domingo, 13 de maio de 2012

Aluguel ou aluguer?

Há um ditado que diz: "Sentenciar num momento só traz arrependimento"; ou seja, quando nos apressamos em dizer que alguma coisa é certa ou errada, podemos errar em nosso julgamento e nos arrepender depois.


É o caso de algumas palavras da língua portuguesa. Quem acha que aluguer é coisa de caipira errou redondamente. A grafia está corretíssima. Aliás, as duas estão. Ambas são aceitas como corretas. A forma "aluguel" é de uso mais comum no Brasil. "Aluguer" é muito empregada em Portugal e na linguagem jurídica.


Observe que o plural de "aluguel" é "aluguéis"; e "aluguer" faz o plural "alugueres".


Exemplo: O inquilino está devendo três alugueres (aluguéis) atrasados.


Existem, em português, inúmeras palavras que possuem dupla grafia, sendo ambas consideradas gramaticalmente corretas.


Veja algumas:


assobiar - assoviar
bêbado - bêbedo
berruga - verruga
bílis - bile
cãibra - câimbra (observe que na segunda grafia o acento é circunflexo)
camionete - caminhonete
catorze - quatorze
cociente - quociente
cota - quota
espuma - escuma
flecha - frecha
infarto - enfarto
louro - loiro
piaçava - piaçaba
porcentagem - percentagem
toucinho - toicinho

Ita est!
Prof. Zanon



Alugam-se casas

Trata-se de uma construção correta, já que o verbo (alugam) está concordando com o sujeito (casas).


Nessa construção a palavra "se" é classificada como pronome apassivador. Quando ocorre pronome apassivador, temos sujeito expresso na oração e o verbo deverá concordar com ele. 


Para reconhecer quando o "se" é pronome apassivador, basta verificar se ocorrem estas duas condições:


- Verbo transitivo direto;
- Possibilidade de transformação da oração para a voz passiva analítica.


Exemplos:


Quebrou-se o prato. 


Quem quebra, quebra alguma coisa. (Verbo transitivo direto)


Quebrou-se o prato. O prato foi quebrado. (Foi possível passar a oração para a voz passiva analítica).




Venderam-se os apartamentos.


Quem vende, vende alguma coisa. (Verbo transitivo direto)


Venderam-se os apartamentos. Os apartamentos foram vendidos. (Foi possível parar a oração para a voz passiva analítica.)



Ita est!
Prof. Zanon

segunda-feira, 7 de maio de 2012

"a alface" ou "o alface"?



"Alface" é substantivo feminino. Portanto, dizemos "a alface".


Assim como alface são também femininos os seguintes substantivos que nós falantes tendemos a pronunciá-los como masculinos:


a aguardente;
a aluvião;
a apendicite;
a cal;
a cataplasma;
a comichão;
a couve;
a dinamite;
a libido;
a omelete.


Ita est!
Prof. Zanon

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Nunca desista!





"O covarde nunca começa, o fracassado nunca termina, o vencedor nunca desiste."

Normam Vicente Peale

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Azulejo azul?




Não há erro algum. Ao contrário do que muita gente pensa, a palavra azulejo não provém de azul, e sim do árabe hispânico az-zuléig, através do espanhol azulejo.



Portanto, não tenha receio em dizer azulejo branco, azulejo amarelo, azulejo marrom ou até mesmo azulejo azul (não é redundante). Não há erro algum nesses expressões.



Agora, não vá escrever azuleijo, assim como não se deve escrever bandeija e nem carangueijo. A grafia correta dessas palavras é azulejo, bandeja, caranguejo.




Ita est!

Prof. Zanon

domingo, 8 de abril de 2012

Por que Bahia é com "h" e baiano não?


Bahia, o nome do estado nordestino, é grafado com h. Já baía, o acidente geográfico, é grafado sem h e com acento agudo no í.

Antigamente, o h era utilizado para indicar o hiato (bahia, sahida, Pirahi, jahu).

