou pagar-lhes cem reais pelo dia e mandou-os para a sua vinha.

Por volta das nove horas da manhã, ele saiu e viu outros que estavam desocupados na praça,

e lhes disse: ‘Vão também trabalhar na vinha, e eu lhes pagarei cem reais pelo vosso trabalho’.

E eles foram. "Saindo outra vez, por volta do meio dia e das três horas da tarde, fez a mesma coisa.

Saindo por volta da cinco horas da tarde, encontrou ainda outros que estavam desocupados e lhes perguntou: ‘Por que vocês estiveram aqui desocupados o dia todo? ’

‘Porque ninguém nos contratou’, responderam eles. "Ele lhes disse: ‘Vão vocês também trabalhar na vinha que lhes pagarei cem reais pelo vosso trabalho’.

"Ao cair da tarde, o dono da vinha disse a seu administrador: ‘Chame os trabalhadores e pague-lhes o salário, começando com os últimos contratados e terminando nos primeiros’.

"Vieram os trabalhadores contratados por volta das cinco horas da tarde, e cada um recebeu cem reais.

Quando vieram os que tinham sido contratados primeiro, esperavam receber mais. Mas cada um deles também recebeu cem reais.

Quando o receberam, começaram a se queixar do proprietário da vinha, dizendo-lhe: ‘Estes homens contratados por último trabalharam apenas uma hora, e o senhor os igualou a nós, que suportamos o peso do trabalho e o calor do dia’.

"Mas ele respondeu a um deles: ‘Amigo, não estou sendo injusto com você. Você não concordou em trabalhar por cem reais?

Receba o que é seu e vá. Eu quero dar ao que foi contratado por último o mesmo que lhe dei.

Não tenho o direito de fazer o que quero com o meu dinheiro? Ou você está com inveja porque sou generoso? ’"


Jesus Cristo

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Paradoxo

O paradoxo, para a lógica, constitui uma contradição insolúvel.

Um bom exemplo disso está no paradoxo do mentiroso, atribuído a Eubúlides de Mileto (séc. IV a.C.): se alguém afirma "eu minto" e o que diz é verdade, a afirmação é falsa; se o que diz é falso, a afirmação é verdadeira e, por isso, novamente falsa.

Pode-se, assim, concluir que uma afirmação é, ao mesmo tempo, verdadeira e falsa; ou continuar indefinidamente por recorrência a concluir ora que é falsa, ora que é verdadeira.




Ita est!
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-são, -ção, -ssão

No alfabeto da língua portuguesa, um único fonema pode ser representado por diferentes letras, enquanto fonemas diferentes podem ser grafados com a mesma letra. Tal fato pode ocasionar dúvidas na escrita de algumas palavras, sendo necessário seguir orientações ortográficas que auxiliam no emprego adequado de algumas letras. Exemplos:

SUSPENDER - SUSPENSÃO
RETER - RETENÇÃO
OPRIMIR - OPRESSÃO

Note que o som (fonema) de "s" em substantivos que apresentam correlação com os verbos pode ser grafado de três maneiras: -são, -ção e -ssão.

Algumas regras podem ajudar:

1) Emprega-se -são em substantivos derivados de verbos em cujos radicais aparecem as letras -rt e -nd.
Exemplos: inverter - inversão; compreender - compreensão.

2) Emprega-se -ção em substantivos derivados de verbos formados a partir do verbo ter.
Exemplos: obter - obtenção; conter - contenção.

3) Emprega-se -ssão em substantivos derivados de verbos que apresentem -ced, -gred, -prim.
Exemplos: suceder - sucessão; agredir - agressão; exprimir - expressão.

Essas regras ajudam a sanar as dúvidas em noventa e nove por cento dos casos. O um por cento restante não tem outro jeito, só memorizando.

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eu/mim e tu/ti

De acordo com o padrão culto da língua, o pronome eu só pode funcionar como sujeito; o pronome mim nunca funciona como sujeito. Exemplos:

Ele entregou os presentes para eu guardar.

Nesse exemplo, o pronome eu funciona como sujeito do verbo guardar.

Ele entregou os presentes para mim.

