quinta-feira, 28 de abril de 2011

DICAS SOBRE O USO CULTO DA NOSSA LÍNGUA PORTUGUESA BRASILEIRA


- "Custas" só se usa na linguagem jurídica para designar ‘despesas feitas no processo’. Portanto, devemos dizer: "O filho vive à custa do pai"; no singular.

- Não existe a expressão "à medida em que" . Ou se usa "à medida que" correspondente a "à proporção que", ou se usa "na medida em que" equivalente a "tendo em vista que".

- O certo é "a meu ver" e não "ao meu ver".

- "A princípio" significa inicialmente , antes de mais nada. Exemplo: A princípio, gostaria de dizer que estou bem. "Em princípio" quer dizer em tese. Exemplo: Em princípio, todos concordaram com minha sugestão.

- Com a conjunção "se", deve-se utilizar acaso, e nunca caso. O certo: “Se acaso vir meu amigo por aí, diga-lhe…“. Mas podemos dizer: “Caso o veja por aí… “.

- "Acerca de" quer dizer a respeito de. Veja: Falei com ele acerca de um problema matemático. Mas "há cerca de" é uma expressão em que o verbo haver indica tempo transcorrido, equivalente a faz. Veja: Há cerca de um mês que não a vejo.

- Não esqueça: alface é substantivo feminino. A alface está bem verdinha.

- "Algures" é um advérbio de lugar e quer dizer “em algum lugar”. Já "alhures" significa “em outro lugar”.

- Mantenha o timbre fechado da vogal "o" no plural dessas palavras: almoços, bolsos, estojos, esposos, sogros, polvos, etc.

- O certo é alto-falante, e não auto-falante; e sempre com hífen.

- Só use "ao invés de" para significar ao contrário de, ou seja, com ideia de oposição. Veja: Ela gosta de usar preto ao invés de branco. Ao invés de chorar, ela sorriu. "Em vez de" quer dizer em lugar de . Não tem necessariamente a ideia de oposição. Veja: Em vez de estudar, ela foi brincar com as colegas. (Estudar não é antônimo de brincar).

- Ainda se vê e se ouve muito aterrisar em lugar de aterrissar, com dois "s". Escreva sempre com o "s" dobrado.

- Ainda se vê muito, principalmente na entrada das cidades, a expressão bem vindo (sem hífen) e até benvindo. As duas estão erradas. Deve-se escrever bem-vindo, sempre com hífen.

- Veja bem: uma revista bimensal é publicada duas vezes ao mês, ou seja, de 15 em 15 dias. A revista bimestral só sai nas bancas de dois em dois meses. Percebeu a diferença?

- Preste atenção: o senador Luiz Estevão foi cassado. Mas o leão foi caçado e nunca foi achado. Portanto, cassar (com dois s) quer dizer tornar nulo, sem efeito.

- Catequese se escreve com s, mas catequizar é com z. Esse português…

- O exemplo acima foge de uma regrinha que diz o seguinte: os verbos derivados de palavras primitivas grafadas com s formam-se com o acréscimo do sufixo -ar: análise-analisar, pesquisa-pesquisar, aviso-avisar, paralisia-paralisar, etc .

- Censo é de recenseamento; senso refere-se a juízo. Veja: O censo deste ano deve ser feito com senso crítico.

- Você não bebe a champanhe. Bebe o champanhe. É, portanto, palavra masculina.

- Cidadão só tem um plural: cidadãos.

- Ainda tem gente que erra quando vai falar gratuito e dá tonicidade ao i, como de fosse gratuíto. O certo é gratuito, da mesma forma que pronunciamos intuito, circuito, fortuito, etc.

- E ainda tem gente que teima em dizer rúbrica, em vez de rubrica, com a sílaba bri mais forte que as outras. Escreva e diga sempre rubrica.

- Ninguém diz eu coloro esse desenho. Dói no ouvido. Portanto, o verbo colorir é defectivo (defeituoso) e não aceita a conjugação da primeira pessoa do singular do presente do indicativo. A mesma coisa é o verbo abolir. Ninguém é doido de dizer eu abulo. Pra dar um jeitinho, diga: Eu vou colorir esse desenho. Eu vou abolir esse preconceito.

- Outro verbo danado é computar. Não podemos conjugar as três primeiras pessoas: eu computo, tu computas, ele computa. A gente vai entender outra coisa, não é mesmo? Então, para evitar esses palavrões, decidiu-se pela proibição da conjugação nessas pessoas. Mas se conjugam as outras três do plural: computamos, computais, computam.

- Outra vez atenção: os verbos terminados em -uar fazem a segunda e a terceira pessoa do singular do presente do indicativo e a terceira pessoa do imperativo afirmativo em -e e não em -i. Observe: Eu quero que ele continue assim. Efetue essas contas, por favor. Menino, continue onde estava .

