quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Estilística

Estilística é o estudo da linguagem no que diz respeito à expressividade, ou seja, à capacidade de emocionar e sugestionar. De modo geral, o estilo se refere mais à redação que à gramática, mas o fato é que redação e gramática se completam: a primeira jamais será perfeita se houver problemas com a segunda.
Alguns problemas de estilo são muito recorrentes nas redações escolares e comprometem a qualidade do texto. Quanto antes nos livrarmos deles melhor.

Os mais comuns são:

ARCAÍSMOS:

Emprego de palavras antiquadas, fora de uso. São muito comuns em redações oficiais. Exemplos:
- Outrossim, informamos ainda que...
- Destarte, informo ainda ao mui digno colega...

CACOFONIA:

Problema fonético. Consiste na junção de duas palavras criando uma palavra nova e inadequada. Exemplos:
- O chefe havia dado ordens.
- Da vez passada nós saímos.
- Ele beijou a boca dela.
- Nesta terra onde abunda a pita...

CHAVÕES:

São expressões antigas, consagradas pelo uso, que hoje já não têm sentido. Tiram a originalidade do texto. Exemplos:
- Venho por meio desta...
- Sem mais para o momento...
- Subscrevemo-nos, firmamo-nos...

CLICHÊS:

Também chamados de lugares-comuns, os clichês são aquelas expressões antigas, desgastadas pelo uso, cujo emprego denota preguiça de pensar. Exemplos:
- chorar lágrimas de sangue
- o astro-rei (sol)
- estar armado até os dentes
- comer o pão que o diabo amassou
- correr atrás do prejuízo 

EXCESSO DE ESTRANGEIRISMOS:

Se existe o termo em português, para que buscá-lo em outra língua? Exemplo:
- Estou aguardando um feedback do meu staff, logo depois do coffee-break, para mandar fazer os folders.

EXCESSO DE QUÊS E PREPOSIÇÕES:

O texto se torna pesado e cansativo. Exemplo:
- Logo que ele telefonou eu disse que esperava que ele resolvesse aquilo que ele dissera que ia resolver.

MÁ COLOCAÇÃO DAS PALAVRAS:

Em matemática "a ordem dos fatores não altera o produto", mas em português... Exemplos:
- Aluga-se casa para jovem de fundos amplos e ventilados.
- Comprou um peixe para o pai grande e muito fresco.

ÓBVIO, VAZIO, SUPÉRFLUO:

Para que dizer ao leitor o que ele já sabe? Exemplos:
- Venho pela presente...
- Sem mais para o momento...
- O terrorismo é uma forma aterrorizante de terror porque aterroriza as pessoas.

ORALIDADE:

Ao escrever usamos a língua culta; ao falar usamos a coloquial. Cuidado, pois, com o uso das expressões coloquiais no texto escrito. Exemplos:
- Pra resolver o problema do terror, a gente precisa de unir.
- certo que todos os países têm problemas, mas a gente tem que tentar, ? Então, a gente precisa junto pra acabar com o terrorismo.

Referência:
PIMENTEL, Carlos. Português descomplicado. 6ª edição. São Paulo: Saraiva, 2009.

Matérias mais antigas:

Minha foto
Sou um professor apaixonado pela educação, pela literatura, pela língua portuguesa e pela arte de escrever. Como tantos educadores, um idealista. Fascina-me a incomensurável capacidade de transformação do ser humano. Por que me ufano da minha profissão? Porque sei que quando leciono, não estou apenas passando conteúdos, mas também destruindo mitos, dogmas e raciocínios falaciosos que cerceiam a liberdade humana.