quarta-feira, 29 de junho de 2011

FOLHA QUE CAI



Eu já não posso parar de chorar
Embora eu tente
As lágrimas tem vida própria,
E rolam pela minha face abatida


Sou uma brisa fria de inverno
Uma folha sem vida, caída
Fiz-me pecador voluntário dessa ilusão
Varra-me o vento se eu persistir


Morrer, se assim Deus me permitir
Pra quê? Por quê? Escape?
Covarde necessidade de me ausentar
dos sonhos, promessas e derrotas


Meus pés me levam aonde não há firmeza
E caio, afundo, a alma presa
Confiar em Deus é um salto de fé
Meu pobre coração molenga hesita


Sou um raio de sol às seis horas
Inócuo, fraco e sem calor
Deus guerreia minhas batalhas
E endireita minhas falhas


Ainda escorrem lágrimas arrependidas
Aperta o peito ao ver no espelho
Que chegou o outono em minha vida
Que Deus renove essa estação!



Encontrado na internet, sem identificação do autor. Se conhecer o autor, avise-me para que eu possa dar os créditos.

Dentre todas as Almas já criadas



Dentre todas as Almas já criadas -
Uma - foi minha escolha -
Quando Alma e Essência - se esvaírem -
E a Mentira - se for -

Quando o que é - e o que já foi - ao lado -
Intrínsecos - ficarem -
E o Drama efêmero do corpo -
Como Areia - escoar -

Quando as Fidalgas Faces se mostrarem -
E a Neblina - fundir-se -
Eis - entre as lápides de Barro -
O Átomo que eu quis!





Emily Dickinson - (Tradução: José Lira)

Aos quarenta...


"Aos quarenta, muita coisa não importa mais.
Não quero mais convencer ninguém,
vencer debates, fazer um bom nome perante os homens...
Discutir o sexo dos anjos, quem tá certo quem tá errado...

Não tenho mais paciência para assistir cenas melodramáticas,
não me importo em combinar as roupas,
quando pedem para que eu repita algo que já disse: "Deixe prá lá!"

Aos quarenta muita coisa importa demais.
A presença de Lisa, seu cheiro, sua voz, seu bom humor...
Paula Fernandes cantando "Jeito de Mato",
Um poema de Emily Dickinson,
A alegria de Bel, as coisas inteligentes que o Dã diz, os pés no chão do Mi.


professor Sandro Zanon

Definição de filhos por José Saramago



"Filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo ! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo".

domingo, 26 de junho de 2011

Mudança de gênero com mudança de significado

Alguns substantivos, quando mudam de gênero, mudam também de significado. Eis alguns deles:

· o caixa = o funcionário
· a caixa = o objeto
· o capital = dinheiro
· a capital = sede de governo
· o coma = sono mórbido
· a coma = cabeleira, juba
· o grama = medida de massa
· a grama = a relva, o capim
· o guarda = o soldado
· a guarda = vigilância, corporação
· o guia = aquele que serve de guia, cicerone
· a guia = documento, formulário; meiofio
· o moral = estado de espírito
· a moral = ética, conclusão
· o banana = o molenga.
· a banana = a fruta

Ita est!
Prof. Zanon

Gênero Vacilante

Existem alguns substantivos que trazem dificuldades, quanto ao gênero. Estude, então, com muita atenção estas listas:

São Masculinos:
· o açúcar
· o afã
· o ágape
· o alvará
· o amálgama
· o anátema
· o aneurisma
· o antílope
· o apêndice
· o apetite
· o algoz
· o bóiafria
· o caudal
· o cataclismo
· o cônjuge
· o champanha
· o clã
· o colatudo
· o cós
· o coma
· o derma
· o diagrama
· o dó
· o diadema
· o decalque
· o epigrama
· o eclipse
· o estigma
· o estratagema
· o eczema
· o formicida
· o guaraná
· o gengibre
· o herpes
· o lançaperfume
· o haras
· o lotação
· o magma
· o matiz
· o magazine
· o milhar
· o nócego
· o pijama
· o péfrio
· o plasma
· o pãoduro
· o sósia
· o suéter
· o talismã
· o toalete
· o tapa
· o telefonema
· o tirateimas
· o xérox