- A propósito do item anterior, devemos lembrar que os verbos terminados em -uir devem ser escritos naqueles tempos com -i, e não com -e. Veja: Ele possui muitos bens. Ela me inclui entre seus amigos de confiança. Isso influi bastante nas minhas decisões. Aquilo não contribui em nada com o progresso .

- Coser significa costurar. Cozer é que significa cozinhar.

- O correto é dizer deputado por São Paulo, senador por Pernambuco, e não deputado de São Paulo e senador de Pernambuco.

- Descriminar é absolver de crime, inocentar. Discriminar é distinguir, separar. Então dizemos: Alguns políticos querem descriminar o aborto. Não devemos discriminar os pobres .

- A palavra dó (pena) é masculina. Portanto, sentimos muito dó daquela moça.

- Nas expressões é muito, é pouco, é suficiente, o verbo ser fica sempre no singular, sobretudo quando denota quantidade, distância, peso. Ex: Dez quilos é muito. Dez reais é pouco. Dois gramas é suficiente .

- Cuidado: emergir é vir à tona , vir à superfície. Por exemplo: O monstro emergiu do lago. Mas imergir é o contrário: é mergulhar, afundar. Veja o exemplo: O navio imergiu em alto-mar.

- Não esqueça: exceção é com ç, mas excesso é com dois s.

- Lembra-se dos verbos defectivos? Lá vai mais um: falir. No presente do indicativo só apresenta a primeira e a segunda pessoa do plural: nós falimos, vós falis . Já pensou em conjugá-lo assim: eu falo, tu fales… Horrível, né?

- Todas as expressões adverbiais formadas por palavras repetidas dispensam a crase: frente a frente , cara a cara, gota a gota, face a face, etc.

- Outra vez, tome cuidado. Quando for ao supermercado, peça duzentos ou trezentos gramas de presunto, e não duzentas ou trezentas .. Quando significa unidade de massa, grama é substantivo masculino. Se for a relva, aí sim, é feminino: não pise a grama; a grama está bem crescida.

- É frequente se ouvir no rádio ou na TV os entrevistados dizerem: Há muitos anos atrás… Talvez nem saibam que estão construindo uma frase redundante. Afinal, há já dá ideia de passado. Ou se diz simplesmente Há muito anos. ou Muitos anos atrás. Escolha. Mas não junte o há com atrás.

- Cuidado nessa arapuca do português: as palavras paroxítonas terminadas em -n recebem acento gráfico, mas as terminadas em -ns não recebem: hífen, hifens; pólen, polens.

- Atenção: Ele interveio na discórdia, e não interviu. Afinal, o verbo é intervir, derivado de vir.

- Item não leva acento. Nem seu plural itens.

- O certo é a libido, feminino. Devo dizer: Minha libido hoje não tá legal .

- Essa história de mal com l, e mau com u, até já cansou. É só decorar: Mal é antônimo de bem, e mau é antônimo de bom. É só substituir uma por outra nas frases para tirar a dúvida.

- Pronuncie máximo, como se houvesse dois s no lugar do x (mássimo).

- Toda vez que disser “ É meio-dia e meio” você estará errando. O certo é: meio-dia e meia. Ou seja, meio dia e meia hora .

- Nem um nem outro leva o verbo para o singular: Nem um nem outro conseguiu cumprir o que prometeu .

- Pôr só leva acento quando é verbo: Quero pôr tudo no seu devido lugar. Mas se for preposição, não leva acento: Por qualquer coisa, ele se contenta.

- É chato, pedante ou parece ser errado dizer ‘quando eu vir Maria, darei o recado a ela’ . Mas esse é o emprego correto do verbo ver no futuro do subjuntivo. Se eu vir, quando eu vir . Mas quando é o verbo vir que está na jogada, a coisa muda: quando eu vier, se eu vier.

- Só use quantia para somas em dinheiro. Para o resto, pode usar quantidade. Veja: Recebi a quantia de 20 mil reais. Era grande a quantidade de animais no meio da pista.

- Não esqueça: retificar é corrigir , e ratificar é comprovar, reafirmar : ‘Ratifico o que disse e retifico meus erros‘.

- Quando disser ruim, diga como se a sílaba mais forte fosse -im. Não tem cabimento outra pronúncia.

- E lembre-se: Seção, com ç, quer dizer parte de um todo, departamento: a seção eleitoral, a seção de esportes . Já sessão, com dois s, significa intervalo de tempo que dura uma reunião ,uma assembleia, um acontecimento qualquer: A sessão do cinema demorou muito tempo. A sessão espírita terminou.

- Não confunda: senão, juntinho, quer dizer caso contrário. E se não, separado, equivale a se por acaso não. Veja: Chegue cedo, senão eu vou embora. Se não chegar cedo, eu vou embora. Percebeu a diferença?