Quando esse uso do h foi abolido (o hiato passou a ser indicado pelo acento: baía, saída, Piraí, jaú), o estado da Bahia manteve a grafia tradicional.

No entanto, as palavras derivadas do nome do estado são grafadas sem h, o mesmo ocorrendo em compostos: baiano, bainidade, laranja-da-baía, coco-da-baía etc.


Ita est!
Prof. Zanon

sábado, 31 de março de 2012

Quebrei minha perna

A linguagem culta não aceita construções em que o pronome possessivo antecede termos que indiquem partes do corpo, ou faculdades do espírito, quando estes estiverem funcionando como complemento na mesma pessoa que o sujeito da oração.

Portanto, escreva:

No jogo de futebol quebrei a perna (em vez de "...quebrei a minha perna").

Engessei o braço (em vez de "engessei o meu braço").

Pintei as unhas (em vez de "pintei as minhas unhas").

Perdi a paciência (em vez de "perdi a minha paciência").

Ita est!
Prof. Zanon

segunda-feira, 26 de março de 2012

Vamos rir um pouco?

1) Qual é o fim da picada?
Quando o mosquito vai embora.

2) O que são dois pontos pretos no microscópio?
Uma blacktéria e um pretozoário.

3) Qual é a comida que liga e desliga?
O Strog-ON-OFF.

4) Como se faz para ganhar um Chokito?
É só colocar o dedito na tomadita..

5) Qual o vinho que não tem álcool?
Ovinho de Codorna.

6) O que é que a banana suicida falou?
Macacos me mordam!

7) Qual é o doce preferido do átomo?
Pé-de-moléculas.

8) O que é uma molécula?
É uma meninola muito sapécula.

9) Como o elétron atende ao telefone?
Próton?!

10) O que um cromossomo disse para o outro?
Oh! Cromossomos felizes!

11) Qual é a parte do corpo que cheira bacalhau?
O nariz.

12) O que é um ponto marrom no pulmão?
Uma brownquite.

13) O que é um pontinho vermelho no meio da porta?
Um olho mágico com conjuntivite.

14) O que o canibal vegetariano come?
A planta do pé, a maçã do rosto e a batata da perna.

15) Por que as estrelas não fazem miau?
Por que Astro-no-mia.

16) Por que a vaca foi para o espaço?
Para se encontrar com o vácuo.





terça-feira, 13 de março de 2012

Por que me ufano de ser professor!




Não sei dizer se a profissão de professor é a mais antiga do mundo. Dizem ser outra. Mas a verdade é que, desde que o mundo é mundo e o homem se viu como humano, ensinar e aprender é a base da vida.

Eu sou um professor. Eu não invento teorias, não crio hipóteses. Eu estudo e ensino. Eu aprendo e transmito. Eu sinto um enorme prazer em fazer com que meus alunos se desenvolvam, cresçam, sejam felizes e tenham muito sucesso. Eu sou um incansável ingênuo. Um irremediável sonhador. O meu prazer maior, como professor, não está em coisas materiais. A minha busca incessante pelo conhecimento e meu desejo de questionar, cismar, aprender e ensinar faz-me sentir prazer onde outros só veem tédio - uma boa livraria, um sebo, uma biblioteca ou um site acadêmico. O conhecimento é meu saboroso alimento.

Optei pelo magistério cônscio de que nunca ficarei rico em sentido material. Também estou ciente de que, por mais que me empenhe na busca pelo saber, sempre serei aquela 'criança que, maravilhada com um grão de areia na mão, apercebe-se das miríades e miríades de outros grãos de areia espalhados pela praia'. Serei sempre um eterno insatisfeito que quer sempre pesquisar mais, aprender mais, para ensinar melhor e contribuir para o sucesso e a felicidade dos meus alunos.

Esse é o meu orgulho. "Não há orgulho maior do que ouvir de um ex-aluno que fui importante em sua vida", disse-me um velho professor. Grandes homens sabem dever sua fama e/ou fortuna a humildes professores que lhes ensinaram a escrever e lhes despertaram a vontade de aprender.