São Femininos:
· a abusão
· a acne
· a agravante
· a aguarrás
· a alface
· a apendicite
· a aguardente
· a alcunha
· a aluvião
· a bacanal
· a benesse
· a bólide
· a couve
· a couveflor
· a cal
· a cataplasma
· a comichão
· a derme
· a dinamite
· a debênture
· a elipse
· a ênfase
· a echarpe
· a entorse
· a enzima
· a faringe
· a ferrugem
· a fênix
· a gênese
· a grafite
· a ioga
· a libido
· a matinê
· a marmitex
· a mascote
· a mídia
· a nuança
· a omoplata
· a ordenança
· a omelete
· a personagem
· a própolis
· a patinete
· a quitinete
· a sentinela
· a soja
· a usucapião
· a vernissagem

Ita est!
Prof. Zanon

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Sobre os advérbios

Ocorrendo na frase dois ou mais advérbios terminados em -mente, em geral, só o último fica com este sufixo. Os demais permanecem reduzidos à forma feminina do adjetivo. Veja os exemplos:

- O réu, algemado, ouvia o promotor atenta e friamente.

- Covarde e barbaramente mortos pelo homem, os pandas estão fadados à extinção.

- O povo que reclame, justa ou injustamente, dos impostos cobrados pelo governo!

Entretanto, quando se quer dar ênfase, deve-se repetir o sufixo:

- A multidão os ovacionou demoradamente, calorosamente e delirantemente.

Um lembrete: os advérbios terminados em -mente não são acentuados jamais: encarecidamente, infelizmente, heroicamente, rapidamente, calmamente, estoicamente etc.

Ita est!
Prof. Zanon

segunda-feira, 20 de junho de 2011

A domicílio, em domicílio...

Na língua do dia a dia (coloquial), a locução adverbial "a domicílio" é usada, indistintamente, tanto com verbos que indicam movimento (levar, enviar etc.) como com verbos estáticos.

Exemplos:

- Levamos encomendas a domicílio. (verbo de movimento)
- Damos aula de violão a domicílio. (verbo estático)

Mas alguns gramáticos entendem que, não ocorrendo verbo de movimento, a locução apropriada seria "em domicílio" e não "a domicílio".

Exemplos:

- Damos aula de violão em domicílio.
- Consertam-se televisores em domicílio.

Portanto, na língua culta formal, devemos preferir esta forma àquela.


Ita est!
Prof. Zanon

domingo, 19 de junho de 2011

A que ponto chegamos...

Do sábio Antoine

"Há vitórias que exaltam, outras que corrompem; derrotas que matam, outras que despertam".


Antoine de Saint-Exupéry



Não fui, na infância, como os outros
e nunca vi como outros viam.
Minhas paixões eu não podia
tirar de fonte igual à deles;
e era outra a origem da tristeza,
e era outro o canto, que acordava
o coração para a alegria.

Tudo o que amei, amei sozinho.
Assim, na minha infância, na alba
da tormentosa vida, ergueu-se,
no bem, no mal, de cada abismo,
a encadear-me, o meu mistério.

Veio dos rios, veio da fonte,
da rubra escarpa da montanha,
do sol, que todo me envolvia
em outonais clarões dourados;
e dos relâmpagos vermelhos
que o céu inteiro incendiavam;
e do trovão, da tempestade,
daquela nuvem que se alteava,
só, no amplo azul do céu puríssimo,
como um demônio, ante meus olhos.





Edgar Allan Poe (Tradução de Oscar Mendes)


Observação: imagem sem créditos.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

"Ciga as praca!"

UUUiiiiiiiiii!!!!!!!!

Bem coloquial.

Redundância pura!

Por que será que a polícia desconfiou que esta placa era clonada?

Que brinde legal!