- Tire esta dúvida: quando "só" é adjetivo equivale a "sozinho" e varia em número,ou seja, pode ir para o plural. Mas "só" como advérbio, quer dizer "somente". Aí não se mexe. Veja: Brigaram e agora vivem sós (sozinhos). Só (somente) um bom diálogo os trará de volta.

- É comum vermos no rádio e na TV o entrevistado dizer: “O que nos falta são subzídios “. Quer dizer, fala com a pronúncia do z. Mas não é: pronuncia-se ss. Portanto, escreva subsídio e pronuncie subssídio.

- Taxar quer dizer tributar, fixar preço. Tachar é atribuir defeito, acusar.

- E nunca diga: Eu torço para o Flamengo . Quem torce de verdade, torce pelo Flamengo.

- Todo mundo tem dúvida, mas preste atenção: 50% dos estudantes passaram nos testes finais. Somente 1% terá condições de pagar a mensalidade. Acreditamos que 20% do eleitorado se abstenha de votar nas próximas eleições . Mais exemplos: 10% estão aptos a votar, mas 1% deles preferem fugir das urnas. Quer dizer, concorde com o mais próximo e saiba que essa regra é bastante flexível.

- Esse português da gente tem cada uma: tem viagem com g e viajem com j. Tire a dúvida: viagem é o substantivo: A viagem foi boa. Viajem é o verbo: Caso vocês viajem, levem tudo.

- Não adianta teimar: chuchu se escreve mesmo é com ch.

- Ciclo vicioso não existe. O correto é círculo vicioso.

- E qual a diferença entre achar e encontrar? Use achar para definir aquilo que se procura, e encontrar para aquilo que, sem intenção nenhuma, se apresenta à pessoa. Veja: Achei finalmente o que procurava. Maria encontrou uma corda debaixo da cama. Jorge achou o gato dele que fugiu na semana passada.

- Adentro é uma palavra só: Meteu-se porta adentro. A lua sumiu noite adentro.

- Não existe adiar para depois . Isso é redundante, porque adiar só pode ser para depois.


Ita est!

Prof. Zanon

A princípio x Em princípio

A princípio significa inicialmente , antes de mais nada.

Exemplo: A princípio, gostaria de dizer que estou bem.

Em princípio quer dizer em tese.

Exemplo: Em princípio, todos concordaram com minha sugestão.

Ita est!
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Carta na manga

sábado, 23 de abril de 2011

Rito de passagem da adolescência para a vida adulta (índios Cherokees)

Você conhece a lenda do rito de passagem da juventude para a vida adulta dos índios Cherokees?

O pai leva o filho para a floresta durante o final da tarde, venda-lhe os olhos e deixa-o sozinho.

O filho se senta sozinho no topo de uma montanha toda a noite e não pode remover a venda até os raios do sol brilharem no dia seguinte.

Ele não pode gritar por socorro para ninguém.

Se ele passar a noite toda lá, será considerado um homem.

Ele não pode contar a experiência aos outros meninos porque cada um deve tornar-se homem do seu próprio modo, enfrentando o medo do desconhecido.

O menino está naturalmente amedrontado.

Ele pode ouvir toda espécie de barulho.

Os animais selvagens podem, naturalmente, estar ao redor dele. Talvez alguns humanos possam feri-lo. Os insetos e cobras podem vir picá-lo. Ele pode estar com frio, fome e sede. O vento sopra a grama e a terra sacode os tocos, mas ele se senta estoicamente, nunca removendo a venda.

Segundo os Cherokees, este é o único modo dele se tornar um homem.

Finalmente...

Após a noite horrível, o sol aparece e a venda é removida.
Ele então descobre seu pai sentado na montanha perto dele.
Ele estava a noite inteira protegendo seu filho do perigo.


sexta-feira, 22 de abril de 2011

Solução simples e barata.

O sujeito vai ao psiquiatra.

- Doutor - diz ele - estou com um problema: toda vez que estou na cama, acho que tem alguém embaixo. Aí eu vou embaixo da cama e acho que tem alguém em cima. Pra baixo, pra cima, pra baixo, pra cima. Estou ficando maluco, doutor!

- Deixe-me tratar de você durante dois anos, diz o psiquiatra. Venha três vezes por semana e eu curo este problema.

- E quanto o senhor cobra? - pergunta o paciente.

- R$ 120,00 por sessão - responde o psiquiatra.

- Bem, eu vou pensar - conclui o sujeito.

Passados alguns dias, eles se encontram na rua.

- Por que você não me procurou mais? - Pergunta o psiquiatra.

- A 120 paus a consulta, três vezes por semana, durante dois anos; ficaria caro demais. Encontrei um sujeito num bar que me curou por 10 reais.

- Ah é? Como? Pergunta o psiquiatra.

O sujeito responde:

- Por R$ 10,00 ele cortou os pés da cama...