Sócrates não deixou nada escrito. Só ensinou. Graças a um de seus alunos diletos, Platão, ficou conhecido e é até hoje estudado. Esse é o sonho maior de um verdadeiro mestre: ser lembrado através de seus alunos.



Texto adaptado do "A arte de ser professor", disponível na internet e de autoria desconhecida.


Ita est!
Prof. Zanon

sexta-feira, 9 de março de 2012

Características das escolas literárias brasileiras

Quinhentismo
Literatura documental, histórica, de caráter informativo.

Barroco
Frequência das antíteses e paradoxos, fugacidade do tempo e incerteza da vida. Rebuscamento, virtuosismo, ornamentação exagerada, jogo sutil de palavras e ideias, ousadia de metáforas e associações.


Neoclassicismo
Pastoralismo, bucolismo. Ideal de vida simples, junto à natureza (locus amoenus). Fugere urbem ("evitar a cidade", "fugir da civilização"). busca do equilíbrio e da naturalidade, no contato com a natureza. Carpe diem ("aproveite o dia"). Consciência da fugacidade do tempo. Simplicidade, clareza e equilíbrio. Emprego moderado de figuras de linguagem. Natureza racional (é vista como um cenário, como uma fotografia, como um pano de fundo. Pseudônimos. Fingimento e Artificialismo.


Romantismo
Predomínio da emoção, do sentimento (subjetivismo); evasão ou escapismo (fuga à realidade). Nacionalismo, religiosidade, ilogismo, idealização da mulher, amor platônico. Liberdade de criação e despreocupação com a forma; predomínio da metáfora.


1ª geração romântica: 1840/50 - indianista ou nacionalista. A temática era o índio, a pátria.

2ª geração romântica: 1850/60 - byroniana, mal-do-século, individualista ou ultra-romântica. A temática era a morte.

3ª geração romântica: 1860/70 - condoreira, social ou hugoana. A temática é a abolição e a república.


Realismo
Literatura de combate social, crítica à burguesia, ao adultério e ao clero. Análise psicológica dos personagens. Objetividade, temas contemporâneos.



Naturalismo
Desdobramento do Realismo. Escritores naturalistas retratam pessoas marginalizadas pela sociedade. O Naturalismo é fruto da experiência.Análise biológica e patológica das personagens. Determinismo acentuado.As personagens são compradas aos animais (zoomorfismo).


Parnasianismo
Estilo especificamente poético, desenvolveu-se junto com o Realismo - Naturalismo. A maior preocupação dos poetas parnasianos é com o fazer poético. Arte pela arte. Poesia descritiva sem conteúdo; vocabulário nobre; objetividade. Os poetas parnasianos são considerados "os mestres do passado". Por suas manias de precisão foram criticados severamente pelos poetas do primeiro momento modernista.



Simbolismo
O simbolismo teve origem na poesia de Baudelaire. Características: desmistificação da poesia, sinestesia, musicalidade, preferência pela cor branca, sensualismo, dor e revolta.



Pré-Modernismo
Convivem juntas duas tendências: 1. Conservadora: sobrevivência da mentalidade positivista, agnóstica e liberal. 2. Renovadora: incorporação de aspectos da realidade brasileira.



Modernismo
Primeira fase: poesia nacionalista. Espírito irreverente, polêmico e destruidor, movimento do contra. Anarquismo, luta contra o tradicionalismo, paródia, humor. Liberdade de estética. Verso livre sem uso da métrica. Linguagem coloquial.


Segunda fase: destaca-se a prosa regionalista nordestina (prosa neo-realista e neo-naturalista).

Terceira fase: continua predominando a prosa. Neologismos. Introspectivas.



