domingo, 20 de dezembro de 2015

A homenagem veio "de encontro à" sua expectativa.

Ao encontro de é uma expressão que define uma situação favorável:

- A homenagem veio ao encontro de sua expectativa. (Ou seja, a homenagem o satisfez, era o que ele esperava)

- Dirigiu-se ao encontro do filho pródigo. (Foi alegremente encontrar o filho esbanjador que retornava ao lar)

De encontro a expressa choque, condição contrária, desfavorável: 

- A demissão veio de encontro aos seus planos. (Ou seja, contra os seus planos, não era isso que ele esperava)

- O carro foi de encontro ao muro. (O carro chocou-se contra o muro.

Ita est!
Prof. Zanon

Amigo provável

Penso que encontrei um novo amigo. Homem inteligente, de muitos saberes. Respeitador das ideias alheias. Tem uma prosa boa, agradável, daquelas que a gente não vê o tempo indo embora. Brasileiro que vive lá pelas bandas do Canadá, mas todo dezembro retorna ao ninho.

Conversamos demoradamente sobre variados assuntos: de religião a bossa nova, de Guimarães Rosa a Galileu Galilei, de Pilatos a Edgar Allan Poe.

Respondendo melhor a duas questões que você me propôs: 

Por que sou apaixonado pela obra de João Guimarães Rosa? Por causa disso:







E respondendo à mais importante de suas indagações: como um homem com uma mente analítica (gostei do adjetivo, obrigado) como eu pode acreditar em Deus? 

Rosa novamente coloca as palavras na minha boca:

"Como não ter Deus?! Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vai-vem, e a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas, não se podendo facilitar, é todos contra os acasos. Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois no fim dá certo. [...] 

[...] Se creio? Acho proseável." 



Gostei da nossa prosa. 

Um forte abraço do professor Sandro Zanon




segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Que lindo, Cora!


"Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar. "Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina."



Cora Coralina

domingo, 22 de novembro de 2015

A princípio

A palavra princípio forma três locuções.

A princípio significa no início. Exemplo:

Ele, a princípio, (no começo) foi contra a ideia.

em princípio quer dizer em tese, de modo geral. Exemplo:

Ela, em princípio (em tese), é a melhor de todas.
Todos, em princípio (em tese), são iguais perante a lei.
Em princípio (de modo geral), todos os estimavam.

Existe ainda uma terceira forma, por princípio, equivalente a por convicção. Exemplo:

Por princípio (por convicção), não tolero pessoas racistas.

Ita est!
Prof. Zanon

domingo, 15 de novembro de 2015

O que se diz e o que realmente se pretendia dizer


Grosso modo ou A grosso modo?

Grosso modo é uma locução latina e significa, de um modo geral, "sem grande rigor ou pormenor, superficialmente, de maneira imperfeita, de modo grosseiro".
Por ser uma locução latina, não se deve lhe antepor a preposição "a". É gramaticalmente incorreta usar tal locução assim:

- Analisando a grosso modo, posso adiantar que seu projeto não será aprovado pela banca.

- Fiz uma preparação a grosso modo, por isso não estou muito seguro quanto ao que vou falar.


O correto, portanto, é dizer: 

Explicou, grosso modo, como seria a reunião. (Ou seja, explicou por alto, sem entrar em detalhes, como seria a reunião).

Há, grosso modo, cerca de 120 pessoas na assistência. (Por alto, sem contar, apenas por olhar concluo que há umas 120 pessoas na assistência).


Ita est!
Prof. Zanon

terça-feira, 10 de novembro de 2015

7 problemas que você precisa eliminar agora da sua redação




1. Erros de concordância
Você já recebeu um e-mail que começava com a frase “Segue anexo os modelos…”? Segundo a professora Rosângela, muitos profissionais se atrapalham com a concordância verbal (o correto seria “seguem”, no exemplo dado) e nominal (o certo é “anexos”). Outro erro frequente é flexionar no plural os verbos “haver” (quando o sentido é o mesmo de existir) e “fazer” (no sentido temporal), como em “Fazem dois dias” e “Houveram processos”. A norma culta indica o uso de “faz” e “houve”, respectivamente.

2. Pontuação incorreta
Vírgulas e pontos finais não são enfeites: eles são ferramentas básicas para construir o sentido de um texto. Apesar disso, o mau uso desses sinais é um problema crônico em textos corporativos. “Um erro grave e comum é colocar vírgula entre sujeito e predicado, ou entre o verbo e seus complementos”, diz Rosângela.