Moral da História:

MUITAS VEZES O PROBLEMA É SÉRIO, MAS A SOLUÇÃO PODE SER MUITO SIMPLES!


Curiosidades sobre a origem da língua portuguesa.

Vídeo garimpado na internet. Originalmente postado em: http://www.youtube.com/watch?v=6Ss-SfkBYZU
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As dez maiores palavras da língua portuguesa

1º. Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico (46 letras)
Relativo a uma doença pulmonar aguda causada pela aspiração de cinzas vulcânicas

2º. Paraclorobenzilpirrolidinonetilbenzimidazol (43 letras)
Substância presente em medicamentos como o Ultraproct

3º. Piperidinoetoxicarbometoxibenzofenona (37 letras)
Substância presente em medicamentos como o Baralgin

4º. Tetrabrometacresolsulfonoftaleína (35 letras)
Termo específico da área de química

5º. Dimetilaminofenildimetilpirazolona
(34 letras)
Substância ativa em vários comprimidos para dor de cabeça

6º. Hipopotomonstrosesquipedaliofobia (33 letras)
Doença psicológica que se caracteriza pelo medo irracional (ou fobia) de pronunciar palavras grandes ou complicadas

7º. Monosialotetraesosilgangliosideo (32 letras)
Substância presente em medicamentos como o sinaxial e o sygen

8º. Anticonstitucionalissimamente (29 letras)
Maior advérbio da língua portuguesa, significa o mais alto grau de inconstitucionalidade

9º. Oftalmotorrinolaringologista (28 letras)
Profissional especializado nas doenças dos olhos, ouvidos, nariz e garganta

10º. Inconstitucionalissimamente (27 letras)
Sinônimo de anticonstitucionalissimamente


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quinta-feira, 21 de abril de 2011

Polêmica requentada

O deputado Raul Carrion (PC do B) resolveu requentar a polêmica sobre estrangeirismos na língua portuguesa. A Assembleia Legislativa de Santa Cruz do Sul - RS aprovou na última terça-feira o projeto de sua autoria que obriga a tradução de expressões ou palavras estrangeiras para a língua portuguesa. Agora todos os órgãos, instituições, empresas e fundações públicas devem priorizar o português na redação dos documentos oficiais e materiais de propaganda e publicidade. A proposta prevê como única exceção os casos em que não existe na língua portuguesa palavra ou expressão equivalente. Nesses casos, o significado da palavra estrangeira deve ser escrito logo após a sua utilização no texto.

Mas a norma só entrará em vigor depois que passar (se passar) pela apreciação do governador, que tem 30 dias para sancionar ou vetar o tema. Tarso Genro consultará especialistas antes de tomar sua decisão, e provavelmente realizará uma audiência pública antes de bater o martelo. Caso seja sancionada, a lei precisará ainda ser regulamentada.

Segundo Carrion, o estrangeirismo não enriquece a língua portuguesa e ainda representa uma ameaça cultural. “Qualquer nação usa a língua como instrumento de colonização”, disse o deputado em entrevista à Rádio Gazeta AM. Carrion avalia, ainda, que a utilização de expressões em inglês atrapalha a comunicação. Como exemplo ele cita os termos light e diet, que são confusos para a maioria das pessoas. “Por que dizer off em vez de desconto? Printar em vez de imprimir? Isso não enriquece a língua portuguesa e pode nos levar a uma subserviência cultural”, observa.

Para o professor e coordenador do curso de Letras da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Elenor Schneider, a interferência do inglês no português não é uma ameaça à nossa soberania cultural. Segundo ele a evolução tecnológica eliminou as fronteiras, o que facilitou o contato com todas as partes do mundo e possibilitou uma universalidade cultural. “Esse processo não tem volta, é irreversível”, acredita.

De tempos em tempos surge algum político bem intencionado (ou mal intencionado, como saber?) que reaquece essa velha polêmica, causa algum reboliço (maior ou menor, dependendo do espaço que a mídia resolve dar ao assunto) e depois desaparece calmamente, só para ser reativada nova discussão mais adiante.

Only this, and nothing more! (eh, eh, eh).


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quarta-feira, 20 de abril de 2011

Mensagem poderosa!

Crianças observam os adultos. Crianças imitam os adultos. Para o bem ou para o mal, você está influenciando a criança que está te observando. Assista o vídeo.

(Endereço original do vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=7z-mq_DW-qU&feature=related)


video

"Vou estar recebendo mais destes amanhã."

A simpática balconista disse: "Vou estar recebendo mais destes amanhã."

Engano comum.

Construções como "vou estar recebendo", "vou estar fazendo", "vou estar retornando"; embora muito comuns no dia a dia, vão de encontro aos preceitos da gramática normativa.

Esse fenômeno é chamado de gerundismo e deve ser evitado sempre!

