domingo, 15 de junho de 2014

Falácias - O que são? Como reconhecê-las?


Na lógica e na retórica, uma falácia é um argumento logicamente inconsistente, sem fundamento, inválido ou falho na capacidade de provar eficazmente o que se alega.

Argumentos que se destinam à persuasão podem parecer convincentes para grande parte do público apesar de conterem falácias, mas não deixam de ser falsos por causa disso.

Reconhecer as falácias é por vezes difícil!

Os argumentos falaciosos podem ter validade emocional, íntima, psicológica, mas não validade lógica.

É importante conhecer os tipos de falácia para evitar armadilhas lógicas na própria argumentação e para analisar a argumentação alheia.

É importante observar que o simples fato de alguém cometer uma falácia não invalida toda a sua argumentação.

Ninguém pode dizer:

"Li um livro de Rousseau, mas ele cometeu uma falácia, então todo o seu pensamento deve estar errado".

A falácia invalida imediatamente o argumento no qual ela ocorre, o que significa que só esse argumento específico será descartado da argumentação, mas pode haver outros argumentos que tenham sucesso.

Por exemplo, se alguém diz:

"O fogo é quente e sei disso por dois motivos”:

1. ele é vermelho;

2. Medi sua temperatura com um “termômetro".

A premissa 1 deve ser descartada, pois é falaciosa, mas a argumentação não está de todo destruída, em virtude da premissa 2.



Tipologia das falácias:


1)- Falácia do Acidente:

Quando se considera essencial o que é apenas acidental.

Ex.: “A maior parte dos políticos são corruptos. Então a política é corrupta.”

2)- Falácia Inversão do acidente:

Tomar uma exceção como regra.

Ex.: Se deixarmos os doentes terminais usarem heroína, devemos deixar todos usá-la.

3)- Falácia da Afirmação do consequente:

Essa falácia ocorre quando se tenta construir um argumento condicional que não está nem do modus ponens (afirmação do antecedente) nem do modus tollens (negação do consequente). A sua forma categórica é:

Se A, então B.
B, então A.

Ex.: Se há carros, então há poluição. Há poluição. Logo, há carros.

Carros é uma causa necessária para poluição, não a única causa.

4)- Falácia da Negação do antecedente:

Essa falácia ocorre quando se tenta construir um argumento condicional que não está nem do modus ponens (afirmação do antecedente) nem do modus tollens (negação do consequente). A sua forma categórica é:

Se A, então B.

Não A    
   
Então não B.

Ex.: Se há carros, então há poluição. Não há carros. Logo, não há poluição.

Carros, como já foi provado, são uma causa necessária para poluição, não a única causa.

5)- Falácia da Anfibologia ou ambiguidade:

Ocorre quando as premissas usadas no argumento são ambíguas devido à má elaboração sintática.

Ex.:
1.    Venceu o Brasil a Argentina.
2.    Ele levou o pai ao médico em seu carro.

Quem venceu? Carro de quem?

6)- Falácia do Apelo à autoridade anônima:

Fazer afirmações recorrendo a autoridades sem citar a fonte.

Ex.: “Os peritos” dizem que a melhor maneira de prevenir uma guerra nuclear é estar preparado para ela.

Que peritos?

7)- Falácia do Apelo à emoção:

Recorrer à emoção para validar o argumento.

Ex.: Apelo ao júri para que contemple a condição do réu: Um homem pobre e sofrido que agora passa pelo transtorno de ser julgado em tribunal.

8)- Falácia do Apelo à novidade:

Argumentar que o novo é sempre melhor.

Ex.: Na filosofia, Sócrates já está ultrapassado. É melhor Sartre, pois é mais recente.

9)- Falácia do Apelo à vaidade:

Provocar a vaidade do oponente para vencê-lo.

Ex.: Não acredito que uma pessoa culta como você acredita nisto...

10)- Falácia do Apelo ao preconceito:

Associar valores morais a uma pessoa ou coisa para convencer o adversário.

Ex.: Uma pessoa religiosa como você não é capaz de argumentar racionalmente comigo.

A pessoa e não o argumento é estigmatizada, e o argumento em si não é refutado.

11)- Falácia do Apelo ao ridículo:

Ridicularizar um argumento como forma de derrubá-lo.