Ita est!
Prof. Zanon

domingo, 26 de fevereiro de 2012

As três experiências

Clarice Lispector


Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou a minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. "O amar os outros" é tão vasto que inclui até o perdão para mim mesma com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida. Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca.
E nasci para escrever. A palavra é meu domínio sobre o mundo. Eu tive desde a infância várias vocações que me chamavam ardentemente. Uma das vocações era escrever. E não sei por que, foi esta que eu segui. Talvez porque para outras vocações eu precisaria de um longo aprendizado, enquanto que para escrever o aprendizado é a própria vida se vivendo em nós e ao redor de nós. É que não sei estudar. E, para escrever, o único estudo é mesmo escrever. Adestrei-me desde os sete anos de idade para que um dia eu tivesse a língua em meu poder. E, no entanto cada vez que eu vou escrever, é como se fosse a primeira vez. Cada livro meu é uma estreia penosa e feliz. Essa capacidade de me renovar toda à medida que o tempo passa é o que eu chamo de viver e escrever.
Quanto aos meus filhos, o nascimento deles não foi casual. Eu quis ser mãe. Meus dois filhos foram gerados voluntariamente. Os dois meninos estão aqui, ao meu lado. Eu me orgulho deles, eu me renovo neles, eu acompanho seus sofrimentos e angústias, eu lhes dou o que é possível dar. Se eu não fosse mãe, seria sozinha no mundo. Mas tenho uma descendência, e para eles no futuro eu preparo meu nome dia a dia. Sei que um dia abrirão as asas para o voo necessário, e eu ficarei sozinha: É fatal, porque a gente não cria os filhos para a gente, nós os criamos para eles mesmos. Quando eu ficar sozinha, estarei seguindo o destino de todas as mulheres.
Sempre me restará amar. Escrever é alguma coisa extremamente forte, mas que pode me trair e me abandonar: posso um dia sentir que já escrevi o que é meu lote neste mundo e que eu devo aprender também a parar. Em escrever eu não tenho nenhuma garantia. Ao passo que amar eu posso até a hora de morrer. Amar não acaba. É como se o mundo estivesse a minha espera. E eu vou ao encontro do que me espera.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Orações Subordinadas Substantivas

Exercícios para o 9º ano

Separe e classifique as orações subordinadas substantivas nos períodos abaixo:

1. "É possível que o leitor me não creia." (Machado de Assis)

2. "Parece que a agulha não disse nada." (Machado de Assis)

3. "Jurou que lhe queria muito." (Machado de Assis)

4. "Veja bem como se comporta." (Josué Montello)

5. "Perguntava-se que amor estranho era aquele." (Machado de Assis)

6. "Duvidei de que pudesse atender-me." (?)

7. "Gostaria de lhe atirar uma flor." (Rachel de Queiroz)

8. "Tenho a impressão de que estou cercado de inimigos." (Graciliano Ramos)

9. "Era fiel a quantos lhe pagassem." (?)

10. "O pior é que era coxa." (Machado de Assis)

11. "Quem sabe de mim sou eu." (Gilberto Gil)

12. "Urgia fundar o jornal." (Machado de Assis)

13. "Tinha ainda um sonho: caminhar com o velho amigo pela trilha secreta." (?)

14. "A jovem, em sua janela, observava-o passar apressado." (?)

15. "Não creio em quem não crê." (?)

16. "Tive ideia de devolver o achado à praia." (Machado de Assis)

17. "Aquela afirmativa, que nunca mais voltaria ao rancho, martelava-lhe a alma." (?)

18. "Você é quem resolve tudo." (?)

19. "A verdadeira felicidade é ser livre." (?)

20. "Um poeta dizia que o menino é pai do homem." (Machado de Assis)

21. "Dissera-se que a vida das coisas ficara estúpida diante do homem [...]" (Machado
de Assis)

22. "A cidade oferecia-lhe tudo: oferecia-lhe a paz!" (?)