3. Prolixidade
Se você não planeja o que vai escrever, há um risco grande de se atrapalhar e dar muitas explicações sobre detalhes irrelevantes. A dica do professor Fabiano é parar para refletir sobre o objetivo da sua mensagem antes de começar a digitar. Além disso, prefira frases curtas para economizar o tempo alheio e reduzir o potencial de mal-entendidos.

4. Termos obscuros
Siglas, jargões, nomes técnicos, expressões em inglês - todos esses elementos precisam ser eliminados do seu texto se o seu receptor não tiver familiaridade com eles. A recomendação é especialmente importante para a comunicação entre áreas ou departamentos diferentes, diz Fabiano, já que que os interlocutores podem não ter o mesmo repertório.

5. Uso inadequado do vocabulário
Para evitar gafes e equívocos, é obrigatório ter certeza do significado ou da grafia de uma palavra antes de incluí-la na sua redação. De acordo com Rosângela, há muita confusão entre as expressões “estar a par” e “estar ao par”, por exemplo. Enquanto a primeira significa “estar ciente”, a segunda indica equivalência entre duas moedas.

6. Falta de sequência lógica
Para a professora Rosângela, um texto só é coerente quando conta com começo, meio e fim - sem contradições ou mudanças bruscas do pensamento. A lógica da sua mensagem também depende de palavras ou expressões que estabeleçam a transição de ideias, tais como pronomes, advérbios e conjunções.

7. Redundâncias
Por mais que você deseje enfatizar uma informação, é bom tomar cuidado com repetições e pleonasmos. Além de desperdiçar o tempo do leitor, esse tipo de deficiência pode depor contra a sua imagem profissional. “Erros como esse, assim como falta de acentos ou erros de digitação, não comprometem tanto a mensagem, mas prejudicam a sua reputação e também a do seu empregador”, afirma Fabiano.

Disponível na íntegra em:

Acessado em 9 de novembro de 2015 às 22h34.

sábado, 31 de outubro de 2015

Mude sua vida através do autodomínio

Por: Christie Marie Sheldon

Autodomínio é algo que imaginamos em artistas marciais e monges, depois de anos e anos de prática dedicada. Você está certo. Mas qualquer um pode desenvolver a auto-maestria e assumir o controle de sua vida. Requer a mentalidade certa, as ferramentas e sim, prática dedicada (mas - leva muito menos tempo do que você pensa).

Autodomínio lhe dá o controle sobre a única coisa que você pode controlar em qualquer situação: você mesmo. Ele permite que você se mova em direção as suas metas com disciplina, persistência e foco. Ele ajuda você a controlar os impulsos emocionais e tomar decisões com base no pensamento racional em vez de emoções exacerbadas.

Pessoas que não têm autodomínio são as únicas que têm birras em público, quando as coisas não saem como elas querem. Elas não podem controlar as suas emoções (raiva no trânsito é um grande exemplo). Elas tomam decisões impulsivas. Elas são emocionalmente imprevisíveis - explodem num momento, e são excessivamente doces no seguinte (em um esforço para consertar as coisas). Elas estão felizes um momento, e então, de repente, algo acontece e uma nuvem negra desce sobre seu comportamento. Elas sempre desistem quando as coisas se tornam um desafio. Elas não têm a perseverança e disciplina para seguir com suas intenções ou promessas.

Pessoas que não têm autodomínio têm uma vibração energética muito errática. Um minuto elas estão bem, o próximo estão furiosas. Assim, mesmo que elas estejam fazendo toda a visualização e afirmação do mundo, elas ainda não obtêm os resultados que querem, porque a sua vibração é alta, então baixa, então em algum lugar no meio - muito parecido com jogar pedras em um lago: Se você está no controle de si mesmo, você pode jogar uma pedra e ver o efeito cascata irradiar para fora até que a água esteja calma novamente. Jogue outra pedra, e veja o efeito cascata desaparecer lentamente até acalmar novamente. Mas a falta de autodomínio é como jogar uma pedrinha e depois outra, ou duas ou três de uma só vez, em direções aleatórias. Tudo o que você vai conseguir é um monte de ondas caóticas e sem sentido real, - imagine o universo tentando fazer sentido desse caos (sim, isso vai convidar mais caos)!

