quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Dever ou deveres?

O aluno não fez o dever de geografia ou... O aluno não fez os deveres de geografia?



Bons dicionários registram diferenças semânticas entre esses dois vocábulos:

s.m.: DEVER = OBRIGAÇÃO
s. m. no plural: DEVERES = TAREFAS (Usado sempre no plural)

Portanto, o recomendado pela gramática normativa é:

O aluno não fez os deveres de geografia.
Não fiz os deveres de matemática.
O professor deixou deveres de casa para amanhã?

Já o vocábulo DEVER deve ser usado nos seguintes contextos:

É dever de todo cidadão respeitar as leis.
O dever dos pais é proteger os filhos.
Disponibilizar educação de qualidade é dever do estado.

Por que a maioria dos dicionários não registra essa sutil diferença? Porque a diferença é muito sutil, (rsrsrsrsrs) e aí, como acontece em muitos outros casos, os falantes não dão muita importância para a diferença e acabam unificando os dois sentidos no vocábulo que caiu no gosto da maioria.

Uma dica prática para clarear a distinção:

Deveres (tarefas) se fazem.
Dever (obrigação) se cumpre.




Fonte: Pegadinhas da Língua Portuguesa. São Paulo: Case Editorial, p. 24.
 
 
Ita Est.
Prof. Zanon
 


Muito oportuno!

 

ORLANDELI. Educação. In: PASQUALE e ULISSES. Gramática da Língua Portuguesa. São Paulo: Scipione, 2008, p. 202.

sábado, 23 de agosto de 2014

Mudanças radicais na ortografia da Língua Portuguesa conforme noticiadas não procedem.




Alguns veículos de comunicação têm noticiado uma nova mudança radical na ortografia da língua portuguesa, mudança que pretende abolir, entre outras coisas, o “ch”, o “ss” e o “ç”. Mas, por meio de nota oficial, o senador Cyro Miranda (PSDB-GO), presidente da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, afirma que essas informações não procedem. Foi apenas um mal-entendido.

Segundo Miranda, a comissão aprovou, no dia 1.º de outubro de 2013, a criação de um Grupo de Trabalho destinado a propor a unificação ortográfica da língua portuguesa, conforme acordo já firmado em 1990. Esse Acordo deveria ter entrado em vigor em 1º de janeiro de 2013, mas o início da vigência foi adiado para janeiro de 2016, por decreto da presidente Dilma Rousseff.  

A proposta de abolição do “ç”, “ch” e “ss” foi cogitada pelo professor Ernani Pimentel, mas trata-se de uma ideia que deverá ser discutida e amadurecida antes de ser levada ao conhecimento do senado federal.

Para maiores esclarecimentos, queiram ler:




Ita est!
Prof. Zanon

À vista ou A vista?

Observe as placas abaixo:





 
 
A expressão A VISTA aparece em todos esses cartazes, mesmo em propagandas de grifes famosas e anúncio de filmes com o acento grave, indicador de crase. Mas essa expressão não admite o acento grave indicador de crase simplesmente porque não ocorre crase nesse caso.
 
Na expressão A VISTA não pode haver crase uma vez que esse A é meramente uma preposição. Não existe o artigo A para fundir com a preposição A.
 
Basta comparar com a expressão A PRAZO. Note que aparece apenas a preposição A. Se a expressão exigisse um artigo, neste caso apareceria o artigo masculino O, e a expressão ficaria assim: AO PRAZO. Mas não existe o artigo, apenas a preposição; e o mesmo ocorre com a expressão análoga A VISTA. Logo, devemos grafá-la sem o acento grave.
 
Comprou os calçados a vista.
10% de desconto para pagamento a vista.
Só vendemos a vista.
Não vendemos a prazo, somente a vista.
 
Ita est!
Prof. Zanon  

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

VEM ou VENHA pra Caixa você também?

Quem não se lembra do famoso jingle:

 

O jingle grudou como chiclete, mas poucos perceberam o equívoco no uso do subjuntivo. O certo é VENHA. A 3ª pessoa (você) deriva do presente do subjuntivo: "que você venha", "venha você". A 2ª pessoa (tu) deriva do presente do indicativo com a supressão do "S" (tu vens - vem tu).

A gramática normativa não permite a mistura de tratamentos, 2ª e 3ª; tu e você.

Então, o jingle pode ser corrigido de duas maneiras. Ou usamos a 3ª pessoa:

"VENHA PARA CAIXA VOCÊ TAMBÉM";

ou usamos a 2ª pessoa:

"VEM PARA CAIXA TU TAMBÉM".

De qualquer forma, muitos atenderam ao apelo da propaganda:



Ita est!
Prof. Zanon

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Perguntas para Deus!

Ao trabalhar o gênero textual ENTREVISTA com meus alunos do 7º ano B, que têm entre 11 e 12 anos de idade, propus que eles fizessem uma entrevista com Deus. Cada aluno poderia fazer três perguntas para Deus. As perguntas elaboradas por eles foram:



1 - Existe mesmo céu e inferno?
2 - O Senhor atende as preces do mundo inteiro? Se sim, como consegue fazer isso?
3 - O Senhor tem os mesmos hábitos que os humanos? Por exemplo: come, dorme, vai ao banheiro etc.?
4 - Se o Senhor é tão poderoso porque existe tanta desigualdade no mundo?
5 - Por que o Senhor inventou (criou) o ser-humano?
6 - O que as pessoas podem fazer para serem pessoas melhores?
7 - Como saber exatamente o que é certo e o que é errado?
8 - Como ajudar as pessoas sem prejudicar outras?
9 - Um dia o mundo vai acabar? Se sim, poderia dizer quando?
10 - Por que o Senhor não tira o pecado do mundo?
11 - Se o Senhor nos ama tanto ao ponto de sacrificar o seu filho, por que permite que as coisas más continuem acontecendo?
12 - As pessoas que não acreditam no Senhor mas praticam o bem: vão para o céu ou para o inferno?
13 - Por quanto tempo nós ficaremos na Terra?
14 - Qual é o fim da raça humana?
15 - Foi difícil sacrificar a vida de seu filho por nós?
16 - O Senhor realmente gosta de ser nosso criador?
17 - Qual é a sensação de cuidar do Universo inteiro?
18 - Por que nem todos podem ter uma família maravilhosa?
19 - Por que nem todos são felizes?
20 - De onde o senhor veio?
21 - Se o Senhor está no coração das pessoas, porque muita gente segue o mau caminho?
22 - Se o Senhor criou o bem, quem criou o mal?
23 - Se o Senhor nos criou à sua semelhança, por que existem pessoas do mal?
24 - De onde viemos?
25 - Como o Senhor criou o mundo?
26 - Existe reencarnação?
27 - Por que Senhor deixa as pessoas morrerem? Por que não as cura de suas doenças?
28 - Até aonde vai a inteligência humana?
29 - É verdade que São Pedro controla o tempo?
30 - Até aonde irá a tecnologia?
31 - Por que o Senhor deixa as pessoas passarem fome no mundo?
32 - Somos nós que fazemos o nosso destino ou é o Senhor que o controla?
33 - De onde veio esse apelido Deus? Seu nome não era Javé?




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Sou um professor apaixonado pela educação, pela literatura, pela língua portuguesa e pela arte de escrever. Como tantos educadores, um idealista. Fascina-me a incomensurável capacidade de transformação do ser humano. Por que me ufano da minha profissão? Porque sei que quando leciono, não estou apenas passando conteúdos, mas também destruindo mitos, dogmas e raciocínios falaciosos que cerceiam a liberdade humana.