domingo, 12 de outubro de 2014

"Aluno" ou "Estudante"?




         Um ensino errado que tem se difundido nos meios universitários, já em âmbito nacional, é sobre a etimologia da palavra aluno. É muito difundida a ideia de que tal palavra significa "não luz", ou "sem luz", pois, segundo etimologia forjada e levianamente inventada, "é formada pelo prefixo a-, que significa negação, e pelo elemento lun-, adulteração de lumen, luminis, do latim, que significa luz".
         Trata-se de erro grosseiro, destituído de senso crítico e de espírito científico por parte dos inventores da tal etimologia, pois a palavra, que já existia em latim muito antes de Cristo (alumnus), significa, dentre outras ideias: criança de peito (isto é, que mama na mãe), lactente, menino; e, daí: aluno, discípulo. E a etimologia é simplesmente a seguinte: alumnus deriva do verbo alere, em latim, que significa: alimentar, nutrir, crescer, desenvolver, animar, fomentar, criar, sustentar, produzir, fortalecer, etc.
         Uma das consequências do erro citado e alastrado (aluno significa não luz, sem luz) é a adoção da palavra estudante, em lugar de aluno, por professores universitários que "aprenderam" essa bobagem e acreditam nela, sem a devida pesquisa na fonte segura, isto é, em dicionários respeitáveis e confiáveis de língua portuguesa e de língua latina. E, acreditando nela, seguem-na e adotam-na em sala de aula e em outros setores das escolas e universidades. Isto mesmo: até nas universidades!
         Após uma palestra na qual corrigi esse equívoco para professores doutorandos, muitos deles comunicaram-nos, assustados e decepcionados, que, nos cursos de mestrado que eles fizeram, em cidades de Minas Gerais e de São Paulo, a bobagem é ensinada e (pasmem!) exigida pelos professores orientadores, mestres e doutores: empregar a palavra estudante, em lugar de aluno, pois esta significa "ausência de luz", por isso é "ofensiva" ao aluno... (eles diriam: ao estudante...). Muitos desses professores são conceituados pedagogos e ministradores de palestras e cursos de treinamento de outros tantos professores.
         Como confiar em palestrantes que constroem ensinamentos ou teorias fundados em erros, em conceitos falsos? Como confiar no que ouvimos e "aprendemos" de professores de elevado conceito em faculdades e universidades renomadas? Qual a segurança que tais universidades inspiram?
         Agora, vejam a bobagem maior. Na própria língua portuguesa, a palavra estudante não é sinônima perfeita da palavra aluno. Tampouco elas possuem equivalência exata. Elas não possuem o mesmo emprego, isto é, não são usadas nas mesmas situações ou estruturas de frase. Um professor diz, por exemplo: "Antonio foi meu aluno, e não meu ‘estudante’". E mais: nós fomos (ou eu fui), com muita honra, alunos do eminente gramático Evanildo Bechara, e não "estudantes" dele. Alguém nos informa satisfeito: "minha filha é sua aluna", e não sua "estudante". Por outro lado, dizemos: Diretório Central dos Estudantes, e não "dos Alunos"; e assim por diante.
         É urgente, pois, resgatar (palavra da moda) a seriedade, a responsabilidade e a confiabilidade que uma escola superior precisa inspirar. Como sede do saber científico, a universidade não pode adotar, ensinar nem divulgar erros, inverdades e conceitos falsos; sob pena de perder o respeito e a credibilidade que lhe são devidos.

 
(Resumido) Luís Mamede, Newton Luís. Disponível em: http://www.revelacaoonline.uniube.br/ombudsman/alunoii.html. Acessado em 17.07.14 às 22h35.

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Sou um professor apaixonado pela educação, pela literatura, pela língua portuguesa e pela arte de escrever. Como tantos educadores, um idealista. Fascina-me a incomensurável capacidade de transformação do ser humano. Por que me ufano da minha profissão? Porque sei que quando leciono, não estou apenas passando conteúdos, mas também destruindo mitos, dogmas e raciocínios falaciosos que cerceiam a liberdade humana.