Desenvolver autodomínio não é tão difícil como pode parecer. Claro que você tem o direito de sentir emoções (você quer sentir emoções, e não se tornar um robô) - o truque é aprender a senti-las, deixá-las ir, e depois responder. Veja como aumentar a sua vibração:

1. Seja claro sobre como você quer que sua vida seja. O que você quer? Use a sua visão do que você quer para levá-lo através dos tempos difíceis e frustrantes.

2. Decida criar essa vida. Decida ir em busca dela. Diga imediatamente a alguém (um amigo solidário, mentor ou membro da família) o que você pretende fazer. Torne-a real, tornando-a pública.

3. Crie um hábito de se mover em direção a seus objetivos todos os dias, um pequeno passo de cada vez. Mesmo que seja apenas 10 ou 15 minutos por dia, faça alguma coisa que mova você em direção a seu objetivo. Requer um pouco de auto-disciplina que, ao longo do tempo, têm enormes resultados. Hábitos levam cerca de 30 dias para se estabelecer. Isso significa 30 dias de trabalho diário, por apenas alguns minutos. Compromisso Pequeno, enorme recompensa.

4. Importante: Melhore a sua atitude. Autodomínio é somente tão duro quanto você optar por fazê-lo. Se você fizer o que precisa ser feito com um sorriso no rosto e uma atitude positiva, não será trabalho penoso, será agradável.

5. Rapidamente descarrilhe qualquer linha negativa de pensamento, então, substitua imediatamente esse pensamento com aquele que agrada a você. Mais uma vez, faça disto um hábito. Esteja consciente de sua auto-fala tanto quanto você pode e domine-a com persistência.

6. Desenvolva a força de vontade tendo fortes motivações emocionais, bem como racionais. Por exemplo, se você quer perder peso, você sabe que você não deve comer bolachinhas, mas se você tem o hábito de ir até à sala de descanso do escritório e comer uma ou duas bolachinhas a cada manhã, você vai achar difícil não pegar uma bolachinha não importa o quanto você tentar se convencer do contrário (por causa da recompensa prazerosa imediata), se você não tiver um motivo emocional forte para fazê-lo. Em qualquer batalha entre os motivos racionais e emocionais, as emoções sempre vencem. Ter um forte motivo emocional para manter uma dieta vai ajudar você a criar hábitos mais positivos.


Nota: A força de vontade vem em rajadas. Use a dinâmica da fase de excitação inicial (onde você está focado e apaixonado por seu objetivo) para estabelecer um novo comportamento, quando os velhos hábitos ameaçam ressurgir, certifique-se que a sua ligação emocional com o seu objetivo é forte o suficiente para superar o seu impulso para voltar aos velhos hábitos!

7. Mantenha-se focado. Concentre-se no que você quer, mas também sobre o que você está fazendo. É fácil se distrair, mas se você ceder à tentação dessas distrações, você não vai fazer muito progresso. "Divida" o seu tempo em seções gerenciáveis ​​de 15-30 minutos de atenção ininterrupta. Deixe o telefone na caixa postal. Ignore notificações eletrônicas. Diga às pessoas que você precisa terminar antes que você possa ajudá-los. Pendure um "Não Perturbe" na porta. Custe o que custar. Mantenha-se focado na tarefa por 15-30 minutos. Vários destes períodos de alta intensidade, de alto foco ao longo do dia irão ajudá-lo a realizar tanto - e você vai treinar-se para não pular como um macaco treinado cada vez que um telefone ou dispositivo eletrônico clama por sua atenção.

8. Comprometa-se a passar 30 minutos por dia trabalhando em si mesmo. Isso pode significar a conexão com o seu Eu Superior; falando afirmações; meditando; exercitando a prática de substituir os pensamentos negativos; praticando controle das emoções ... você é o seu maior investimento e você vai ter o maior retorno sobre investimento ao dominar sua mente.

Levará algum tempo para dominar completamente sua mente. Mas é um processo fascinante e quanto mais você pratica, mais divertido será - e só ver o que acontece com a sua vibração!



Disponível em: http://despertandodeuses.blogspot.com.br/2013/07/mude-sua-vida-atraves-do-autodominio.html. Acessado em 1 de novembro de 2015 às 12h08.

domingo, 18 de outubro de 2015

SOBRE A MÁGOA ALHEIA

Posso ver chorar alguém
E triste não estar também?
Posso ver o outro sofrer
E um consolo não trazer?

Posso ver correr o pranto
E não chorar o meu tanto?
Pode um pai ver seu rebento
Chorar, sem sofrer tormento?

