domingo, 29 de maio de 2011

Inscrição para uma lareira



"A vida é um incêndio: nela
dançamos, salamandras mágicas.
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!

Cantemos a canção da vida
na própria luz consumida..."



Mário Quintana

terça-feira, 17 de maio de 2011

Para treinar a escrita, não perca os lampejos de inspiração.

Para melhorar a sua escrita, não desperdice os lampejos de inspiração, ou como se diz em inglês, os insights, que surgem de repente. Quando isso acontecer, siga estas três dicas:

1) Não iniba o que vem à mente, seja o que for.

2) Rascunhe o que for aparecendo com a preocupação única de ser fiel ao fluxo de percepções, intuições, divagações, sentimentos, pensamentos etc, deflagrados pelo tema proposto (lembre-se de que "palavra-puxa-palavra": você precisa conquistar um ritmo de desenvoltura e de familiaridade com a palavra escrita, para que por meio dela se perceba mais criativo. Suas palavras, liberadas, podem surpreender-lhe positivamente a auto-imagem, enquanto ser capaz de expressão, de comunicabilidade e, portanto, de linguagem).

3) Transforme em hábito tal procedimento, sistematicamente anotando observações,
insights e opiniões sobre o que acontece de interessante no cotidiano, seja em experiências vividas, seja em leituras, em contato com as pessoas, a TV, o cinema etc.

Depois de tomar nota (rascunhar) desses lampejos de inspiração, é hora da "transpiração": a montagem do texto, a escolha do que deve ficar e do que deve sair. Se necessário, acrescente algumas coisas, retire outras, "enxugando" e "refinando" o que escreveu. E lembre-se: a prática faz a perfeição. Portanto, pratique sempre.



Dicas da apostila "Técnicas de Redação", sem identificação de autoria.

Excertos sobre a o desafio e a beleza da escrita.


“Meu Deus do céu, não tenho nada a dizer. O som de minha máquina é macio. Que é que eu posso escrever? Como recomeçar a anotar frases?

A palavra é o meu meio de comunicação. Eu só poderia amá-la. Eu jogo com elas como se fossem dados: adoro a fatalidade. A palavra é tão forte que atravessa a barreira do som. Cada palavra é uma idéia. Cada palavra materializa o espírito. Quanto mais palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento. Devemos modelar nossas palavras até se tornarem o invólucro mais fino dos nossos pensamentos.”

(LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984)

“[...] De qualquer forma o prazer não implica facilidade, ele é trabalho e procura e construção: o prazer da escritura não se separa do prazer da leitura. Quem escreve é o primeiro leitor de si próprio.”

(BRASIL, Joaquim. O impossível prazer do texto - Leitura: Teoria & Prática. ABL/UNICAMP, 1993, no 22)

“Seja como for, todas as "realidades" e as "fantasias" só podem tomar forma através da escrita, na qual exterioridade e interioridade, mundo e ego, experiência e fantasia aparecem compostos pela mesma matéria verbal; as visões polimorfas obtidas através dos olhos e da alma encontram-se contidas nas linhas uniformes de caracteres minúsculos ou maiúsculos, de pontos, vírgulas, de parênteses; páginas inteiras de sinais alinhados, encostados uns nos outros como grãos de areia, representando o espetáculo variegado do mundo numa superfície sempre igual e sempre diversa, como as dunas impelidas pelo vento do deserto.”

(CALVINO, Ítalo. Seis Propostas para o Próximo Milênio. São Paulo, Companhia das Letras, 1990)


segunda-feira, 9 de maio de 2011

O primeiro livro impresso em Português!

Especialistas do Brasil e Portugal discordam sobre qual foi o primeiro livro impresso em Língua Portuguesa. Para os brasileiros, foi a tradução de Sacramental, de Clemente Sanchez, publicada em 1488.


Como não traz a data de edição, os portugueses consideram o Tratado de Confissom, que saiu do prelo em 1489.

Ita est!
Prof. Zanon

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Conversa de Bois - João Guimarães Rosa



O conto
Conversa de Bois está inserido entre aqueles que compõem o primeiro livro do autor: é o penúltimo entre os nove contos que se encontram em SAGARANA, livro publicado em 1946. Trata-se de uma alegoria sobre a justiça dos animais e a crueldade dos homens.