Tempo futuro não admite uso do gerúndio. O correto é dizer: "vou receber", "vou fazer", "vou retornar". Outra opção é usar o futuro do presente do indicativo: "receberei", "farei", "retornarei".


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Meio louca x meia louca

Todos diziam que ela era meia louca. :-(

Todos diziam que ela era
meio louca. :-)

A primeira frase está incorreta.
Meio é advérbio, e os advérbios são invariáveis. Portanto, mesmo que o sujeito seja feminino, ele permanecerá neutro, masculino.

Mesmo no plural ele não muda. Por isso dizemos:
"eles são meio loucos"; e não: "eles são meios loucos".

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domingo, 17 de abril de 2011

Soberba - Óbice à socialização

Algumas características ruins que se desenvolvem em nossa personalidade impedem-nos de nos relacionarmos bem com nossos colegas de escola, trabalho, vizinhança e até com nossos familiares. Uma dessas características ruins é a soberba.

A palavra grega que deu origem ao vocábulo português soberba é authades, que significa literalmente "sentir prazer em si mesmo".

O homem authades é aquele sujeito que está tão contente consigo mesmo que não se agrada de ninguém, nem se preocupa em agradar a ninguém. Trata-se de uma pessoa que obstinadamente defende sua própria opinião, ou afirma seus próprios direitos, enquanto descuida os direitos, as opiniões e os interesses dos demais.

Os escritores de ética gregos tinham muito a dizer a respeito desta nódoa da personalidade. Observe o que alguns deles disseram sobra a authades (soberba).

Aristóteles, que definiu sempre a virtude como o termo médio entre os extremos, pôs num extremo o homem que agrada a todos (areskos) e no outro aquele que não agrada a ninguém (authades), e entre ambos o homem que tem na vida uma dignidade verdadeira e própria (semmos). Disse do authades que é a pessoa que não conversa nem se relaciona com ninguém.

Eudemo disse que authades era a pessoa que "não regula sua vida com respeito a outros, mas com desprezo pelos outros".

Eurípides disse que o authades era brusco com seus concidadãos porque discriminava-os segundo a cultura.

Filodemo disse que sua personalidade estava composta por partes iguais de presunção, arrogância e desprezo. Sua presunção o fazia pensar muito de si mesmo, seu desprezo o fazia pensar que outros eram pouca coisa; e sua arrogância o fazia agir baseando-se em sua estimativa de si mesmo e não dos demais.

Claramente a pessoa authades é desagradável. É uma pessoa intolerante, que condena tudo o que não pode compreender, que pensa que não há outra forma de fazer as coisas que não seja a sua, que crê que não existe outro caminho que conduza ao sucesso que não seja o seu, que descuida os sentimentos dos demais e despreza as crenças dos outros.

Tal qualidade, como disse Lock: "É fatal para os homens livres." Nenhum homem cujo caráterdepreciativo, arrogante e intolerante conseguirá ter um bom relacionamento com seus semelhantes. Irá isolar-se da sociedade aos poucos, tornando-se resignado ermitão.

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Conversa entre duas crianças do século XXI!

- E aí, véio?

- Beleza, cara?

- Ah, mais ou menos. Ando meio chateado com algumas coisas.

- Quer conversar sobre isso?

- É a minha mãe. Sei lá, ela anda falando umas coisas estranhas, me botando um terror, sabe?

- Como assim?

- Por exemplo: há alguns dias, antes de dormir, ela veio com um papo doido aí. Mandou eu dormir logo senão uma tal de Cuca ia vir me pegar.

- Mas eu nem sei quem é essa Cuca, pô. O que eu fiz pra essa mina querer me pegar? Você me conhece desde que eu nasci, já me viu mexer com alguém?

- Nunca.

- Pois é. Mas o pior veio depois. O papo doido continuou. Minha mãe disse que quando a tal da Cuca viesse, eu ia estar sozinho, porque meu pai tinha ido pra roça e minha mãe passear. Mas tipo, o que meu pai foi fazer na roça? E mais: como minha mãe foi passear se eu tava vendo
ela ali na minha frente? Será que eu sou adotado, cara?

- Como assim, véio?

- Pô, ela deixou bem claro que a minha mãe tinha ido passear. Então ela não é minha mãe. Se meu pai foi na casa da vizinha, vai ver eles dois tão de caso. Ele passou lá, pegou ela e os dois foram passear. É isso, cara. Eu sou filho da vizinha. Só pode!

- Calma, maninho. Você tá nervoso e não pode tirar conclusões precipitadas.

- Sei lá. Por um lado pode até ser melhor assim, viu? Fiquei sabendo de umas coisas estranhas sobre a minha mãe.

- Tipo o quê?

- Ela me contou um dia desses que pegou um pau e atirou em um gato. Assim, do nada. Maldade, meu! Vê se isso é coisa que se faça com o bichano!

- Caramba! Mas por que ela fez isso?