Pode a mãe sentar-se e ouvir
De medo um filho vagir?
Não, não pode ser assim,
Nunca, nunca ser assim!

Pode Quem a tudo rira
Ouvir gemer a corruíra,
Ouvir gemer a avezinha
Ou o infante que definha,

Sem recobrir a ninhada
De uma piedade inflamada;
Sem junto ao berço sentar-se
E todo em pranto inflamar-se;

Sem se sentar noite e dia,
Secando nossa agonia?
Oh, não pode ser assim!
Nunca, nunca ser assim!

Ele, que a alegria traz,
Que infante também se faz;
Que se torna homem de dor,
Que sente nosso amargor.

Não há suspiro que dês
Sem que o veja Quem te fez;
Não há pranto derramado
Sem que Ele esteja ao teu lado.

Oh! Que Ele dá sua alegria
E destrói nossa agonia.;
Até que a dor vá embora,
Fica ao nosso lado e chora.


William Blake – Canções da Inocência e da Experiência http://www.arquivors.com/wblake1.pdf

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Desejos vãos

Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!


Eu queria ser o sol, a luz intensa
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão é ate da morte!


Mas o mar também chora de tristeza...
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos céus, os braços, como um crente!


E o sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as pedras... essas... pisá-as toda a gente!...
Florbela Espanca - Fanatismo


Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não es sequer razão do meu viver,
Pois que tu es já toda a minha vida!


Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo , meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!


"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!


E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu es como Deus: Princípio e Fim!..."


Florbela Espanca

Que é de... Quedê... Cadê.

Como diz Marcos Bagno, "a língua não é água de igarapé, é água de correnteza". Está sempre em processo de mudança.

Observe esse processo na expressão "que é de..."

Há algum tempo costumávamos dizer:

- Que é de sua coragem? (Que é feito de sua coragem?)
- Que é do livro que você me prometeu? (Que é feito do livro que você me prometeu?)
- Que é da paciência que o caracterizava?

Depois passamos a usar a expressão mais palatável "quedê..." (ainda usada em alguns lugares)

- Quedê sua coragem?
_ Quedê o livro que você me prometeu?

E hoje é mais comum o "cadê..."

- Cadê sua coragem?
- Cadê o livro que você me prometeu?

Sob a perspectiva da língua culta os dois últimos usos estão errados, mas não encontramos viva alma que ainda use o "que é de...".

Até o Fantástico se rendeu: Que é do dinheiro que estava aqui? --) Cadê o dinheiro que tava aqui?



Ita est!
Prof. Zanon

Einstein x Chaplin



sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Quanto ganha um professor?

"Amizade... para muitos não tem significado algum, mas para outros, esta simples palavra pode indicar amor, confiança, alegria e mil outras coisas boas. Amizade não é uma coisa que podemos desperdiçar, pois não existe ex-amigo: ou é amigo ou não é.
Com as amizades que conquistei neste ano de 2015 aprendi a quebrar barreiras e superar obstáculos. A cada dia que passa percebo que os amigos que eu fiz são para durar até o dia que eu não puder mais existir. 
O verdadeiro significado da amizade é você ter confiança [absoluta] em uma pessoa.
A  amizade é como um casamento, pois tanto você quanto seu/sua amigo (a) devem se esforçar para que esse laço se fortaleça e essa amizade se torne eterna."


Professor Sandro,
Esses dois anos em que tive aulas com você foram maravilhosos. Espero revê-lo daqui a alguns anos e lembrar o quanto você me ajudou a chegar onde cheguei.

Bianca Grossmann Gonçalves (8ºA)

domingo, 27 de setembro de 2015

Dedico esta poesia à mulher da minha vida: Elisabete, minha esposa.


                                            
                                               Architectura



Um dia, Ela
desenhará em chãos longínquos a casa só nossa,
que eu farei com estas mãos.


Os tijolos, eu os amassarei com os meus pés.


Às telhas —
hei de aprontar o barro mais macio,
e as formas serão por mim,
uma a uma, completadas;


Ela as alisará longamente —
seus dedos molhados de um profundo silêncio:
só os pássaros.


Fortaleza, manhã de 19.11.1998


Garimpado na internet. Disponível em: http://www.jornaldepoesia.jor.br/feito19.html. Acessado em 27.09.2015 às 16h34.

A Implosão da Mentira (ou o episódio do Riocentro-fragmentos) Fragmento 1.

Mentiram-me. Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente. Mentem
de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.

