segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Questão de Consciência


Já "é" dez horas.

Quando usamos a palavra HORAS ou outras palavras que definem tempo, precisamos nos lembrar que elas variam. Embora a fala exija certo relaxamento quanto a isso, devido a sua dinamicidade, na escrita devemos fazer a devida concordância.

- Já são dez horas.
- Já são três horas.
- Já é uma hora.

Que dizer das horas fracionadas? 1h30; 12h45; 2h45; 16h32?

Nestes casos a concordância se faz com a unidade e não com o número fracionado.

- Já é uma hora e trinta minutos.
- Já é meio-dia e quarenta e cinco minutos.
- Já são duas horas e quarenta e cinco minutos.
- Já são dezesseis horas e trinta e dois minutos.


Ita est!
Prof Zanon

Um terço dos alunos "faltaram" hoje.

Quando se trata de números fracionários, devemos fazer a concordância com o valor expresso.

"Um terço", por exemplo, expressa um valor singular. Portanto, o correto seria: Um terço dos alunos faltou hoje.

Veja outros exemplos:

- Dois terços dos alunos eram imigrantes. Note que "dois terços" expressam plural, portanto, o verbo precisa ir para o plural para fazer a devida concordância: eram.

- Três quartos da população eram pobres.
- Um quinto dos eleitores não compareceu.
- Faltaram três décimos do valor estipulado.

Ita est!
Prof. Zanon

domingo, 28 de dezembro de 2014

Não temos...



Não temos amado, acima de todas as coisas. 
Não temos aceito o que não se entende porque não queremos passar por tolos. 
Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro. 
Não temos nenhuma alegria que já não tenha sido catalogada. 
Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas.
Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos. 
Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo.
Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. 
Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. 
Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. 
Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível. 
Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. 
Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. 
Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. 
Falar no que realmente importa é considerado uma gafe. 
Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. 
Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer “pelo menos não fui tolo” e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. 
Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. 
Temos chamado de fraqueza a nossa candura. 
Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. 
E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia.



Clarice Lispector

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

"Um dos que...; uma das..."

As expressões "um dos..." ou "uma das..." faz a concordância no plural. Observe os exemplos:

- Ele é um dos que pensam assim. Quando invertemos a ordem da frase fica clara a regra: Dos que pensam assim, ele é um.

- O amigo foi uma das pessoas que mais o apoiaram. (Das pessoas que mais o apoiaram, o amigo foi uma.) 

- Não sou dos (ou daqueles) que acham isso.

Ita est!
Prof. Zanon

domingo, 21 de dezembro de 2014

Soneto que ousa colorir amores fanados



Amores tristes, falhados,
Amores meigos e ternos,
Que com pretensão de eternos
Viveram dias contados.

Amores que se julgaram
Perenes em sua história
E já nem mais na memória
Vivem dos que os abrigaram.

Amores prosaicos, tolos,
Quem pôde especiais supô-los,
Amores pobres, de quinta?

Só eu, gorados amores,
Para enfeitá-los de cores
Ainda gasto minha tinta.

Raul Drewnick

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

I Don't Want To Talk About It



I Don't Want To Talk About It

I can tell by your eyes
That you've probably been crying forever
And the stars in the sky don't mean nothing
To you, they're a mirror.


I don't wanna talk about it
How you broke my heart
If I stay here just a little bit longer
If I stay here won't you listen to my heart?
Oh, my heart...


If I stand all alone
Will the shadows hide the colors of my heart?
Blue for the tears, black for the night's fears
The stars in the sky don't mean nothing to you
They're just a mirror.


I don't wanna talk about it,
How you broke my heart.
If I stay here just a little bit longer,
If I stay here, won't you listen to my heart?
Oh, my heart...



Eu não quero conversar sobre isso

Posso dizer, pelos seus olhos
Que você provavelmente esteve sempre chorando
E as estrelas no céu não significam nada
Para você, elas são um espelho

Eu não quero conversar sobre isso
De como você partiu meu coração
Se eu ficar aqui mais um pouco
Se eu ficar aqui você irá ouvir o meu coração?
Meu coração

Se eu permanecer sozinho
As sombras irão "ocultar" as cores do meu coração?
Azul pelas lágrimas, preto pelos medos da noite
As estrelas no céu não significam nada para você
Elas são apenas um espelho

Eu não quero conversar sobre isso
De como você partiu meu coração
Se eu ficar aqui mais um pouco
Se eu ficar aqui você irá ouvir o meu coração?
Meu coração

domingo, 7 de dezembro de 2014

"Vende-se" casas.

Em frases como esta, o verbo concorda com o sujeito:

- Vendem-se terrenos.
- Alugam-se casas.
- Fazem-se consertos.
- Na vida cometem-se injustiças.

Observação: se houver preposição depois do verbo, ele fica invariável. Observe:

- Trata-se dos amigos mais leais.
- Precisa-se de balconistas.
- Recorre-se a todos

Ita est!
Prof. Zanon

"Existe" muitos rumores.

Os verbos existir, bastar, faltar, sobrar e restar são verbos regulares e variam normalmente. Observe os exemplos:

- Existem muitos rumores.
- Bastariam duas pessoas.
- Sobravam ideias, mas faltavam recursos.
- Restavam dois casos complexos.

Ita est!
Prof. Zanon

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Sou um professor apaixonado pela educação, pela literatura, pela língua portuguesa e pela arte de escrever. Como tantos educadores, um idealista. Fascina-me a incomensurável capacidade de transformação do ser humano. Por que me ufano da minha profissão? Porque sei que quando leciono, não estou apenas passando conteúdos, mas também destruindo mitos, dogmas e raciocínios falaciosos que cerceiam a liberdade humana.