Ex.: Se as teorias da evolução e Criação fossem verdadeiras, significaria que o seu tataravô seria um gorila, e os jarros de barro nossos parentes...

12)- Falácia do Apelo à antiguidade ou tradição:

Afirmar que algo é verdadeiro ou bom porque é antigo ou "sempre foi assim".

Ex.: Se o meu avô diz que Garrincha foi melhor que Pelé, e que a Maçonaria é coisa totalmente boa, deve ser verdade.

13)- Falácia do Apelo à força:

Utilização de algum tipo de privilégio, força, poder ou ameaça para impor a conclusão.

Ex.: Acredite no que eu digo, e não se esqueça de quem é que paga o seu salário, portanto, saiba com quem está falando...

14)- Falácia do Apelo à consequência:

Considerar uma premissa verdadeira ou falsa conforme sua consequência desejada.

Exemplos:

1.    Se Deus existe, então temos direito à vida eterna. Cobiçamos a vida eterna. Então Deus existe, e nem tudo é permitido.

2.    Se Deus não existe, não precisamos temer punições no pós-vida. Não cobiçamos penas no pós-vida. Então, Deus não existe, portanto, tudo é permitido.

Nestes dois exemplos a premissa é válida apenas porque a conclusão nos agrada de forma pessoal.

15)- Falácia do Apelo à riqueza:

Essa falácia é a de acreditar que dinheiro é fator de estar correto. Aqueles mais ricos são os que provavelmente estão certos.

Ex.: O Barão é um homem vivido e conhece como as coisas funcionam. Se ele diz que é bom, há de ser.

16)- Falácia do Ataque ao argumentador:

Em vez de o argumentador provar a falsidade do enunciado, ele ataca a pessoa que fez o enunciado.

Ex.: Se foi um burguês quem disse isso, certamente é engodo.

17)- Falácia do Apelo à ignorância:

Tentar provar algo a partir da ignorância quanto à sua validade.

Ex.: Ninguém conseguiu provar que Deus não existe, logo ele existe.

18)- Falácia do Argumentum ad lapidem:

Desqualificar uma afirmação como absurda, mas sem provas.

Ex.: João, ministro da educação, é acusado de corrupção e defende-se dizendo: 'Esta acusação é um disparate, e intriga infunda da oposição’

Baseado em quê?

19)- Falácia do Apelo à pobreza – (Oposto ao ad Crumenam):

Essa é a falácia de assumir que, apenas porque alguém é mais pobre, então é mais virtuoso e verdadeiro.

Ex.: Joãozinho é pobre e deve ter sofrido muito na vida. Se ele diz que isso é uma inverdade, eu acredito.

20) Falácia do Apelo ao medo:

Apelar ao medo para validar o argumento.

Ex.: Vote no candidato tal, pois se o candidato adversário vencer vai trazer a ditadura e todas as mazelas de volta.

21)- Falácia do Apelo à misericórdia:

Consiste no recurso à piedade ou a sentimentos relacionados, tais como solidariedade e compaixão, para que a conclusão seja aceita, embora a piedade não esteja relacionada com o assunto ou com a conclusão do argumento. Do argumento ad misericordiam deriva oargumentum ad infantium.

Exemplo:

"Faça isso pelas crianças". 

A emoção é usada para persuadir as pessoas a apoiar (ou intimidá-las a rejeitar) um argumento com base na emoção, mais do que em evidências ou razões.

22)- Falácia da Repetição nauseante:

É a aplicação da repetição constante e a crença incorreta de que, quanto mais se diz algo, mais correto está.

Ex.: Se Joãozinho diz tanto que sua ex-namorada é uma mentirosa, então ela é.

23)- Falácia do Apelo ao povo ou à maioria:

É a tentativa de ganhar a causa por apelar a uma grande quantidade de pessoas.

Ex.: A maioria o elegeu, portanto, é porque ele (a) é incorruptível.

24)- Falácia do Apelo à temperança:

Recorrer ao meio-termo sem razão.

Ex.: Não temos relógio, mas alguns estão dizendo que são dez horas e outros dizem que são seis horas, então é mais acertado supor que são oito horas.

25)- Falácia do Apelo à autoridade ou Magister dixit (Meu mestre disse):

Argumentação baseada no apelo a alguma autoridade reconhecida para comprovar a premissa.

Ex.: Se Aristóteles disse isto, então é verdade incontestável.