Mentem, sobretudo, impune/mente.
Não mentem tristes. Alegremente
mentem. Mentem tão nacional/mente
que acham que mentindo história afora
vão enganar a morte eterna/mente.

Mentem. Mentem e calam. Mas suas frases
falam. E desfilam de tal modo nuas
que mesmo um cego pode ver
a verdade em trapos pelas ruas.

Sei que a verdade é difícil
e para alguns é cara e escura.
Mas não se chega à verdade
pela mentira, nem à democracia

pela ditadura.

Affonso Romano de Sant'Anna

A Implosão da Mentira - (ou o episódio do Riocentro-fragmentos) Fragmento 2.

Evidente/mente a crer
nos que me mentem
uma flor nasceu em Hiroshima
e em Auschwitz havia um circo
permanente.

Mentem. Mentem caricatural-
mente.
Mentem como a careca
mente ao pente,
mentem como a dentadura
mente ao dente,
mentem como a carroça
à besta em frente,
mentem como a doença
ao doente,
mentem clara/mente
como o espelho transparente.
Mentem deslavadamente,
como nenhuma lavadeira mente
ao ver a nódoa sobre o linho.Mentem
com a cara limpa e nas mãos
o sangue quente.Mentem
ardente/mente como um doente
em seus instantes de febre.Mentem
fabulosa/mente como o caçador que quer passar
gato por lebre.E nessa trilha de mentiras
a caça é que caça o caçador
com a armadilha.

E assim cada qual
mente industrial? mente,
mente partidária? mente,
mente incivil? mente,
mente tropical?mente,
mente incontinente?mente,
mente hereditária?mente,
mente, mente, mente.
E de tanto mentir tão brava/mente
constroem um país
de mentira

-diária/mente.

Affonso Romano de Sant'Anna

terça-feira, 1 de setembro de 2015

A vírgula nas Orações Subordinadas Adjetivas

Nas orações adjetivas, a presença ou a ausência das vírgulas determina o sentido que se pretende dar à frase. Suponha, por exemplo, que, em uma eleição, vários candidatos estejam disputando a prefeitura de uma cidade e, a respeito da campanha eleitoral, dois jornais publiquem o seguinte:

Jornal A: Os candidatos que fizeram propaganda irregular foram multados pela Justiça Eleitoral.

Jornal B: Os candidatos, que fizeram propaganda irregular, foram multados pela Justiça Eleitoral.

O jornal A usa uma oração subordinada adjetiva restritiva (observe a ausência de vírgulas) e, assim, informa aos leitores que nem todos os candidatos fizeram propaganda irregular; apenas alguns deles é que fizeram e somente esses foram multados.

O jornal B traz uma notícia diferente, pois, ao empregar uma oração subordinada adjetiva explicativa (observe a presença das vírgulas) informa que todos os candidatos fizeram propaganda irregular e todos eles foram multados.

Há casos, no entanto, em que a relação de sentido estabelecida entre o substantivo (ou o pronome) e a oração adjetiva torna obrigatória a presença das vírgulas. Veja, por exemplo, este período:

O Brasil, que se localiza na América do Sul, tem dimensões continentais.

Nesse caso, como não existe outro Brasil localizado em outro lugar geográfico, a oração só pode mesmo ser adjetiva explicativa e precisa, portanto, ficar entre vírgulas. A ausência das vírgulas seria, em casos como esse, um grave erro de pontuação, pois distorceria o sentido da frase.

Ita est!
Prof. Zanon

Adaptado de: FERREIRA, Mauro. Aprender e Praticar Gramática.São Paulo: FTD, 2007. p. 430.

domingo, 23 de agosto de 2015

AS 10 ESTRATÉGIAS DE MANIPULAÇÃO MEDIÁTICA (segundo Noam Chomsky)


1. A estratégia da distração. 

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir que o público se interesse pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, presa a temas sem importância real”. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado; sem nenhum tempo para pensar; de volta à quinta com outros animais (citação do texto “Armas silenciosas para guerras tranquilas”).

2. Criar problemas e depois oferecer soluções. 

Esse método também é denominado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público a fim de que este seja o mandante das medidas que desejam que sejam aceites. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja quem pede leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para forçar a aceitação, como um mal menor, do retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços púbicos.

3. A estratégia da gradualidade. 

Para fazer com que uma medida inaceitável passe a ser aceita basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos. Dessa maneira, condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990. Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4. A estratégia do diferimento. 

