quinta-feira, 30 de maio de 2013

Linguagem verbal e não-verbal


          Linguagem verbal é o uso da escrita ou da fala como meio de comunicação.
          Linguagem não-verbal é o uso de imagens, figuras, desenhos, símbolos, dança, tom de voz, postura corporal, pintura, música, mímica, escultura e gestos como meio de comunicação. 
          A linguagem não-verbal pode ser até percebida nos animais, quando um cachorro balança a cauda quer dizer que está feliz ou coloca a cauda entre as pernas medo, tristeza.
          
          Dentro deste contexto temos a simbologia, que é uma forma de comunicação não-verbal. Exemplos: sinalização de trânsito, semáforo, logotipos, bandeiras, uso de cores para chamar a atenção ou exprimir uma mensagem.

          É muito interessante observar que para manter uma comunicação não é essencial usar a fala.  É necessário uma linguagem, seja verbal ou não-verbal. Esta linguagem também pode ser mista, quando usamos simultaneamente a linguagem verbal e a não-verbal, usando palavras escritas e figuras ao mesmo tempo.



terça-feira, 28 de maio de 2013

Quando o sujeito vira agente.

          Quando passamos uma oração que está na voz ativa para a voz passiva analítica, ocorre uma inversão de funções em seus termos.


          Observe o exemplo:

VOZ ATIVA
O velho barco      abastecia      todos os vilarejos.
                                     SUJEITO AGENTE                        VTD                                OBJETO DIRETO





VOZ PASSIVA ANALÍTICA
Todos os vilarejos      eram abastecidos      pelo velho barco.
                    SUJEITO PACIENTE                            LOCUÇÃO VERBAL                         AGENTE DA PASSIVA
                                                                             Verbo auxiliar + Verbo no particípio


         
          Comparando essas duas orações, observamos que a passagem da voz ativa para a voz passiva analítica causa três alterações:

- O sujeito da voz ativa para a ser o agente da passiva;
- O objeto direto da ativa para a ser o sujeito da passiva; e
- O verbo transitivo direto assume a forma de locução verbal, sendo composto de um verbo auxiliar, que indica o mesmo tempo do verbo da voz ativa e um verbo indicador de ação no particípio.

          Veja mais um exemplo:



          É por isso que uma condição básica para que uma oração admita voz passiva é que, na ativa, ela apresente um objeto sem preposição (objeto direto). Essa condição se impõe porque o objeto direto da ativa passa a funcionar, na passiva, como sujeito; e o sujeito não pode ter um núcleo precedido de preposição.

Ita est!
Prof. Zanon

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Minerim ingraçadim

Os mineiros têm um jeito todo especial de falar. A linguística estuda com muito afinco estes fenômenos linguísticos. Mas apenas à guisa de curiosidade, veja na lista abaixo algumas palavras com a tal pronúncia peculiarmente mineira:


casopô – caixa de isopor
chudoidu – bicho doido
debadacama – debaixo da cama
dendoforno – dentro do forno
dentifrisso –  creme dental
doidimais – doido demais
iscondidente – escova de dente
kidicarne – quilo de carne
lidiárco – litro de álcool
lidileite – litro de leite
masstumate – massa de tomate
midipipoca – milho de pipoca
mininu – menino
Nossinhora – Nossa Senhora
oiprocevê – olha para você ver
onquié? – onde que é?
pão di quêju – pão de queijo
pincumel – pinga com mel
popôopó? – pode pôr o pó?
quaisnahora – quase na hora
sapassado – sábado passado
sesetembro – sete de setembro
tideguerra – tiro de guerra
tissodaí – tira isso daí
tradaporta – atrás da porta
trem – é um palavra (substantivo) para tudo e qualquer coisa.
videperfum – vidro de perfume









segunda-feira, 20 de maio de 2013





Os dois horizontes

Machado de Assis
 
Dous horizonte fecham nossa vida:

Um horizonte, — a saudade
Do que não há de voltar;
Outro horizonte, — a esperança
Dos tempos que hão de chegar;
No presente, — sempre escuro, —
Vive a alma ambiciosa
Na ilusão voluptuosa
Do passado e do futuro.

Os doces brincos da infância
Sob as asas maternais,
O vôo das andorinhas,
A onda viva e os rosais.
O gozo do amor, sonhado
Num olhar profundo e ardente,
Tal é na hora presente
O horizonte do passado.

Ou ambição de grandeza
Que no espírito calou,
Desejo de amor sincero
Que o coração não gozou;
Ou um viver calmo e puro
À alma convalescente,
Tal é na hora presente
O horizonte do futuro.

No breve correr dos dias
Sob o azul do céu, — tais são
Limites no mar da vida:
Saudade ou aspiração;
Ao nosso espírito ardente,
Na avidez do bem sonhado,
Nunca o presente é passado,
Nunca o futuro é presente.