26)- Falácia do Argumentum verbosium (prova por verbosidade):

Tentativa de esmagar os envolvidos pelo discurso prolixo, apresentando um enorme volume de material. Superficialmente, o argumento parece plausível e bem pesquisado, mas é tão trabalhoso desembaraçar e verificar cada fato comprobatório que pode acabar por ser aceite sem ser contestado.

27)- Falácia da Bola de neve:

Elaborar uma sucessão de premissas e conclusões que conduzem ao absurdo.

Ex.: Se aprovarmos leis contra as armas automáticas, não demorará muito até aprovarmos leis contra todas as armas e então começaremos a restringir todos os nossos direitos. Acabaremos por viver num estado totalitário. Portanto não devemos banir as armas automáticas.

28)- Falácia do Bulverismo:

Argumentar partindo do pressuposto de que o oponente já está comprovadamente errado.

Exemplos:

1.    Você está dizendo que a Bíblia é correta? Nem vou discutir com você, parei. Sabemos que a ciência comprovadamente explica tudo corretamente e sem falhas, a bíblia não,

2.    Se você não acredita que a Bíblia é infalível, já perdeu o argumento, pois é óbvio que ela é.

Nos dois exemplos acima,é mero egocentrismo ideológico.

29)- Falácia da Causa complexa:

Supervalorizar uma única causa quando há várias, ou um sistema de causas.

Exemplos:

1.O acidente não teria ocorrido se não fosse a má localização do arbusto.

2.Ao longo da história da humanidade,houveram muitas guerras por causa de religião, portanto, se não houvessem religiões, não haveria guerras e o mundo viveria em Paz.

Houve muitas outras causas envolvidas no acidente e nas guerras.

30)- Falácia da Causa diminuta:

Apontar uma causa irrelevante.

Ex.: Fumar causa a poluição do ar em Edmonton.

Ora,a causa maior é a poluição industrial e dos automóveis e não de cigarros.

31)- Falácia do Complexo do pombo enxadrista:

Proclamar vitória, dando a entender que venceu a discussão, sem ter conseguido realmente apresentar bons argumentos que refutassem o adversário.

32)- Falácia da Conclusão irrelevante:

Obter uma conclusão com que nem todos concordam.

Ex.: A lei deve estipular um sistema de cotas nas eleições para que as mulheres possam ocupar mais cargos políticos. Os cargos são dominados por homens e não fazer algo para mudar essa situação é inaceitável. Necessitamos de uma sociedade mais igualitária.

33)- Falácia da Definição circular:

Definir um termo usando o próprio termo que está sendo definido.

Ex.: A Bíblia é a Palavra de Deus porque ela diz que é.

34)- Falácia da Definição contraditória:

Definir algo com termos que se contradizem.

Ex.: O ditador que diz: Para serem livres, submetam-se a mim.

35)- Falácia da Definição muito ampla:

Ex.: Uma maçã é um objeto vermelho e redondo.O planeta Marte também é vermelho e redondo, portando, ambos são muito semelhantes.

36)- Falácia da Definição muito restrita:

Ex.: Uma maçã é um objeto vermelho e redondo.Há maçãs que não são vermelhas,portanto, a maçãs não são semelhantes.

37)- Falácia da Definição obscura:

Definir algo em termos imprecisos ou incompreensíveis.

Ex.: Vida é a borboleta sublime que bate suas asas dentro de nós.

38)- Falácia do Argumento das lacunas:

Responder a questões sem solução com explicações sobrenaturais, e ou, que não podem ser comprovadas.

Exemplos:

1.Os passageiros do avião sobreviveram porque Deus interveio no acidente.

2.Se Deus é bom é permite o mal e o sofrimento, então, ou Ele é mal, ou não existe.

39)- Falácia do Dicto simpliciter (regra geral):

Ocorre quando uma regra geral é aplicada a um caso particular onde a regra não deveria ser aplicada.

Ex.: Se você matou alguém, deve ir para a cadeia.

Não se aplica a certos casos, quando há legítima defesa, ou não houve intenção de matar.

40)- Falácia da Generalização apressada (falsa indução):

É o oposto do Dicto simpliciter. Ocorre quando uma regra específica é atribuída ao caso genérico - (Do particular para o Universal):

Ex.: Minha namorada me traiu. Logo, as mulheres tendem à traição.