23. "Vai valer a pena ter amanhecido." (Ivan Lins, Victor Martins)



* Dica do professor Sandro: para reconhecer a oração subordinada substantiva, observe a oração principal e veja o que falta: sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo do sujeito. Lembre-se de que a oração apositiva é a única que não se integra a uma estrutura incompleta.


** Não imprimir, copiar no caderno.


Ita est!
Prof. Zanon

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Aportuguesamento de palavras de outras línguas

Quando nosso idioma "empresta" (entre aspas, pois nunca devolve) uma expressão de outra língua, geralmente ocorre um aportuguesamento, para que a nova palavra fique com aparência e sonoridades brasileiras. Quem decide que aparência e sonoridade a prosélita brasileira terá são os mestres da língua, que registram suas decisões no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP).

Mas o povo é teimoso e rebelde, e nem sempre aceita as decisões dos grandes mestres.

As palavras "futebol" e "uísque" foram aportuguesadas e aprovadas pelo povo, que as usa regularmente.

Já as palavras aportuguesadas "estresse", "eslaide", "escâner" e "blogue" que constam na última edição do VOLP não agradou. O povo prefere as formas originais "stress", "slide", "scanner" e "blog".



Quem faz a língua são os falantes!


Ita est!
Prof. Zanon

Plural especial

O plural de substantivos, adjetivos, artigos e pronomes é formado com o acréscimo da letra "s" ao final da palavra, como em "meninos" e "brinquedos", ou com algumas pequenas variações nas terminações:



Mas há uma palavra em que o "s" aparece no meio para mostrar o plural.

Sabe qual é?

É a palavra "qualquer". No plural: "quaisquer".


Ita est!
Prof. Zanon

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Será que é verdade?

Será que é verdade? Até que ponto as informações do texto são confiáveis? 

Aprenda a classificar a informação observando:

1) Fonte da informação. Onde o texto foi publicado? A fonte tem algum tipo de reconhecimento? Pra decidir sobre isso compare, por exemplo, um jornal de grande circulação que submete o que publica à avaliação de muitas pessoas com um site na internet. O que pode ter maior credibilidade.


A fonte defende explicitamente alguma corrente de ideais? As fortes convicções do autor podem ofuscar seu raciocínio.


2) Base da informação. A informação está documentada? A documentação tem reconhecimento de alguma instituição (universidade, fundação etc.)? As informações estão confirmadas por alguma autoridade no assunto (cientista ou especialista de reconhecida competência)?


3) Autor. Quem é o responsável pela informação? Qual é a formação do responsável? Tem autoridade no assunto de que trata? Está ligado a alguma instituição reconhecida? Tem outros livros e pesquisas publicadas? Desconfie de textos de autoria desconhecida. Há muitas outras razões para um escritor não se identificar. Modéstia é a última da fila.


Os critérios acima, obviamente, não são absolutos. Bom senso nunca fez mal a ninguém. 




Ita est!
Prof. Zanon






Texto literário e texto não-literário

A linguagem literária difere da linguagem não-literária nos seguintes aspectos:

A situação da fala:

No texto não-literário ela é instrumento de informação/comunicação. Importa mais o que se diz.No texto literário a situação da fala é um sistema semiótico estético. Importa mais o como se diz.


Compreensão:

O texto não-literário é transparente, tem sentido denotativo. A informação é explícita e objetiva.O texto literário tem sentido conotativo, a informação é apenas sugerida, subjetivamente. Há uma opacidade na mensagem que requer esforço interpretativo por parte do leitor.


Representação:

O texto não-literário representa o real, o verdadeiro.O texto literário, por sua vez, não tem nenhum compromisso com a realidade. O autor tem liberdade, abertura criativa.


Decodificação:

Texto não-literário: única. Texto literário: múltipla


Significação:

O texto não-literário deve ter um significado exato, objetivo. No texto literário há ambiguidade e polissemia.


Finalidade:

O texto não-literário objetiva a transmissão de ideias e conceitos. A finalidade do texto literário emocionar, aflorar sentimentos.