Que cismas, homem? — Perdido
No mar das recordações,
Escuto um eco sentido
Das passadas ilusões.
Que buscas, homem? — Procuro,
Através da imensidade,
Ler a doce realidade
Das ilusões do futuro.

Dous horizontes fecham nossa vida.

domingo, 12 de maio de 2013

Um poema pungente de Affonso Romano de Sant'Anna

Separação

de Affonso Romano de Sant'Anna




Desmontar a casa
e o amor. Despregar
os sentimentos das paredes e lençóis.
Recolher as cortinas
após a tempestade
das conversas.
O amor não resistiu
às balas, pragas, flores
e corpos de intermeio.

Empilhar livros, quadros,
discos e remorsos.
Esperar o infernal
juizo final do desamor.

Vizinhos se assustam de manhã
ante os destroços junto à porta:
-pareciam se amar tanto!

Houve um tempo:
uma casa de campo,
fotos em Veneza,
um tempo em que sorridente
o amor aglutinava festas e jantares.

Amou-se um certo modo de despir-se
de pentear-se.
Amou-se um sorriso e um certo
modo de botar a mesa. Amou-se
um certo modo de amar.

No entanto, o amor bate em retirada
com suas roupas amassadas, tropas de insultos
malas desesperadas, soluços embargados.

Faltou amor no amor?
Gastou-se o amor no amor?
Fartou-se o amor?

No quarto dos filhos
outra derrota à vista:
bonecos e brinquedos pendem
numa colagem de afetos natimortos.

O amor ruiu e tem pressa de ir embora
envergonhado.

Erguerá outra casa, o amor?
Escolherá objetos, morará na praia?
Viajará na neve e na neblina?

Tonto, perplexo, sem rumo
um corpo sai porta afora
com pedaços de passado na cabeça
e um impreciso futuro.
No peito o coração pesa
mais que uma mala de chumbo.


video

Esse cara sou eu










quarta-feira, 8 de maio de 2013

Semana de provas!


Pois é!


Sempre estudando, contudo, nunca aprendendo!


PARA ENTENDER O ESPÍRITO DA COISA



A palavra "coisa" é um Bombril do idioma. Tem mil e uma utilidades. É aquele tipo de termo-muleta ao qual a gente recorre sempre que nos faltam palavras para exprimir uma idéia. Coisas do português.

A natureza das coisas: gramaticalmente, "coisa" pode ser substantivo, adjetivo, advérbio. Também pode ser verbo: o Houaiss registra a forma "coisificar". E no Nordeste há "coisar": "Ô, seu coisinha, você já coisou aquela coisa que eu mandei você coisar?".

Coisar, em Portugal, equivale ao ato sexual, lembra Josué Machado. Já as "coisas" nordestinas são sinônimas dos órgãos genitais, registra o Aurélio. "E deixava-se possuir pelo amante, que lhe beijava os pés, as coisas, os seios" (Riacho Doce, José Lins do Rego). Na Paraíba e em Pernambuco, "coisa" também é cigarro de maconha.

Em Olinda, o bloco carnavalesco Segura a Coisa tem um baseado como símbolo em seu estandarte. Alceu Valença canta: "Segura a coisa com muito cuidado / Que eu chego já." E, como em Olinda sempre há bloco mirim equivalente ao de gente grande, há também o Segura a Coisinha.

Na literatura, a "coisa" é coisa antiga. Antiga, mas modernista: Oswald de Andrade escreveu a crônica O Coisa em 1943. A Coisa é título de romance de Stephen King. Simone de Beauvoir escreveu A Força das Coisas, e Michel Foucault, As Palavras e as Coisas.

Em Minas Gerais , todas as coisas são chamadas de trem. Menos o trem, que lá é chamado de "a coisa". A mãe está com a filha na estação, o trem se aproxima e ela diz: "Minha filha, pega os trem que lá vem a coisa!".

Devido lugar: "Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça (...)". A garota de Ipanema era coisa de fechar o Rio de Janeiro."Mas se ela voltar, se ela voltar / Que coisa linda / Que coisa louca." Coisas de Jobim e de Vinicius, que sabiam das coisas.

Sampa também tem dessas coisas (coisa de louco!), seja quando canta "Alguma coisa acontece no meu coração", de Caetano Veloso, ou quando vê o Show de Calouros, do Silvio Santos (que é coisa nossa).

Coisa não tem sexo: pode ser masculino ou feminino. Coisa-ruim é o capeta. Coisa boa é a Juliana Paes. Nunca vi coisa assim!