A marca roseana de contador de "causos" aparece logo no primeiro parágrafo:

"Que já houve um tempo em que eles conversavam, entre si e com os homens, é certo e discutível, pois que bem comprovado nos livros das fadas carochas (...) ".

O narrador abre a história contando um fato: houve um tempo em que os bichos conversavam entre eles e com os homens e põe em dúvida se ainda podem fazê-lo e serem entendidos por todos: "por você, por mim, por todo mundo, por qualquer filho de Deus?!"

Manuel Timborna diz que sim, e indagado pelo narrador se os bois também falam, afirma que "boi fala o tempo todo", dispondo-se a contar um caso acontecido de que ele próprio sabe notícia. O narrador dispõe-se a escutá-lo, mas "só se eu tiver licença de recontar diferente, enfeitado e acrescentando pouco a pouco." Timborna concorda e inicia sua narração.

O narrador nos dirá que o fato começou na encruzilhada de Ibiúva, logo após a cava do Mata-Quatro, em plena manhã, por volta das dez horas, quando a irara Risoleta fez rodopiar o vento. A cantiga de um carro de bois começou a chegar, deixando ouvir-se de longe. Tiãozinho, o menino guia, aparece na estrada: "(...) um pedaço de gente, com a comprida vara no ombro, com o chapéu de palha furado, as calças arregaçadas, a camisa grossa de riscado, aberta no peito (...). Vinha triste, mas batia ligeiro as alpercatinhas, porque, a dois palmos da sua cabeça, avançavam os belfos babosos dos bois de guia - Buscapé, bi-amarelo (...) Namorado, caracú sapiranga, castanho-vinagre tocado a vermelho.(...) Capitão, salmilhado, mais em branco que amarelo, (...) Brabagato, mirim malhado de branco e de preto. (...) Dansador, todo branco (...) Brilhante, de pelagem braúna, ( ...) Realejo, laranjo-botineiro, de polainas de lã branca e Canindé, bochechudo, de chifres semilunares(...)."

O carreiro Agenor Soronho, "Homenzarrão ruivo, (...) muito mal encarado" é apresentado aos leitores. Lá vai o carro de bois, carregado de rapaduras, dirigido por Soronho que tinha um orgulho danado de nunca ter virado um carro, desviado uma rota. Quem ia triste era Tiãozinho, fungando o tempo inteiro, semi-adormecido pela vigília do dia anterior, deixava um fio escorrendo das narinas. Ia cabisbaixo e infeliz: o pai morrera na véspera e estava sendo levado de qualquer jeito: "Em cima das rapaduras, o defunto. Com os balanços, ele havia rolado para fora do esquife, e estava espichado, horrendo. O lenço de amparar o queixo, atado no alto da cabeça, não tinha valido nada : da boca, dessorava um mingau pardo, que ia babujando e empestando tudo. E um ror de moscas, encantadas com o carregamento duplamente precioso,
tinham vindo também."

Os bois conversam, tecem considerações sobre os homens: "- O homem é um bicho esmochado, que não devia haver." Para os bois, Agenor é um bicho : "homem-do-pau-comprido-com-o-marimbondo-na-ponta". Comentam dele as covardias e despropósitos, sabem que não é tão
forte quanto um boi.

O carreiro Soronho para para conversar com uns cavaleiros, entre eles uma moça, que ficam sabendo sobre a morte do pai do menino. Tiãozinho, que já começara a espantar a tristeza, recebe-a toda de volta. Despedem-se e Agenor usa de novo o aguilhão contra os animais. Os bois recomeçam a conversa : "Mas é melhor não pensar como o homem...." Reconhecem que Agenor Soronho é mau; o carreiro grita com eles. Começam a distinguir como trata o menino ( "Falta de justiça, ruindade só."). Encontram João Bala que teve o carro acidentado no Morro do Sabão; a falta de fraternidade de Soronho não permite que o outro carreiro seja ajudado. Tiãozinho, debaixo do sol escaldante, agora se recorda do pai: há anos vinha cego e entrevado, por cima do jirau: "Às vezes ele chorava , de noite, quando pensava que ninguém não estava escutando. Mas Tiãozinho, que dormia ali no chão, no mesmo cômodo da cafua, ouvia, e ficava querendo pegar no sono, depressa, para não escutar mais... Muitas vezes chegava a tapar os ouvidos, com as mãos. Malfeito!