41)- Falácia da Distorção de fatos:

Mascarar os verdadeiros fatos.

Ex.: O segredo da minha beleza é tomar um copo de água todas as manhãs.

É pura omissão de informação.

42)- Falácia do Egocentrismo ideológico:

Realizar um argumento de forma parcial e tendenciosa.

Ex.: O comunismo é o ideal, pois Trotsky disse que...

43)- Falácia da Ênfase:

Acentuar uma palavra para sugerir o contrário.

Ex.: Hoje o capitão estava sóbrio (sugerindo embriaguês).

44)- Falácia do Equívoco:

Usar uma afirmação com significado diferente do que seria apropriado ao contexto.

Ex.: Os assassinos de crianças são desumanos. Portanto,humanos não matam crianças.

Joga-se com os significados das palavras, neste caso: humanos.

45)- Falácia do Estilo sem substância:

Validar um argumento por sua beleza estética ou pela elegância do argumentador.

Ex.: Hitler sabe dirigir as massas. Ele deve ter razão no que fala.

46)- Falácia da Evidência anedótica:

Refere-se a uma evidência informal na forma de anedota (conto, episódio, derivado do grego anékdota, significando 'coisas não publicadas'), ou de "ouvir falar". A evidência anedótica é chamada de testemunho.

Ex.: “Há provas abundantes de que os Extras Terrestres existem. Na semana passada, li sobre uma pessoa que teve um contato de primeiro grau com um deles, e vi pelas suas palavras e expressões que seu testemunho era verdadeiro.”

47)- Falácia da Explicação incompleta:

Ex.: As pessoas tornam-se esquizofrênicas porque as diferentes partes dos seus cérebros funcionam separadas.

Baseado em que ?

48)- Falácia da Explicação superficial:

Usar classificações para tirar conclusões.

Ex.: A minha gata Elisa gosta de atum porque toda gata gosta de Atum.

49)- Falácia da Expulsão do Grupo (falácia do escocês):

Fazer uma afirmação sobre uma característica de um grupo e, quando confrontado com um exemplo contrário, afirmar que este exemplo não pertence realmente ao grupo.

Ex.:

- Nenhum escocês coloca açúcar em seu mingau.
- Ora, eu tenho um amigo escocês que faz isso.
- Ah, sim, mas nenhum escocês de verdade coloca.

50)- Falácia da divisão (tomar a parte pelo todo):

Oposto da falácia de composição. Supõe que uma propriedade do todo é aplicada a cada parte.

Ex.: Você deve ser rico, pois estuda em um colégio de ricos.

A pessoa pode simplesmente ter conseguido uma bolsa de estudos.

51)- Falácia da Falácia da pressuposição negativa:

Consiste na inclusão de uma pressuposição que não foi previamente esclarecida como verdadeira, ou seja, na falta de uma premissa.

Ex.: Você já parou de bater na sua esposa?

É uma pergunta maliciosa.

52)- Falácia do espantalho Proselitista:

Consiste em criar ideias reprováveis ou fracas, atribuindo-as à posição oposta.

Exemplos:

1.    Deveríamos abolir todas as religiões do mundo. Só assim haveria paz verdadeira.

2.    Meu adversário, por ser de um partido de direita não é confiável, pois  todos que são da direita são a favor do Liberalismo, privatização, do Capitalismo Selvagem, e não tem escrúpulos, pois para eles os fins justificam os meios.

O outro é convertido num monstro, um espantalho, para angariar as simpatias dos demais eleitores em seu favor.

53)- Falácia genética:

Consiste em aprovar ou desaprovar algo baseando-se unicamente em sua origem.

Ex.: Você gosta de chocolate porque seu antepassado do século XVIII também gostava.
Aponta-se a causa remota como o fator de validade presente.

54)- Falácia nomotética:

Consiste na crença de que uma questão pode ser resolvida simplesmente dando-lhe um novo nome, quando na realidade, a questão permanece sem solução.

55)- Falácia non causae ut causae (falácia da falsa proclamação de vitória ou tratar como prova o que não é prova):

Consiste na declaração de vitória, servindo-se de respostas fracas ou incompletamente respondidas pelo adversário, quando efetivamente os argumentos próprios não provaram logicamente a posição. É semelhante à do pombo enxadrista.