Coisa de cinema! A Coisa virou nome de filme de Hollywood, que tinha o seu Coisa no recente Quarteto Fantástico. Extraído dos quadrinhos, na TV o personagem ganhou também desenho animado, nos anos 70. E no programa Casseta e Planeta, Urgente!, Marcelo Madureira faz o personagem "Coisinha de Jesus".

Coisa também não tem tamanho. Na boca dos exagerados, "coisa nenhuma" vira "coisíssima". Mas a "coisa" tem história na MPB. No II Festival da Música Popular Brasileira, em 1966, estava na letra das duas vencedoras: Disparada, de Geraldo Vandré ("Prepare seu coração / Pras coisas que eu vou contar"), e A Banda, de Chico Buarque ("Pra ver a banda passar / Cantando coisas de amor"), que acabou de ser relançada num dos CDs triplos do compositor, que a Som Livre remasterizou. Naquele ano do festival, no entanto, a coisa tava preta (ou melhor, verde-oliva). E a turma da Jovem Guarda não tava nem aí com as coisas: "Coisa linda / Coisa que eu adoro".

Cheio das coisas. As mesmas coisas, Coisa bonita, Coisas do coração, Coisas que não se esquece, Diga-me coisas bonitas, Tem coisas que a gente não tira do coração. Todas essas coisas são títulos de canções interpretadas por Roberto Carlos, o "rei" das coisas. Como ele, uma geração da MPB era preocupada com as coisas.

Para Maria Bethânia, o diminutivo de coisa é uma questão de quantidade (afinal,"são tantas coisinhas miúdas"). Já para Beth Carvalho, é de carinho e intensidade ("ô coisinha tão bonitinha do pai"). Todas as Coisas e Eu é título de CD de Gal. "Esse papo já tá qualquer coisa...Já qualquer coisa doida dentro mexe." Essa coisa doida é uma citação da música Qualquer Coisa, de Caetano, que canta também: "Alguma coisa está fora da ordem."

Por essas e por outras, é preciso colocar cada coisa no devido lugar. Uma coisa de cada vez, é claro, pois uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa. E tal coisa, e coisa e tal. O cheio de coisas é o indivíduo chato, pleno de não-me-toques. O cheio das coisas, por sua vez, é o sujeito estribado. Gente fina é outra coisa. Para o pobre, a coisa está sempre feia: o salário-mínimo não dá pra coisa nenhuma.

A coisa pública não funciona no Brasil. Desde os tempos de Cabral. Político quando está na oposição é uma coisa, mas, quando assume o poder, a coisa muda de figura. Quando se elege, o eleitor pensa: "Agora a coisa vai." Coisa nenhuma! A coisa fica na mesma. Uma coisa é falar; outra é fazer. Coisa feia! O eleitor já está cheio dessas coisas!

Coisa à toa. Se você aceita qualquer coisa, logo se torna um coisa qualquer, um coisa-à-toa. Numa crítica feroz a esse estado de coisas, no poema Eu, Etiqueta, Drummond radicaliza: "Meu nome novo é coisa. Eu sou a coisa, coisamente." E, no verso do poeta, "coisa" vira "cousa".

Se as pessoas foram feitas para ser amadas e as coisas, para ser usadas, por que então nós amamos tanto as coisas e usamos tanto as pessoas? Bote uma coisa na cabeça: as melhores coisas da vida não são coisas. Há coisas que o dinheiro não compra: paz, saúde, alegria e outras cositas más.

Mas, "deixemos de coisa, cuidemos da vida, senão chega a morte ou coisa parecida", cantarola Fagner em Canteiros, baseado no poema Marcha, de Cecília Meireles, uma coisa linda. Por isso, faça a coisa certa e não esqueça o grande mandamento: "amarás a Deus sobre todas as coisas".

Não posso atribuir os créditos porque não sei quem escreveu esta coisa!

Era digital




         Com a era digital foi necessário rever os velhos ditados existentes e adaptá-los à nova realidade:

1. A pressa é inimiga da conexão.
 
2. Amigos, amigos, senhas à parte.
 
3. A arquivo dado não se olha o formato.
 
4. Diga-me que chat frequentas e te direi quem és.
 
5. Para bom provedor uma senha basta.
 
6. Não adianta chorar sobre arquivo deletado.
 
7. Em briga de namorados virtuais não se mete o mouse.
 
8. Hacker que ladra não morde.
 
9. Mais vale um arquivo no HD do que dois baixando.
 
10. Mouse sujo se limpa em casa.
 
11. Melhor prevenir do que formatar.
 
12. Quando um não quer, dois não teclam.
 
13. Quem clica seus males multiplica.
 
14. Quem com vírus infecta, com vírus será infectado.
 
15. Quem envia o que quer, recebe o que não quer...
 
16. Quem não tem banda larga, caça com discada.
 
17. Quem semeia e-mails, colhe spams.
 
18. Quem tem dedo vai a Roma.com
 
19. Vão-se os arquivos, ficam os backups.
 
20. Diga-me que computador tens e direi quem és.
 
21. Uma impressora perguntou para a outra: - Essa folha é sua ou é impressão minha?
 
22. Aluno de informática não cola, faz backup.
 
23. Na informática nada se perde nada se cria. Tudo se copia... E depois se cola.

Muitas dúvidas ainda sobre o Acordo Ortográfico


Desconstruindo a frase

ETERNAMENTE

É

TER

NA

MENTE

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Pronomes relativos



São denominados de relativos os pronomes que representam um ser já expresso (antecedente). Entretanto, só isso não basta para caracterizá-los, uma vez que outros pronomes também o fazem. A principal característica do pronome relativo é servir de vínculo gramatical entre duas orações, estabelecendo uma relação de subordinação. É por isso que os pronomes relativos são também chamados de relativos-conjuntivos.  Observe o exemplo abaixo:


"Eu me refiro exatamente as coisas. As coisas vão de mal a pior!

"Eu me refiro exatamente as coisas que vão de mal a pior!
Como se pode perceber, o que, nessa frase, está substituindo o termo "as coisas" e está relacionando a segunda oração com a primeira.

Os principais pronomes relativos são os seguintes:
Variáveis

Invariáveis

O qual (s), a qual (s)

Cujo (s), cuja (s)

Quanto (s), quanta (s)

Que

Quem

Onde (aonde)



EMPREGO DOS PRONOMES RELATIVOS: 

1. Os pronomes relativos virão precedidos de preposição se a regência verbal assim determinar.


PREPOSIÇÃO
PR
VERBO REGENTE
REGÊNCIA VERBAL
Havia condições
com
que
não concordávamos.
Quem concorda, concorda com...
Havia condições
de
que
desconfiávamos.
Quem desconfia, desconfia de...
Havia condições
-
que
nos prejudicavam.
Nos = sujeito
Havia condições
em
que
Insistíamos.
Quem insiste, insiste em...
Havia condições
a
que
nos opúnhamos.
Quem se opõe, se opõe a...


2. O pronome relativo quem se refere a uma pessoa ou a uma coisa personificada.

Não conheço a professora de quem você falou.
Esse é o livro a quem prezo como companheiro.

3. Quando o relativo quem aparecer sem antecedente claro é classificado como pronome relativo indefinido.

Quem atravessou, foi multado.

4. Quando possuir antecedente, o pronome relativo quem virá precedido de preposição.

Daniel era o filho a quem ele amava.

5. O pronome relativo que é o de mais largo emprego, chamado de relativo universal, pode ser empregado com referência a pessoas ou coisas, no singular ou no plural.

Conheço bem a garota que saiu.
Não gostei do terno que comprei.
Eis as ferramentas de que necessitamos.

6. O pronome relativo que pode ter por antecedente o demonstrativo o (a, os, as).

Sei o que digo. (o pronome o equivale a aquilo)

7. Quando precedido de preposição monossilábica, emprega-se o pronome relativo que. Com preposições de mais de uma sílaba, usa-se o relativo o qual (e flexões).

Aquele é o carro com que trabalho.
Aquele é o homem para o qual trabalho.

8. O pronome relativo cujo (e flexões) é relativo possessivo, ou seja, indica posse. Equivale a do qual, de que, de quem. Sempre aparece entre dois substantivos e deve concordar com a coisa possuída, que vem sempre depois dele.

Cortaram as árvores cujos troncos estavam podres.

9. O pronome relativo quanto (s), quanta (s) são pronomes relativos quando seguem os pronomes indefinidos tudo, todos ou todas.

Recolheu tudo quanto viu.

10. O relativo onde deve ser usado somente para indicar lugar e tem sentido aproximado de em que, no qual. 

Esta é a terra onde habito. (Esta é a terra na qual habito, em que habito)

a) onde é denominado de relativo locativo, pois só é utilizado para retomar e substituir termos que contenham a noção de lugar. Onde é empregado com verbos que nos dão ideia de lugar fixo. Pode ser usado sem antecedente.

Nunca mais voltei na cidade onde nasci.

b) aonde é empregado com verbos que dão ideia de movimento e equivale a para onde, sendo resultado da combinação da preposição a + onde.

As pessoas estavam perdidas, sem saber aonde ir.



Ita est!
Prof. Zanon

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Sou um professor apaixonado pela educação, pela literatura, pela língua portuguesa e pela arte de escrever. Como tantos educadores, um idealista. Fascina-me a incomensurável capacidade de transformação do ser humano. Por que me ufano da minha profissão? Porque sei que quando leciono, não estou apenas passando conteúdos, mas também destruindo mitos, dogmas e raciocínios falaciosos que cerceiam a liberdade humana.