Outra maneira de forçar a aceitação de uma decisão impopular é a de apresentá-la como “dolorosa e desnecessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregue imediatamente. Logo, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isso dá mais tempo ao público para acostumar-se à ideia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5. Dirigir-se ao público como se fossem menores de idade. 

A maior parte da publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos, personagens e entoação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade mental, como se o espectador fosse uma pessoa menor de idade ou portador de distúrbios mentais. Quanto mais tentem enganar o espectador, mais tendem a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos, em razão de fatores de sugestão, então, provavelmente, ela terá uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico (ver “Armas silenciosas para guerras tranquilas”)”.

6. Utilizar o aspecto emocional mais do que a reflexão. 

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional e, finalmente, ao sentido crítico dos indivíduos. Por outro lado, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos…

7. Manter o público na ignorância e na mediocridade. 

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais menos favorecidas deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que planeia entre as classes menos favorecidas e as classes mais favorecidas seja e permaneça impossível de alcançar (ver “Armas silenciosas para guerras tranquilas”).

8. Estimular o público a ser complacente com a mediocridade. 

Levar o público a crer que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto.

9. Reforçar a autoculpabilidade. 

Fazer as pessoas acreditarem que são culpadas por sua própria desgraça, devido a pouca inteligência, por falta de capacidade ou de esforços. Assim, em vez de revoltar-se contra o sistema econômico, o indivíduo se auto-desvaloriza e se culpabiliza, o que gera um estado depressivo, cujo um dos efeitos é a inibição de agir. E sem ação, não há revolução!


10. Conhecer os indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem. 

No transcurso dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência gerou uma brecha crescente entre os conhecimentos do público e os possuídos e utilizados pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento e avançado do ser humano, tanto no aspecto físico quanto no psicológico. O sistema conseguiu conhecer melhor o indivíduo comum do que ele a si mesmo. Isso significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior do que o dos indivíduos sobre si mesmos.

Noam Chomsky




Adaptado de: https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2015/07/03/chomsky-as-10-estrategias-de-manipulacao-mediatica/

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Exercícios com Orações Subordinadas Subjetivas

1) Considere este período composto. Observe a oração subordinada substantiva em destaque e responda às questões:

"Os responsáveis pelo projeto tinham certeza de que tudo correria bem."


a) Ela pode ser predicativa? Não, porque na oração principal não há verbo de ligação.

b) Ela pode ser subjetiva? Não, a principal já tem sujeito (Os responsáveis pelo projeto).

c) Ela pode ser objetiva direta? Não, pois na principal já há objeto direto (certeza).

d) Ela pode ser objetiva indireta? Não, porque na principal não há VTI.

e) Se todas as respostas anteriores forem negativas, classifique a oração em destaque. Oração Subordinada Substantiva Completiva Nominal (completa o nome certeza).



2) Agora faça o mesmo com o período abaixo:

"A nossa grande esperança era que a data da viagem fosse alterada." 

a) A oração pode ser subjetiva? Não; a principal já tem sujeito (A nossa grande esperança...).

b) Ela pode ser objetiva direta? Não; na principal não há VTD.

c) Ela pode ser completiva nominal? Não, na principal não há nome incompleto.

d) Se as respostas anteriores forem negativas, classifique a oração em estudo. Oração Subordinada Substantiva Predicativa (Na oração principal temos: SUJEITO + VERBO DE LIGAÇÃO).

Fonte: Aprender e praticar gramática. Mauro Ferreira. Editora FTD, 2007. p. 419-420.
 

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Para refletir


"Sabe por que a decepção dói tanto? 
Porque ela nunca vem de um inimigo."



Porém:




"Decepções são apenas formas de Deus dizer:
tenho algo melhor para você!"
Caio Fernando Abreu

domingo, 7 de junho de 2015

Os Ombros Suportam o Mundo




Os Ombros Suportam o Mundo

Carlos Drummond de Andrade


Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.


Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.


Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.


Extraído do livro "Nova Reunião", José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1985, pág. 78.


Ita est!

Prof. Zanon

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Sou um professor apaixonado pela educação, pela literatura, pela língua portuguesa e pela arte de escrever. Como tantos educadores, um idealista. Fascina-me a incomensurável capacidade de transformação do ser humano. Por que me ufano da minha profissão? Porque sei que quando leciono, não estou apenas passando conteúdos, mas também destruindo mitos, dogmas e raciocínios falaciosos que cerceiam a liberdade humana.