Acho que vou querer o X-ERGUES.

Agora entendi porque alguns alunos escrevem mal!

Pode repetir duas vezes? Beleza!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O fenômeno da crase

As passagens a seguir foram extraídas da versão original de "Os Lusíadas", poema épico de Luís Vaz de Camões, publicado em 1571:

[...] affeiçoada aa gente [...]

[...] junto aas ilhas [...]

[...] chegava aa desejada e lenta meta [...]

[...] quem podesse aa Índia ser levado [...]

Percebemos que a escrita na época de Camões não é idêntica à atual. Hoje escreveríamos essas frases assim:

[...] afeiçoada à gente [...]

[...] junto às ilhas [...]

[...] chegava à desejada e lenta meta [...]

[...] quem pudesse à Índia ser levado [...]

No século 16, escrevia-se a forma aa. No correr dos séculos desde então, as duas vogais fundiram-se, misturaram-se; mas para indicar ao leitor que ali ocorrera uma fusão de a artigo + a preposição, adotou-se o acento grave (`). Eis o fenômeno conhecido como crase.

Ita est!
Prof. Zanon

domingo, 5 de junho de 2011

Autoridade em ética

Pode-se dizer, em tese, que a essência da ética provém da pressão da comunidade sobre o indivíduo. O homem pouco tem de gregário, e nem sempre sente, instintivamente, os desejos comuns a sua grei. Esta, ansiosa para que o indivíduo aja no seu interesse, tem inventado vários artifícios com o fim de harmonizar os interesses individuais com os seus próprios. Um destes é o governo, outro é a lei e o costume, e o outro é a moral.
A moral torna-se uma força eficiente de duas maneiras: primeiro, através do louvor e da censura dos que o cercam e das autoridades; e segundo, através do autolouvor e da autocensura, os quais são chamados de "consciência".
Por meio destas várias forças - governo, lei, moral - o interesse da comunidade se faz sentir sobre o indivíduo [...]


Bertrand Russell. A sociedade humana na ética e na política. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1956.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Um dicionário on line muito bom

Está disponível on line um dicionário muito bom para consultas rápidas e eficientes. Experimente:

http://www.dicio.com.br/

Ita est!
Prof. Zanon

Sabedoria, fidelidade e discrição ausentes há um ano.

O arco

"Tua glória, ó Israel, foi morta sobre os teus altos! Como caíram os valorosos!

Não o noticieis em Gate, nem o publiqueis nas ruas de Asquelom; para que não se alegrem as filhas dos filisteus, para que não exultem as filhas dos incircuncisos.

Vós, montes de Gilboa, nem orvalho, nem chuva caia sobre, vós, ó campos de morte; pois ali desprezivelmente foi arrojado o escudo dos valorosos, o escudo de Saul, ungido com óleo.

Do sangue dos feridos, da gordura dos valorosos, nunca recuou o arco de Jônatas, nem voltou vazia a espada de Saul.

Saul e Jônatas, tão queridos e amáveis na sua vida, também na sua morte não se separaram; eram mais ligeiros do que as águias, mais fortes do que os leões.

Vós, filhas de Israel, chorai por Saul, que vos vestia deliciosamente de escarlata, que vos punha sobre os vestidos adornos de ouro.

Como caíram os valorosos no meio da peleja!

Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; muito querido me eras! Maravilhoso me era o teu amor, ultrapassando o amor de mulheres.

Como caíram os valorosos, e pereceram as armas de guerra!"


Um poema fúnebre de Davi, rei de Israel (1040 a.C. - 970 a.C.)



Matérias mais antigas:

Minha foto
Sou um professor apaixonado pela educação, pela literatura, pela língua portuguesa e pela arte de escrever. Como tantos educadores, um idealista. Fascina-me a incomensurável capacidade de transformação do ser humano. Por que me ufano da minha profissão? Porque sei que quando leciono, não estou apenas passando conteúdos, mas também destruindo mitos, dogmas e raciocínios falaciosos que cerceiam a liberdade humana.