56)- Falácias tipo "A" baseado em "B" (outro tipo de conclusão sofismática):

Ocorrem dois fatos. São colocados como similares por serem derivados ou similares a um terceiro fato.

Ex.:
1.    O islamismo é baseado na fé.
2.    O cristianismo é baseado na fé.
3.    Logo, o islamismo é similar ao cristianismo.

É uma falsa aplicação do princípio do silogismo.

57)- Falácia da Falsa causa:

Afirma que, apenas porque dois eventos ocorreram juntos, eles estão relacionados.

Ex: Nota-se uma maior frequência de erros de português em sala de aula desde o início das redes sociais e o uso do internetês. O advento das redes sociais vem degenerando o uso do português correto.

Falta mostrar com fatos e dados uma pesquisa que o comprove.


58)- Falácia da Falsa dicotomia (bifurcação):

Também conhecida como falácia do branco e preto ou do falso dilema. Ocorre quando alguém apresenta uma situação com apenas duas alternativas, quando de fato outras alternativas existem ou podem existir.

Ex.: Se você não é de Esquerda, e não acredita em Deus,então não presta,e não é confiável politicamente.

Política e religião não define caráter

59)- Falácia da Ignoratio elenchi (conclusão sofismática) ou falácia da conclusão irrelevante:

Consiste em utilizar argumentos que podem ser válidos para chegar a uma conclusão que não tem relação alguma com os argumentos utilizados.

Ex.: Os astronautas do Projeto Apollo eram bem preparados, todos eram excelentes aviadores e tinham boa formação acadêmica e intelectual, além de apresentarem boas condições físicas. Logo, foi um processo natural os EUA ganharem a corrida espacial contra a União Soviética, pois o povo americano é superior ao povo russo.

As premissas são verdadeiras, porém, a conclusão é discutível.

60)- Falácia da Invenção de fatos:

Consiste em mentir ou formular informações imprecisas.
Ex.: Segundo os Ocidentais, a causa da gripe é o consumo do arroz vindo do Oriente.

61)- Falácia da Inversão de causa e efeito:

Considerar um efeito como uma causa.
Ex.: A propagação da  A I D S  foi provocada pela educação sexual.

62)- Falácia do Inversão do ônus da prova:

Quando o argumentador transfere ao seu opositor a responsabilidade de comprovar o argumento contrário, eximindo-se de provar a base do seu argumento(É sair pela tangente).

Lembrando que o ônus da prova inicial cabe sempre a quem faz a afirmação primeira (Tanto afirmando como Negando), pois ninguém pode afirmar ou negar que é inocente ou culpado, sem que prove sua afirmação.

Exemplos:

1.Deus existe, porque  ninguém consegue provar que Ele não existe.

No caso 1 acima, o ônus da prova recairá sobre quem fez primeiramente a afirmação de que Deus existe.

2.Deus não existe,porque ninguém consegue provar que Ele existe.

No caso 2 acima, o ônus da prova recairá sobre quem fez primeiramente a afirmação de que Deus não existe.

Ausência de evidência não significa evidência de ausência, no entanto, o ônus da prova permanece atrelado a quem afirma primeiramente e categoricamente que Deus existe ou não.

63)- Falácia da Pergunta indutiva:

Insinuação por meio de pergunta.

Ex.: Apoias a liberdade e o direito de andar armado?

São duas perguntas numa só.

64)- Falácia do Plurium interrogationum:

Ocorre quando se exige uma resposta simples a uma questão complexa.

Ex.: O que faremos com esse criminoso? Matar ou prender?
É um falso dilema.

65)- Falácia simplista do Depois disso, por causa disso:

Consiste em dizer que, pelo simples fato de um evento ter ocorrido logo após o outro, eles têm uma relação de causa e efeito. Porém,correlação não implica causalidade.

Ex.: O Japão rendeu-se logo após a utilização das bombas atômicas por parte dos EUA. Portanto, a paz foi alcançada devido à utilização das armas nucleares.

66) Falácia do Red Herring:

Falácia cometida quando material irrelevante é introduzido no assunto discutido para desviar a atenção e chegar a uma conclusão diferente.

Ex.: Será que o palhaço é o assassino? No ano passado, um palhaço matou uma criança.

67)- Falácia da Redução ao absurdo:

Consiste em averiguar uma hipótese, chegando a um resultado absurdo, para depois tentar invalidar essa hipótese.É um jogo de raciocínios para tentar fazer o primeiro contraditório.