- Pra matar o gato. Pura maldade mesmo. Mas parece que o gato não morreu.

- Ainda bem. Pô, sua mãe é perturbada, cara.

- E sabe a Francisca ali da esquina?

- A Dona Chica? Sei sim.

- Parece que ela tava junto na hora e não fez nada. Só ficou lá, paradona, admirada vendo o gato berrar de dor.

- Putz grila. Esses adultos às vezes fazem cada coisa que não dá pra entender.

- Pois é. Vai ver é até melhor ela não ser minha mãe mesmo... Ela me contou isso de boa, cantando, sabe? Como se estivesse feliz por ter feito essa selvageria. Um absurdo. E eu percebo também que ela não gosta muito de mim. Esses dias ela ficou tentando me assustar, fazendo um monte de careta. Eu não achei legal, né. Aí ela começou a falar que ia chamar um boi com cara preta pra me levar embora.

- Nossa, véio. Com certeza ela não é sua mãe. Nunca que uma mãe ia fazer isso com o filho.

- Mas é ruim saber que o casamento deles não está dando certo... Um dia ela me contou que lá no bosque do final da rua mora um cara, que eu imagino que deva ser muito bonitão, porque ela chama ele de 'Anjo'. E ela disse que o tal do Anjo roubou o coração dela. Ela até falou um dia que se fosse a dona da rua, mandava colocar ladrilho em tudo, só pra ele passar desfilando e tal.

- Nossa, que casamento bagunçado esse. Era melhor separar logo.

- É. só sei que tô cansado desses papos doidos dela, sabe? Às vezes ela fala algumas coisas sem sentido nenhum. Ontem mesmo, ela disse que a vizinha cria perereca na gaiola... já viu...essa rua só tem doido...

- Ixi, cara. Mas a vizinha não é sua mãe?

- Putz, é mesmo! Tô ferrado de qualquer jeito.


Autor desconhecido

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Olhai os Lírios do Campo - Érico Veríssimo



Olhai os Lírios do Campo
é um romance de Érico Veríssimo, escrito em 1938.

É dividido em duas partes de doze capítulos cada. Na primeira parte Eugênio, o personagem principal, vai tendo flashbacks de seu passado enquanto se dirige ao hospital onde está Olívia. Vai lembrando sua infância pobre, quando tinha pena de seu pai e era humilhado na escola por sua condição social, a escola de Medicina.

Na faculdade conhece Olívia, que se torna uma grande amiga e com quem tem uma noite de amor no dia do estopim da Revolução de 30. Eugênio conhece a futura esposa, Eunice, num atendimento a uma empregada desta e casa-se com ela apenas para ascender socialmente, sem ter nenhum amor.

Preso num casamento sem amor, num emprego de fachada na fábrica do sogro rico e com uma amante a quem não ama, Eugênio reencontra Olívia, que estava numa colônia de italianos. Ela apresenta-lhe Anamaria, sua filha. No presente (finais da década de 1930), ao chegar ao hospital já mais otimista sobre o estado de saúde de Olívia do que na partida, Eugênio recebe a notícia de que ela morreu.

A segunda parte, passada no presente após a morte de Olívia, é no presente e intercalada por partes de algumas das cartas que Olívia escreveu para Eugênio e nunca lhe enviou. Eugênio toma coragem e separa-se da esposa, abandona a amante, vai viver com a filha (na casa onde Olívia morava com um casal de alemães) e volta a clinicar para os pobres. Eugênio vai assim, sempre com a memória de Olívia, mesmo que ela vá desaparecendo aos poucos, redimindo-se e vendo melhor a pobreza de que sempre tinha tanto asco. Mas não sem seus momentos negros, como o caso de Simão e Dora. Dora é a filha de sua amante (que é uma mãe negligente) com um engenheiro fascista e workaholic que dá mais importância ao prédio que está construindo do que a ela. Ela se apaixona por Simão, um jovem e pobre estudante judeu. A união é desaprovada pelos pais e ela acaba morrendo num aborto feito por uma parteira após Eugênio negar-lhes o ato.

Mas por todo o tempo Eugênio vai se ligando a uma vida mais simples, a amigos mais simples e
verdadeiros como o céptico Dr. Seixas a quem admirava quando criança. A história acaba com
ele e Anamaria saindo para passear num ensolarado dia de verão de Porto Alegre.

O romance é um dos mais famosos de Érico Veríssimo e foi publicado na segunda fase do Modernismo.

A ambientação urbana dá margem à abordagem dos efeitos de um capitalismo devastador sobre a vida dos personagens. A narrativa centra-se nos conflitos e nos dilemas interiores do personagem principal, Eugênio, que gradualmente vai descobrindo que o dinheiro não traz felicidade.

