domingo, 22 de janeiro de 2012

"Violência contra mulher! Como se proteger?"

Vez por outra eu recomendo livros, filmes, peças de teatro e outras coisas interessantes que acredito serem úteis aos meus alunos e demais visitantes do blog.
O livro "Violência Contra Mulher! Como se Proteger?", de Almir de Lima Barbosa é de suma importância, não só para as mulheres, mas para todos nós que vivemos nestes dias violentos. 
O autor frisa que o objetivo do livro não é ensinar dicas de reação, mas de prevenção. Por isso o livro deve interessar especialmente a pessoas pacíficas, que odeiam toda forma de violência (mesmo a reativa), mas precisam e devem aplicar em suas rotinas regras preventivas. 
Está provado que os bandidos preferem vítimas incautas, distraídas, desprevenidas. Quando estamos atentos ao que acontece a nossa volta e prevenidos contra ameaças, os bandidos percebem isso e geralmente procuram uma vítima mais "fácil". 
O livro apresenta alguns diferenciais muito práticos:

- Mais de mil dicas em ordem aleatória, não compartimentadas por assuntos. O objetivo é que a leitura flua e o leitor assimile todas as informações, sem ser tentado a escolher tópicos específicos.
- Dicas em linguagem objetiva, enxuta, sem comentários desnecessários que tornam a leitura cansativa.
- Uma gama de assuntos que vai desde o cuidado na escolha de batons até o que fazer caso ocorra uma explosão nuclear. Nesse aspecto o livro torna-se um manual que vai da praticidade à curiosidade, oferecendo uma leitura muito prazerosa.
As dicas estão numa linguagem simples e direta, acessível a todos os níveis de leitores. Observe alguns exemplos de como estar atento à segurança quando estacionar seu carro:

- Quando forem estacionar procurem por estacionamentos pagos.

- Procurem deixar seu carro em locais que haja movimentação na hora de sua saída.

- Tenham sempre em mãos, telefones de emergências.

- Muito cuidado também com cuidadores, flanelinhas, pedras no parabrisa, líquidos com ácido (golpe comum hoje em dia).

- Nunca deixem a chave de sua casa no veículo.

- Não deixem objetos e documentos de valor dentro do veículo.

- Instalem e sempre acionem o alarme.

A Bíblia aconselha: "O prudente prevê o mal, e esconde-se; mas os simples passam e acabam pagando." - Provérbios 22,3
"Prever situações perigosas e prevenir-se" é um conselho sábio para todos hoje. O livro "Violência Contra Mulher! Como se Proteger? ", poderá ser muito útil para aplicarmos esse conselho. 
O livro pode ser adquirido através do site:
Eu recomendo.
Prof. Zanon

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Arcaísmos

Arcaísmo é palavra da língua que caiu em desuso. Antigamente físico era médico, vossa mercê era você, boticário era farmacêutico e assim por diante.

Especialmente os textos antigos costumam apresentar palavras ou expressões arcaicas. Quem lê Machado de Assis encontra expressões assim. Também a Bíblia Sagrada usa expressões arcaicas: argueiro para cisco, pensar para curativo, estilo para cinzel etc.

Veja se consegue entender as frases abaixo.

"Dirigiu-se à botica e perguntou ao boticário se havia a mezinha que o físico lhe recomendara."

E então? Conseguiu?

Traduzindo para o português atual: "Dirigiu-se à farmácia e perguntou ao farmacêutico se havia o remédio que o médico lhe recomendara." 


Ita est!
Prof. Zanon

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Não julgue. Ofereça ajuda.

Por mais razão que supostamente se tenha em relação a outras pessoas, por mais que outras pessoas estejam em dificuldades ou inserindo em erros: evite julgar. Ninguém tem informações suficientes para fazer um veredicto e colocar-se acima dos fatos e da verdade. Quando se julga alguém normalmente nos baseamos em nossas réguas e nem sempre elas estão alinhadas em um nível superior para saber o que é o melhor, o que é certo ou o que é errado.


Neste comportamento ainda geramos uma energia que não nos é positiva. No lugar de julgar talvez seja mais prudente oferecer uma ajuda, oferecer um apoio se realmente a pessoa estiver precisando. Defeitos são parte integrante das pessoas, o que é defeito aos olhos de um, pode não ser defeito aos olhos do outro; o que é veneno para um, pode ser remédio para outro. Julgar é tirar os olhos de nós mesmos, esquecer daquilo que realmente somos e também dos erros que inserimos em nossas vidas.

Entre um erro e outro algumas pessoas se encontram; entre um erro e outro se reconhece os verdadeiros amigos; entre um erro e outro ficamos diante de nossa verdade ou de nossa mentira; assim é o caminho de quem erra, mas pior é o caminho de quem julga, pois se coloca acima dos erros. Quando perceber que está julgando alguém, tente inverter os pólos, transforme este julgamento em disponibilidade de prestar um auxilio dentro de suas possibilidades a esta pessoas, pode ser uma conversa esclarecedora; pode ser um amparo; uma sugestão que devolva esta pessoa ao caminho ou até mesmo ser uma boa-orelha, as vezes é somente isto que muita gente precisa, alguém que as ouça, alguém com quem possam desabafar.

Não julgue, ajude, você vai sentir-se melhor ajudando do que julgando.


"Não devemos julgar a vida dos outros, porque cada um de nós sabe de sua própria dor ou renúncia. Um coisa é você achar que está no caminho certo, outra é achar que seu caminho é o único."


Paulo Coelho



Texto garimpado na rede. Autor desconhecido.






quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

"A coisa tá ruça"... ou, "a coisa tá russa?"

Quem já não usou esta gíria: A coisa tá ruça! O negócio tá ruço!

