quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Paulo Leminski


Mestiço de pai polonês com mãe negra, Paulo Leminski foi um filho que sempre chamou a atenção por sua intelectualidade, cultura e genialidade. É dono de uma extensa e relevante obra. Desde muito cedo, Leminski inventou um jeito próprio de escrever poesia, preferindo poemas breves, muitas vezes fazendo haicais, trocadilhos, ou brincando com ditados franceses.



Tornou-se professor de História e de Redação em cursos pré-vestibulares, e também era professor de judô. Casou-se pela segunda vez em 1968 com a também poetisa Alice Ruiz, com quem viveu durante vinte anos. Dentre suas atividades, criou habilidade de letrista e músico. Por sua formação intelectual, Leminski é visto por muitos como um poeta de vanguarda, todavia por ter aderido à contracultura e ter publicado em revistas alternativas, muitos o aproximam da geração de poetas marginais.

Paulo Leminski foi um estudioso da língua e cultura japonesas e publicou em 1983 uma biografia de Bashô. Além de escritor, Leminski também era faixa-preta de judô. Sua obra literária tem exercido marcante influência em todos os movimentos poéticos dos últimos 20 anos.

Morreu em 7 de junho de 1989, em consequência do agravamento de uma cirrose hepática que o acompanhou por vários anos. Leia abaixo alguns de seus poemas e haikais:



AMOR

“Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima”.




“Ai daqueles
que se amaram sem nenhuma briga
aqueles que deixaram
que a mágoa nova
virasse a chaga antiga

ai daqueles que se amaram
sem saber que amar é pão feito em casa
e que a pedra só não voa
porque não quer
não porque não tem asa”.





“tudo dito,
nada feito,
fito e deito”.


domingo, 8 de fevereiro de 2015

Parônimos

Parônimos são palavras que possuem significados diferentes, mas são muito parecidas na pronúncia e na escrita. Veja alguns exemplos no quadro abaixo.

absolver (perdoar, inocentar)
absorver (aspirar, sorver)
apóstrofe (figura de linguagem)
apóstrofo (sinal gráfico)
aprender (tomar conhecimento)
apreender (capturar, assimilar)
arrear (pôr arreios)
arriar (descer, cair)
ascensão (subida)
assunção (elevação a um cargo)
bebedor (aquele que bebe)
bebedouro (local onde se bebe)
cavaleiro (que cavalga)
cavalheiro (homem gentil)
comprimento (extensão)
cumprimento (saudação)
deferir (atender)
diferir (distinguir-se, divergir)
delatar (denunciar)
dilatar (alargar)
descrição (ato de descrever)
discrição (reserva, prudência)
descriminar (tirar a culpa)
discriminar (distinguir)
despensa (local onde se guardam mantimentos)
dispensa (ato de dispensar)
docente (relativo a professores)
discente (relativo a alunos)
emigrar (deixar um país)
imigrar (entrar num país)
eminência (elevado)
iminência (qualidade do que está iminente)
eminente (elevado)
iminente (prestes a ocorrer)
esbaforido (ofegante, apressado)
espavorido (apavorado)
estada (permanência em um lugar)
estadia (permanência temporária em um lugar)
flagrante (evidente)
fragrante (perfumado)
fluir (transcorrer, decorrer)
fruir (desfrutar)
fusível (aquilo que funde)
fuzil (arma de fogo)
imergir (afundar)
emergir (vir à tona)
inflação (alta dos preços)
infração (violação)
infligir (aplicar pena)
infringir (violar, desrespeitar)
mandado (ordem judicial)
mandato (procuração)
peão (aquele que anda a pé, domador de cavalos)
pião (tipo de brinquedo)
precedente (que vem antes)
procedente (proveniente; que tem fundamento)
ratificar (confirmar)
retificar (corrigir)
recrear (divertir)
recriar (criar novamente)
soar (produzir som)
suar (transpirar)
sortir (abastecer, misturar)
surtir (produzir efeito)
sustar (suspender)
suster (sustentar)
tráfego (trânsito)
tráfico (comércio ilegal)
vadear (atravessar a vau)
vadiar (andar ociosamente)

Curiosidade: É muito comum os falantes confundirem palavras parônimas devido à semelhança fonética ou gráfica, mas algumas pessoas fazem isso de propósito, com o objetivo de provocar humor. Sabia que há um nome para isso?