Devia de ter, nessas horas, puxado conversa com o pai, para consolar... Mas aquilo era penoso... Fazia medo, tristeza e vergonha, uma vergonha que ele não sabia nem por que, mas que dava vontade na gente de querer pensar em outras coisas... E que impunha, até, ter raiva da mãe... [...] Ah, da mãe não gostava! Era nova e bonita, mas antes não fosse... Mãe da gente devia de ser velha, rezando e sendo séria, de outro jeito... Que não tivesse mexida com outro homem nenhum... Como é que ele ia poder gostar direito da mãe?..."

O leitor compreenderá , então, na continuidade do Discurso Indireto Livre que a mãe de Tiãozinho era amante de Agenor Soronho: "Só não embocava era no quartinho escuro, onde o pai ficava gemendo; mas não gemia enquanto o Soronho estava lá, sempre perto da mãe, cochichando os dois, fazendo dengos... Que ódio!..."

Os bois se apiedam daquele "bezerro-de-homem" tão judiado e sofredor.

Órfão, sozinho, a recordação da mãe não traz conforto. O carreiro, que já fora patrão do pai e seria o patrão do menino, exige-lhe muito mais que suas forças podiam oferecer: "- Entra pra o lado de lá, que aí está embrejando fundo... Mais, dianho!... Mas não precisa de correr, que não é sangria desatada!... Tu não vai tirar o pai da forca, vai?... Teu pai já está morto, tu não pode pôr vida nele outra vez!... Deus que me perdoe de falar isso, pelo mal de meus pecados, mas também
a gente cansa de ter paciência com um guia assim, que não aprende a trabalhar... Oi, seu mocinho, tu agora mesmo cai de nariz na lama! ... - E Soronho ri, com estrépito e satisfação."

Os bois observam, conversam, tramam. Resolvem matar Soronho, livrando, portanto, o menino de toda a injustiça futura": "- E o bezerro-de-homem-que-caminha-sempre-na-frente-dos-bois?
- O bezerro-de-homem-que-caminha-sempre-adiante vai caminhando devagar... Ele está babando água dos olhos..."

Percebendo que Soronho está dormindo, que descansa o aguilhão ao seu lado, combinam derrubá-lo do carro, num solavanco repentino. Matam o carreiro, livram o menino. Quase degolado pela roda esquerda, lá está o carreiro: menos força que os bois, menos inteligência que eles. Tiãozinho está livre, Agenor quase degolado jaz no chão.

Em Conversa de bois, o boi não é apenas ícone da natureza, ele torna-se personagem ativo. E passa nesse momento, a formar com o menino Tiãozinho um só personagem, metade humano metade animal. A parte homem do ser antropomórfico e hibrido, o menino “humano”, não possui o dom da palavra. A palavra surge na consciência dos bois. Ao menino, cabe apenas o desejo de vingança e a vergonha imposta pela atitude pecaminosa da mãe.

Guimarães Rosa foi realmente um mestre da linguagem. Sabia combinar magistralmente as palavras para alcançar a plena descrição da realidade, do instante, dos sentimentos. E quando não existiam palavras suficientes no léxico para isso, ele as inventava. Em sua prosa poética importa menos o que diz e mais o modo como diz. Sua técnica foi se aprimorando com o escrever dos contos, mas alcançou a perfeição em
Grande Sertão: Veredas.

Ita est!
Prof. Zanon

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Usuário arrependido!


Prezado Técnico,

Há um ano e meio troquei o programa [Noiva 1.0] pelo [Esposa 1.0] e verifiquei que o programa gerou um aplicativo inesperado chamado [Bebê.exe] que ocupa muito espaço no HD. Por outro lado, o [Esposa 1.0] se auto-instala em todos os outros programas e é carregado automaticamente assim que eu abro qualquer aplicativo.

Aplicativos como [Cerveja_Com_A_Turma 10.3], [Noite_De_Farra 2.5] ou [Domingo_De_Futebol 2.8], não funcionam mais, e o sistema trava, assim que eu tento carregá-los novamente.

