quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Semana pedagógica na Escola Atuação

Na segunda-feira, 20 de janeiro, teve início a Semana Pedagógica na Escola Atuação. Os professores voltaram ao trabalho uma semana antes que os alunos para organizar a escola para o início do ano letivo.

Além de organizar as agendas, fazer os planejamentos, preparar as avaliações, atualizar dados psicopedagógicos; a programação da Semana Pedagógica também proporciona aos professores um aprimoramento de suas habilidades e um novo ânimo para começar o ano através de palestras e preleções. 

Neste ano começamos muito bem, pois o primeiro palestrante foi Marcos Meier, professor de matemática, psicólogo e mestre em educação. Meier é um dos maiores especialistas brasileiros na Teoria da Modificabilidade Estrutural Cognitiva de Reuven Feuerstein, a famosa teoria da Mediação da Aprendizagem. Ele também é comentarista em rádio e TV sobre a educação de filhos, relacionamentos e desenvolvimento da inteligência. 

Sou um admirador do trabalho e da oratória de Marcos Meier, conforme declarei algum tempo atrás aqui neste blogue, por ocasião de sua titulação como cidadão honorário de Curitiba. http://profzanon.blogspot.com.br/2013/01/discurso-de-marcos-meier-ao-receber-o.html )

Meier discursou por duas horas sob o tema: Novos Desafios, Novas Conquistas: Como Ensinar para Além da Escola. Os alunos se sentem mais motivados quando entendem o valor prático da matéria. Por isso, a escola deve se preocupar com a qualidade e a praticidade de seu ensino. 

De nada adianta o aluno receber passivamente conhecimento teórico e não saber  utilizá-lo para compreender o funcionamento de objetos simples do seu dia a dia. Ele abordou também uma questão preocupante para pais e educadores: como a televisão e as novas mídias interferem no desenvolvimento das crianças de 0 a 3 anos de idade. 

Palestras assim nos ajudam a afiar nossos machados para mais uma jornada escolar, como costuma dizer nosso diretor Ademar. 


Professor Sandro Zanon presenteando Marcos Meier com seu novo livro A Difícil Tarefa de Traduzir

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Lançamento do livro "A Difícil Tarefa de Traduzir", de Sandro Zanon


Finalmente foi lançado o livro A Difícil Tarefa de Traduzir - Suas Armadilhas, Seus Desafios, do professor Sandro Zanon. Trata-se de um trabalho monográfico que recebeu nota máxima da banca examinadora da Universidade Tuiuti do Paraná e foi exposto na Feira de Trabalhos de Conclusão de Cursos da mesma Universidade. 

O livro propõe-se listar as principais armadilhas com as quais se confronta o tradutor, os maiores desafios que se interpõem em seu caminho e como profissionais habilidosos têm transposto esses desafios.  

"A leitura de 'A Difícil Tarefa de Traduzir' é interessante. Sandro Zanon escreve bem, de modo fluente e coloquial. Sem se prender ao rigor acadêmico, traça um panorama cheio de curiosidades sobre o fatídico trabalho dos tradutores."

Professor Daniel T. Phakus 
Professor de História, Geografia, Filosofia e Religião no Colégio Ágora





SINOPSE

Não são raros, na longa história das traduções, os erros que fecundaram textos, produzindo resultados inesperadamente interessantes. Não se trata de erros banais, desses que pululam aos montes em qualquer tradução, literária ou não. Trata-se de erros que mudam rumos dos textos e que produzem reflexões às vezes surpreendentemente criativas.
Este trabalho lista os principais desafios com os quais os tradutores se confrontam e as principais armadilhas nas quais muitos caem.

Um capítulo especial é dedicado às traduções da Bíblia para a língua portuguesa, analisando o porquê de tantas traduções (e revisões) serem lançadas todos os anos.