Mas, como se escreve: ruço(a) ou russo(a)?

"Ruço" significa "pardacento"; mas na gíria é usado com o sentido figurado de "complicado, cheio de adversidades, de dificuldades; perigoso, apertado." (Dicionário Houaiss)


Exemplo: A situação ficou ruça depois que as empresas foram a leilão.


Portanto, se a coisa está complicada, pode escrever sem medo de errar: A situação está ruça!

"Russo" é relativo à Rússia: povo russo, seleção russa etc.

Ita est!
Prof. Zanon

domingo, 8 de janeiro de 2012

A ANOS/HÁ ANOS

Na indicação de tempo, emprega-se "há" para indicar tempo passado (dica: pode ser substituído por "faz").


Exemplos: Há dois meses que não vejo meus pais. Ela chegou do Pernambuco há três meses. 


Utiliza-se o "a" para indicar tempo futuro.


Exemplos: Daqui a dois meses ela voltará. Ele aparecerá daqui a uma semana.


Então: = Faz (indica tempo passado); A (indica tempo futuro)

Ita est!
Prof. Zanon

ÃO (plural)

Os substantivos terminados pelo ditongo nasal -ão fazem o plural de três maneiras:

- A maioria dos aumentativos faz o plural em -ões:

Exemplos: balão - balões, opinião - opiniões, canção - canções, eleição - eleições etc.

- Os paroxítonos e alguns monossílabos e oxítonos fazem o plural em -ãos:

Exemplos: acórdão - acórdãos, cidadão - cidadãos, cristão - cristãos, mão - mãos, ancião - anciãos etc.

- Alguns substantivos fazem o plural em -ães:

Exemplo: alemão - alemães, escrivão - escrivães, sacristão - sacristães, capitão - capitães, tabelião - tabeliães etc.

A maioria dos bons dicionários aceitam duas ou mais grafias para a pluralização desses substantivos. Isso significa que a regra não é tão rígida. O ideal é adequar-se ao grupo de falantes no qual você está. Por exemplo, se está no meio de um grupo que insiste em dizer anciões ou anciães em vez de anciãos, não crie caso e junte-se a eles, já que muitos dicionários aceitam os três (o Houaiss é um deles).

Ita est!
Prof. Zanon

domingo, 1 de janeiro de 2012

Entre o texto e o discurso - O estranhamento

O conto psicológico procura produzir no leitor um efeito de "estranhamento". "No que narra" ou, sobretudo, "no como narra", o narrador produz marcas subjetivas que surpreendem, descorcertam. O leitor é levado a estranhar a narrativa e a refletir sobre ela. Vejamos, à guisa de exemplo, o conto psicológico de Loyola Brandão, O Anônimo.



O Anônimo

Ignácio de Loyola Brandão

Presença da tragédia


Se alguém me matasse. Se eu fosse abatido a tiros por uma amante, pelo marido de uma de minhas amantes, por um neurótico pela fama, por um serial killer americano que tivesse vindo ao Brasil, pelo engano de um traficante, por um assaltante num cruzamento, por uma das milhares de balas perdidas que cruzam a cidade, por uma dessas motos enraivecidas que alucinam o transito, por um colega de profissão inconformado com a minha fama. Se morresse em uma inundação, atingido por um raio ou por um arvore derrubada por um vendaval. Por um remédio com data vencida, por uma comida estragada. Uma tragédia noticiada por toda a mídia, alimentada e realimentada, provocando manchetes vorazes, devoradas com prazer pelo publico e construindo a minha legenda. Melhor que fosse algo misterioso. O noticiário duraria mais tempo, o caso seria revisto por curiosos dispostos a desvendar enigmas. Provocar a necessidade de uma autopsia, de exumação. Ser o enigma do século seria a minha gloria. Se eu tivesse essa certeza, não me incomodaria de estar morto.

(9.10.2000)


O Anônimo, Cadernos de Literatura Brasileira - Instituto Moreira Salles - São Paulo, nº. 11, Junho de 2001, pág. 98. Disponível em http://www.releituras.com/i_artur_ilbrandao.asp. Acessado em 1º de janeiro de 2012 às 11h47.


Observe como o conto de Brandão produz um efeito de estranhamento à partir da repetição insistente de construções sintáticas incompletas. Uma longa enumeração de orações subordinadas sem oração principal vai criando uma expectativa no leitor: a que levará tudo isso? A enumeração de maneiras de morrer e do "mercado da morte" faz-nos refletir sobre os horrores da vida urbana contemporânea.

O conto suspende a narrativa até a última frase, quando finalmente o leitor pode compreender o sentido de toda a sequência anterior.

Há muitas formas de produzir o efeito estranhamento. Nesse conto podemos deduzir algumas delas:

- criação do novo na atitude da personagem e na forma do texto;
- representação de um cotidiano opaco e/ou opressor;
- quebra de padrões sociais de comportamento e reflexão.


Não é fácil produzir esse efeito. Exige experiência de escrita. Mas o caminho é mais ou menos este: Pense num ambiente que você frequenta regularmente. Tente lembrar-se de todos os elementos - físicos e humanos - que o compõem. Qual é a forma de apresentá-los como estranhos na escrita?


Tente. Pratique. Com o tempo, domina-se a técnica.


Ita est!
Prof. Zanon


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Sou um professor apaixonado pela educação, pela literatura, pela língua portuguesa e pela arte de escrever. Como tantos educadores, um idealista. Fascina-me a incomensurável capacidade de transformação do ser humano. Por que me ufano da minha profissão? Porque sei que quando leciono, não estou apenas passando conteúdos, mas também destruindo mitos, dogmas e raciocínios falaciosos que cerceiam a liberdade humana.