quarta-feira, 15 de abril de 2015

Paparazzi ou paparazzo?

Estamos importando muitos estrangeirismos para nossa língua. Então é bom saber: Paparazzi é o plural e paparazzo o singular. Paparazzi é uma palavra derivada da língua italiana utilizada para designar os repórteres que fotografam famosos sem sua permissão.  

Então...

- O ator brigou com um paparazzo.

- Os paparazzi não davam trégua ao cantor.


Ita est!
Prof. Zanon

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Naipes do baralho



A palavra naipe se refere ao sinal que distingue cada um dos grupos das cartas de baralho, a saber: copas, espadas, ouros e paus. Tais palavras sempre devem ser grafadas no plural, pois não existe a forma no singular em nosso léxico.

Algumas curiosidades sobre suas origens:

A palavra naipe tem origem meio perdida nos tempos. Sabe-se que veio do catalão naib, e era usada para designar um jogo de cartas.

Os nomes dos naipes apresentavam símbolos relacionados às forças sociais. O ouros, por exemplo, vem do latim aurum. O losango vermelho simboliza o ouros porque nos países de língua portuguesa, inglesa e francesa convencionou-se usá-lo, já que era este o símbolo usado nas cartas de baralho francesas. Em baralhos espanhóis usa-se uma moeda de ouro para este símbolo.

Outro naipe é o copas, do latim cubba, “taça, vasilha”. Representava o clero.

Temos também o naipe espadas, que vem do grego spathé, “peça achatada de madeira usada pelos tecelões, pá do remo”. Seu nome era inicialmente ligado a ferramentas mais construtivas, mas acabou designando a nobreza, antigamente ligada aos aspectos bélicos de um país.

Paus, do latim palus, “poste, moirão, pedaço de madeira”, e representava os camponeses.



Além dessas, temos também:

- Curinga, que se originou do quimbundo kuringa, “matar”. Designação apropriada, já que ela pode ter a função de sobrepujar o valor de outras cartas, conforme o jogo.

- Valete, do francês valet, “jovem que serve a um senhor” e do latim vassus, “servo, servidor”. A letra “J” que aparece na carta é uma vem do inglês, jack. Este é um nome comum em inglês, parecido com o nosso “Zé”. Deriva do holandês Jankin, um diminutivo de “João”.

- Rainha, do latim regina, “rainha”. Sua letra é o “Q” de queen, do inglês antigo cwen, que tanto podia ser usado para “mulher” como para “rainha”.

- Rei vem do latim rex, “rei”, derivada do indo-europeu reg-, “mover-se em linha reta”, daí “dirigir, guiar, comandar”. A letra usada na carta é o “K” de king, do inglês antigo ciny, “rei, chefe”.



Ita est!
Prof. Zanon

Núpcia ou núpcias?


Núpcias é uma daquelas palavras que só empregamos no plural (como afazeres, arredores, belas-artes, cãs [cabelos brancos], confins, fezes, parabéns, condolências, trevas [a mocinha da novela que dizia: “É a treva!” estava por fora das regras da língua portuguesa], víveres, pêsames etc.). 


Núpcias vêm do latim nubere, "casar", de onde se derivou nuptiae, "bodas". Refere-se ao momento em que o casamento é contraído. São sinônimos de núpcias, portanto, as palavras bodas, casamento, casório, conúbio, enlace, esponsais, himeneu e matrimônio. Já que se refere à cerimônia em que se realiza a união conjugal, costumamos falar da marcha nupcial, noite de núpcias, leito nupcial etc.

Então, nunca empregue esta palavrinha no singular, sempre no plural:

- A festa de núpcias foi luxuosa.

- Meu sogro casou-se em segundas núpcias.




Ita est!
Prof. Zanon

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Wish You Were Here - Pink Floyd



A desculpa do pneu furado

"Incoerência é quando as atitudes andam na contramão das palavras."
Márcio Kühne

         À VÉSPERA de uma prova, quatro alunos resolveram chutar o balde: iriam viajar, faltar à prova e então, dar um jeitinho com o professor para fazerem a prova quando retornassem da viagem.
         Na terça-feira, após o final de semana, retornaram à escola, dirigiram-se ao professor e argumentaram: "Professor, tivemos que viajar no final de semana, e só retornamos na tarde de ontem. Na viajem, mil problemas, e dentre eles um pneu que furou e não conseguimos consertá-lo a tempo de chegarmos para fazer a prova de ontem. Será que o senhor poderia aplicar hoje a prova?" O professor, sempre compreensivo respondeu-lhes: "Claro, vocês podem fazer a prova hoje à tarde após o almoço sem problema nenhum".
         Os meninos voltaram para casa e estudaram bastante toda a matéria pedida pelo mestre. Uma vez com tudo na cabeça, retornaram à escola. Lá chegando o professor colocou-os em salas diferentes e entregou a prova que valeria 10 pontos, para que fosse resolvida. Na verdade na prova havia apenas duas perguntas.
         Quando os alunos pegaram a folha sorriram por dentro achando que se dariam bem nos 10 pontos, mas quando leram as perguntas surpreenderam-se: A primeira pergunta se tratava da matéria a qual o professor pediu para que todos estudassem, mas a segunda, que valia nove pontos, perguntava o seguinte: "Qual pneu do carro em que viajaram no final de semana furou?"
         Não precisava muito esforço para saber que somente uma coincidência muito grande os faria acertar aquela questão. Então um tanto envergonhado, um dos meninos chamou o mestre e acabou por lhe contar a verdade. O mestre pediu-lhe que respondesse a primeira pergunta e que se estivesse certa, lhe daria os 10 pontos. O resto dos meninos não conseguiu resolver a prova e acabou ganhando um ponto cada um deles.


Lembre-se: Você é livre para tomar suas decisões, mas não é livre para escolher as consequências.

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Sou um professor apaixonado pela educação, pela literatura, pela língua portuguesa e pela arte de escrever. Como tantos educadores, um idealista. Fascina-me a incomensurável capacidade de transformação do ser humano. Por que me ufano da minha profissão? Porque sei que quando leciono, não estou apenas passando conteúdos, mas também destruindo mitos, dogmas e raciocínios falaciosos que cerceiam a liberdade humana.