Características:

Número de páginas: 143
Edição 1 (2014)
Formato: A5 148x210
Acabamento: Brochura com orelhas
Tipo de papel: Offset 75g



O livro está disponível nos formatos impresso e ebook e pode ser adquirido apenas pela internet no Clube de Autores:






Leia abaixo um capítulo deste livro.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Leia um capítulo do livro "A Difícil Tarefa de Traduzir"




3.5 TRADUÇÕES INFELIZES


                A priori, essas críticas podem parecer cruéis demais. Mas quando tomamos conhecimento de alguns erros de tradução que os tradutores cometiam no passado, e que ainda cometem hoje em dia, concluímos que algumas dessas críticas até certo ponto são justificadas. Por exemplo, que tal sentar-se com os amigos num bar, erguer o copo de cerveja e propor uma torrada? Estranho? Pois esse é um dos erros mais comuns dos tradutores distraídos. Let’s make a toast significa “vamos fazer um brinde”, mas, em muitas legendas está como “vamos fazer uma torrada”. Toast é uma das muitas palavras inglesas com dois significados. Outras tragédias de tradução, reunidas pela revista Superinteressante foram:


-          O livro The Physician (O médico), foi traduzido como O físico. Na verdade, “físico” é physicist  em inglês.

-          “Motorista de disco” entrou no lugar de “unidade de disco” na tradução de disk drive, em um dos primeiros livros de informática do Brasil. Motorista, em inglês, é driver.

-          Red herring é uma expressão com o sentido de “pista falsa”, mas muitos dos que se aventuram na tradução não sabem disso. Ela é quase sempre traduzida literalmente como “arenque vermelho”. Na tradução virtual do livro Fit for Life, Heads & Tails, Diet for a New America, a frase “...o cálcio do leite é, de fato, uma pista falsa”; foi traduzida “...o cálcio do leite é, de fato, um arenque vermelho”.

-          O pior de todos os “desacertos” já cometidos em uma tradução para o português brasileiro é tido como mito para a maioria dos tradutores. Mas a prova está disponível no livro A Teoria Política do Individualismo Possessivo: de Hobbes até Locke, para quem quiser conferir. A expressão inglesa the general will, em vez de significar “a vontade geral”, virou o “general Will”. Em resultado disso, quem decidia as coisas em algumas passagens do livro não era a “vontade geral”, mas o autoritário “general Will”. Coincidentemente, o livro foi editado em 1979, tempo de ditadura militar no Brasil.

O tradutor Ivo Barroso diz que confusões como essas são cada vez mais comuns em filmes, livros e seriados. “A TV a cabo gerou uma enorme demanda por tradutores, que nem sempre são bem qualificados”, disse ele. (BARROSO, apud NARLOCH, 2002, p. 26).
Mas não são só os tradutores pouco qualificados que se enganam na hora de traduzir. Um erro clássico de tradução que ficou na história foi cometido pelo famoso e muito bem qualificado tradutor Jerônimo. Ao verter do idioma hebraico para o latim o trecho bíblico de Êxodo capítulo 34 e versículos 29, 30 e 35, ele traduziu que a face do profeta Moisés, depois da palestra com Deus no monte Sinai, “tinha chifres”. A Vulgata Latina, como ficou conhecida essa tradução da Bíblia, gozava de muita popularidade. Muitos artistas se basearam nessa tradução para esculpirem e pintarem o profeta Moisés. Nesses trabalhos Moisés sempre foi retratado “com chifres”. A mais famosa dessas obras é a estátua de Moisés, sentado, esculpida por Michelangelo, que atualmente se encontra na Igreja de São Pedro em Cadeias, em Roma. Quando os visitantes observam essa escultura do século 16, ficam curiosos quanto aos chifres que se projetam da cabeça do profeta hebreu.


Figura 5  “Moisés”, de Michelangelo.

Infelizmente, Michelangelo baseou-se numa tradução equivocada do texto bíblico. A expressão hebraica que Jerônimo verteu por “chifres” tem também o significado de “raios ou “resplandecer. De acordo com o Theological Worldbook of the Old Testament, a palavra denota o “formato de chifres” em vez de a “substância”. (apud Revista A Sentinela, 15.03.90, p. 7). Encarados pictoricamente, raios de luz realmente se assemelham a chifres. A partir deste erro têm-se séculos de pinturas e esculturas de Moisés com chifres, e o pior de tudo, o estranho e ofensivo estereótipo do judeu de chifres.
O fato é que a história teria sido outra se Michelangelo tivesse se baseado numa outra tradução da Bíblia que não A Vulgata Latina.
Outro renomado tradutor que tropeçou em algumas expressões ao traduzir o clássico Ulisses, de James Joyce, foi o tradutor e filólogo Antônio Houaiss. Em 1966, quando Houaiss traduziu Ulisses para o português, colocou a disposição dos leitores brasileiros a única alternativa para aqueles que desejassem se aventurar pela exigente leitura do escritor irlandês. Em 2005, foi lançada uma nova tradução da obra, um trabalho que levou sete anos para ser concluído pela tradutora e professora de literatura da UFRJ, Bernardina da Silveira Pinheiro. A tradução de Houaiss continha falhas que foram corrigidas pela versão de Bernardina da Silveira Pinheiro, como os exemplos abaixo:

“Uma frase, então, de impaciência, ruflar do excesso de asas de Blake.” (A. Houaiss)
“Uma frase, então, de impaciência, um golpe das asas de intemperança de Blake.” (B. S. Pinheiro) 

Comentário: Joyce faz uma referência ao poeta inglês William Blake (1757-1827). Houaiss errou ao trocar a ordem dos elementos. Bernardina é mais fiel ao original, “asas do excesso”. (Revista Veja, 15.06.05, p. 129).

“O dia em que a peguei na rua pintando as faces para fazê-las coradas.” (A. Houaiss)
“O dia em que a peguei beliscando as bochechas para torná-las vermelhas.” (B. S. Pinheiro)

                Comentário: O protagonista Leopold Bloom lembra dos expedientes usados por sua filha Milly na falta de maquiagem. Houaiss não pescou a malandragem da menina. (ibidem, p. 129).

“Mulheres da imprensa avançam para tocar a fímbria do manto de Bloom.” (A. Houaiss)
“Mulheres se comprimem para tocar a orla da túnica de Bloom.” (B. S. Pinheiro)

                Comentário: Houaiss interpretou erroneamente o verbo press (empurrar, comprimir) como substantivo – daí inventando as tais “mulheres da imprensa”. (ibidem, p. 129).

                Quando analisamos exemplos como esses, e percebemos que até mesmo tradutores bem experimentados tropeçam ao verter algumas expressões, inevitavelmente nos perguntamos: Por que ocorrem esses erros? Por que a tarefa de traduzir acaba, mais cedo ou mais tarde, apanhando até mesmo os mais destros tradutores em suas emboscadas? Ao considerarmos as principais armadilhas da tradução no próximo tópico entenderemos porque isso acontece.


Capítulo 3 do livro: A Difícil Tarefa de Traduzir - Suas Armadilhas, Seus Desafios, do professor Sandro Zanon. 

Para adquirir o livro no Clube de Autores, acesse:


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Enquanto a chuva cai




Enquanto a chuva cai


A chuva cai. O ar fica mole . . .
Indistinto . . . ambarino . . . gris . . .
E no monótono matiz
Da névoa enovelada bole
A folhagem como o bailar.


Torvelinhai, torrentes do ar!


Cantai, ó bátega chorosa,
As velhas árias funerais.
Minh'alma sofre e sonha e goza
À cantilena dos beirais.


Meu coração está sedento
De tão ardido pelo pranto.
Dai um brando acompanhamento
À canção do meu desencanto.


Volúpia dos abandonados . . .
Dos sós . . . — ouvir a água escorrer,
Lavando o tédio dos telhados
Que se sentem envelhecer . . .


Ó caro ruído embalador,
Terno como a canção das amas!
Canta as baladas que mais amas,
Para embalar a minha dor!


A chuva cai. A chuva aumenta.
Cai, benfazeja, a bom cair!
Contenta as árvores! Contenta
As sementes que vão abrir!


Eu te bendigo, água que inundas!
Ó água amiga das raízes,
Que na mudez das terras fundas
Às vezes são tão infelizes!


E eu te amo! Quer quando fustigas
Ao sopro mau dos vendavais
As grandes árvores antigas,
Quer quando mansamente cais.


É que na tua voz selvagem,
Voz de cortante, álgida mágoa,
Aprendi na cidade a ouvir
Como um eco que vem na aragem
A estrugir, rugir e mugir,

O lamento das quedas-d'água!

Manuel Bandeira

Paisagem noturna



Paisagem noturna


A sombra imensa, a noite infinita enche o vale . . .
E lá do fundo vem a voz
Humilde e lamentosa
Dos pássaros da treva. Em nós,
— Em noss'alma criminosa,
O pavor se insinua . . .
Um carneiro bale.
Ouvem-se pios funerais.
Um como grande e doloroso arquejo
Corta a amplidão que a amplidão continua . . .
E cadentes, metálicos, pontuais,
Os tanoeiros do brejo,
— Os vigias da noite silenciosa,
Malham nos aguaçais.