Tipo de atividade:

O texto não-literário é um ato de comunicação/reprodução. O texto literário é um ato de criação/invenção.



Para ilustrar essas diferenças, observe o quadro abaixo:



Agora note as diferenças lendo um texto literário e um não-literário com o mesmo tema:






Ita est!
Prof. Zanon

domingo, 22 de janeiro de 2012

"Violência contra mulher! Como se proteger?"

Vez por outra eu recomendo livros, filmes, peças de teatro e outras coisas interessantes que acredito serem úteis aos meus alunos e demais visitantes do blog.
O livro "Violência Contra Mulher! Como se Proteger?", de Almir de Lima Barbosa é de suma importância, não só para as mulheres, mas para todos nós que vivemos nestes dias violentos. 
O autor frisa que o objetivo do livro não é ensinar dicas de reação, mas de prevenção. Por isso o livro deve interessar especialmente a pessoas pacíficas, que odeiam toda forma de violência (mesmo a reativa), mas precisam e devem aplicar em suas rotinas regras preventivas. 
Está provado que os bandidos preferem vítimas incautas, distraídas, desprevenidas. Quando estamos atentos ao que acontece a nossa volta e prevenidos contra ameaças, os bandidos percebem isso e geralmente procuram uma vítima mais "fácil". 
O livro apresenta alguns diferenciais muito práticos:

- Mais de mil dicas em ordem aleatória, não compartimentadas por assuntos. O objetivo é que a leitura flua e o leitor assimile todas as informações, sem ser tentado a escolher tópicos específicos.
- Dicas em linguagem objetiva, enxuta, sem comentários desnecessários que tornam a leitura cansativa.
- Uma gama de assuntos que vai desde o cuidado na escolha de batons até o que fazer caso ocorra uma explosão nuclear. Nesse aspecto o livro torna-se um manual que vai da praticidade à curiosidade, oferecendo uma leitura muito prazerosa.
As dicas estão numa linguagem simples e direta, acessível a todos os níveis de leitores. Observe alguns exemplos de como estar atento à segurança quando estacionar seu carro:

- Quando forem estacionar procurem por estacionamentos pagos.

- Procurem deixar seu carro em locais que haja movimentação na hora de sua saída.

- Tenham sempre em mãos, telefones de emergências.

- Muito cuidado também com cuidadores, flanelinhas, pedras no parabrisa, líquidos com ácido (golpe comum hoje em dia).

- Nunca deixem a chave de sua casa no veículo.

- Não deixem objetos e documentos de valor dentro do veículo.

- Instalem e sempre acionem o alarme.

A Bíblia aconselha: "O prudente prevê o mal, e esconde-se; mas os simples passam e acabam pagando." - Provérbios 22,3
"Prever situações perigosas e prevenir-se" é um conselho sábio para todos hoje. O livro "Violência Contra Mulher! Como se Proteger? ", poderá ser muito útil para aplicarmos esse conselho. 
O livro pode ser adquirido através do site:
Eu recomendo.
Prof. Zanon

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Arcaísmos

Arcaísmo é palavra da língua que caiu em desuso. Antigamente físico era médico, vossa mercê era você, boticário era farmacêutico e assim por diante.

Especialmente os textos antigos costumam apresentar palavras ou expressões arcaicas. Quem lê Machado de Assis encontra expressões assim. Também a Bíblia Sagrada usa expressões arcaicas: argueiro para cisco, pensar para curativo, estilo para cinzel etc.

Veja se consegue entender as frases abaixo.

"Dirigiu-se à botica e perguntou ao boticário se havia a mezinha que o físico lhe recomendara."

E então? Conseguiu?

Traduzindo para o português atual: "Dirigiu-se à farmácia e perguntou ao farmacêutico se havia o remédio que o médico lhe recomendara." 


Ita est!
Prof. Zanon

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Não julgue. Ofereça ajuda.