Nesse exemplo, a preposição para + o pronome oblíquo tônico mim servem como complemento verbal, exercendo a função de objeto indireto.

O mesmo processo ocorre com os pronomes tu e ti, sendo que o primeiro só pode exercer a função de sujeito, e o segundo, de complemento. Exemplos:

Algumas desavenças surgiram entre mim e ti. (mim e ti neste caso são complementos verbais)

Eu e tu (você) somos muito amigos. (Eu e tu (você) funcionam como sujeito nesta oração)

Ita est!
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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Orações Coordenadas Assindéticas e Sindéticas

As orações coordenadas podem ou não contar com a presença de conjunção. Por isso, classificam-se em:

a) ASSINDÉTICAS - coordenam-se umas às outras sem conjunção:

"Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento." (Machado de Assis)

No exemplo acima temos uma frase com quatro orações coordenadas assindéticas, ou seja, não conectadas por conjunções. As orações são coordenadas por vírgulas.


b) SINDÉTICAS - coordenam-se com o auxílio de conjunções:

"Levantaram-se e passaram à sala..." (Machado de Assis)

Nesse exemplo temos uma frase com duas orações coordenadas sindéticas, ou seja, conectadas pela conjunção "e".

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domingo, 24 de julho de 2011

Uma crônica maravilhosa de Affonso Romano de Santana!

ANTES QUE ELAS CRESÇAM

Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.É que as crianças crescem. Independentes de nós, como árvores, tagarelas e pássaros estabanados, elas crescem sem pedir licença. Crescem como a inflação, independente do governo e da vontade popular. Entre os estupros dos preços, os disparos dos discursos e o assalto das estações, elas crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância. Mas não crescem todos os dias, de igual maneira; crescem, de repente. Um dia se assentam perto de você no terraço e dizem uma frase de tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura. Onde e como andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu? Cadê aquele cheirinho de leite sobre a pele? Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços, amiguinhos e o primeiro uniforme do maternal? Ela está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil.
E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça. Ali estão muitos pais, ao volante, esperando que saiam esfuziantes sobre patins, cabelos soltos sobre as ancas. Essas são as nossas filhas, em pleno cio, lindas potrancas. Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão elas, com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos ombros ou, então com a suéter amarrada na cintura. Está quente, a gente diz que vão estragar a suéter, mas não tem jeito, é o emblema da geração. Pois ali estamos, depois do primeiro e do segundo casamento, com essa barba de jovem executivo ou intelectual em ascensão, as mães, às vezes, já com a primeira plástica e o casamento recomposto.
Essas são as filhas que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias e da ditadura das horas. E elas crescem meio amestradas, vendo como redigimos nossas teses e nos doutoramos nos nossos erros. Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos. Longe já vai o momento em que o primeiro mênstruo foi recebido como um impacto de rosas vermelhas. Não mais as colheremos nas portas das discotecas e festas, quando surgiam entre gírias e canções. Passou o tempo do balé, da cultura francesa e inglesa. Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas. Só nos resta dizer “bonne route, bonne route”, como naquela canção francesa narrando a emoção do pai quando a filha oferece o primeiro jantar no apartamento dela.
Deveríamos ter ido mais vezes à cama delas ao anoitecer para ouvir sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de colagens, posteres e agendas coloridas de pilô. Não, não as levamos suficientemente ao maldito “drive-in”, ao Tablado para ver “Pluft”, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas merecidas. Elas cresceram sem que esgotássemos nelas todo o nosso afeto. No princípio subiam a serra ou iam à casa de praia entre embrulhos, comidas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscinas e amiguinhas. Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de sorvetes e sanduíches infantis. Depois chegou a idade em que subir para a casa de campo com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma aqui na praia e os primeiros namorados. Esse exílio dos pais, esse divórcio dos filhos, vai durar sete anos bíblicos.
Agora é hora de os pais na montanha terem a solidão que queriam, mas, de repente, exalarem contagiosa saudade daquelas pestes. O jeito é esperar. Qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco. Por isso, os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável afeição. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.
Por isso, é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que elas cresçam.