Além disso, de tempos em tempos um executável oculto (vírus) chamado [Sogra1.0] aparece, encerrando abruptamente a execução de um comando. Não consigo desinstalar este programa. Também não consigo diminuir o espaço ocupado pelo [Esposa 1.0] quando estou rodando meus aplicativos preferidos. Eu gostaria de voltar ao programa que eu usava antes, o [Noiva 1.0], mas o comando [Uninstall.exe] não funciona adequadamente. Poderia ajudar-me? Por favor!

Ass: Usuário Arrependido

RESPOSTA:

Prezado Usuário,

Sua queixa é muito comum entre os usuários, mas é devido, na maioria das vezes, a um erro básico de conceito: muitos usuários migram de qualquer versão [Noiva x.0] para [Esposa 1.0] com a falsa ideia de que se trata de um aplicativo de entretenimento e utilitário.

Entretanto, o [Esposa 1.0] é muito mais do que isso: é um sistema operacional completo, criado para controlar todo o sistema. É quase impossível desinstalar [Esposa 1.0] e voltar para uma versão [Noiva x.0 ], porque há aplicativos criados pelo [Esposa 1.0], como [Filhos. dll], que não poderiam ser deletados, também ocupam muito espaço, e não rodam sem o [Esposa 1.0].

É impossível desinstalar, deletar ou esvaziar os arquivos dos programas depois de instalados. Você não pode voltar ao [Noiva x.0] porque [Esposa 1.0] não foi programado para isso. Alguns usuários tentaram formatar todo o sistema para em seguida instalar a [Noiva Plus] ou o [Esposa 2.0], mas passaram a ter mais problemas do que antes (leia os capítulos "Cuidados Gerais" referente a "Pensões Alimentícias" e "Guarda das crianças" do software [CASAMENTO].

Uma das melhores soluções é o comando [DESCULPAR.EXE/flores/all] assim que aparecer o menor problema ou se travar o micro. Evite o uso excessivo da tecla [ESC] (escapar). Para melhorar a rentabilidade do [Esposa 1.0], aconselho o uso de [Flores 5.0], [Férias_No_Caribe 3.2] ou [Jóias 3.3 ]. Os resultados são bem interessantes.

Mas nunca instale [Secretária_De_Minissaia 3.3], [ Namoradinha 1.2] ou [Turma_Do_Chopp 4.6], pois não funcionam depois de ter sido instalado o [Esposa 1.0] e podem causar problemas irreparáveis no sistema.


Atenciosamente,
Suporte Técnico



Desconheço o autor. Retirado do http://gramaticaelinguagem.blogspot.com/2010/02/usuario-arrependido.html em 04.05.2011 às 21h37

Lembretes para compreender o que se lê.

1 – Ler duas vezes o texto. A primeira para tomar contato com o assunto; a segunda para observar como o texto está articulado; desenvolvido.

2 – Observar que um parágrafo em relação ao outro pode indicar uma continuação ou uma conclusão ou, ainda, uma falsa oposição.

3 – Sublinhar, em cada parágrafo, a ideia mais importante (tópico frasal).

4 – Ler com muito cuidado os enunciados das questões para entender direito a intenção do que foi pedido.

5 – Sublinhar palavras como: erro, incorreto, correto, etc., para não se confundir no momento de responder à questão.

6 – Escrever, ao lado de cada parágrafo, ou de cada estrofe, a ideia mais importante contida neles.

7 – Não levar em consideração o que o autor quis dizer, mas sim o que ele disse; escreveu.

8 – Se o enunciado mencionar tema ou ideia principal, deve-se examinar com atenção a introdução e/ou a conclusão.

9 – Se o enunciado mencionar argumentação, deve preocupar-se com o desenvolvimento.

10 – Tomar cuidado com os vocábulos relatores (os que remetem a outros vocábulos do texto: pronomes relativos, pronomes pessoais, pronomes demonstrativos, etc.)

Ita est!
Prof. Zanon

terça-feira, 3 de maio de 2011

Rir para não chorar!

A evolução do ensino de Matemática no Brasil


1. Ensino de matemática em 1950:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.

O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda.

Qual é o lucro?

2. Ensino de matemática em 1970:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.

O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda ou R$ 80,00.

Qual é o lucro?