Por mais razão que supostamente se tenha em relação a outras pessoas, por mais que outras pessoas estejam em dificuldades ou inserindo em erros: evite julgar. Ninguém tem informações suficientes para fazer um veredicto e colocar-se acima dos fatos e da verdade. Quando se julga alguém normalmente nos baseamos em nossas réguas e nem sempre elas estão alinhadas em um nível superior para saber o que é o melhor, o que é certo ou o que é errado.


Neste comportamento ainda geramos uma energia que não nos é positiva. No lugar de julgar talvez seja mais prudente oferecer uma ajuda, oferecer um apoio se realmente a pessoa estiver precisando. Defeitos são parte integrante das pessoas, o que é defeito aos olhos de um, pode não ser defeito aos olhos do outro; o que é veneno para um, pode ser remédio para outro. Julgar é tirar os olhos de nós mesmos, esquecer daquilo que realmente somos e também dos erros que inserimos em nossas vidas.

Entre um erro e outro algumas pessoas se encontram; entre um erro e outro se reconhece os verdadeiros amigos; entre um erro e outro ficamos diante de nossa verdade ou de nossa mentira; assim é o caminho de quem erra, mas pior é o caminho de quem julga, pois se coloca acima dos erros. Quando perceber que está julgando alguém, tente inverter os pólos, transforme este julgamento em disponibilidade de prestar um auxilio dentro de suas possibilidades a esta pessoas, pode ser uma conversa esclarecedora; pode ser um amparo; uma sugestão que devolva esta pessoa ao caminho ou até mesmo ser uma boa-orelha, as vezes é somente isto que muita gente precisa, alguém que as ouça, alguém com quem possam desabafar.

Não julgue, ajude, você vai sentir-se melhor ajudando do que julgando.


"Não devemos julgar a vida dos outros, porque cada um de nós sabe de sua própria dor ou renúncia. Um coisa é você achar que está no caminho certo, outra é achar que seu caminho é o único."


Paulo Coelho



Texto garimpado na rede. Autor desconhecido.






quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

"A coisa tá ruça"... ou, "a coisa tá russa?"

Quem já não usou esta gíria: A coisa tá ruça! O negócio tá ruço!

Mas, como se escreve: ruço(a) ou russo(a)?

"Ruço" significa "pardacento"; mas na gíria é usado com o sentido figurado de "complicado, cheio de adversidades, de dificuldades; perigoso, apertado." (Dicionário Houaiss)


Exemplo: A situação ficou ruça depois que as empresas foram a leilão.


Portanto, se a coisa está complicada, pode escrever sem medo de errar: A situação está ruça!

"Russo" é relativo à Rússia: povo russo, seleção russa etc.

Ita est!
Prof. Zanon

domingo, 8 de janeiro de 2012

A ANOS/HÁ ANOS

Na indicação de tempo, emprega-se "há" para indicar tempo passado (dica: pode ser substituído por "faz").


Exemplos: Há dois meses que não vejo meus pais. Ela chegou do Pernambuco há três meses. 


Utiliza-se o "a" para indicar tempo futuro.


Exemplos: Daqui a dois meses ela voltará. Ele aparecerá daqui a uma semana.


Então: = Faz (indica tempo passado); A (indica tempo futuro)

Ita est!
Prof. Zanon

ÃO (plural)

Os substantivos terminados pelo ditongo nasal -ão fazem o plural de três maneiras:

- A maioria dos aumentativos faz o plural em -ões:

Exemplos: balão - balões, opinião - opiniões, canção - canções, eleição - eleições etc.

- Os paroxítonos e alguns monossílabos e oxítonos fazem o plural em -ãos:

Exemplos: acórdão - acórdãos, cidadão - cidadãos, cristão - cristãos, mão - mãos, ancião - anciãos etc.

- Alguns substantivos fazem o plural em -ães:

Exemplo: alemão - alemães, escrivão - escrivães, sacristão - sacristães, capitão - capitães, tabelião - tabeliães etc.