O JOVEM CARANGUEJO


Um jovem caranguejo pensou: "por que é que na minha família todos andam para trás? Quero aprender a andar para a frente, e que a cauda me caia se eu não conseguir."
Começou a exercitar-se às escondidas, entre os seixos do ribeiro natal, e nos primeiros dias a tarefa causou-lhe uma enorme estafa. Chocava contra tudo, machucava a carapaça e atropelava as pernas uma na outra. Mas, a pouco e pouco, as coisas começaram a correr melhor, pois tudo se pode aprender, quando se quer.
Quando se sentia bem seguro de si, apresentou-se à família e disse:
_Vejam isto.
E deu uma magnífica corridinha em frente.
_Meu filho, _ desatou a chorar a mãe _ deram-te a volta ao miolo? Reconsidera, anda como o teu pai e a tua mãe te ensinaram, anda como os teus irmãos, que te querem tanto.
Os seus irmãos, porém não faziam outra coisa senão troçar.
O pai, depois de ter estado a observá-lo severamente por um bocado, disse:
_Basta. Se queres continuar conosco, anda como os outros caranguejos. Se queres fazer as coisas à tua maneira, o ribeiro é grande: vai-te e nunca mais voltes.
O bravo caranguejinho estimava os seus, mas estava demasiado seguro da sua justiça para ter dúvidas: abraçou a mãe, despediu-se do pai e dos irmãos e partiu ao encontro do mundo.
A sua passagem logo despertou a surpresa de um grupo de rãs que, como boas comadres, se haviam reunido para dar dois dedos de conversa em volta de uma folha de nenúfar branco.
_O mundo anda às avessas _ disse uma rã. _ Olhem-me para aquele caranguejo e digam lá se não tenho razão.
_Já não há respeito _ disse uma outra rã.
_Arre! _ disse uma terceira.
Mas o caranguejo seguiu em frente, é mesmo caso para dizê-lo, no seu caminho. A certa altura, ouviu chamar por ele: era um velho caranguejo solitário, de expressão melancólica, que se encontrava encostado a um seixo.
_Bom dia _ disse o jovem caranguejo.
O velho observou-o prolongadamente, depois disse:
_Onde pensas tu que vais chegar com isso? Também eu, quando era jovem, pensava ensinar os caranguejos a andar para frente. E eis o que recebi em troca: vivo completamente só, as pessoas preferiram cortar a língua a dirigir-me a palavra. Presta atenção ao que te digo, enquanto é tempo: resigna-te a fazer como os outros e um dia agradar-te-ás o conselho.
O jovem caranguejo não sabia o que responder e ficou calado. Mas dentro de si pensava: "Eu tenho razão".
E despedindo-se do velho com gentileza, retomou orgulhosamente o seu caminho.
Irá longe? Fará fortuna? Endireitará todas as coisas tortas deste mundo? Não sabemos, porque ele ainda não parou de caminhar com a coragem e a firmeza do primeiro dia. Apenas lhe podemos desejar de todo o coração:
_Boa viagem!
Gianni Rodari


Conto para trabalhar com a 5ª série

Questões para nortear uma interpretação do texto

1- Na sua opinião, por que o caranguejo resolveu andar para a frente? Qual o significado dessa decisão?

2-Você concorda com a afirmação "...tudo se pode aprender, quando se quer"?

3- Quem foi mais intolerante com o filho ao ver a novidade: o pai ou a mãe? Justifique sua resposta.

4- Como o velho caranguejo explica o fato de ter ficado só?

5- Você acredita que é possível consertar todas as coisas deste mundo? Justifique sua resposta.

6- Esse conto é uma parábola da vida real. Que situação real o conto está alegorizando?


Ita est!

Prof. Zanon

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Sou um professor apaixonado pela educação, pela literatura, pela língua portuguesa e pela arte de escrever. Como tantos educadores, um idealista. Fascina-me a incomensurável capacidade de transformação do ser humano. Por que me ufano da minha profissão? Porque sei que quando leciono, não estou apenas passando conteúdos, mas também destruindo mitos, dogmas e raciocínios falaciosos que cerceiam a liberdade humana.