Para retratar essa relação problemática do homem com a sociedade, Érico Veríssimo nos mostra o personagem principal em dois momentos. No primeiro, ele é conduzido, em seus comportamentos, pelas expectativas sociais; obedece aos valores de sua classe, é incapaz de perceber-se enquanto ser. Ele faz de tudo para ter sucesso e ser aceito: trabalha em função de uma máscara e não do próprio rosto. No segundo, inicia-se um processo de transformação de Eugênio: da condição de indivíduo moldado pelo sistema, guiado mais pela expectativa dos outros do que por si mesmo, para a condição de indivíduo autônomo e consciente de si, que segura as rédeas de sua vida e torna-se sujeito de suas próprias decisões.

A narrativa apresenta o cruzamento de dois níveis temporais: o presente e o passado; e entrelaça-se uma crítica à sociedade fútil e vazia, que estimula o acúmulo de riquezas e à consequente hipocrisia das relações sociais.

O título remete apropriadamente às palavras de Jesus, no evangelho de Mateus 6:28-30, que desestimula o materialismo e a confiança nos bens materiais:

"E pelo que haveis de vestir, por que andais ansiosos? Olhai para os lírios do campo, como crescem; não trabalham nem fiam; contudo vos digo que nem mesmo Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles. Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé?"



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terça-feira, 12 de abril de 2011

Bíblia Sagrada Tradução Brasileira

De 1903 a 1914 uma comissão de eruditos bíblicos trabalhou exaustivamente no Brasil para traduzir dos idiomas originais para o português aquela que veio a ser conhecida como Versão Brasileira ou Versão Fiel da Bíblia Sagrada. Posteriormente recebeu o epíteto de “Bíblia Tira-Teima” devido a sua fidelidade ao texto original.

Os dois primeiros evangelhos (Mateus e Marcos) foram editados em 1904, e depois de alguma crítica e revisão, o Evangelho de Mateus saiu novamente em 1905. Os quatro evangelhos e o livro dos Atos dos Apóstolos foram publicados em 1906, e o Novo Testamento completo em 1910 (sob o nome de O Novo Testamento Traduzido em Português, Edição Brasileira). A obra completa foi publicada em 1917, e tornou-se um clássico da literatura bíblica e a primeira tradução bíblica realizada totalmente no Brasil.

A comissão de tradução foi formada por grandes nomes da literatura nacional, entre os quais Rui Barbosa, José Veríssimo e Heráclito Graça, que atuaram como consultores linguísticos.

Depois de uma longa e saudosa ausência das prateleiras das livrarias, a Sociedade Bíblica do Brasil publicou novamente a Bíblia Sagrada Tradução Brasileira.

A Bíblia Sagrada Tradução Brasileira apresenta características eruditas, sendo bastante literal em relação aos textos originais. Essa nova edição trouxe algumas alterações e atualizações em relação ao texto bíblico de 1917. São elas:

- Atualização gramatical e ortográfica, de acordo com as normas atuais da Língua Portuguesa.

- Utilização das formas aportuguesadas adotadas na tradução de Almeida Revista e Atualizada na grafia dos nomes próprios. Na edição de 1917 os nomes próprios haviam sido transliterados, como, por exemplo, Jehoshaphat, Habakkuk, Nebuchadnezzar e Zephanias. Essa opção de tradução não obteve o agrado dos leitores. Na nova edição, os nomes aparecem grafados como Josafá, Habacuque, Nabucodonosor e Sofonias, respectivamente.

- No caso do tetragrama, isto é, as quatro letras hebraicas que representam o nome de Deus, foi mantida a forma originalmente adotada pela comissão tradutora, havendo apenas uma atualização gráfica (a versão de 1917 grafou Jehovah, a atual usa a forma aportuguesada Jeová).

Com respeito as muitas traduções já existentes, a revista A Sentinela declarou: "Pode-se dizer que nenhuma tradução é superior em cada caso. Ao passo que algumas traduções mais livres podem errar na exatidão, as mais literais às vezes talvez não transmitam tão bem a ideia como as outras. [...] É mesmo uma bênção que se produziram tantas traduções diferentes." - A Sentinela, 1974, p. 668.

Por isso o retorno da Tradução Brasileira é muito bem-vindo. O estudioso bíblico de língua portuguesa tem agora mais uma tradução da Bíblia Sagrada para enriquecer sua leitura e pesquisa. É mesmo uma bênção que se produzam tantas traduções diferentes.




A versão atualizada da Tradução Brasileira também está disponível em formato eletrônico, e pode ser adquirida no site da Sociedade Bíblica do Brasil.














sexta-feira, 8 de abril de 2011

Como sair-se bem nas avaliações

Muitos estudantes sentem pavor só de pensar nas avaliações. Aqueles que desejam diminuir esse pavor e aumentar as suas chances de êxito têm de fazer uma preparação adequada para as provas.

