sexta-feira, 28 de março de 2014

Mais um lindo poema de Florbela Espanca musicado pelo inexcedível Raimundo Fagner



Fanatismo


Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver !
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida !


Não vejo nada assim enlouquecida ...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida !


"Tudo no mundo é frágil, tudo passa ..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim !


E, olhos postos em ti, digo de rastros :
"Ah ! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus : Princípio e Fim ! ..."


Florbela Espanca
Livro de Soror Saudade (1923)




terça-feira, 18 de março de 2014

Para filosofar!

A grandeza do conhecimento

         O conhecimento e a racionalidade nos tornam humanos e superiores aos outros seres. Como diz Pascal, o homem é frágil, um grão de matéria no universo, mas esse “quase nada” pensa, raciocina, conhece.  A importância do conhecimento é imensa. Tanto que vamos examinar três razões por que necessitamos dele.

Conhecer para satisfazer a curiosidade

         É o espanto, a surpresa perante o “novo” que desencadeia nossa atividade intelectual. Começamos a pensar quando estamos diante do não familiar, do estranho. Como seres racionais, impõe-se a nós a necessidade de entender, de ter uma explicação.
         Essa necessidade já se faz sentir na conhecida curiosidade infantil. Desde cedo, a criança quer saber o “o quê”, o “como” e o “porquê” das coisas. E carregamos essa curiosidade conosco a vida toda.
         Negar respostas aos homens é desrespeitá-los em sua própria natureza. A ignorância é talvez a raiz de todos os outros males, porque fere o homem no que lhe é mais específico: a racionalidade. Daí a gravidade social do descaso pela educação: ele impede a democratização do conhecimento, o acesso à consciência das condições de vida dos indivíduos e de como melhorá-las [...].

Conhecer para se sentir seguro

         O espanto perante o “novo” gera angústia, por não sabermos como nos afeta a realidade desconhecida. Observe como nos sentimos num “ambiente estranho”; como nos sentimos antes ou durante um “primeiro encontro”; como se sentem pessoas com “doenças ainda não curáveis”; ou como nos sentimos em relação ao “pós-morte”. Nossa segurança psicológica baseia-se na posse de informações objetivas que nos permitem dominar a realidade à nossa volta.
         A desinformação e a falta de incentivo ao conhecimento, à reflexão e à analise constituem a forma mais cruel de manter o homem e a sociedade inteira assustados e angustiados em sua ignorância.
         Nessas condições, não há crescimento humano possível, pois o homem está encurralado e o papel de sujeito está vago! Infelizmente, há os que preferem manter o povo assim, acreditando que “gado assustado segue o chicote...”.

Conhecer para transformar

         Conhecer é para o homem uma questão de sobrevivência. Os seres vivos, para sobreviver, em geral adaptam-se ao meio. Conhecendo o meio, o homem adapta-se a ele e o transforma.
         Observe, por exemplo, a arte de morar. Nossos ancestrais, ao procurar uma proteção segura contra o vento, o sol, a chuva, o frio, começaram a fazer simples abrigos, à semelhança das casas do joão-de-barro.
         Hoje, a casa do homem tem iluminação elétrica, água corrente (quente e fria!), dezenas de andares, escadas e elevadores, paredes de aço e concreto, calefação central e ar refrigerado. A casa do joão-de-barro, porém, sequer tem portas! Tem permanecido inalterável ao longo das eras! O joão-de-barro não entende, não explica, não transforma: apenas adapta-se.
         Maravilhosa racionalidade a nossa! Mas frustrada existência humana! Sim, pois a qualidade de vida dos homens melhora com as transformações que fazemos. Invenções e recursos técnicos facilitam nossa vida. Só que a maior parte da humanidade ainda não tem acesso sequer aos bens mínimos necessários à vida.


(Cassiano Cordi et al. Para filosofar. São Paulo, Scipione, 1995. p. 32-34.) 

domingo, 9 de março de 2014

Perca ou Perda?