3. Ensino de matemática em 1980:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.

O custo de produção é R$ 80,00.

Qual é o lucro?


4. Ensino de matemática em 1990:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.

O custo de produção é R$ 80,00.

Escolha a resposta certa, que indica o lucro:

( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00

5. Ensino de matemática em 2000:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.

O custo de produção é R$ 80,00.

O lucro é de R$ 20,00.

Está certo?

( )SIM ( ) NÃO

6. Ensino de matemática em 2009:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.

O custo de produção é R$ 80,00.

Se você souber ler, coloque um X no R$ 20,00.

( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00

7. Em 2010 ...:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.

O custo de produção é R$ 80,00.

Se você souber ler, coloque um X no R$ 20,00.

(Se você é afro descendente, especial, indígena ou de qualquer outra minoria social não precisa

responder pois é proibido reprová-los).

( )R$ 20,00 ( )R$ 40,00 ( )R$ 60,00 ( )R$ 80,00 ( )R$ 100,00

domingo, 1 de maio de 2011

"Receita para fazer um Herói"

Tome-se um homem,
Feito de nada, como nós,
Em tamanho natural.
Embeba-se-lhe a carne,
Lentamente,
Duma certeza aguda, irracional,
Intensa como o ódio ou como a fome.
Depois, perto do fim,
Agite-se um pendão,
E toque-se um clarim.

Serve-se morto.


Reinaldo Ferreira. Poemas. Lisboa: Vega, 1998.


Reinaldo Edgar de Azevedo e Silva Ferreira foi um poeta português que realizou toda a sua obra em Moçambique. Seus primeiros poemas começaram a ser publicados nos jornais locais ou em revistas de artes e letras. Adaptou para a rádio várias peças de teatro e, mais tarde, colaborou no teatro de revista.

Em 1959 detectou-se cancro em seu pulmão, que o levou à morte em Junho desse ano. Não editou nenhum livro em vida. A coletânea dos seus poemas surgiu em 1960. Há quem compare seu trabalho ao do poeta Fernando Pessoa.

A banda brasileira de roque, Ira!, gravou "Receita para se fazer um herói", poema de Ferreira com leves modificações na letra. O guitarrista da banda, Edgard Scandurra, estava servindo o Exército quando um colega (o soldade Esteves) mostrou-lhe o poema, dizendo que tinha sido escrito por ele.

A banda não suspeitou de nada e gravou a música no disco "Psicoacústica", em 1988. Após o lançamento do disco descobriu-se que, na verdade, tratava-se de um poema de Reinaldo Ferreira. É por isso que Ferreira não foi creditado como autor da música em seu registro oficial. Confira no clipe abaixo.





video

Vídeo oficial do Ira ao vivo. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=-De3uuMRNas


Ita est!
Prof. Zanon

Os aficionados e os vereditos!

(1) Veredicto ou veredito?

Há algum tempo, a forma correta era veredicto, com um "c" intrometido entre as sílabas "di" e "to". Mas os novos dicionários já registram veredito, sem o "c" intrometido. É o caso do Houaiss Eletrônico de 2009, que informa que "veredito" é o mesmo que "veredicto".

Veredito (ou veredicto) é vocábulo de origem latina, que, ao pé da letra, significa "verdadeiramente dito".

(2) Aficcionado ou aficionado?

Aqui a história é outra. Os dicionários mais recentes registram apenas a forma "aficionado", sem o "c". Quem gosta de embutir esse "c" nos aficionados são os locutores de futebol. Mas por enquanto eles não conseguiram dobrar os gramáticos e linguistas. Então, por enquanto, nada de dizer (ou escrever) aficcionados, o correto é aficionado, sem o "c". Aficionado é "aquele que é afeiçoado, entusiasta, simpatizante de alguma coisa".

Ita est!
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Matérias mais antigas:

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Sou um professor apaixonado pela educação, pela literatura, pela língua portuguesa e pela arte de escrever. Como tantos educadores, um idealista. Fascina-me a incomensurável capacidade de transformação do ser humano. Por que me ufano da minha profissão? Porque sei que quando leciono, não estou apenas passando conteúdos, mas também destruindo mitos, dogmas e raciocínios falaciosos que cerceiam a liberdade humana.