Aprender a estudar

Há alunos que encaram o estudo como uma atividade sazonal: só estudam, de forma intensiva, na véspera das provas, tipo bombeiro apagando incêndios. Outros distribuem o estudo por semanas ou meses e fazem na véspera apenas uma revisão geral. São duas atitudes que colhem frutos muito diferentes.

O estudo de última hora

Verdade seja dita. O estudo de última hora é feito com maior motivação e concentração, porque a meta está bem à vista: estuda-se hoje para mostrar amanhã. E há estudantes espertos que conseguem boas notas, em algumas disciplinas, trabalhando apenas algumas horas antes da prova. Daí concluem, apressadamente, que isso é um bom método. Mas não é. Algumas disciplinas, por exemplo Matemática e línguas estrangeiras, não podem ser estudadas por esse processo, pois exigem uma aprendizagem contínua e progressiva. Guardar para a véspera das provas o estudo de grandes quantidades de matéria nova é, na maior parte dos casos, uma prática traiçoeira, sobretudo para o aluno médio. Estudar apenas na véspera não é caminho; é atalho, cheio de perigos e armadilhas: fadiga, confusões e medo.

Cansaço

Os alunos que deixam tudo para a última hora fazem um esforço intenso, sem intervalos de descanso. Querem dominar de um só fôlego aquilo que deveriam ter estudado em um ou dois meses. Alguns ficam até altas horas da noite estudando sem parar. Abusam de si mesmos. Do esforço exagerado e da noite mal dormida surge a fadiga, inimiga da assimilação e obstáculo à lucidez.

Sentir-se fisicamente bem é condição básica para ter sucesso numa prova. Por isso, na véspera das avaliações, o aluno deverá dormir mais e não menos. O sono regular é indispensável à boa forma física, psicológica e intelectual. Durante a prova, um aluno cansado precipita-se, lê mal as perguntas, irrita-se ao resolver problemas e mistura as respostas.

Medo

O medo é um fenômeno natural e passageiro. Todas as pessoas responsáveis sentem um certo medo quando têm de enfrentar provas. E isso é positivo, na medida em que nos obriga a preparar-nos cuidadosamente para as provas. Porém, o medo excessivo que domina os alunos mal preparados é perturbador e acaba por abalar o espírito, levando a confundir ou até a esquecer aquilo que se sabe. Sem tranquilidade psicológica e sem autoconfiança não pode haver bons resultados. O medo excessivo de não ter um bom desempenho é, por si só, um obstáculo ao êxito nas provas.

A revisão final

Para vencer os perigos do cansaço e do medo, o único processo eficaz é traçar um plano de preparação da matéria e deixar para a véspera das provas apenas uma revisão final. Quem estudou com tempo pode agora dedicar-se a fazer uma leitura cuidadosa dos sublinhados dos livros, das anotações pessoais e dos apontamentos (esquemas e resumos). Essa leitura bastará para reavivar os tópicos fundamentais da matéria: fórmulas, leis, ideias ou fatos mais importantes.

O intervalo de tempo entre a revisão e a prova deverá ser o menor possível. Deste modo, sofrem-se menos interferências de outras atividades e evita-se o esquecimento.

Rever, antes de dormir—é um conselho para ser entendido neste contexto. Segundo experiências com pessoas e animais, o sono não permite grandes interferências e, por isso, a matéria mantém-se fresca e segura para o dia seguinte. Há cientistas que defendem que o cérebro continua, durante o sono, o seu trabalho de arquivista de informações captadas antes. Esta ideia não está suficientemente provada. Não é seguro afirmar que dormindo também se aprende. Mas está provado que o sono favorece a aprendizagem, na medida em que, enquanto dormimos, não exercemos outras atividades que perturbem os conhecimentos adquiridos. Rever antes de dormir ajuda a manter fresca a matéria, se a prova for na manhã do dia seguinte. Havendo prova à tarde ou à noite, compensa dar nova uma nova olhada na matéria.


Ita est!

Boas avaliações bimestrais aos alunos Atuação.

Prof. Zanon

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Círculo vicioso

Bailando no ar, gemia inquieto vagalume:
"Quem me dera que eu fosse aquela loira estrela
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!"
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:


"Pudesse eu copiar-te o transparente lume,
Que, da grega coluna à gótica janela,
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela"
Mas a lua, fitando o sol com azedume:


"Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imortal, que toda a luz resume"!
Mas o sol, inclinando a rútila capela:


Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta luz e desmedida umbela...
Por que não nasci eu um simples vagalume?"...

Machado de Assis

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Sou um professor apaixonado pela educação, pela literatura, pela língua portuguesa e pela arte de escrever. Como tantos educadores, um idealista. Fascina-me a incomensurável capacidade de transformação do ser humano. Por que me ufano da minha profissão? Porque sei que quando leciono, não estou apenas passando conteúdos, mas também destruindo mitos, dogmas e raciocínios falaciosos que cerceiam a liberdade humana.