Malapropismo! Isto mesmo. Malapropismo é o uso de palavras parônimas de forma voluntária, geralmente com efeito cômico. Quem mais faz uso do malapropismo  são os humoristas. “O termo tem origem na língua inglesa, no adjetivo malapropos (citado pela primeira vez no dicionário Oxford em 1630), por sua vez vindo da expressão francesa "mal à propos" (lit. "mal à propósito", isto é, inapropriado)”, diz a Wikipédia.

Exemplo de malapropismo:

"Este menino é muito impossível!" em vez de "Este menino é muito impulsivo!"

Ita est!
Prof. Zanon

Todas as cartas de amor...



Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente 
Ridículas.)

Fernando Pessoa

Antífona

Ó Formas alvas, brancas, Formas claras
De luares, de neves, de neblinas!
Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas...
Incensos dos turíbulos das aras

Formas do Amor, constelarmante puras,
De Virgens e de Santas vaporosas...
Brilhos errantes, mádidas frescuras
E dolências de lírios e de rosas ...

Indefiníveis músicas supremas,
Harmonias da Cor e do Perfume...
Horas do Ocaso, trêmulas, extremas,
Réquiem do Sol que a Dor da Luz resume...

Visões, salmos e cânticos serenos,
Surdinas de órgãos flébeis, soluçantes...
Dormências de volúpicos venenos
Sutis e suaves, mórbidos, radiantes...

Infinitos espíritos dispersos,
Inefáveis, edênicos, aéreos,
Fecundai o Mistério destes versos
Com a chama ideal de todos os mistérios.

Do Sonho as mais azuis diafaneidades
Que fuljam, que na Estrofe se levantem
E as emoções, todas as castidades
Da alma do Verso, pelos versos cantem.

Que o pólen de ouro dos mais finos astros
Fecunde e inflame a rima clara e ardente...
Que brilhe a correção dos alabastros
Sonoramente, luminosamente.

Forças originais, essência, graça
De carnes de mulher, delicadezas...
Todo esse eflúvio que por ondas passa
Do Éter nas róseas e áureas correntezas...

Cristais diluídos de clarões alacres,
Desejos, vibrações, ânsias, alentos
Fulvas vitórias, triunfamentos acres,
Os mais estranhos estremecimentos...

Flores negras do tédio e flores vagas
De amores vãos, tantálicos, doentios...
Fundas vermelhidões de velhas chagas
Em sangue, abertas, escorrendo em rios...

Tudo! vivo e nervoso e quente e forte,
Nos turbilhões quiméricos do Sonho,
Passe, cantando, ante o perfil medonho

E o tropel cabalístico da Morte...


Cruz e Souza

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

O Substituto


Henry Barthes (Adrien Brody) é um professor de ensino médio, que apesar de ter o dom nato para se comunicar com os jovens, só dá aulas como substituto, para não criar vínculos com ninguém. Mas quando ele é chamado para lecionar em uma escola pública, se encontra em meio à professores desmotivados e adolescentes violentos e desencantados com a vida, que só querem encontrar um apoio para substituir seus pais negligentes ou ausentes. Sofrendo uma crise familiar, Henry verá três mulheres entrando em sua vida e vai começar a perceber como ele pode fazer a diferença, mesmo que isso venha com um alto custo. Assista a uma das cenas:



Por que recomendo este filme? 

