quarta-feira, 26 de novembro de 2014

As melhores coisas

Confira se as melhores coisas não são baratas ou grátis:

- Café coado em coador de pano, cheiroso, adoçado com açúcar mascavo e mel, enquanto o Sol levanta na janela.
- Sanduíche de mortadela cortada fininha e pão fresquinho e crocante com guaraná.
- Caminhada no final da tarde com belo poente, seguida de banho de chuveiro com aquela velha toalha.
- Cheiro de florada de repente.
- Apreciar a tempestade se formando, desabando, ventando, serenando, acabando, o céu abrindo de novo.
- Suspirar aliviado depois de grandes problemas que chegaram e como tempestades também se foram.
- Chegar em casa com tudo resolvido num dia cheio, aí sentar na cama e tirar os sapatos, e tirar as meias dos pés e andar descalço pela casa.
- Ligar a televisão e ver que está começando um bom filme.
- Cochilar no sofá e acordar com a pessoa amada te olhando com amor.
- Levantar cedo e trabalhar com gosto e vontade, esquecendo de tudo, até a hora do almoço; aí almoçar com a fome boa que o trabalho dá.
- Encontrar cheio de moedas aquele moedeiro há tempo dado por perdido.
- Tomar um copo de água com muita sede e bastante calma, sentindo como a água não tem gosto, nem cor, nem cheiro e, por isso mesmo é inconfundivelmente e maravilhosamente água!
- Ver abrir a primeira flor da planta que você plantou e já tinha até esquecido.
- Andar sem pressa pela chuva, igual cachorro de rua.
- Abrir a porta depois que toca a campainha e dar de cara com o seu amor.
- Receber uma carta carinhosa e alegre num dia frio e nublado.
- Estar num ponto de ônibus e um conhecido parar oferecendo carona.
- O olhar de afeto e gratidão de um filho.
- O olhar de admiração dos colegas de trabalho.
- Sentir uma dor de repente e depois sentir que ela se vai como veio.
- Esvaziar gavetas se enchendo de emoções diante de velhos papéis.
- Deitar queijo ou passar manteiga em pão quente.
- Dormir com chuva no telhado, acordar com céu azul.
- Verificar como você não mudou revendo fotos antigas.
- Jogar de longe a bolota de papel no cesto de lixo e acertar.
- O silêncio emocionado.
- O barulho de crianças alegres.
- Canto de passarinho.
- Gente cantando no trabalho.
- Cantar no chuveiro.
- Esquecer as preocupações depois de lembrar que se preocupar não adianta, nem resolve.
- Receber elogio por trabalho bem feito.
- Elogiar trabalho bem feito.
- Receber e dar um presente inesperado.
- Olhar com atenção as pequenas coisas.
- Apreciar o nascente ou o poente.
- Tomar chá em silêncio e em paz.
- Achar logo uma vaga no estacionamento cheio.
- Sorrisos e carinhos.
- Frutas e flores.
- Acordar ao lado de quem se ama.
- Receber um abraço apertado que aplaca a saudade sentida.
- A frescura da brisa na pele suada.
- Amar e sentir-se amado.
- Um olhar carinhoso.
- Fazer o bem e sentir-se bem.
- Desejar o bem, mesmo a quem te faz mal.
- Perdoar, esquecer, renascer...


(PELLEGRINI, Domingos. Crônica Brasileira Contemporânea. São Paulo: Moderna, 2005 p. 217-220)

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Concordância do verbo FAZER

O verbo FAZER, quando exprime tempo decorrido, é impessoal, ou seja, não varia (não acompanha os demais termos da frase para o plural). Portanto, não devemos dizer: "Fazem" dez dias. O correto é: Faz dez dias. Fez dois meses. Fazia cinco anos.

No caso de FAZER formar locução com um verbo auxiliar, este permanece invariável: Deve fazer dez meses. Pode fazer seis anos.

Ita est!
Prof. Zanon

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Leitura e escrita de números.

Na escrita de números convencionou-se intercalar a conjunção "e" entre as centenas e as dezenas e entre estas e as unidades. Por exemplo, para escrever o numeral 2.234.657 por extenso, devemos proceder assim: dois milhões e duzentos e trinta e quatro mil e seiscentos e cinquenta e sete.

Portanto, na escrita de números por extenso não se põe vírgula entre uma classe e outra.

Ita est!
Prof. Sandro

domingo, 2 de novembro de 2014

Nalgum lugar em que eu nunca estive


 
 
nalgum lugar em que eu nunca estive, alegremente além

 de qualquer experiência, teus olhos têm o seu silêncio:

 no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,

 ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto

 

teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra

 embora eu tenha me fechado como dedos, nalgum lugar

 me abres sempre pétala por pétala como a primavera abre

 (tocando sutilmente, misteriosamente) a sua primeira rosa

 

ou se quiseres me ver fechado, eu e

 minha vida nos fecharemos belamente, de repente,

 assim como o coração desta flor imagina

 a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;

 

nada que eu possa perceber neste universo iguala

 o poder de tua imensa fragilidade: cuja textura

 compele-me com a cor de seus continentes,

 restituindo a morte e o sempre cada vez que respira

 

(não sei dizer o que há em ti que fecha

 e abre; só uma parte de mim compreende que a

 voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)

 ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas

 

( E. E. Cummings, tradução: Augusto de Campos )

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Sou um professor apaixonado pela educação, pela literatura, pela língua portuguesa e pela arte de escrever. Como tantos educadores, um idealista. Fascina-me a incomensurável capacidade de transformação do ser humano. Por que me ufano da minha profissão? Porque sei que quando leciono, não estou apenas passando conteúdos, mas também destruindo mitos, dogmas e raciocínios falaciosos que cerceiam a liberdade humana.