A maioria dos bons dicionários aceitam duas ou mais grafias para a pluralização desses substantivos. Isso significa que a regra não é tão rígida. O ideal é adequar-se ao grupo de falantes no qual você está. Por exemplo, se está no meio de um grupo que insiste em dizer anciões ou anciães em vez de anciãos, não crie caso e junte-se a eles, já que muitos dicionários aceitam os três (o Houaiss é um deles).

Ita est!
Prof. Zanon

domingo, 1 de janeiro de 2012

Entre o texto e o discurso - O estranhamento

O conto psicológico procura produzir no leitor um efeito de "estranhamento". "No que narra" ou, sobretudo, "no como narra", o narrador produz marcas subjetivas que surpreendem, descorcertam. O leitor é levado a estranhar a narrativa e a refletir sobre ela. Vejamos, à guisa de exemplo, o conto psicológico de Loyola Brandão, O Anônimo.



O Anônimo

Ignácio de Loyola Brandão

Presença da tragédia


Se alguém me matasse. Se eu fosse abatido a tiros por uma amante, pelo marido de uma de minhas amantes, por um neurótico pela fama, por um serial killer americano que tivesse vindo ao Brasil, pelo engano de um traficante, por um assaltante num cruzamento, por uma das milhares de balas perdidas que cruzam a cidade, por uma dessas motos enraivecidas que alucinam o transito, por um colega de profissão inconformado com a minha fama. Se morresse em uma inundação, atingido por um raio ou por um arvore derrubada por um vendaval. Por um remédio com data vencida, por uma comida estragada. Uma tragédia noticiada por toda a mídia, alimentada e realimentada, provocando manchetes vorazes, devoradas com prazer pelo publico e construindo a minha legenda. Melhor que fosse algo misterioso. O noticiário duraria mais tempo, o caso seria revisto por curiosos dispostos a desvendar enigmas. Provocar a necessidade de uma autopsia, de exumação. Ser o enigma do século seria a minha gloria. Se eu tivesse essa certeza, não me incomodaria de estar morto.

(9.10.2000)


O Anônimo, Cadernos de Literatura Brasileira - Instituto Moreira Salles - São Paulo, nº. 11, Junho de 2001, pág. 98. Disponível em http://www.releituras.com/i_artur_ilbrandao.asp. Acessado em 1º de janeiro de 2012 às 11h47.


Observe como o conto de Brandão produz um efeito de estranhamento à partir da repetição insistente de construções sintáticas incompletas. Uma longa enumeração de orações subordinadas sem oração principal vai criando uma expectativa no leitor: a que levará tudo isso? A enumeração de maneiras de morrer e do "mercado da morte" faz-nos refletir sobre os horrores da vida urbana contemporânea.

O conto suspende a narrativa até a última frase, quando finalmente o leitor pode compreender o sentido de toda a sequência anterior.

Há muitas formas de produzir o efeito estranhamento. Nesse conto podemos deduzir algumas delas:

- criação do novo na atitude da personagem e na forma do texto;
- representação de um cotidiano opaco e/ou opressor;
- quebra de padrões sociais de comportamento e reflexão.


Não é fácil produzir esse efeito. Exige experiência de escrita. Mas o caminho é mais ou menos este: Pense num ambiente que você frequenta regularmente. Tente lembrar-se de todos os elementos - físicos e humanos - que o compõem. Qual é a forma de apresentá-los como estranhos na escrita?


Tente. Pratique. Com o tempo, domina-se a técnica.


Ita est!
Prof. Zanon


Matérias mais antigas:

Minha foto
Sou um professor apaixonado pela educação, pela literatura, pela língua portuguesa e pela arte de escrever. Como tantos educadores, um idealista. Fascina-me a incomensurável capacidade de transformação do ser humano. Por que me ufano da minha profissão? Porque sei que quando leciono, não estou apenas passando conteúdos, mas também destruindo mitos, dogmas e raciocínios falaciosos que cerceiam a liberdade humana.