Trata-se de uma pintura da natureza humana que retrata os dramas, os temores e as diversas circunstâncias que orientam e determinam o agir humano. O protagonista é um professor que usa uma didática alternativa com seus alunos momentâneos e cheios de problemas. 
Na visão do existencialismo, no qual a obra é exposta, o ponto de partida do indivíduo é caracterizado pelo que se tem designado por "atitude existencial", ou uma sensação de desorientação e confusão face a um mundo aparentemente sem sentido e absurdo, o que pode denotar, a toda vista e num olhar superficial, um filme deprimente e de desesperança, o que não é verdade: a obra buscou o facho de luz no meio do caos. Caos que a maioria não vê, seja porque não quer, seja pelo "emburrecimento" a que foi e é levada todos os dias.
É, em síntese, uma verdadeira visão de nosso cotidiano, em que muitos sequer sabem de sua não-existência e preferem continuar simulando passageiras e entorpecidas felicidades, enquanto outros alcançam uma auto-consciência que, embora às vezes desesperadora, abre as portas para um verdadeiro sentido para vida. Essa observação remete ao clássico conto de Luís Fernando Veríssimo, Finitude; que, engraçado, trata do mesmo tema de uma forma cômica. Enfim, trata-se, na verdade, da verdadeira condição humana e de seu verdadeiro fim último. Uma obra de arte!

É interessante lembrar que há várias escolas psicológicas, além do existencialismo. Nenhuma delas está completamente correta; ás vezes, são opostas, mas que simplesmente se completam. O filme aborda uma visão que reflete parcialmente a tessitura, a estrutura dos relacionamentos. 

O filme está disponível integralmente e gratuitamente no Youtube. Clique no link abaixo.



Observação: 
Texto parafraseado do comentário de Sérgio Sal, disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=PazIt256aNw. 


Concordo em gênero, número e grau



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

O lado bom do sofrimento

Há alguns dias estava conversando com um amigo sobre o novo livro que estou escrevendo (Rosslyn - Os bastidores de uma renúncia eclesiástica), e mencionei a ele uma de minhas máximas preferidas: "Existem coisas que só os olhos que foram lavados pelas lágrimas conseguem enxergar". Ele gostou muito e anotou-a num guardanapo de papel. No outro dia me enviou por e-mail uma reflexão que encontrou na internet, com teor igual mas palavras diferentes. Gostei muito, tanto que vou encaixá-la no texto do novo livro. A reflexão é a seguinte:


"As pessoas mais bonitas que conhecemos são aquelas que conheceram o sofrimento, conheceram a derrota, conheceram o esforço, conheceram a perda e encontraram seu caminho para fora das profundezas. Essas pessoas têm uma apreciação, uma sensibilidade e uma compreensão da vida que as enche de compaixão, gentileza, e uma profunda preocupação amorosa. Pessoas bonitas não acontecem por acaso."



Ita est!
Prof. Zanon

Um hino às amizades que acabaram quando as dificuldades surgiram

Há um ditado que diz que "as amizades são como as fontes de águas, só provam seu valor no tempo da seca". Quão verdadeiro! Alguns "amigos" frequentam nossas casas, comem à nossa mesa, fazem constantes declarações de amizade... mas quando passamos por algum infortúnio e ficar ao nosso lado pode comprometê-los... a amizade termina.

Glória a Deus por isso! Momentos assim, embora dolorosos, nos ajudam a selecionar nossos verdadeiros amigos, aqueles que jamais nos abandonarão. Mesmo que reste apenas um, se ele mostrou-se amigo verdadeiro, leal e fiel nas horas mais difíceis de nossas vidas; que bênção é tê-lo ao nosso lado. 


Guilherme Arantes, um dos maiores compositores brasileiros (e exímio pianista), compôs uma canção belíssima, cuja letra pergunta: Onde estava você, quando mais eu precisei? Assista ao vídeo.