Pouco a pouco, porém, a muralha de treva
Vai perdendo a espessura, e em breve se adelgaça
Como um diáfano crepe, atrás do qual se eleva
A sombria massa
Das serranias.


O plenilúnio via romper . . . Já da penumbra
Lentamente reslumbra
A paisagem de grandes árvores dormentes.
E cambiantes sutis, tonalidades fugidias,
Tintas deliqüescentes
Mancham para o levante as nuvens langorosas.


Enfim, cheia, serena, pura,
Como uma hóstia de luz erguida no horizonte,
Fazendo levantar a fronte
Dos poetas e das almas amorosas,
Dissipando o temor nas consciências medrosas
E frustrando a emboscada a espiar na noite escura,
— A Lua
Assoma à crista da montanha.
Em sua luz se banha
A solidão cheia de vozes que segredam . . .


Em voluptuoso espreguiçar de forma nua
As névoas enveredam
No vale. São como alvas, longas charpas
Suspensas no ar ao longe das escarpas.
Lembram os rebanhos de carneiros
Quando,
Fugindo ao sol a pino,
Buscam oitões, adros hospitaleiros
E lá quedam tranqüilos ruminando . . .
Assim a névoa azul paira sonhando . . .
As estrelas sorriem de escutar
As baladas atrozes
Dos sapos.


E o luar úmido . . . fino . . .
Amávico . . . tutelar . . .
Anima e transfigura a solidão cheia de vozes . . .



Teresópolis, 1912
Manuel Bandeira


quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

O primeiro bacalhau que preparei!






Pois é! Bateu aquela vontade de comer alguma coisa diferente! Que tal um bacalhau?
A companhia era boa: Jorge Sauerbier e família nos visitando. A receita? Muito simples:



BACALHAU "AGOSTO"

Bacalhau (tipo e quantidade a gosto)
Azeite de Oliva (marca e quantidade a gosto)
Azeitonas (tipo e quantidade a gosto)
Pimentões (cores e quantidades a gosto)
Batatas (quantidade a gosto)
Arrumação na forma (a gosto)
Tempo de forno (a gosto)

Uma delícia! 

Bem, foi a primeira vez que fiz, né? Ficou um pouquinho salgado e as batatas ficaram meio durinhas. Mas nada que nos impedisse de comer, repetir, repetir e repetir!

No outro dia: Vinte voltas ao redor do Parque dos Tropeiros!


Prof. Zanon

A morte





Algumas pérolas de Mário Quintana

DO AMOROSO ESQUECIMENTO
Eu, agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?





DA DISCRIÇÃO
Não te abras com teu amigo
Que ele um outro amigo tem.
E o amigo do teu amigo
Possui amigos também...





DA OBSERVAÇÃO
Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio...


Mario Quintana

R.I.P.



"Vai, amiga de nós todos,
encontrar-se com seu amado, 
com o homem de sua vida,
seu amigo, marido, mentor e norteador.

Já não valia mais a pena viver sem ele,
pois ele era seu tudo.
Vai em paz, pois tudo o que fizeste de bom
te acompanhará: sua lealdade, hospitalidade,
ternura, bondade e compaixão.

Foram desonestos contigo,
como o são com todos os que pensam.
Mas tudo está registrado no livro ata do
Grande Juiz de nós todos.

Um nome é melhor do que um bom óleo.
Seu nome hoje é tão grandioso quanto o dele.
Não eram realidade e sombra,
Eram Boaz e Jaquim: duas colunas de cobre
No templo do meu Deus.

Eram dois servos sábios e prudentes,
Que viveram e morreram com um único
objetivo em mente: servir a Deus e amar ao próximo!
Suas ações ecoarão em todos os corações 
dos que buscam a verdade.

Virá a hora 
em que vosso descanso no túmulo memorial
será interrompido pela voz do grande juiz 
designado pelo Pai,
e vocês voltarão!"


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Minha foto
Sou um professor apaixonado pela educação, pela literatura, pela língua portuguesa e pela arte de escrever. Como tantos educadores, um idealista. Fascina-me a incomensurável capacidade de transformação do ser humano. Por que me ufano da minha profissão? Porque sei que quando leciono, não estou apenas passando conteúdos, mas também destruindo mitos, dogmas e raciocínios falaciosos que cerceiam a liberdade humana.