Exemplos:
1.Você deveria respeitar a crença de C porque todas as crenças são de igual validade e não podem ser negadas.

2.Eu recuso que todas as crenças sejam de igual validade. De acordo com sua declaração, essa minha crença é válida, como todas as outras crenças. Contudo, sua afirmação também contradiz e invalida a minha, sendo exatamente o oposto dela.

O outro caiu em contradição.

68)- Falácia da Redução ao nazismo:

Invalidar um argumento pela comparação com Hitler ou o nazismo.

Ex.: Hitler acreditava em Deus, então os religiosos não devem ser boas pessoas.

69)- Falácia da Terceira causa:

Ignorar a existência de uma terceira causa não levada em conta nas premissas.
Ex.: Estamos vivendo uma fase de elevado desemprego, que é provocado por um baixo consumo.

Há uma causa tanto para o desemprego como para o baixo consumo.


Pôster: Disponível em: http://herdeirodeaecio.blogspot.com.br/2012/10/falacias.html. Acessado em 15.06.14 às 17h34.
Texto: Disponível em: http://berakash.blogspot.com.br/2012/01/falacias-e-tipos-de-argumentos-mais_21.html. Acessado em 15.06.14 às 17h55.

domingo, 8 de junho de 2014

Meia, Meia, Meia, Meia ou Meia?



Na recepção de um salão de convenções, em Fortaleza:
- Por favor, gostaria de fazer minha inscrição para o Congresso.
- Pelo sotaque vejo que o senhor não é brasileiro. O senhor é de onde?
- Sou do Sudão.
- Da África, né?
- Sim, sim, da África.
- Aqui está cheio de africanos, vindos de toda parte do mundo.
- É verdade. O mundo está cheio de africanos, pois a África é o berço antropológico da humanidade.
- Pronto, tem uma palestra agora na sala meia oito.
- Desculpe, qual sala?
- Meia oito.
- Podes escrever?
- Não sabe o que é meia oito? Sessenta e oito, assim, veja: 68.
- Ah, entendi, meia é seis.
- Isso mesmo, meia é seis. Mas não vá embora, só mais uma informação: A organização do Congresso está cobrando uma pequena taxa para quem quiser ficar com o material: DVD, apostilas, etc., gostaria de encomendar?
- Quanto tenho que pagar?
- Dez reais. Mas estrangeiros e estudantes pagam meia.
- Hmmm! Que bom. Ai está: seis reais.
- Não, o senhor paga meia. Só cinco, entendeu?
- Pago meia? Só cinco? Meia é cinco?
- Isso, meia é cinco.
- Tá bom, meia é cinco.
- Cuidado para não se atrasar, a palestra começa às nove e meia.
- Então já começou há quinze minutos, são nove e vinte.
- Não, ainda faltam dez minutos. Como falei, só começa às nove e meia.
- Pensei que fosse às 9h05, pois meia não é cinco? Você pode escrever aqui a hora que começa?
- Nove e meia, assim, veja: 9h30.
- Ah, entendi, meia é trinta.
- Isso, mesmo, nove e trinta. Mais uma coisa senhor, tenho aqui um folder de um hotel que está fazendo um preço especial para os congressistas, o senhor já está hospedado?
- Sim, já estou na casa de um amigo.
- Em que bairro?
- No Trinta Bocas.
- Trinta bocas? Não existe esse bairro em Fortaleza, não seria no Seis Bocas?
- Isso mesmo, no bairro Meia Boca.
- Não é meia boca, é um bairro nobre.
- Então deve ser cinco bocas.
- Não. Seis Bocas! Entendeu? Seis Bocas. Chamam assim porque há um encontro de seis ruas, por isso seis bocas. Entendeu?
- Acabou?
- Não. Senhor é proibido entrar no evento de sandálias. Coloque uma meia e um sapato...

O africano enfartou.

Matérias mais antigas:

Minha foto
Sou um professor apaixonado pela educação, pela literatura, pela língua portuguesa e pela arte de escrever. Como tantos educadores, um idealista. Fascina-me a incomensurável capacidade de transformação do ser humano. Por que me ufano da minha profissão? Porque sei que quando leciono, não estou apenas passando conteúdos, mas também destruindo mitos, dogmas e raciocínios falaciosos que cerceiam a liberdade humana.