ONDE ESTAVA VOCÊ
Guilherme Arantes


Só o tempo em nós respondeu
Em que se transformou
A amizade que uma vez existiu
Quem foi leal, quem ficou e o que se abandonou

Onde estava você
Quando mais eu precisei
Do amigo pra lutar
Em tempos de guerra e paz

Onde andava você
Quando o mundo me esqueceu
Na areia do deserto e não te achei jamais

Tanto trabalho que deu
Reconstruir o chão
O universo desabou, um furacão
Pedra por pedra, valeu
O aprendizado é assim

Onde estava você
Quando mais eu precisei
Do amigo pra lutar
Em tempos de guerra e paz

Onde andava você
Quando o mundo me esqueceu
Na areia do deserto e não te achei jamais

Quando somos jovens
Tantos sonhos são pra durar
Muitos são os álbuns
De memórias pra guardar

Só o tempo em nós respondeu
Em que se transformou
A amizade que uma vez existiu
Quem foi leal, quem ficou
E o que se abandonou

Onde estava você
Quando mais eu precisei
Do amigo pra lutar
Em tempos de guerra e paz

Onde andava você
Quando o mundo me esqueceu
Na areia do deserto e não te achei jamais

Quando somos jovens
Tantos sonhos são pra durar
Muitos são os álbuns
De memórias pra guardar.


Ita est!
Prof. Zanon



domingo, 1 de fevereiro de 2015

"Eu que reclamava por não ter sapatos..."


Só assim para a aula fluir...


Semana pedagógica 2015 na Escola Atuação



Na segunda-feira, 26 de janeiro, teve início a Semana Pedagógica na Escola Atuação. Os professores voltaram ao trabalho uma semana antes que os alunos para organizar a escola para o início do ano letivo.
         Além de organizar as agendas, fazer os planejamentos, preparar as avaliações, atualizar dados psicopedagógicos; a programação da Semana Pedagógica também proporciona aos professores um aprimoramento de suas habilidades e um novo ânimo para começar o ano através de palestras e preleções.
         A semana iniciou-se com uma conversa com os diretores Ademar e Cris. Ademar alertou os professores para as dificuldades financeiras que são esperadas para o ano de 2015 e a Cris passou aos professores alguns lembretes para colocarmos em prática com nossos alunos.


Ademar e Cris (Exemplos inspiradores de administrador e educadora, respectivamente).

         A primeira palestrante, Magda Branco, discorreu sob o tema: Repaginar 2014 e reinventar 2015. Que tal? O ponto alto de sua apresentação foi a dinâmica que convenceu a assistência de que somos frutos do nosso meio, ou seja, reproduzimos muitas qualidades e defeitos de nossos pais e avós. Magda demonstrou que podemos mudar isso, tomando as rédeas de nossas vidas em nossas mãos.


Magda Branco (Palestrante e Psicóloga)

         A segunda palestrante agradou a todos ao discorrer sobre o trabalho de coaching que os professores vêm realizando na escola nos últimos anos. Cristiane Pinerolli falou com autoridade sobre o assunto, respondendo perguntas que até então não tinham sido respondidas aos professores sobre o coaching. Com graça e simpatia, Cristiane motivou os professores a definirem alvos pessoais e profissionais para serem trabalhados ao longo de 2015. Cada professor assumiu o compromisso consigo mesmo ao escrever seus alvos e depositá-los numa caixa lacrada que será aberta em janeiro de 2016.


Cristiane Pinerolli (Fonoaudióloga e Coach)


         Magda Branco fez todos os professores tomarem consciência da necessidade de cuidarem do corpo e da mente por meio de exercícios de relaxamento e dinâmicas de grupo na sexta-feira.
         A agitada agenda era interrompida com pausas para deliciosos lanches: sorvete, salada de frutas, cachorro quente, sanduíche natural com chá de abacaxi com hortelã etc.








         Esta Semana Pedagógica serviu para nos ajudar a afiar nossos machados para mais uma jornada escolar, como costuma dizer nosso diretor Ademar.


Professor Sandro Zanon

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Sou um professor apaixonado pela educação, pela literatura, pela língua portuguesa e pela arte de escrever. Como tantos educadores, um idealista. Fascina-me a incomensurável capacidade de transformação do ser humano. Por que me ufano da minha profissão? Porque sei que quando leciono, não estou apenas passando conteúdos, mas também destruindo mitos, dogmas e raciocínios falaciosos que cerceiam a liberdade humana.