Perda é substantivo. Geralmente vem precedido de um artigo: o, a, os, as; um, uma, uns, umas.




Perca é verbo (uma flexão do verbo perder). Quando aparece assim, pode estar flexionado no presente do subjuntivo (Que eu perca, que ele perca), ou no imperativo afirmativo (perca ele). 




Outras frases nas quais aparecem:

- Houve uma perda irreparável! (Observe o artigo antes).
- A perda foi de 80%. (Olha o artigo aí novamente).

- É preciso que você perca cinco quilos para chegar ao peso ideal.
- Não perca a hora!



Ita est!
Prof. Zanon

Eu OPTO ou ÓPITO ou OPITO?




O correto é OPTO.

O verbo OPTAR não tem "i". Então, no presente do indicativo fica assim:

Eu opto
Tu optas
Ele opta
Nós optamos
Vós optais
Eles optam

No pretérito perfeito, assim:

Eu optei
Tu optaste
Ele optou
Nós optamos
Vós optastes
Ele optaram

Ita est!
Prof. Zanon

quinta-feira, 6 de março de 2014

Aos meus inquiridores: uma reflexão!




MAIS ou MAS ou MÁS?

É muito comum confundir mas com mais. Isso ocorre porque na fala não fica bem marcada a diferença de pronúncia, ocorrendo uma generalização do mais. E quando vamos escrever surge mais uma dúvida: não seria más, com acento?

Existem as três formas e cada uma serve a um fim específico. Vamos aos usos:



* MAIS = opõe-se a menos. 



Observe os exemplos:

- Hoje estou mais cansado. (Hoje estou menos cansado).
- Compareceram mais pessoas que o esperado. (Compareceram menos pessoas que o esperado).



* MAS = indica ideia contrária. (Pode ser substituída por porém, contudo, todavia etc.)




Observe os exemplos:

- Estudou mas foi reprovado. (Estudou, porém foi reprovado).
- Foi reprovado, mas não desistiu. (Foi reprovado, contudo não desistiu).



* MÁS = plural do adjetiva má, opõe-se a boas.




Observe os exemplos:

- "Más companhias estragam hábitos úteis". (Boas companhias estimulam hábitos úteis).
-   Estavam com más intenções. (Não tinham boas intenções).


Ita Est!
Prof. Zanon

quarta-feira, 5 de março de 2014

Vou à ou a terra?



A palavra terra, no sentido de terra firme, solo, chão (= oposto a estar "a bordo") não recebe artigo definido. Portanto, na expressão "Vou a terra"; este "a" é apenas uma preposição. Não ocorre uma fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a", logo; não ocorre crase e o "a" não deve receber acento grave. O correto é: Vou a terra.

O mesmo vale para a expressão "[...] a bordo". Não ocorre crase.




Placas como a próxima estão acentuadas erroneamente:



No entanto, qualquer outra palavra terra, inclusive o planeta Terra, recebe o artigo definido, e sendo este o caso, haverá crase.

Exemplos:

- Vou à terra da minha parentela. (Volto da terra da minha parentela).
- Irei à terra natal. (Voltarei da terra natal)
- Depois de muitos dias no mar, o navio chegou à terra procurada.


Ita est!
Prof. Zanon

Foi demais para ele!


Perguntaram certa vez ao presidente João B. Figueiredo o que ele faria se tivesse que viver com um salário mínimo. Ele, com a franqueza (ou seria melhor dizer rudeza) de sempre, respondeu: "Se tivesse que sobreviver com um salário mínimo eu daria um tiro na minha cabeça".

Estereótipos culturais


Matérias mais antigas:

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Sou um professor apaixonado pela educação, pela literatura, pela língua portuguesa e pela arte de escrever. Como tantos educadores, um idealista. Fascina-me a incomensurável capacidade de transformação do ser humano. Por que me ufano da minha profissão? Porque sei que quando leciono, não estou apenas passando conteúdos, mas também destruindo mitos, dogmas e raciocínios falaciosos que cerceiam a liberdade humana.